Nossas crianças são muito mais
resistentes a agrotóxicos que as
norte-americanas
Comentário do editor:
Nos Estados Unidos da
América do Norte, a presença do agrotóxico "perimifos metílico" não
é permitida no trigo, ou seja, o padrão é tolerância zero, o que
fez com que a Nestlé retirasse do mercado norte-americano sua
farinha láctea fabricada no Brasil. Aqui, permite-se a presença de
5 mg/kg, e o Ministério da Agricultura alega que estamos " abaixo
da margem internacional recomendada por organismo internacional
ligado à ONU e à OMS".
É bom lembrar que o trigo que vai para fabricação da farinha
láctea, produto destinado principalmente ao consumo infantil, é o
mesmo usado na produção de pão, alimento fundamental especialmente
para as populações urbanas.
Segundo toxicologista ouvido pela Folha de São Paulo na sexta-feira
passada, "Não há risco. A concentração do agrotóxico é extremamente
baixa", concluindo-se que a farinha láctea não é prejudicial às
crianças.
A pergunta que fica, então, é porque razão foi adotada uma
tolerância zero na presença desse agrotóxico no trigo consumido nos
EUA? não houve base científica? não foi resultado de estudos e
pesquisas? foi uma decisão burocrática qualquer, resultado de algum
lobby de empresas concorrentes?
Mas, ao que tudo indica, dados os níveis, aqui permitidos, de
resíduos tóxicos nos alimentos, certamente nossas crianças são mais
resistentes à ingestão de agrotóxicos que as
norte-americanas.
Nestlé suspende venda de farinha láctea
nos EUA
Nova York - A
companhia suíça de alimentos Nestlé informou a suspensão da venda
nos Estados Unidos do cereal Farinha Láctea Nestlé, fabricado no
Brasil, depois de verificar a presença residual de um pesticida
atualmente não aprovado para uso em trigo no país.
A companhia disse que "não recebeu informação de indisposição ou
reclamações de consumidores", mas recomendou aos que adquiriram a
Farinha Láctea Nestlé que "não consumam o produto e devolvam às
lojas onde foram comprados para total reembolso". O pesticida é
permitido nos Estados Unidos em safras de grãos, excluindo o
trigo.
Fonte: informações da Dow Jones, com Cynthia Decloedt, Agência
Estado
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Farinha Láctea
não é prejudicial às crianças, diz especialista
O
teor de pesticida encontrado em lotes da mistura Farinha Láctea,
produzida pela Nestlé do Brasil, apreendidos num mercado de
produtos brasileiros nos EUA não é prejudicial à saúde, segundo
toxicologistas.
Laudo do Departamento de Proteção ao Consumidor do Estado de
Connecticut, nos EUA, diz haver 0,080 mg/kg do agrotóxico perimifos
metílico, acima da tolerância zero para a substância naquele país.
No Brasil, o limite para farinha de trigo, presente na composição
da Farinha Láctea é de 5 mg/ kg.
Em nota, a Nestlé diz que "cumpre rigorosamente a legislação
vigente no Brasil".
Fonte: Vinícius Queiroz Galvão, Folha de São Paulo, 31.10.08
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28.10.08
Uma
Análise Preliminar das Transformações Recentes na Agropecuária
Latinoamericana
Por Eduardo Gudynas (1)
Artigo publicado em Economía Crítica y Desarrollo 3 (5):
167-191; 2008. Chile
Apresentação
O presente artigo está baseado na apresentação realizada pelo autor
no seminário "A agricultura latinoamericana frente às negociações
comerciais (OMC/ bilaterais): mobilização social e articulação
internacional", convocado pelo Grupo de Trabalho em Agricultura da
Alianza Social Continental e outras organizações, no Rio de Janeiro
(21-22 agosto 2008).
Introdução
A agropecuária na América Latina recuperou parte de sua importância
econômica passada, no calor dos incrementos dos preços dos
alimentos e um fluxo exportador excepcional. Em alguns países, os
produtos agroalimentares se converteram em estrelas do crescimento
econômico, e a partir de então algum otimismo se respira entre as
agroindústrias.
O presente artigo oferece uma revisão de algumas idéias-chaves
sobre estas transformações recentes na agropecuária
latinoamericana. A análise articula, de forma heterodoxa, a
economia política e a ecologia política desse sector, e o faz desde
a perspectiva do desenvolvimento sustentável. Neste artigo se
postula que os câmbios atuais na agropecuária não são apenas de
grau ou um aprofundamento de velhas tendências mas, sim, que
representam transformações radicais.
Estas se baseam em uma expansão do novo capitalismo sobre os
processos e atores envolvidos na atividade agropecuaria, gerando
uma mercantilização ainda mais profunda e a fragmentação da
produção. Este câmbio opera essencialmente pela imposição e adoção
de um certo estilo de produção antes que pela propiedade da terra
ou dos meios de produção. Estes câmbios têm consequências muito
diferentes entre os distintos atores sociais, e afeta principal e
negativamente às comunidades camponesas e os agricultores
familiares, que correm sérios riscos.
Em consequência, neste trabalho são aordados alguns pontos mais
importantes destas transformações, hierarquizados com referência às
discussões atuales entre vários movimentos sociais. ressalto,
então, que o presente texto não pretende ser uma revisão exaustiva
de toda esta temática, limitando-se a uma contribuição enfocando
especialmente as organizações da sociedade
civil.
(1) (Secretario Executivo do Centro Latino
Americano de Ecología Social (CLAES), Montevidéu, Uruguay.
www.agropecuaria.org egudynas@agropecuaria.org)
Veja
o artigo completo, em castellano, em Documentos
17.09.08
ITAL constata que a soja
é contaminada com agentes cancerígenos na secagem com
lenha
Comentário do editor:
Se já combatia
o uso de lenha, especialmente originada de cobertura vegetal
natural - de espécies nativas - na secagem e processamento da soja,
em virtude da devastação ambiental que vem provocando nos últimos
30 anos, agora soma-se uma forte evidência científica dos seus
perigos para a saúde pública.
O óleo de soja, o mais barato e mais consumido pela população
brasileira, contém 13 agentes cancerígenos capazes de provocar
mudanças no material genético das pessoas que os ingerirem. E isso
vem acontecendo há décadas em nosso país, só agora sendo detectado
após um ano de pesquisa pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos
da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.
De acordo com o Instituto, "As análises apontaram a
contaminação de todas as amostras coletadas, que pertenciam a
diferentes marcas." Diz a coordenadora da trabalho, Mônica Rojo de
Camargo, que "No caso do óleo de soja, os resultados obtidos pela
pesquisa - que avaliou 42 amostras coletadas ao longo de um ano -
eram esperados. Os HPAs [compostos cancerígenos] são formados,
nesse caso, durante a secagem da soja, pois, no Brasil, ainda se
utiliza a secagem pela queima da madeira. Eles se depositam no grão
e passam para o óleo bruto."
Ela lembra que a contaminação se dá em um processo de produção
usado por todas as empresas do agronegócio da soja. E
conclui:
"A conscientização e a
mudança de postura devem partir da indústria, já que o consumidor
não tem como se proteger. Uma das alternativas é substituir o
processo de secagem."