23.07.10
OMC: recursos
naturais representaram um quarto do comércio mundial em
2008
Comércio mundial crescerá 10% em
2010
Em 2008, o comércio de recursos
naturais representava 3,7 trilhões de dólares, ou seja, 24% do
comércio mundial de mercadorias. Este valor sextuplicou entre 1998
e 2008.
O comércio mundial aumentará 10% em 2010, depois de ter sofrido uma
redução de 12% no ano passado, anunciou nesta sexta-feira, em
Xangai, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC),
Pascal Lamy, ao apresentar o relatório anual da instituição.
"Nossa previsão para o
comércio mundial este ano é de 10% em volume, depois dos -12% de
2009", declarou Lamy. A OMC elevou sua previsão em relação à
cifra adiantada em março ( 9,5%). Segundo a OMC, em 2009 ocorreu uma
queda sem precedentes do volume de negócios desde a Segunda Guerra
Mundial, por culpa da crise econômica, que afetou fortemente a
demanda. "O crescimento do comércio registra um rápido retorno,
principalmente graças ao contínuo dinamismo da China e de outros
países", explicou Lamy, em um segundo discurso pronunciado no
Instituto para o Comércio Internacional de Xangai.
Neste sentido, Lamy estimou
que, salvo surpresas ruins, a projeção de um crescimento de 10%
"pode, inclusive, ser muito conservadora". Em seu informe, a OMC incentiva os
Estados a reforçar sua cooperação na área do comércio internacional
dos recursos naturais, advertindo sobre possíveis novas tensões em
caso contrário. "Acho não apenas que é possível encontrar, nas
negociações, compromissos mutuamente benéficos, que abarquem o
comércio dos recursos naturais, como também que o fato de não
tratar dessas questões seria uma fonte de crescente tensão nas
relações comerciais internacionais", afirma Lamy no
relatório.
Recursos naturais A
Rússia é o primeiro exportador mundial de recursos naturais, com
uma fatia do mercado de 9,1% em 2008, em especial graças à forte
alta dos preços dos combustíveis. A Arábia Saudita ocupa o segundo
lugar com 7,6%. Do
lado dos importadores, os Estados Unidos encabeçam a lista ao
comprar 15,2% dos recursos naturais à venda em 2008, seguidos do
Japão (9,1%) e da China (8,6%). Mas frente ao caráter não renovável de
certas matérias-primas, os países ricos em recursos naturais
geralmente limitam as exportações através de tributação ou de
restrições quantitativas, assinala a OMC. Essas tarifas sobre as exportações
dizem respeito a 11% do comércio de recursos naturais, contra 5% do
de outros produtos, segundo o informe. Estas medidas têm efeitos prejudiciais
para os outros países ao influenciar os preços mundiais e afetar os
benefícios entre importadores e exportadores, lamenta a OMC, que
recomenda tomar medidas que permitam favorecer a conservação dessas
matérias-primas. Lamy indica que sua conclusão, que "não
surpreenderá ninguém", é que as coisas melhorarão nesse aspecto "se
conseguirmos fechar rapidamente a Rodada de Doha".
A Rodada de Doha, que deve
resultar numa maior liberalização do comércio internacional,
reduzindo os direitos alfandegários de milhares de produtos, foi
lançada no Qatar, em 2001, mas até o momento todas as reuniões
organizadas para concluí-la resultaram em fracasso.
Fonte: France Presse, com o Observatório