Bioma
Pampa já perdeu mais da metade da vegetação
original
O bioma Pampa, que ocupa a maior parte do Rio Grande do Sul, já perdeu quase 54% da vegetação original. Os dados mais recentes do desmatamento do bioma, divulgados ontem (22) pelo Ministério do Meio Ambiente, mostram que, entre 2002 e 2008, 2.183 km² de cobertura nativa foram derrubados. No total, o bioma já perdeu mais de 95 mil km² da vegetação original.
O levantamento foi realizado pelo Centro de Monitoramento Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Apesar do grande percentual desmatado, o ritmo de devastação do Pampa é o menor entre os biomas brasileiros.
De acordo com os dados do MMA, a região perdeu anualmente, em média, 364 km² de vegetação nos últimos seis anos. No Cerrado, o ritmo anual de devastação é de 14 mil km² por ano e, na Amazônia, a derrubada atinge 18 mil km² de floresta anualmente.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil; edição: Lana Cristina
O bioma Pampa, que ocupa a maior parte do Rio Grande do Sul, já perdeu quase 54% da vegetação original. Os dados mais recentes do desmatamento do bioma, divulgados ontem (22) pelo Ministério do Meio Ambiente, mostram que, entre 2002 e 2008, 2.183 km² de cobertura nativa foram derrubados. No total, o bioma já perdeu mais de 95 mil km² da vegetação original.
O levantamento foi realizado pelo Centro de Monitoramento Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Apesar do grande percentual desmatado, o ritmo de devastação do Pampa é o menor entre os biomas brasileiros.
De acordo com os dados do MMA, a região perdeu anualmente, em média, 364 km² de vegetação nos últimos seis anos. No Cerrado, o ritmo anual de devastação é de 14 mil km² por ano e, na Amazônia, a derrubada atinge 18 mil km² de floresta anualmente.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil; edição: Lana Cristina
Pesquisadores criticam mudanças no
Código Florestal
Atualmente em tramitação no Congresso Nacional, a proposta de revisão do Código Florestal Brasileiro não agrada cientistas, que já se uniram contra através da elaboração de uma carta publicada na edição de 16 de julho na revista Science.
O texto é assinado por pesquisadores ligados ao programa Biota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Biota-Fapesp): Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), situado em Piracicaba (SP), Jean Paul Metzger, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, e Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.
A principal discussão é que o Código proposto não contou com a participação efetiva de pesquisadores e sua aprovação poderá trazer perdas irreparáveis para o meio ambiente.
Para Luiz Antonio Martinelli, pesquisador do Cena/USP, o Código Florestal, criado em 1965, tem pontos que necessitam de revisão, em especial no que diz respeito aos pequenos agricultores, cujas propriedades eventualmente são pequenas demais para comportar a presença das APPs e a RL.
"Mas, qualquer que seja a reformulação, ela deve ter uma base científica sólida. Essa foi a grande falha da modificação proposta, que teve o objetivo político específico de destruir 'empecilhos' ambientais à expansão da fronteira agrícola a qualquer custo", disse Martinelli à Agência Fapesp.
Segundo ele, o argumento central da proposta de reformulação foi construído a partir de um "relatório cientificamente incorreto encomendado diretamente pelo Ministério da Agricultura a um pesquisador ligado a uma instituição brasileira de pesquisa".
"O relatório concluía que não haveria área suficiente para a expansão agrícola no país, caso a legislação ambiental vigente fosse cumprida ao pé da letra. O documento, no entanto, foi produzido de forma tão errônea que alguns pesquisadores envolvidos em sua elaboração se negaram a assiná-lo", apontou.
O principal argumento para as reformas, segundo o pesquisador, baseia-se na alegação de que há um estrangulamento da expansão de terras agrícolas, supostamente bloqueado pelas APPs e RL. Para os proponentes da mudança, esses mecanismos de proteção ambiental tornam a legislação atual excessivamente rigorosa, bloqueando o avanço do agronegócio. Esse bloqueio, no entanto, não existe, afirma. "A falácia desse argumento foi cientificamente desmontada."
Martinelli cita estudo coordenado por Gerd Sparovek, pesquisador da Esalq (USP) (para ler, baixe esse estudo em nossa página de Documentos), que usou sensoriamento remoto para concluir que a área cultivada no Brasil poderá ser praticamente dobrada se as áreas hoje ocupadas com pecuária de baixa produtividade forem realocadas para o cultivo agrícola.
"Melhorando a eficiência da pecuária em outras áreas por meio de técnicas já conhecidas, não há qualquer necessidade de avançar sobre a vegetação natural protegida pelo Código Florestal atual", disse.
Para o pesquisador do Cena/USP, a maior parte das reformulações propostas tem o único propósito de aumentar a área agrícola a baixo custo. "O mais paradoxal é que as mudanças beneficiam muito mais os proprietários de grandes extensões de terra do que pequenos produtores", disse.
Martinelli não acredita que as mudanças no Código Florestal possam beneficiar o desenvolvimento da produção de alimentos no Brasil. Segundo ele, se houvesse preocupação real com a produção de alimentos, o governo deveria ampliar e facilitar o crédito aos pequenos produtores, investir em infraestrutura - como estradas e armazenamento - para auxiliar o escoamento desses produtos e, principalmente, investir maciçamente em pesquisas que beneficiassem essas culturas visando a aumentar sua produtividade.
Fonte: Assessoria/Agronotícias
Atualmente em tramitação no Congresso Nacional, a proposta de revisão do Código Florestal Brasileiro não agrada cientistas, que já se uniram contra através da elaboração de uma carta publicada na edição de 16 de julho na revista Science.
O texto é assinado por pesquisadores ligados ao programa Biota da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Biota-Fapesp): Luiz Antonio Martinelli, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), situado em Piracicaba (SP), Jean Paul Metzger, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), Thomas Lewinsohn, do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Ricardo Ribeiro Rodrigues, do Departamento de Ciências Biológicas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, e Carlos Alfredo Joly, do Instituto de Biologia da Unicamp.
A principal discussão é que o Código proposto não contou com a participação efetiva de pesquisadores e sua aprovação poderá trazer perdas irreparáveis para o meio ambiente.
Para Luiz Antonio Martinelli, pesquisador do Cena/USP, o Código Florestal, criado em 1965, tem pontos que necessitam de revisão, em especial no que diz respeito aos pequenos agricultores, cujas propriedades eventualmente são pequenas demais para comportar a presença das APPs e a RL.
"Mas, qualquer que seja a reformulação, ela deve ter uma base científica sólida. Essa foi a grande falha da modificação proposta, que teve o objetivo político específico de destruir 'empecilhos' ambientais à expansão da fronteira agrícola a qualquer custo", disse Martinelli à Agência Fapesp.
Segundo ele, o argumento central da proposta de reformulação foi construído a partir de um "relatório cientificamente incorreto encomendado diretamente pelo Ministério da Agricultura a um pesquisador ligado a uma instituição brasileira de pesquisa".
"O relatório concluía que não haveria área suficiente para a expansão agrícola no país, caso a legislação ambiental vigente fosse cumprida ao pé da letra. O documento, no entanto, foi produzido de forma tão errônea que alguns pesquisadores envolvidos em sua elaboração se negaram a assiná-lo", apontou.
O principal argumento para as reformas, segundo o pesquisador, baseia-se na alegação de que há um estrangulamento da expansão de terras agrícolas, supostamente bloqueado pelas APPs e RL. Para os proponentes da mudança, esses mecanismos de proteção ambiental tornam a legislação atual excessivamente rigorosa, bloqueando o avanço do agronegócio. Esse bloqueio, no entanto, não existe, afirma. "A falácia desse argumento foi cientificamente desmontada."
Martinelli cita estudo coordenado por Gerd Sparovek, pesquisador da Esalq (USP) (para ler, baixe esse estudo em nossa página de Documentos), que usou sensoriamento remoto para concluir que a área cultivada no Brasil poderá ser praticamente dobrada se as áreas hoje ocupadas com pecuária de baixa produtividade forem realocadas para o cultivo agrícola.
"Melhorando a eficiência da pecuária em outras áreas por meio de técnicas já conhecidas, não há qualquer necessidade de avançar sobre a vegetação natural protegida pelo Código Florestal atual", disse.
Para o pesquisador do Cena/USP, a maior parte das reformulações propostas tem o único propósito de aumentar a área agrícola a baixo custo. "O mais paradoxal é que as mudanças beneficiam muito mais os proprietários de grandes extensões de terra do que pequenos produtores", disse.
Martinelli não acredita que as mudanças no Código Florestal possam beneficiar o desenvolvimento da produção de alimentos no Brasil. Segundo ele, se houvesse preocupação real com a produção de alimentos, o governo deveria ampliar e facilitar o crédito aos pequenos produtores, investir em infraestrutura - como estradas e armazenamento - para auxiliar o escoamento desses produtos e, principalmente, investir maciçamente em pesquisas que beneficiassem essas culturas visando a aumentar sua produtividade.
Fonte: Assessoria/Agronotícias
Multinacionais devem manter mesmo
padrão de qualidade em todos os países
O vice-presidente do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, defende que as empresas transnacionais mantenham nos países em desenvolvimento o mesmo padrão de qualidade das suas nações de origem. Segundo ele, algumas vezes essas companhias buscam vantagens competitivas à custa das sociedades onde as legislações são mais flexíveis.
“A questão central é a empresa ter um padrão único em qualquer país em que esteja” disse Itacarambi. “Onde a lei permite, ela tem uma padrão, onde não permite, ela tem outro?”, perguntou ao participar da Conferência Latino-Americana de Responsabilidade Corporativa na Promoção da Integridade e no Combate a Corrupção.
Como exemplo, ele citou que alguns tipos de agrotóxicos foram proibidos em diversos países, mas no Brasil as empresas produtoras fazem pressão para que seu uso não seja proibido. “Se o produto está sendo banido em 60 países, como é o caso de alguns agrotóxicos, problemas existem. Se existem problemas que provocam danos à saúde, uma empresa que é responsável com a sociedade deveria tomar a iniciativa de não colocar [o produto] no mercado”, destacou.
De acordo com Itacarambi, práticas como essa, apesar de estarem dentro da legalidade, podem causar danos à sociedade. “Empresas que são responsáveis com a sociedade devem utilizar o princípio da precaução.”
Tais atitudes, ressalta, não ocorrem sem a conivência de parte da sociedade local. “Tem a responsabilidade das empresas que vendem os alimentos, que devem verificar se esses produtos estão contaminados. Tem o agricultor que usa. Essa responsabilidade está em toda a cadeia.”
Para resolver tais situações, Itacarambi defende ainda uma posição mais firme do consumidor, recusando-se a comprar tais produtos com altos níveis de agrotóxicos, e do comércio, que também deve se negar a vendê-los.
Fonte: Daniel Mello, repórter da Agência Brasil; edição: João Carlos Rodrigues
O vice-presidente do Instituto Ethos, Paulo Itacarambi, defende que as empresas transnacionais mantenham nos países em desenvolvimento o mesmo padrão de qualidade das suas nações de origem. Segundo ele, algumas vezes essas companhias buscam vantagens competitivas à custa das sociedades onde as legislações são mais flexíveis.
“A questão central é a empresa ter um padrão único em qualquer país em que esteja” disse Itacarambi. “Onde a lei permite, ela tem uma padrão, onde não permite, ela tem outro?”, perguntou ao participar da Conferência Latino-Americana de Responsabilidade Corporativa na Promoção da Integridade e no Combate a Corrupção.
Como exemplo, ele citou que alguns tipos de agrotóxicos foram proibidos em diversos países, mas no Brasil as empresas produtoras fazem pressão para que seu uso não seja proibido. “Se o produto está sendo banido em 60 países, como é o caso de alguns agrotóxicos, problemas existem. Se existem problemas que provocam danos à saúde, uma empresa que é responsável com a sociedade deveria tomar a iniciativa de não colocar [o produto] no mercado”, destacou.
De acordo com Itacarambi, práticas como essa, apesar de estarem dentro da legalidade, podem causar danos à sociedade. “Empresas que são responsáveis com a sociedade devem utilizar o princípio da precaução.”
Tais atitudes, ressalta, não ocorrem sem a conivência de parte da sociedade local. “Tem a responsabilidade das empresas que vendem os alimentos, que devem verificar se esses produtos estão contaminados. Tem o agricultor que usa. Essa responsabilidade está em toda a cadeia.”
Para resolver tais situações, Itacarambi defende ainda uma posição mais firme do consumidor, recusando-se a comprar tais produtos com altos níveis de agrotóxicos, e do comércio, que também deve se negar a vendê-los.
Fonte: Daniel Mello, repórter da Agência Brasil; edição: João Carlos Rodrigues
BNDES
vai investir até R$ 2,5 bi no Marfrig
Banco compra títulos de dívidas da empresa
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) comprometeu-se a investir até R$ 2,5 bilhões no frigorífico Marfrig, com aquisição de debêntures (títulos de dívida).
Os papéis poderão ser convertidos em ações. O banco já é acionista da empresa, com fatia de 13,89%. Segundo o frigorífico, os resultados serão usados na aquisição da americana Keystone Foods e da irlandesa O'Kane Poultry."A operação é positiva porque a Keystone tem canal de distribuição na Ásia, o que fortalece a internacionalização", disse Rafael Cintra, analista da Link Investimentos. O valor da aquisição é de US$ 1,26 bilhão.
Desde 2007, quando teve início o processo de consolidação do setor, o banco já investiu, por meio da BNDESPar (o braço de participações em empresas do banco), R$ 9,7 bilhões em frigoríficos - quase 87% das operações diretas do banco com o setor.
No total, o BNDES destinou mais de R$ 14 bilhões aos frigoríficos até maio.
O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, Péricles Salazar, afirma que o banco não oferece o mesmo tratamento para as pequenas empresas. "A internacionalização de grandes empresas é positiva, mas é preciso fomentar as pequenas e médias", disse.
Fonte: Folha de São Paulo
Banco compra títulos de dívidas da empresa
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) comprometeu-se a investir até R$ 2,5 bilhões no frigorífico Marfrig, com aquisição de debêntures (títulos de dívida).
Os papéis poderão ser convertidos em ações. O banco já é acionista da empresa, com fatia de 13,89%. Segundo o frigorífico, os resultados serão usados na aquisição da americana Keystone Foods e da irlandesa O'Kane Poultry."A operação é positiva porque a Keystone tem canal de distribuição na Ásia, o que fortalece a internacionalização", disse Rafael Cintra, analista da Link Investimentos. O valor da aquisição é de US$ 1,26 bilhão.
Desde 2007, quando teve início o processo de consolidação do setor, o banco já investiu, por meio da BNDESPar (o braço de participações em empresas do banco), R$ 9,7 bilhões em frigoríficos - quase 87% das operações diretas do banco com o setor.
No total, o BNDES destinou mais de R$ 14 bilhões aos frigoríficos até maio.
O presidente da Associação Brasileira de Frigoríficos, Péricles Salazar, afirma que o banco não oferece o mesmo tratamento para as pequenas empresas. "A internacionalização de grandes empresas é positiva, mas é preciso fomentar as pequenas e médias", disse.
Fonte: Folha de São Paulo