05.11.08

Nossas crianças são muito mais resistentes a agrotóxicos que as norte-americanas

Comentário do editor:
Nos Estados Unidos da América do Norte, a presença do agrotóxico "perimifos metílico" não é permitida no trigo, ou seja, o padrão é tolerância zero, o que fez com que a Nestlé retirasse do mercado norte-americano sua farinha láctea fabricada no Brasil. Aqui, permite-se a presença de 5 mg/kg, e o Ministério da Agricultura alega que estamos " abaixo da margem internacional recomendada por organismo internacional ligado à ONU e à OMS".

É bom lembrar que o trigo que vai para fabricação da farinha láctea, produto destinado principalmente ao consumo infantil, é o mesmo usado na produção de pão, alimento fundamental especialmente para as populações urbanas.

Segundo toxicologista ouvido pela Folha de São Paulo na sexta-feira passada, "Não há risco. A concentração do agrotóxico é extremamente baixa", concluindo-se que a farinha láctea não é prejudicial às crianças.

A pergunta que fica, então, é porque razão foi adotada uma tolerância zero na presença desse agrotóxico no trigo consumido nos EUA? não houve base científica? não foi resultado de estudos e pesquisas? foi uma decisão burocrática qualquer, resultado de algum lobby de empresas concorrentes?

Mas, ao que tudo indica, dados os níveis, aqui permitidos, de resíduos tóxicos nos alimentos, certamente nossas crianças são mais resistentes à ingestão de agrotóxicos que as norte-americanas.

Nestlé suspende venda de farinha láctea nos EUA

Nova York - A companhia suíça de alimentos Nestlé informou a suspensão da venda nos Estados Unidos do cereal Farinha Láctea Nestlé, fabricado no Brasil, depois de verificar a presença residual de um pesticida atualmente não aprovado para uso em trigo no país.

A companhia disse que "não recebeu informação de indisposição ou reclamações de consumidores", mas recomendou aos que adquiriram a Farinha Láctea Nestlé que "não consumam o produto e devolvam às lojas onde foram comprados para total reembolso". O pesticida é permitido nos Estados Unidos em safras de grãos, excluindo o trigo.
Fonte: informações da Dow Jones, com Cynthia Decloedt, Agência Estado
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Farinha Láctea não é prejudicial às crianças, diz especialista


O teor de pesticida encontrado em lotes da mistura Farinha Láctea, produzida pela Nestlé do Brasil, apreendidos num mercado de produtos brasileiros nos EUA não é prejudicial à saúde, segundo toxicologistas.
Laudo do Departamento de Proteção ao Consumidor do Estado de Connecticut, nos EUA, diz haver 0,080 mg/kg do agrotóxico perimifos metílico, acima da tolerância zero para a substância naquele país. No Brasil, o limite para farinha de trigo, presente na composição da Farinha Láctea é de 5 mg/ kg.
Em nota, a Nestlé diz que "cumpre rigorosamente a legislação vigente no Brasil".
Fonte: Vinícius Queiroz Galvão, Folha de São Paulo, 31.10.08
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28.10.08
Uma Análise Preliminar das Transformações Recentes na Agropecuária Latinoamericana

Por Eduardo Gudynas
(1)

Artigo publicado em
Economía Crítica y Desarrollo 3 (5): 167-191; 2008. Chile

Apresentação

O presente artigo está baseado na apresentação realizada pelo autor no seminário "A agricultura latinoamericana frente às negociações comerciais (OMC/ bilaterais): mobilização social e articulação internacional", convocado pelo Grupo de Trabalho em Agricultura da Alianza Social Continental e outras organizações, no Rio de Janeiro (21-22 agosto 2008).

Introdução

A agropecuária na América Latina recuperou parte de sua importância econômica passada, no calor dos incrementos dos preços dos alimentos e um fluxo exportador excepcional. Em alguns países, os produtos agroalimentares se converteram em estrelas do crescimento econômico, e a partir de então algum otimismo se respira entre as agroindústrias.

O presente artigo oferece uma revisão de algumas idéias-chaves sobre estas transformações recentes na agropecuária latinoamericana. A análise articula, de forma heterodoxa, a economia política e a ecologia política desse sector, e o faz desde a perspectiva do desenvolvimento sustentável. Neste artigo se postula que os câmbios atuais na agropecuária não são apenas de grau ou um aprofundamento de velhas tendências mas, sim, que representam transformações radicais.

Estas se baseam em uma expansão do novo capitalismo sobre os processos e atores envolvidos na atividade agropecuaria, gerando uma mercantilização ainda mais profunda e a fragmentação da produção. Este câmbio opera essencialmente pela imposição e adoção de um certo estilo de produção antes que pela propiedade da terra ou dos meios de produção. Estes câmbios têm consequências muito diferentes entre os distintos atores sociais, e afeta principal e negativamente às comunidades camponesas e os agricultores familiares, que correm sérios riscos.

Em consequência, neste trabalho são aordados alguns pontos mais importantes destas transformações, hierarquizados com referência às discussões atuales entre vários movimentos sociais. ressalto, então, que o presente texto não pretende ser uma revisão exaustiva de toda esta temática, limitando-se a uma contribuição enfocando especialmente as organizações da sociedade civil.
(1) (Secretario Executivo do Centro Latino Americano de Ecología Social (CLAES), Montevidéu, Uruguay.
www.agropecuaria.org egudynas@agropecuaria.org)

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17.09.08

ITAL constata que a soja é contaminada com agentes cancerígenos na secagem com lenha


Comentário do editor:


Se já combatia o uso de lenha, especialmente originada de cobertura vegetal natural - de espécies nativas - na secagem e processamento da soja, em virtude da devastação ambiental que vem provocando nos últimos 30 anos, agora soma-se uma forte evidência científica dos seus perigos para a saúde pública.

O óleo de soja, o mais barato e mais consumido pela população brasileira, contém 13 agentes cancerígenos capazes de provocar mudanças no material genético das pessoas que os ingerirem. E isso vem acontecendo há décadas em nosso país, só agora sendo detectado após um ano de pesquisa pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo.

De acordo com o Instituto,
"As análises apontaram a contaminação de todas as amostras coletadas, que pertenciam a diferentes marcas." Diz a coordenadora da trabalho, Mônica Rojo de Camargo, que "No caso do óleo de soja, os resultados obtidos pela pesquisa - que avaliou 42 amostras coletadas ao longo de um ano - eram esperados. Os HPAs [compostos cancerígenos] são formados, nesse caso, durante a secagem da soja, pois, no Brasil, ainda se utiliza a secagem pela queima da madeira. Eles se depositam no grão e passam para o óleo bruto."

Ela lembra que a contaminação se dá em um processo de produção usado por todas as empresas do agronegócio da soja. E conclui:


"A conscientização e a mudança de postura devem partir da indústria, já que o consumidor não tem como se proteger. Uma das alternativas é substituir o processo de secagem."