23.07.10
Três maiores frigoríficos suspendem
compras de 221 fazendas
Outras 1.787 propriedades são objeto de
averiguação mais detalhada
O Greenpeace informou que os três
maiores frigoríficos do Brasil, JBS/Bertin, Marfrig e Minerva,
suspenderam a compra de gado de 221 fazendas localizadas dentro de
terras indígenas, unidades de conservação ou próximos a áreas
recém-desmatadas da Amazônia. Outras 1.787 propriedades, num raio
de até 10 quilômetros de novos desmatamentos, unidades de
conservação e terras indígenas, passam por averiguação. As empresas
declararam também ter o ponto georreferenciado de mais de 12.500
fazendas, número que, segundo elas, representa 100% da cadeia de
fornecedores diretos da região.
"A apresentação desses números é uma
clara e bem-vinda sinalização de que o setor está de olho nas novas
exigências do consumidor preocupado com o meio ambiente em todo o
mundo. As empresas precisam agora ampliar e consolidar esse
trabalho, realizando auditorias nos processos, garantindo
transparência e confiabilidade aos dados e convencendo seus
fornecedores a disponibilizarem mapas com os limites
georreferenciados das propriedades", afirma Paulo Adario, diretor
da campanha da Amazônia do Greenpeace.
Nos relatórios entregues pelas empresas
ao Greenpeace consta a averiguação de outras 1.787 propriedades.
Além disso, os frigoríficos declararam ter a localização geográfica
das fazendas que representam 100% da cadeia de fornecedores diretos
da região.
Somente da lista de fornecedores da
JBS, segundo a própria companhia, foram excluídos 31 fornecedores
por estarem em unidades de conservação e/ou terras indígenas, ao
passo que outras 1.491 estão sendo verificadas por se encontrarem a
menos de 10 quilômetros de novas áreas de desmatamentos, unidades
de conservação e terras indígenas. "Estas unidades em alerta em
verificação estão suspensas temporariamente do cadastro da JBS",
informou a empresa, em nota. No Bioma Amazônico dados de 9.813
propriedades de fornecedores foram coletados até o momento.
Já a Marfrig Alimentos,
segundo o Greenpeace, mapeou 2 mil propriedades e suspendeu a
compra de gado de 170 fazendas da região, enquanto o Minerva
excluiu de sua lista 20 fornecedores, sem informar, no entanto,
quantas unidades foram pesquisadas. "Cada empresa tem um
procedimento, estamos tentando padronizar. O Minerva, por exemplo,
nem faz a verificação de campo. Mas o que importa é que já há
medidas efetivas para combater o desmatamento", declarou o
coordenador do Greenpeace.
Fonte: Notícias Agrícolas
JBS cria
monitoramento para compra de gado também em Mato Grosso
O frigorífico JBS Friboi
informou que criou um sistema de monitoramento da região do Bioma
Amazônico e preservação de áreas indígenas e unidades de
conservação (UC) por meio de imagens de satélite. O sistema
contribuirá para a gestão sustentável da compra de gado de
fornecedores da companhia, em linha com o acordo entre os
frigoríficos e o Greenpeace (assinado em outubro do ano passado)
para o combate ao desmatado da região. Segundo nota da empresa, foi implantado
um sistema de rastreamento de carga tipo GPS/GPRS em 170 caminhões
boiadeiros que atuam nos Estados de Mato Grosso, Pará, Rondônia e
Acre para coleta de coordenadas em currais de embarque de animais.
Foram comprados 300 aparelhos GPS para viabilizar o monitoramento.
As informações coletadas no momento do embarque do gado são
inseridas no banco de dados da JBS e encaminhadas para a Apoio
Consultoria, empresa especializada em Sensoriamento Remoto e
Georreferenciamento para implantação e operação do Programa de
Monitoramento do Bioma Amazônico da companhia. Os dados das propriedades, compostos
pelo nome e CPF do proprietário, além do nome da fazenda, área
produtiva e localização e coordenadas geográficas do curral de
embarque de animais, são analisados junto à base cartográfica
montada com imagens de satélite, mapas de unidades de conservação
federais, estaduais e municipais, terras indígenas e do Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Até o momento, a JBS conseguiu levantar
dados de 9.813 propriedades no bioma amazônico. Já foram excluídos
31 fornecedores do cadastro da empresa por estarem em unidades de
conservação e/ou terras indígenas e outras 1.491 estão sendo
verificadas por se encontrarem a menos de 10 quilômetros dos
limites dos polígonos de unidades de conservação e terras indígenas
e 10 quilômetros dos limites dos polígonos das áreas em processo de
degradação. — Estas
unidades em alerta de verificação estão suspensas temporariamente
do cadastro da JBS e estão sendo avaliadas pela Apoio Consultoria —
disse a empresa, em nota.
Fonte: Canal Rural