28.08.08
Pecuaristas americanos
tentam barrar compras de frigoríficos pelo JBS nos
EUA
Associação americana mobilizou governadores e senadores de vários
Estados americanos para reforçar a pressão contra o grupo JBS em
Washington.
Disposta a fazer tudo que estiver ao seu alcance para frear a
expansão do frigorífico brasileiro JBS no mercado americano, uma
associação de criadores de gado ameaça recorrer à Justiça se as
autoridades aprovarem os planos do grupo brasileiro, gerando
complicações que podem atrapalhar por algum tempo os seus
negócios.
Conhecida pela sigla R-Calf USA, a associação apresentou nos
últimos meses seis petições à Divisão Antitruste do Departamento de
Justiça dos Estados Unidos, pedindo que as aquisições da National
Beef e da Smithfield Beef pela JBS não sejam aprovadas. Ela também
mobilizou governadores e senadores de vários Estados americanos
para reforçar a pressão contra o grupo em Washington.
"O aumento da concentração da indústria tem sido prejudicial para
os criadores, e a fusão proposta pela JBS seria a mudança mais
radical na estrutura competitiva dessa indústria em muitas
décadas", diz o presidente da R-Calf USA, Bill Bullard, um
ex-fazendeiro do Estado de Dakota do Sul que hoje se dedica à
associação em tempo integral.
O Departamento de Justiça não tem prazo para concluir sua análise
sobre as aquisições feitas pela JBS. Os executivos do grupo esperam
que tudo esteja resolvido em setembro, mas analistas que acompanham
a indústria de perto nos EUA afirmam que não ficariam surpresos se
a novela só acabasse perto do fim do ano.
Com quase um terço do mercado americano sob seu controle, a JBS
terá muito mais força na hora de negociar preços com os pecuaristas
se as duas transações receberem o sinal verde. Em algumas regiões
onde os fazendeiros hoje têm três ou mais indústrias para vender
seus bois, haveria apenas a JBS e um concorrente do outro lado da
porteira.
Isso preocupa os fazendeiros, mas a maioria parece resignada diante
do que os analistas consideram uma tendência irreversível de
concentração da indústria. Além disso, muitos criadores preferem
apostar nas vantagens oferecidas pela entrada de um grupo novo e
agressivo como a JBS num mercado que estava estagnado há muitos
anos.
"Estamos um pouco nervosos porque não gostamos de ver uma companhia
sozinha com o poder de definir os preços do setor", diz o
fazendeiro Philip Ellis, que cria gado no Estado de Wyoming. "Mas
acho atraente a proposta que eles estão fazendo de criar um grupo
global e trazer valor para todos na indústria."
Se a aquisição da Smithfield for aprovada, a JBS também terá o
controle de uma empresa chamada Five Rivers, dona de dez fazendas
de confinamento de gado. Isso aumenta a apreensão entre os
fazendeiros. Em algumas regiões, a JBS teria condições de abater os
bois disponíveis nas suas fazendas e sair do mercado nas semanas em
que achasse os preços sugeridos pelos criadores muito
elevados.
Senadores que têm colaborado com a causa da R-Calf USA em
Washington sugeriram ao Departamento de Justiça que obrigue a JBS a
abrir mão da Five Rivers se quiser que a aquisição da Smithfield
seja aprovada, ou pelo menos restrinja a capacidade que o grupo
teria de usar as fazendas de confinamento para se proteger contra
as oscilações de preços no mercado de gado.
A JBS tem se esforçado para convencer os políticos de que nada de
ruim vai acontecer. Wesley Batista e outros executivos do grupo vão
a Washington quase todo mês. Apesar das dificuldades que ainda tem
com o inglês, Wesley participou de uma audiência pública no Senado
que durou mais de duas horas e reuniu-se pessoalmente com pelo
menos vinte senadores para defender seus planos.
Fonte: Valor Econômico