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MMX usa carvão produzido em Reserva Indígena no Pantanal 29.11.07

29.11.07

Operação promovida pelo IBAMA do Mato Grosso do Sul interrompe ilícitos ambientais no Bioma Pantanal

Mais de 900 hectares da Reserva Indígena (TI) Kadweu, no município de Corumbá, Mato Grosso do Sul, foram transformados ilegalmente em carvão vegetal – com licença (para 1.090ha) que não poderia ter sido concedida pelo órgão ambiental do Estado – e pelo menos as últimas cinco partidas dessa produção foram compradas pela siderúrgica MMX Metálicos Corumbá Ltda, de acordo com fontes do Escritório Regional do Ibama, que coordenou a operação de repressão.
As denúncias desse desmatamento em TI foram levadas ao Ibama pelos próprios indígenas, no começo de novembro passado, tendo o órgão ambiental federal inspecionado a região em meados do mês passado. Nessa ocasião, a empresa responsável pelo carvoejamento foi notificada, multada e teve a continuidade da produção embargada.

Desrespeito ao embargo
No dia 27 pp.,
após verificar o desrespeito à determinação de paralisação da produção e comercializacão, o Ibama montou uma operação conjunta com a Polícia Federal - PF, o Ministério Público do Trabalho - MPT e o Ministério do Trabalho e Emprego - MTE. Esse trabalho coordenado, denominado “Operações Ouro Negro”, foi iniciado em 2.006, foca o mercado Carvoeiro-Siderúrgico, apoiando-se em informações e análises oriundas do Sistema DOF (sistema eletrônico de controle da atividade florestal implantado pelo IBAMA).
Com apoio do Sistema DOF foi possível detectar que cargas de carvão apreendidas e depositadas na área de produção, na primeira inspeção do Ibama na empresa carvoeira, foram retiradas e recebidas pela MMX. Como resultado, a Siderúrgica MMX poderá ser multada por receptacão, de acordo com a legislação, por negligência – não ter verificado a origem do carvão que adquiria – caso não consiga provar que seu fornecedor a enganou quanto à origem da material prima. De toda forma, por se tratar de Patrimônio da União – árvores em terras indíginas assim são legalmente classificadas – o mesmo volume de carvão vegetal que originou-se da TI, será confiscado do depósito da MMX e recolhido ao patio da Superintendência do Ibama, em Campo Grande.
Espécies protegidas foram destruídas
De acordo com o Ibama, “interrompeu-se definitivamente o desmatamento de um extenso fragmento florestal de importância ambiental ímpar, visto que contempla espécies da flora da Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal.”
O conjunto das multas aplicadas na última operação já supera R$1.000.000,00 e aguarda-se a conclusão de análises ambientais para aplicação de outras sanções administrativas ambientais, pois
foi detectado que parte do material lenhoso convertido em carvão era composto das essências florestais aroeira e quebracho, espécies protegidas por lei, e que ocorreu um incêndio florestal provocado pelo empreendedor. Salienta-se que os problemas trabalhistas detectados estão sendo tratados pelo MPT e MTE e que a PF abriu inquérito policial para apurar os crimes observados.
O material lenhoso obtido era convertido em carvão por uma empresa de carvoejamento da região e parte da produção era comercializada para a MMX Metálicos Corumbá Ltda., um complexo siderúrgico de grande porte recentemente instalado no principal município pantaneiro. Ressalta-se que a MMX assinou um Termo de Compromisso de Conduta - TCC em que se compromete a não consumir carvão obtido através de novos desmatamentos em Corumbá e outros municípios do Pantanal e Serra da Bodoquena a partir de agosto de 2.006.
Sobre esse assunto, veja ainda notícia a seguir, e o comentário do Editor.
Fonte: Ibama, MS,
com o Observatório

Promotor pede que licença da EBX seja suspensa

29.11.07

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul pediu na Justiça a suspensão da licença de instalação concedida em 2006 à empresa EBX Siderurgia Ltda., do empresário Eike Batista, para um projeto de siderurgia e laminação na zona rural de Corumbá (426 km de Campo Grande).
O promotor Ricardo de Melo Alves diz que o licenciamento contraria o Termo de Compromisso de Conduta - TCC assinado pela empresa com o MP em agosto de 2006, no qual ficou acertado que os empreendimentos do setor só poderiam ser autorizados após a conclusão do licenciamento ambiental de todo o pólo siderúrgico de Corumbá.
Fonte: Agência Folha, em Campo Grande

Comentário do Editor: O absurdo de instalar um complexo siderúrgico no meio do Pantanal, na cidade de Corumbá, começa a aparecer aos olhos de toda a população. As organizações que combateram esse projeto apresentaram diversos estudos e argumentos que foram inteiramente desconsiderados pelos governos, que só pensavam em utilizar o minério de ferro existente em Corumbá com o gás da Bolívia, que viria pelo gasoduto. Negligenciaram totalmente a questão ambiental, o grande problema que estavam criando, e instalaram “na lei ou na marra”, para evocar velho refrão de outro contexto, mas que se aplica bem aqui pois tudo indica que “a marra” amordaçou e amoldou "as leis”, conforme indica essa ação do MP. A destruição provocada não tem possibilidade alguma de recuperação; não poderia ter acontecido, mas um órgão estadual licenciou o desmatamento e carvoejamento sem sequer verificar sua localização, pois tratando-se de Terra Indígena, 1º, a competência é Federal e, 2º não pode ser, definitivamente, autorizado por quem quer que seja. Será preciso punir rigorosamente o órgão ambiental (não sei bem o que poderia ser essa "punição"), cassar a inscrição no Conselho Regional de técnicos(?) que assinaram essa autorização e afastar e processar os dirigentes do órgão.
Como não obtive retorno via email (veja mais abaixo, o comentário do dia 27 pp, Cerrado e Pantanal queimam nos alto-fornos siderúrgicos de MS) da empresa Cargill Ferrous International, que comercializa o ferro-gusa da MMX pelo mundo afora, telefonei para seu escritório, em Belo Horizonte, Minas Gerais. A informação foi de que o responsável pela empresa, sr. Júlio Gonzaga, está na sede, em Minneapolis, Estados Unidos. Liguei para lá, e consegui conversar com ele. Não havia visto o email de três dias atrás, imagino eu que certamente recebe muito spam e tem pouco tempo para correr a lista nas várias caixas postais que maneja. Isso já aconteceu comigo também. Feita a leitura do meu email, ele respondeu que - por norma da empresa - todo contato com a imprensa é realizado através de um Relações Públicas, em São Paulo, e que reendereçaria meus questionamentos para ele responder. Até o momento do fechamento dessa edição (1h 50 minutos da madrugada do dia 30.11.07) nada chegou… De toda forma, consegui apurar que eles buscam sempre - em todos os ramos da Cargill e nesse de ferrosos não seria diferente – se resguardar exigindo dos fornecedores declarações formais que não houve trabalho infantil e/ou semelhante a escravo na produção. Mas vamos aguardar os esclarecimentos formais e, principalmente, a reação da Cargill aos fatos constatados pelo Ibama, MPT, MTE e PF na Terra Indígena Kadweu.

Deputada de Mato Grosso propõe moratória para queimadas

29.11.07

A deputada Thelma de Oliveira (PSDB) protocola nesta quinta-feira na Câmara Federal, projeto de lei que suspende por três anos a emissão de autorizações para queimadas e desmatamentos na área da Amazônia Legal. "A moratória de três anos para as novas concessões poderá minimizar os impactos ambientais e possibilitar a discussão de alternativas que considerem a preservação ambiental uma atividade rentável no processo de desenvolvimento sustentável da Amazônia", argumenta ela.
Thelma diz que estados como Mato Grosso vivem uma situação de caos em relação ao Meio Ambiente. "Os governantes perderam o controle da questão ambiental. É preciso por um freio na destruição e planejar o futuro com responsabilidade ambiental", afirma.
O projeto tem caráter emergencial e faz parte de um projeto legislativo que contempla a reorganização da legislação ambiental e a criação de uma lei de responsabilidade ambiental que será apresentada ainda este ano.
Segundo Thelma de Oliveira, o Brasil tem boas leis ambientais, mas, apesar disso, prevalecem os crimes ambientais e a impunidade. Para a deputada é preciso responsabilizar o gestor público que por conivência ou omissão deixam de adotar programas e políticas públicas ambientais, não investem na fiscalização, controle e repressão dos crimes contra o meio ambiente.
"Cumpre ao Poder Executivo, em todos os níveis da administração pública, assegurar os meios necessários à aplicação da legislação ambiental vigente, compreendendo a conscientização, a conservação, a prevenção, a fiscalização, o controle do patrimônio ambiental, bem como a repressão aos crimes ambientais, no âmbito de suas respectivas jurisdições", defende Thelma.
Fonte: Agronotícias

Cana-de-açúcar avança em áreas prioritárias do Cerrado

29.11.07

Em contraste com a notícia acima, hoje às 9 horas da manhã, em Brasília, o ISPN –Instituto Sociedade, População e Natureza apresentará seu mais recente estudo, comprovando que importantes áreas para a conservação e uso sustentável da biodiversidade do Cerrado - que deveriam ser protegidas - estão sendo tomadas pelas lavouras de cana-de-açúcar para produção de etanol.
O resultado dessa transformação certamente levará ao comprometimento dos recursos naturais, das populações rurais e da segurança alimentar na região. O estudo foi financiado com recursos da Comunidade Européia.
Na manhã de hoje esse estudo ficará disponível para download na seção “Documentos” do Observatório.
Fonte: Assessoria de Imprensa do ISPN, com o Observatório.

Safra de cana vai bater terceiro recorde de produção

29.11.07

A última pesquisa da safra nacional de cana-de-açúcar 2007/08, divulgada nesta quinta-feira pela Conab, mostra que a indústria brasileira vai esmagar 475,1 milhões de toneladas do produto, aumento de 10,6% sobre o período anterior. Isso corresponde a 86,4% da colheita total de 549,9 milhões t do ciclo atual. Este número é recorde pela terceira safra consecutiva e 15,8% superior à passada. O crescimento deve-se à expectativa do mercado pela demanda de álcool na época do plantio.
O estado de São Paulo confirma a sua posição de maior produtor de cana, respondendo por 58% da colheita. Segundo o diretor de Logística e Gestão Empresarial da estatal, Sílvio Porto, a destinação para o setor sucroalcooleiro ficou assim: 223,5 milhões t vão para a fabricação de açúcar e 251,6 milhões t para a indústria do álcool hidratado (usado nas bombas dos postos) e anidro (que é misturado na gasolina). O restante, 74,8 milhões t, é para outros fins, como cachaça, rapadura, alimentação animal e semente.
Plantio
A área cultivada também aumentou 13%, saindo de 6,2 milhões de hectares na última safra para 7 milhões ha, resultado principalmente da ocupação da cultura em áreas com pastagens degradadas. A expansão ocorreu em todo país, com destaque para os estados de Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Mato Grosso e Paraná.
A pesquisa de campo, realizada entre os dias 5 e 16 de novembro, mobilizou 47 técnicos, nos principais estados produtores. Eles conversaram com 355 representantes de usinas/destilarias e de 60 entidades, entre sindicatos, associações, órgãos públicos e privados.
Fonte: Agronotícias (as informações são da assessoria de imprensa da Conab).

Repórter Brasil conta a realidade das cadeias produtivas

29.11.07

Duas grandes reportagens, realizadas pelo repórter Maurício Hashizume, da ONG Repórter Brasil, foram disponibilizadas hoje. Em suas andanças pelo Norte/Nordeste do país, o repórter pode constatar os impactos ambientais e sociais ao longo das referidas cadeias de produção, geralmente dirigidas para exportação de produtos baratos deixando aqui a devastação ambiental e social.
Vale a pena conferir o que Maurício registrou para nos contar. Os links são:
Parte 1 - O Ferro
Parte 2 - As Cadeias (Ferro-gusa, Carvão, Gado e Madeira)

Agronegócio pede para importar milho transgênico

29.11.07

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos, ABIPECS – Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína, SINDIRAÇÕES – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal e UBA – União Brasileira de Avicultura protocolaram ontem junto à CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biosegurança ofício em que pedem, em caráter de urgência, a emissão de Parecer Técnico Prévio Conclusivo visando à obtenção de licença de importação de dois milhões de toneladas de milho comercial geneticamente modificado, que será utilizado exclusivamente em rações animais.
Paralelamente, as quatro entidades emitiram comunicado conjunto (texto abaixo) em que alertam autoridades e consumidores para as alterações de preços que aves, ovos e suínos sofrerão em função da “crise inédita por que passa o mercado de milho”, de graves e permanentes conseqüências caso persista a proibição de importação do produto.
Fonte: Avisite

Cerrado e Pantanal queimam nos alto-fornos de MS

27.11.07

Um levantamento preliminar da professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Dra. Sônia Hess, mostra que somente no corrente ano foram 129 os pedidos de autorização para funcionamento de fornos para produção de carvão vegetal em MS.
Comentário do Editor: buscando ouvir a Cargill, o Observatório enviou email às 9h30 para Marcello Moreira, representante da empresa no Grupo de Trabalho da Soja, que supervisiona o processo da Moratória da Soja na Amazônia Legal. Foi solicitado que indicasse o contato mais adequado para falar sobre a questão.
Às 14h e 12 minutos, foi enviado um email para a Abiove, aos cuidados do sr. Fábio Trigueirinho, pedindo ajuda na identificação de alguém que se pronunciasse pela Cargill.
Às 14h e 32 minutos, um email foi dirigido ao endereço de contato da imprensa indicado no sítio da Cargill do Brasil, (imprensa@cargill.com), já alinhando as seguintes perguntas básicas:
“Gostaria de colocar no site, ainda hoje, a posição da empresa quanto a:
1- se seu contrato com a MMX exige desta empresa o cumprimento de toda a legislação ambiental e trabalhista, incluindo seus fornecedores de carvão-vegetal, em especial;
2- se concorda que seu fornecedor (MMX) utilize em seus alto-fornos carvão vegetal produzido com o corte de espécies nativas do Pantanal e do Cerrado;
3- se exerce algum controle, ou se exige algum demonstrativo da MMX ou seus auditores, garantindo que todo carvão vegetal utilizado provém de desmatamentos e carvoejamentos autorizados pelos órgãos ambientais responsáveis;
4- se tem conhecimento da origem (Municípios, Estados e país de origem do carvão vegetal utilizado na produção do ferro gusa que comercializa em todo mundo; e, finalmente,
5- se tem alguma cláusula no contrato com a MMX que a responsabilize por ocorrências de trabalho infantil ou degradante/semelhante à condição de escravo na produção do carvão vegetal que adquire.
Se quiserem esclarecer outros pontos, além dessses acima, basta enviar a informação.”
Depois de uma busca no site da Cargill Inc, matriz, encontrei a Cargill Ferrous International, que comercializa ferro-gusa e outros produtos siderúrgicos, com dois escritórios no Brasil, em Belo Horizonte e em São Paulo. Enviei, às 14h e 44 minutos, emails para os nomes indicados no site, aparentemente responsáveis pelos contatos dos escritórios, com o mesmo conteúdo do email acima descrito.
Até o fechamento desta edição não havia obtido qualquer retorno. Espero que amanhã já seja possível transmitir aos leitores do Observatório as respostas da Cargill.

Novo premiê australiano diz que ratificará Kyoto

27.11.07

Acordo foi rejeitado pelo governante derrotado nas eleições

O premiê eleito da Austrália, o trabalhista Kevin Rudd, começou ontem seu mandato com a promessa de ratificar o Protocolo de Kyoto, o acordo internacional contra os gases de efeito estufa rejeitado por seu antecessor, o conservador John Howard.
No domingo, após uma vitória avassaladora que pôs fim a 11 anos de governo Howard, Rudd prometeu "ação e ação imediata" no combate ao aquecimento global e aceitou o convite do presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, para comparecer à reunião das Nações Unidas sobre o clima em Bali, no mês que vem. A Austrália quer assumir um papel de liderança no encontro.
Com isso, os EUA de George W. Bush ficarão isolados como o único país industrializado do planeta a rejeitar o acordo do clima. Outro sinal do afastamento entre Canberra e Washington foi a decisão de Rudd de retirar os 550 soldados australianos do Iraque.
Maior exportador de carvão mineral (o combustível fóssil mais sujo) do mundo, a Austrália havia rechaçado o acordo de Kyoto por razões econômicas. O país tem abastecido o crescimento chinês e indiano, faminto de carvão e outros minérios.
No entanto, o clima acabou se tornando um dos principais focos da eleição, em parte devido às secas anormais que têm assolado o país. A maioria dos australianos defende ações rígidas de combate a emissões.
Fonte: Folha de São Paulo

Sobra semente transgênica em GO e no MT

27.11.07

Um avanço tímido na área plantada de soja transgênica em Mato Grosso e em Goiás fez com que produtores de sementes tivessem sobras de cultivares geneticamente modificadas. No caso mato-grossense, o volume equivale a cerca de 16% de toda produção de sementes para a safra 2007/08, disse Elton Hamer, presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), que preferiu não divulgar números absolutos. Em Goiás, esse percentual fica entre 12% e 15%, de acordo com estimativa do presidente da Associação Goiana de Sementes (Agrosem), Aldino Rosso.

"Se criou uma grande expectativa sobre crescimento de área transgênica de soja, que não se concretizou", avalia Hamer. A estimativa era de que 45% da área de 5,6 milhões de hectares de soja fossem cultivados com grão geneticamente modificado em Mato Grosso, percentual que deve fechar o plantio entre 35% e 38%, praticamente o mesmo da safra passada (35%).

Já em Goiás, segundo Rosso, a área de soja transgênica se repetiu nesta safra, na comparação com o período anterior. "As sementes geneticamente modificadas estão em 45% da área de soja de Goiás, quando o setor produtor de sementes esperava que houvesse avanço para 55% do total", diz Rosso.

O que ocorre, segundo Daniel Sebben, da consultoria AgRural, é que os prêmios para soja convencional em Mato Grosso estão sendo fortalecidos, principalmente nas regiões Parecis e Médio Norte do Estado. Juntas, essas localidades somam área plantada de soja 3,7 milhões de hectares, o equivalente a 67% da área do estado. Neste ano, por exemplo, no mês de abril (época de safra), a saca de soja convencional no Médio Norte valia R$22,57, o que representava prêmio de R$ 1,50 por saca em relação ao grão transgênico. Em Sapezal (região do Parecis) tal prêmio chegava a R$ 1,70.

"No caso do Parecis, o prêmio se deve ao destino do grão, que geralmente é o mercado europeu, que tem restrições quanto ao consumo de transgênicos. No Médio Norte, desde a safra passada, há esmagadoras que começaram a segregar o produto convencional, criando um nicho que não havia".
fonte: Gazeta Mercantil

Servidores afastados do INCRA retornam aos cargos 27.11.07

27.11.07

O Superintendente do INCRA de Santarém, Pedro Aquino de Santana, voltou ao cargo juntamente com: Silvio Carneiro de Carvalho,(superintendente Adjunto), Luiz Edimundo Leite Magalhães (chefe da Divisão de Desenvolvimento) Bruno Lourenço Kempner (executor de Altamira) e Dilton Rego Tapajós, chefe da Procuradoria Jurídica.
Os cinco estavam suspensos, desde do dia 17 de outubro por uma decisão Judicial que os acusava de praticas de improbidade
administrativa, dentre as quais, a criação de assentamentos de forma irregular, para se atingir metas favoráveis ao plano de reforma agrária do Governo Federal.
A decisão de afastamento foi tomada pelo juiz federal substituto da 5ª Vara, Antonio Carlos Almeida Campelo, que responde pela Subseção Judiciária de Altamira.
A volta dos funcionários foi concedida por uma Liminar assinada em 22 de novembro, pelo Juiz Nei Melo,do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Brasília Distrito Federal.
De acordo com o Juiz, se os servidores em questão continuassem afastados, a região Oeste do Pará poderia sofrer danos irreparáveis ao processo de regulamentação fundiária e assentamentos que vinham sendo conduzidos pelo INCRA.
A nossa reportagem procurou Pedro Aquino, para dar mais detalhes de seu retorno, mas fomos informados pela assessoria de Imprensa, que o superintendente só se pronunciaria após voltar de viagem marcada em Brasília com o Presidente do INCRA, Holff Hacbart nesta semana
Fonte: Jornal da Manhã- Rádio Rural de Santarém

Cargill compra ferro-gusa da Siderúrgica MMX-Pantanal 26.11.07

26.11.07

Em 5 de janeiro de 2007, a MMX Metálicos Corumbá e a Cargill, Incorporated ("Cargill") assinaram acordo de longo prazo para o fornecimento da produção de ferro-gusa do Sistema MMX Corumbá, com garantia firme de retirada e entrega.
Com o compromisso de comprar o volume acordado a partir de agosto de 2007, a Cargill passará a ter exclusividade, com exceção para a América do Sul, na comercialização da produção de ferro-gusa adquirida da MMX Metálicos Corumbá proveniente do Sistema MMX Corumbá.
Essa informação consta no ítem “04-01-Notas Explicativas”, na página 14 do “Relatório de Informações Trimestrais” da empresa MMX enviado à Comissão de Valores Mobiliários –CVM, com data-referência de 30.09.2007.
Fonte: “Relatório de Informações Trimestrais” da empresa MMX enviado à Comissão de Valores Mobiliários –CVM, com data-referência de 30.09.2007, com o Observatório.

Comentário do Editor: ontem publicamos a entrevista da Dra. Sônia Hess, professora UFMS, alertando sobre a devastação que está ocorrendo no Pantanal, onde as árvores nativas estão virando carvão vegetal para alimentar alto-fornos das siderúrgicas (a propósito, veja o artigo da Dra. Hess na seção Opinião). A MMX, que pertence ao sr. Elke Batista, já havia sido literalmente expulsa da Bolívia, onde se instalara aparentemente sem cumprir a legislação ambiental local, e está funcionando em Corumbá, bem no centro do Pantanal (formalmente licenciada ambientalmente, deve-se registrar). Agora, temos essa ligação comercial com a Cargill, Inc, empresa norte-americana com filial no Brasil, uma das líderes mundiais do agronegócio. De acordo com os dados do EIA/Rima da MMX, que divulgamos ontem, esta siderúrgica consume diariamente pelo menos 1.027 t/dia de arvores. A avidez com que as empresas avançam nos recursos naturais do Brasil (e outros países similares) impressiona pelo rastro de destruição implacável e pela sinergia, vamos chamar assim, que encontram em seus múltiplos negócios dos mais variados ramos de atuação. Era difícil imaginar, antes de ler esse relatório, que uma empresa de alimentos desejasse ter exclusividade na distribuição mundial de ferro-gusa (certamente o mercado mais promissor é a China...). Aos poucos vamos juntando as informações e tendo o quadro efetivo do processo de globalização e concentração do capital que estamos passando. O recebimento do material após as 20h de ontem e fechamento desta edição após a meia noite impossibilitaram o contato do Observatório com as empresas citadas, o que será realizado nesta terça-feira, dia 27, para que ouçamos o outro lado, especialmente a respeito da questão dos fornecedores de carvão vegetal.

Rabobank financia e BNDES solta R$ 151 mi a usina de álcool

26.11.07


Um sindicato de bancos e agentes financeiros do BNDES, liderados pelo Rabobank International Brasil - e que inclui o ABN Amro Real, Unibanco, Itaú BBA, Bradesco e HSBC está financiando o projeto da empresa Angélica Agroenergia, do Grupo Adecoagro. O empreendimento é uma usina de açúcar e álcool, localizada no município de Angélica, leste do Estado do Mato Grosso do Sul. Além disso, o financiamento também será usado para formar uma lavoura de cana-de-açúcar e para instalação de cogeração de energia elétrica.
"A participação do BNDES no projeto equivale a 29% dos investimentos a serem realizados até 2009, de R$ 526,7 milhões". O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou comunicado hoje informando liberação de R$ 151 milhões do financiamento, recursos que serão usados na construção.
Esta usina de açúcar e álcool terá capacidade de moagem de 3,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar e de unidade de co-geração - com capacidade de ofertar ao mercado 54 megawatts (MW) ao ano de energia elétrica. A previsão é que a usina entre em operação em 2008.
Segundo o BNDES, a Adecoagro foi criada em setembro de 2002 e suas atividades incluem agricultura, produção de leite, pecuária, açúcar e etanol. O grupo possui 230 mil hectares de terra própria entre Argentina, Brasil e Uruguai, além de uma unidade industrial de açúcar e álcool no Brasil com capacidade de moagem de um milhão de toneladas de cana-de-açúcar e um conjunto de moinhos na Argentina.
Fonte: BNDES, com o Observatório

Grãos e Oleaginosas devem subir mais de 10% em 2008

26.11.07

Segundo o The Economist, de Londres, a demanda proveniente de grandes investimentos em biocombustíveis e para consumo no setor de ração elevará os preços das matérias primas.
Os preços dos grãos e das oleaginosas podem subir 10% no ano em 2008, depois de registrarem crescimento de 32,5% e 37,9% este ano, respectivamente, com a oferta tentando atender a demanda enquanto os estoques começam a se esgotar, segundo relatório da Economist Intelligence Unit (EIU), empresa de pesquisa e consultoria pertencente ao semanário econômico inglês The Economist.
Há crescimento da demanda proveniente de grandes investimentos em biocombustíveis, além do cultivo de grãos e oleaginosas para alimentação e para consumo no setor de ração, informa o relatório.
Fonte: Agência Estado


Produção de ovos está em declínio na União Européia

26.11.07

O aumento do custo de produção, devido às novas leis de bem estar dos animais criados de forma industrial, e cuidados com o meio ambiente, fizeram com que as estruturas de mercado e competitividade europeus mudassem, resultando em queda de produção.
Com o crescente número de leis ambientais e de bem estar animal, os custos de produção na União Européia ficaram mais elevados, alterando as estruturas de comercialização e diminuindo a capacidade de produção e competitividade global.
Neste ano foi observado, na Europa, uma queda média de produção de 1,6%. Países como França e Espanha tiveram diminuição recorde. Tais fatos estão sendo ligados as novas normas de produção que entram em vigor em 2012, que incluem a troca do sistema de gaiolas na avicultura. Tal procedimento, que já vem sido feito por algumas industrias, diminui o número de aves dentro do aviário. Na Bélgica, muito produtores e fazendeiros já desistiram da produção.
A tendência de queda deve valer para os próximos anos. Atualmente a UE é auto-suficiente em sua produção, mas os números decrescentes devem atingir as importações e exportações da indústria avícola futuramente.
fonte: Avicultura Industrial (com dados World Poultry), com o Observatório

Mais aves no Paraná

26.11.07

A Cooperativa Agroindustrial de São João (Coasul), anunciou R$ 80 milhões na instalação de um abatedouro de aves no município de São João, no Sudoeste do Paraná.
Segundo seu presidente, Paulino Capelin Fachin, a unidade industrial terá capacidade para abater 100 mil aves por dia. Na primeira fase , o projeto vai beneficiar cerca de 330 produtores rurais cooperados e suas famílias. Fachin diz que a indústria deverá entrar em funcionamento no primeiro semestre de 2009. Deverão ser produzidas 90 mil toneladas de carnes de aves por ano, sendo que 70% para a exportação . "O projeto é fundamental para a cooperativa, que agora vai atuar com mais força na agroindústria, buscando agregar valor à produção dos cooperados", disse o presidente da Coasul.
Fonte: Gazeta Mercantil

Seara/Cargill expande estrutura e produção no MS

26.11.07

Dirigentes do grupo Seara-Cargill reuniram-se na semana passada com o governador André Puccinelli, do Mato Grosso do Sul, para falar sobre a ampliação da empresa no Estado. A Seara pretende construir mais 200 aviários em Sidrolândia e viabilizar mais 50 propriedades de suínos em Dourados.
O presidente da empresa, Robert Zee, afirmou que neste ano o mercado tem apresentado reações positivas que incentivam novos investimentos. Zee lembrou ainda que a decisão da empresa foi de investir no Centro-Oeste, em especial, Mato Grosso do Sul, onde já conta com indústrias do grupo. Os investimentos futuros devem somar cerca de R$ 280 milhões.
Como resultado da reunião, o governador designou responsáveis do Governo para derrubar os entraves que estariam ocorrendo no processo, relativos à questão da rede de energia elétrica e o atraso no processo de licenciamento ambiental.
Somente após o encaminhamento dessas pendências, o governador deve voltar a se reunir com o grupo, estudar as propostas e definir os termos do acordo, que deve seguir o padrão de incentivos e compromissos oferecidos as demais empresas do setor em Mato Grosso do Sul.
Fonte: Diário MS, com o Observatório

Produtores de aves querem importar milho transgênico

26.11.07

Brasil exportou volume recorde de milho convencional e provocou escassez no mercado interno
A exportação recorde do milho - que pode chegar a 11,5 milhões de toneladas em 2007 - deixou o mercado desabastecido e o preço do produto a valores acima dos históricos: R$ 32 a saca (60 quilos), em São Paulo, com aumento de mais de 30% nos últimos três meses.
Como conseqüência, a indústria avícola vai reduzir a criação de animais no início de 2008 - em pelo menos 30% - e talvez tenha que abater os frangos com peso menor por falta de milho para alimentá-los, além de descartar matrizes e frear os investimentos até a entrada da nova safra.
Diante deste quadro, os produtores de aves pedem a intervenção do governo. Eles querem que as importações do milho transgênico sejam liberadas e as exportações limitadas. "Se o mercado é livre para exportação, tem de ser livre para importar também", afirma Érico Pozzer, presidente da União Brasileira de Avicultura (UBA). Segundo ele, o setor pediu um limite nas remessas do grão - 8 milhões de toneladas - que não foi atendido e a importação do cereal. No entanto, como eles querem importar transgênicos a compra depende da autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
"Não adianta mais nada. É uma conseqüência reduzir o consumo", afirma Paulo Molinari, da Safras & Mercado. Pelas suas projeções, antes de janeiro não será mais possível adquirir o produto de outro país e, como as empresas não reduziram o alojamento para o final do ano - época em que a demanda aumenta - a estimativa é que falte alimento para os animais e, com isso, sejam levados ao abate menos pesados. Em média, para o mercado interno, o frango é abatido com 2,4 quilos. "Vai ter de reduzir o peso médio e matar pintinho", acredita o analista. Na prática, segundo o presidente da UBA, o consumidor brasileiro pagará mais caro por um frango mais leve. "Teremos de repassar o aumento de custo e, muito provavelmente abater os animais mais cedo", afirma Pozzer. De acordo com ele, as empresas estão com dificuldades de adquirir milho devido ao preço.
Pozzer diz que o pouco milho do mercado interno está nas mãos de atravessadores, que estariam especulando. Na sua avaliação, o preço chegou ao limite. Opinião contrária tem Molinari: "Não sabemos até que valor pode chegar". Para o analista Leonardo Sologuren, da Céleres, a limitação da venda externa é uma solução de curto prazo que não resolve o problema. "A plataforma de exportação estimula o preço e, conseqüentemente o aumento de área, gerando um equilíbrio futuro, como ocorre na soja", diz.
"O setor não tem certeza de nada. Não sabemos o quanto de estoque há nas mãos da Conab e das cooperativas. Por isso é melhor se precaver agora porque há previsão realmente de que em fevereiro falte milho no mercado brasileiro", argumentou o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Paraná (Sindiavipar), Domingos Martins. Segundo ele, mais uma vez o setor pediu a liberação da importação de milho da Argentina e do Paraguai. O produto dos países vizinhos chegaria ao Paraná a R$ 28 a saca. "Nós estamos recomendando ao produtor que quebre os ovos na máquina ou mesmo mate os pintinhos para não aumentar a produção e que cumpra somente os contratos já assumidos até março", disse.
Em Mato Grosso, segundo Alécio Domênico, presidente do Fórum Avicultura do estado, os produtores pedem que o governo siga ofertando seus estoques até março para que tenham alimento aos animais até a entrada da safrinha. "A indústria e produtor não têm dinheiro para estocar e pode entrar em colapso", afirma. Segundo ele, 80% da safra local foi exportada e, por isso, se o governo não mantiver os leilões, haverá redução de plantel de frango e de poedeiras.
Fonte: Gazeta Mercantil, com o Observatório


Siderúrgicas Devastam o Pantanal e o Cerrado 25.11.07

25.11.07

Biodiversidade é incinerada nos alto-fornos
Parte da população que vive no Pantanal está em pânico diante da velocidade com que esta ocorrendo a destruição das matas nativas do Pantanal e do Cerrado do MS, depois que duas grandes siderúrgicas lá se instalaram, em 2007, denuncia a Dra. Sônia Hess, professora Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e coordenadora do curso de graduação em Engenharia Ambiental.
O deputado federal Fernando Gabeira já está agendando uma Audiência Pública, na Câmara Federal, para tratar do tema desmatamentos x siderúrgicas no MS, mas ainda não foi marcada a data dessa reunião.
Enquanto isto, alerta a professora Hess, diariamente se vão mais de 3.500 toneladas das nossas árvores nativas, para alimentar os alto-fornos das siderúrgicas..
- O que se vê são filas de caminhões com carvão de mata nativa estacionados na frente das siderúrgicas, sem controle algum para verificação da sua procedência - a maior parte, provavelmente ilegal, reclama a Dra. Hess. Nas estradas que ligam MS a MG, sempre que a policia fiscaliza, apreende caminhões lotados com carvão proveniente da depredação das matas nativas.
Quem é Quem
No MS, as siderúrgicas estão utilizando carvão de mata nativa no processamento de minério de ferro, na proporção de mais de uma tonelada de árvores por tonelada de ferro produzida, informa a Dra. Hess.
De acordo com a Dra. Sônia Hess, o consumo de mata nativa pelas siderúrgicas instaladas Mato Grosso do Sul é o seguinte, por empresa:
1) Siderurgica MMX METÁLICOS - consome em torno de 375.000 t/ano de árvores nativas na forma de carvão vegetal, ou seja, pelo menos 1.027 t/dia de arvores são destruidas para atender a demanda desta siderúrgica (fonte: EIA/Rima da empresa);
2) SIDERÚRGICA SIDERUNA - 366.520 t de árvores/ano, 1.004 t/dia de árvores destruídas diariamente. (Fonte: Rima da empresa)
3) VETORIAL SIDERÚRGICA - 403.830 t de árvores/ano, 1.106 ton/dia. Em parte, este consumo é suprido por plantações de eucalipto mas, em 24/01/2006 esta empresa foi multada em R$ 21 milhoes, pelo IBAMA, devido ao uso de carvão de matas nativas de fontes irregulares, lembra a professora da UFMS.
4) SIDERURGICA COSIMA (Companhia Mato-grossense de Siderurgia ) - 280 ton/dia de árvores nativas;
5) Urucum Mineração (da Companhia Vale do Rio Doce) - 58.696 t/ano, 161 t/dia de árvores nativas na forma de carvão vegetal. Em 24/01/2006 esta empresa foi multada em R$ 3 milhões, pelo IBAMA, informa a profa. Hess, devido ao uso de carvão de matas nativas de fontes irregulares.
Portanto, conclui a Dra. Sônia Hess, da UFMS, somando a demanda por carvão vegetal pelas siderúrgicas instaladas no Mato Grosso do Sul, tem-se um consumo diário de 3.578 t/dia de árvores transformadas em carvão (a maioria absoluta, proveniente de matas nativas)
Fonte: entrevista com dra. Sônia Hess, Observatório do Agronegócio


Expansão do agronegócio esbarra no alto custo do transporte

25.11.07

"Com estradas ruins e falta de ferrovias, produtos viajam até 3 mil km
O agronegócio brasileiro é o mais competitivo do mundo. Natureza, tecnologia de produtos, altos índices de competitividade e 101 milhões de hectares sobrando para plantar, sem precisar arrancar uma única árvore da floresta amazônica.
No entanto, a falta de infra-estrutura e logística, principalmente no Centro-Oeste — região que assiste à expansão das fronteiras agrícolas — pode impedir que o Brasil tenha força para atender à exponencial demanda global, devido ao crescimento das nações emergentes, como a China.
Os problemas são cada vez mais evidentes. No Centro-Oeste, onde a expansão de culturas como soja, cana-de-açúcar e milho ganha força, tudo vai bem até a porteira da fazenda. Só que, com as más condições das estradas, a ausência de investimentos em ferrovias e hidrovias e os ainda tímidos corredores para escoar a produção até o Norte, as mercadorias viajam até três mil quilômetros para, por exemplo, ir de Mato Grosso ao Porto de Paranaguá.
A dor do crescimento, portanto, é alta para os exportadores e para o próprio governo.
Estima-se que, dos cerca de R$ 2 bilhões que o Tesouro gastou em prêmios na safra 2005/06, pelo menos R$ 1 bilhão foi usado para compensar só custos com frete.
— Os problemas não afetam só a renda do produtor rural, refletem-se nas contas públicas — destacou o diretor de Infra-Estrutura e Logística do Ministério da Agricultura, Biramar Nunes de Lima
CNA: Brasil pode responder por 60% da demanda global Segundo Lima, 90% das propostas apresentadas pelo órgão relativas à criação de corredores de escoamento da safra do Centro-Oeste (o de São Luís é prioritário) estão no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mas ele observou que isso adianta pouco sem que se invista em logística básica.
E deve ser para ontem. Segundo o consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antônio Fayet, hoje o Brasil exporta cerca de 90 milhões de toneladas por ano, com potencial de aumento de 70 milhões em uma década: — Isso levaria o Brasil a ser responsável pelo suprimento de 60% da demanda mundial.
Para os empresários, transporte é um custo alto: o equivalente a uma tonelada do produto transportado, se o meio for hidrovia; dez, no caso da ferrovia; e cem, no da rodovia. (veja comentário do Editor, ao final da matéria)
Lima disse que, excluídas áreas de pastagem degradadas, o país tem 101 milhões de hectares não explorados, enquanto os EUA não têm mais como se expandir. Fayet concorda. Os preços internacionais estão elevados não só por causa da demanda dos países emergentes, mas também pelo chamado “efeito Bush”. Com o maior interesse na produção de etanol, os EUA provocaram a disparada nas cotações de milho e soja."
Fonte: Eliane Oliveira, O Globo, com o Observatório
Comentário do Editor: você sabia que nós, contribuintes, pagamos R$ 2 bilhões em “prêmios” aos produtores agrícolas, na safra 2005/6? Eu não sei a que se refere essa compensação, mas vou buscar esclarecer, para conhecimento de tod@s nós. Nesse cipoal de subsídios fiscais e econômicos em que vivemos, nada é transparente, pois o risco de expor o benefício a críticas é muito grande. Mais de um bilhão de dólares! E repetem os “chavões”(não é aumentativo de Chavez, por favor...), “o agronegócio brasileiro é o mais competitivo do mundo”: sim, mas externalizando os custos ambientais, usando trabalho semelhante a “escravo” na derrubada e limpeza das terras anterior ao cultivo; e a ladainha de sempre, já desmentida várias vezes, mas isso não importa: que o transporte fluvial é mais barato que o ferroviário. Essa equação inverteu-se há quase 10 anos, com o avanço tecnológico das ferrovias. Outra questão relevante: derrubar o Cerrado não tem importância, não conta, pode-se fazer sem qualquer medo da opinião pública internacional ou nacional.

Leitão: aquecimento global derruba governo na Austrália

25.11.07

“O principal tema da campanha australiana foi o aquecimento global. E foi isso que derrotou John Howard que buscava o quinto mandato consecutivo, afirma a jornalista Miriam Leitão em seu blog (http://oglobo.globo.com/economia/miriam/). ... Howard está sendo considerado pelos comentaristas políticos ouvidos em vários órgãos da imprensa internacional como o primeiro governante vitimado aquecimento global.”
“Howard seguia em tudo seu amigo e orientador George Bush, lembra Leitão. Da guerra do Iraque aos temas climáticos. A Austrália não assinou o Protocolo de Kyoto e, além disso, Howard, como Bush, nega a existência do problema, apesar das fartas comprovações dos cientistas reunidos pela ONU de que os gases de efeito estufa estão ameaçando o planeta. A Austrália é considerada pelos cientistas uma vitima antecipada do problema climático: nos últimos quatro anos enfrentou uma severa seca que pode ter sido causada já pela mudança no clima do planeta. Isso mobilizou o eleitorado em torno da questão.
Fonte: MiriamLeitão.com (http://oglobo.globo.com/economia/miriam/)


Brasil já vende mais industrializados para UE

25.11.07

Pela primeira vez em mais de duas décadas, a União Européia (UE) ultrapassa os Estados Unidos como um dos principais destinatários das exportações brasileiras de manufaturados este ano. As vendas desses produtos para o mercado europeu cresceram 28,5% até outubro, enquanto para os Estados Unidos recuaram 6,9%, principalmente em decorrência da valorização do real ante o dólar e também dos problemas derivados da crise imobiliária naquele país.
Os embarques de produtos industrializados do Brasil para a UE totalizaram US$ 13,478 bilhões entre janeiro e outubro deste ano, ante US$ 13,157 bilhões para os EUA. Os dados são do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior e sugerem que a diferença tende a se ampliar nos próximos meses.
Com o dólar oscilando na faixa de R$ 1,70 a R$ 1,80, os produtos brasileiros perdem competitividade no mercado americano, que é abastecido cada vez mais por produtos chineses. Diante disso, os exportadores brasileiros buscam redirecionar os produtos antes vendidos nos EUA para países da Europa. Ao mesmo tempo, tentam substituir o dólar como moeda nessas transações, na medida em que o euro significa melhor remuneração por seus produtos. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.
Fonte: AE - Agência Estado

Lucros recordes turbinam investimentos

25.11.07

Balanços de 220 das maiores empresas do país revelam alta de 46% nos ganhos, mas cenário externo em 2008 traz incerteza
As maiores empresas brasileiras de capital aberto (com ações na Bolsa) nunca lucraram tanto como em 2007. Os resultados do ano devem garantir fortes investimentos em 2008, apesar das incertezas no cenário internacional.
A aposta é que o mercado interno continuará sendo, como neste ano, o carro-chefe do crescimento. Uma crise externa de maior intensidade, porém, pode azedar o otimismo.
Balanços de 220 companhias publicados até a semana passada mostram que nos primeiros três trimestres deste ano essas empresas faturaram R$ 368,6 bilhões e tiveram lucro líquido de R$ 39,2 bilhões.
São recordes absolutos para essa amostra, realizada para a Folha pela Economática, empresa de consultas econômicas.
O lucro apurado entre essas 220 empresas, em nove meses, foi 45,6% maior do que em igual período de 2006. No ano, a Bolsa paulista, em que as ações dessas empresas são negociadas, subiu 37%.
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Os resultados finais de 2007, que devem ser ainda mais robustos após as vendas do último trimestre, tendem a garantir fortes investimentos nos próximos anos.
"Devemos ter um bom ano em 2008, com aumento nos investimentos e clima de otimismo entre os empresários", afirma Armando Monteiro Neto, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria).
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...O setor privado aposta, apesar de ter ressalvas, que o mercado interno aquecido poderá compensar em boa medida um provável esfriamento da economia internacional, com considerável risco de uma recessão no maior mercado do planeta, os EUA.
Levantamento realizado pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) nos setores industrial e de infra-estrutura, por exemplo, revela boa dose de otimismo com o futuro.
Os números e valores de novos empréstimos já analisados e aprovados pelo banco estatal confirmam, na prática, muitas dessas expectativas.
Entre janeiro e outubro, o BNDES aprovou mensalmente, em média, 10% mais verbas (R$ 7 bilhões ao mês) para empresas do que em 2006. O setor de alimentos e bebidas, chave para manter a inflação sob controle, teve 45% mais empréstimos aprovados em dez meses (R$ 6 bilhões) do que em 2006.
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"O crescimento do mercado interno é quem puxa esses investimentos", afirma Fernando Puga, do BNDES.
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Fonte: Fernando Canzian e Cristiane Barbieri, Folha de São Paulo

Produtores devem suspender a venda antecipada de soja

23.11.07

Até agora, em torno de 18 milhões de toneladas do insumo já foram negociadas.
Apesar de as cotações da soja estarem batendo sucessivos recordes na Bolsa de Chicago (CBOT) - atingiu no dia último dia 20 o valor de US$ 11 o bushel, o maior desde junho de 1988 - consultorias agroeconômicas orientam produtor a suspender as vendas antecipadas até janeiro, quando a confirmação de fundamentos altistas podem elevar as cotações do bushel a níveis entre 12 e 13 dólares.
Até agora, em torno de 18 milhões de toneladas de soja já foram negociadas, referentes à lavoura de soja que está sendo cultivada no Brasil, o que significa 30% da safra (2007/08), estimada em 59,4 milhões de toneladas por órgãos oficiais. Em dólar, o volume foi negociado muito próximo ou acima de 10 dólares por bushel, valor recorde para venda antecipada, segundo Anderson Galvão, diretor da Céleres.
"Mas, está nítido que os preços da soja estão mudando de patamar, e nada impede que a soja chegue a valer 13 dólares por bushel, o que vai alcançar US$ 24 (a saca de 60 quilos) no Brasil. Por essa circunstância, o produtor não pode mais vender até janeiro, quando essa definição vai ocorrer", alerta Galvão, que se refere à posição mais clara sobre a colheita na América do Sul.
Essa recomendação, pondera Galvão, é generalista e considera que cada produtor deve decidir o que vender garantindo sua margem de segurança. Apesar da alta, em alguns estados há casos em que a fixação de preços ficou baixa, na média, perto dos níveis em que o mercado fixou no segundo semestre. Em Mato Grosso, que costuma fixar preços mais cedo do que em outros estados, isso aconteceu. Na Cooperativa Agropecuária Industrial Celeiro do Norte (Coacen), em Sorriso (MT), houve negociação em 2006 para entrega com soja da safra 2007/08. Na época, Chicago estava em 6 dólares o bushel (atualmente está 11) , conta Argino Bedin, produtor e cooperado da Coacen, que deve produzir 6 milhões de sacas de soja nesta safra. "Na época, o preço parecia muito bom. Hoje vemos que não era", constata Bedin.
Mas, apesar de o mercado considerar fortemente a possibilidade de a soja bater 13 dólares por bushel, nenhum especialista "assina em baixo", afirma Gonzalo Terracini, analista de gerenciamento de risco da FCStone. Mas essa especulação tem uma forte razão para existir, segundo Galvão. E ela é a co-relação do comportamento dos preços do óleo de soja e do petróleo que, neste ano atingiu nível "conceitualmente bastante elevado".
"Até este momento de 2007, 87,3% da variação do petróleo foi transferida para as cotações do óleo de soja, comportamento que no ano passado foi nulo e que, em 2005, perto de 2%", argumenta Galvão. Para ele, isso mostra tendência de que preços da soja passarão a ser direcionados pela cotação do óleo (e, conseqüentemente do petróleo) e não mais do farelo, como até então vinha ocorrendo.
A falta de "limites" para o preço da soja ganha força com a firme demanda da China, que não arrefeceu mesmo diante dos altos preços da commodity. E essa sustentação também tem apoio no enfraquecimento mundial da moeda americana, que amortece a valorização forte dos preços da soja na CBOT, na avaliação de Terracini. "A tonelada do grão posto em território chinês custa US$ 540, valor muito elevado em dólar", completa.
fonte: Gazeta Mercantil, com o Observatório

Morte de frangos em Nova Marilândia:prejuízo de R$800 mil

23.11.07
A Perdigão pode chegar a ter um prejuízo de R$ 800 mil com a morte de aproximadamente 100 mil frangos de aviários de Nova Marilândia que seriam destinados ao abate no frigorífico da empresa em Nova Mutum. Conforme informou o prefeito de Nova Marilândia, José Aparecido dos Santos (Cidinho), é o que lhe teriam dito representantes da Perdigão. Até ontem à tarde, o levantamento era de que 85 mil aves haviam morrido por conta da interrupção no fornecimento de energia por 7 horas e 41 minutos. O restante teria morrido, conforme o prefeito, durante o transporte para o frigorífico. Mas, ainda de acordo com o prefeito, a Cemat já teria procurado os aviários e a Perdigão para discutir uma possível indenização.
A empresa orienta aos consumidores que necessitem de fornecimento de energia sem interrupção, como é o caso dos aviários, para que mantenham gerador próprio para evitar problemas desse tipo.
Fonte: Agronotícias, A Gazeta, com o Observatório

Recall de hambúrguer faz empresa declarar falência

23.11.07

Contaminação fez empresa recolher quase 10 milhões de quilos de carne há dois meses.
Após recolher mais de 9,8 milhões de quilos de carne de hambúrguer há cerca de dois meses, a empresa Topps Meat, do estado americano de Nova Jersey, declarou falência, segundo informações do "New York Times".
Em nota, a empresa justificou que “o severo impacto econômico do recall” forçou o encerramento das operações.
A Toops já havia fechado as portas e demitido a maioria dos funcionários no dia 5 de outubro, uma semana depois de iniciar um dos maiores recalls de hambúrguer.
Pelo menos 40 pessoas em oito estados americanos ficaram doentes após consumirem a carne, cujos testes detectaram a presença da bactéria Escherichia coli, segundo informações do Departamento de Agricultura.
O caso da Topps foi o mais sério envolvendo outros 16 recalls por contaminação de carne com a bactéria este ano.
No início deste mês, a gigante do setor agrícola Cargill informou a realização de recall de quase 500 mil kg de carne de hambúrguer distribuídos nos Estados Unidos devido a uma possível contaminação por coliformes fecais.
Fonte: Do G1
Registro: Cargill faz recall de quase 500 mil kg de carne de hambúrguer nos EUA
Teste em amostra deu resultado positivo para a bactéria Escherichia coli.
Empresa anuncia recall de pizzas congeladas nos EUA
A gigante do setor agrícola Cargill informou no dia 03.11.07 que está fazendo o recall de quase 500 mil kg de carne de hambúrguer distribuídos nos Estados Unidos devido a uma possível contaminação por coliformes fecais.
A Cargill Meat Solutions afirmou que uma amostra dos 491,7 mil kg de carne de hambúrguer distribuídos entre 8 e 11 de outubro deu resultado positivo para a bactéria Escherichia coli em teste realizado pelo Departamento de Agricultura do país.
Os sintomas associados à contaminação com a bactéria incluem fortes dores de barriga, diarréia e desidratação. Crianças, idosos e pessoas com baixa resistência são as mais vulneráveis.
"Nenhuma doença foi associada com o produto", disse John Keating, presidente da Cargill Regional Beef, em comunicado. "Estamos trabalhando junto com o Departamento de Agricultura para remover o produto do mercado."
O recall foi o segundo da companhia em um mês. Em 7 de outubro, a Cargill anunciou o recolhimento de quase 400 mil quilos de carne congelada processada em WinscEonsin.
Fontes; Efe, Reuters, AEstado

Investimento em 'comércio justo' multiplica renda

23.11.07

Segundo dados da ONG internacional FLO, que atua na área, 8,5 mil famílias brasileiras estão envolvidas na cadeia produtiva do comércio justo.
Essa é uma prática econômica que já movimenta mais de R$ 3 bilhões no mundo e começa, aos poucos, a influenciar positivamente a renda de agricultores e artesãos do interior do país.
É o movimento do comércio justo, capitaneado por organizações não-governamentais e pelo Sebrae, que prega a ética nas relações entre produtor e vendedor, com respeito ao meio ambiente, à sociedade e ao consumidor.
...
Por definição, o comércio justo tem a meta de garantir que todos os elos da cadeia produtiva sejam remunerados de forma justa por sua contribuição na produção de uma determinada mercadoria. Assim, é comum que as que têm o selo de comércio justo - ou fair trade, na definição em inglês - paguem a seus fornecedores de matéria-prima um "prêmio" pela produção que respeita as leis ambientais e trabalhistas.
Fonte: Fernando Scheller, do G1 (O Globo)

Governo contra metas para a redução de emissões

22.11.07

Enquanto líderes mundiais se preparam para debater em dezembro, na ilha de Bali, na Indonésia (Conferência da Partes da Convenção do Clima – COP-13), uma estratégia mundial para enfrentar as mudanças climáticas, o Brasil discute se deve ou não se comprometer a diminuir a emissão de gases do efeito estufa com metas internacionais ou com acordos internos. Hoje (21), uma audiência pública na Comissão Mista Especial de Mudanças Climáticas no Senado Federal discutiu o assunto.
Segundo dados da organização não-governamental Greenpeace, pelo menos 20% das emissões globais de gases do efeito estufa são resultado da destruição de florestas tropicais. No Brasil, cerca de 75% das emissões brasileiras são decorrentes dos desmatamentos, principalmente os ocorridos na Amazônia, e de mudanças no uso do solo.
A técnica em mudanças climáticas da organização não-governamental WWF-Brasil, Karen Suassuna, defende que o Brasil demonstre algum tipo de compromisso em relação às emissões. Para ela, sem o estabelecimento de metas, não é possível analisar o progresso brasileiro na redução das emissões.
“A proposta de metas internas não aconteceu. O que nós temos é um plano de combate, mas esperamos que alguma coisa um pouco mais elaborada seja apresentada dessa vez em Bali”, afirmou.
Karen também chamou a atenção para a necessidade que o Brasil adote uma posição única de Estado, que envolva também os Ministérios da Agricultura e Pecuária, além da Ciência e Tecnologia e Meio Ambiente. “A pecuária é um dos impulsionantes do desmatamento. Não tratar a pecuária, e portanto não trazer os atores responsáveis por esse setor para a mesa de negociação, deixa o Brasil numa posição fragilizada”.
Brasil é o 4º maior emissor de gases efeito estufa, diz WRI
Para o ambientalista Luis Piva, responsável pela área de clima e energia do Greenpeace, o Brasil deve discutir metas nacionais e levar essa discussão para a conferência de Bali. Ele acredita que no futuro o Brasil deverá adotar compromissos internacionais.
“Eu acho que vai chegar um momento em que essa discussão terá que ser colocada na mesa para os mais de 100 países que são signatários da convenção e do protocolo [Protocolo de Kyoto] debaterem. Eu acho que isso é extremamente necessário”, defendeu.
Piva citou dados da entidade internacional World Research Institut (WRI), que afirmam que o Brasil é o quarto maior emissor de gases do efeito estufa na atualidade, ficando atrás apenas da China, Estados Unidos e Indonésia. Segundo ele, três quartos do problema são decorrentes de desmatamentos e queimadas, sobretudo da Floresta Amazônica, que já possui 17% de sua cobertura vegetal desmatada.
“Esse desmatamento até tem sido reduzido mas continua num ritmo muito agressivo, sobretudo quando analisamos as autorizações ilegais para desmatar áreas em função da expansão da fronteira agrícola, da soja, do gado e do comércio de madeira”, diz.
No mês passado, nove organizações não-governamentais (ONGs) apresentaram no Congresso Nacional o Pacto Nacional pela Valorização da Floresta e pelo Fim do Desmatamento na Amazônia, que propõe a adoção de metas de redução anual de emissões de gases do efeito estufa até que se chegue ao desmatamento zero em 2015, continuando a ser permitido apenas o que consta na legislação: até 20% para a Amazônia, 30% para a Mata Atlântica e 50% para o Cerrado.
Para a secretária de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug, o Brasil não é obrigado a ter obrigações internacionais em relação à emissão de gases, mas já produz esforços nesse sentido, como a adoção do plano de prevenção e combate ao desmatamento em 2004.
“A primeira coisa é você entender se essas metas, caso fossem estabelecidas, seriam exequíveis, atingidas. Agora eu não acredito, honestamente, que o estabelecimento de uma meta faria o Brasil agir de maneira diferente daquela que já está agindo hoje”, afirma.
Fonte: Irene Lobo, Agência Brasil/Radiobrás

TNC e Aprosoja implantam projeto "Soja Ecológica"

22.11.07

A The Nature Conservancy (TNC) reuniu-se dia 21 pp., em Brasília, com sua parceira, a Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja/MT), para desenvolver o projeto “Soja Ecológica”.
A reunião aconteceu na sede da TNC e estavam presentes, o presidente da Aprosoja, Glauber Silveira, o vice-presidente oeste, Ricardo Arioli, assessor de relações institucionais, João Henrique, a Secretária de Agricultura e Meio Ambiente do município de Lucas do Rio Verde, Luciane Copetti, e por parte da TNC estavam o diretor do programa Savanas Centrais, João Campari e Henrique Santos.
O projeto, ainda em fase de elaboração, consiste em criar um fundo para captação de recursos internacionais, para acelerar o processo de adequação e licenciamento ambiental das propriedades de soja no estado de Mato Grosso. Além da Aprosoja e TNC, o Instituto Ação Verde (criado pela Aprosoja) também é parceiro nessa iniciativa.
“Estamos fazendo a nossa parte. Colocando em prática princípios como o plantio direto, descarte responsável de embalagens de agrotóxico, uso racional de defensivos agrícolas, áreas de conservação ambiental como reservas legais, área de preservação permanente, entre outros” declarou Arioli.
Esse projeto é classificado por seus autores como pioneiro e deve ser lançado na Conferência de Bali (Indonésia), que acontecerá de 3 a 14 de dezembro próximos.
Fonte: Só Notícias com o Observatório
Comentário do Editor: apenas seguir as determinações das leis do pais tornará a soja “ecológica”? um tanto de exagero, não?

Falta de energia elétrica mata 100 mil frangos em MT

22.11.07

Após mais de sete horas sem energia elétrica, os avicultores de Nova Marilândia, município de Mato Grosso, entraram em desespero. A falta de energia provocou a morte de mais de 100 mil frangos, com idade entre 30 a 35 dias, em uma primeira estimativa, prejuízos ainda incalculáveis pelos pequenos produtores. Há casos que em um aviário onde estavam alojados 10 mil frangos, morreram cerca de sete mil.
O fornecimento de energia elétrica foi interrompido por volta das 09h15 desta quarta-feira (dia 21) e só foi restabelecido por volta das 17h26, após mais de sete horas de apagão. O problema ocorreu entre o municipio de Arenápolis e Nova Marilãndia. A fábrica de ração que abastece os aviários também ficou parada e impedida de produzir ração para os aviários, ocasionando a morte de frangos por fome.
A empresa integradora que opera na região, Perdigão, também terá prejuízos ainda não verificados. "Os prejuízos serão enormes tanto para a Perdigão, como para avicultores e a fábrica de ração. “Ainda estamos levantando o tamanho do prejuízo, mas posso adiantar que serão enormes" - declarou o Supervisor da empresa no município, Jaime Mignone.
O assessor da presidência da Rede Cemat (Companhia de Eletricidade de Mato Grosso), Hélio Tito atribuiu o problema aos temporais. "Ontem e hoje, tivemos vários problemas no estado" salientou Tito.
Não há registro de chuvas nos últimos cinco dias em Nova Marilândia. O prefeito do Município, José Aparecido dos Santos, não foi encontrado para comentar os acontecimentos. Seus assessores informaram que ele estava visitando aviários na Zona Rural, para se inteirar dos fatos. A quarta-feira foi de um calor de cerca de 40 graus no município, embora a metereologia estimasse 36 graus, necessitando que ficassem ligados o sistema de refrigeração dos aviários.
Fonte: 24hsnews, com o Observatório

Fiscais resgatam 831 indígenas de usina de açúcar no MS

22.11.07

Indígenas estavam alojados em construções extremamente precárias. Empregados não-índios eram melhor tratados, denuncia auditora. Usineiro nega e diz que situação encontrada se deve ao uso durante toda safra
Um grupo de 831 trabalhadores indígenas foi resgatado de condições degradantes da fazenda e usina de cana-de-açúcar Debrasa, unidade da Companhia Brasileira de Açúcar e Álcool (CBAA) em Brasilândia (MS), a 400 km da capital Campo Grande. Realizada na última terça-feira (13), a operação de fiscalização coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagrou o descumprimento de leis trabalhistas por parte da Agrisul, que, assim como a CBAA, pertence ao grupo José Pessoa, um dos maiores e mais tradicionais do país no segmento sucroalcooleiro.
"O alojamento era de uma precariedade que causou espanto em toda a equipe", descreve a auditora fiscal do trabalho, Jacqueline Carrijo, que comandou o grupo móvel de fiscalização. Um grupo de 50 indígenas se amontoava em blocos retangulares de alvenaria (de 15 m x 6,8 m), semelhantes a uma cela de prisão. Os blocos menores (9,4 m x 2,8 m) abrigavam até 20 pessoas. A construção era antiga, as paredes estavam cobertas de mofo e os colchões eram sujos. Os blocos ficavam distantes cerca de 5 km da sede da usina, onde havia um outro alojamento dentro dos padrões exigidos por lei.
....
A alimentação dos indígenas também era muito precária. "Assim como na divisão dos alojamentos, verificamos muita diferença entre os refeitórios dos funcionários não-indígenas e o dos indígenas. Um deles era limpo e respeitava todas as normas, com mesas e cadeiras adequadas. Os indígenas, por sua vez, comiam sentados no chão. Havia clara discriminação, um verdadeiro apartheid [regime político fundado no racismo institucional que vigorou na África do Sul de 1948 até 1990]", descreve a coordenadora do grupo móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). De acordo com ela, cerca de 200 funcionários da CBAA trabalhavam em situação bem mais favorável que os mais de mil, aí incluídos os 831 indígenas, registrados pela Agrisul.
As marmitas servidas aos indígenas não eram bem fechadas, e o cardápio era farto em carboidratos (muito arroz) e escasso em vitaminas (carne e legumes). A disponibilização de água potável durante o trabalho também se revelou precária. Muitos índios tiveram problema de vômitos e diarréia.
O transporte era realizado em seis ônibus totalmente precários. ...
A inexistência de restrição à liberdade e de dívidas com o empregador, bem como o registro em carteira - os salários estavam atrasados, assim como o pagamento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) -, contribuíram para classificar o quadro como de trabalho degradante. Conforme o relato dos integrantes do grupo móvel, não foram encontradas armas de fogo nem foram consumadas ameaças de natureza física ou psicológica de restrição do direito de ir e vir.
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Um dos gerentes do grupo José Pessoa vem acompanhando a fiscalização, declara a fiscal Jacqueline. Ela conta que não houve resistência nem restrições por parte dos representantes das empresas Agrisul e CBAA - que inclusive são signatárias do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (confira lista). Algumas providências já estão sendo tomadas, como a troca do ônibus de transporte, a disponibilização de banheiros químicos para os trabalhadores e manutenção das caldeiras da usina.
O outro lado
Repórter Brasil entrou em contato com a CBAA em Brasilândia (MS) por telefone no final da tarde desta terça-feira (20) com o intuito de registrar a posição da companhia com relação à fiscalização do grupo móvel. Uma funcionária da empresa solicitou que a reportagem entrasse em contato com a assessoria de imprensa do grupo, que fica na unidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. A tentativa do contato foi feita, mas ninguém atendeu ao chamado telefônico nas instalações da filial paulista.
Nesta quarta-feira (21), o próprio presidente José Pessoa de Queiroz Bisneto conversou por telefone com a reportagem do Repórter Brasil. Para ele, a situação da usina Debrasa "não é bem como está sendo colocada". "Os alojamentos têm mais de 20 anos e já passaram por outras fiscalizações anteriormente, inclusive do próprio grupo móvel de Brasília. E nunca houve uma reação como agora. Eles estavam sujos por causa do uso durante toda a safra", justifica o empresário.
José Pessoa ressalta que a fiscalização aportou justamente nos últimos 15 dias da safra deste ano. "Se tivessem visto os alojamentos no começo da safra, a avaliação seria outra. Nem sempre conseguimos fazer a manutenção quando eles estão cheios", sublinha. (comentário do Editor: então podemos deduzir que durante toda a safra não é feita limpeza nos alojamentos?)
O quadro encontrado pelo grupo móvel, completa, também está relacionado com os hábitos dos trabalhadores indígenas, bem diferentes dos empregados não-indígenas.
A diferença de tratamento entre trabalhadores indígenas e não-indígenas na Debrasa, atestada pelo grupo móvel quando da fiscalização, foi refutada pelo usineiro. "A empresa tem uma só cozinha. Quem trabalha na industria faz suas refeições no refeitório porque estão todos concentrados. É a mesma comida que vai para o campo [para os indígenas]. Não é possível instalar refeitórios nas frentes. Nunca existiu diferenciação", responde. Ele também negou a existência de alojamentos-padrões apenas para os trabalhadores não-indígenas. "São todos iguais, da mesma qualidade".
A Debrasa, continua José Pessoa, é uma das poucas usinas da região que oferece emprego aos indígenas. "Em 1998, em função da modificação da legislação, acabamos com a contratação desse tipo de mão-de-obra. Mecanizamos tudo naquela ocasião. Diante do apelo das autoridades, voltamos a contratar índios justamente por causa da nossa preocupação social. Estamos `pagando o pato` por causa disso", adiciona.
Do conjunto de problemas identificados, o empresário assume que as irregularidades no transporte poderiam ter sido solucionadas anteriormente. "Não contrataremos mais ninguém. Vamos adquirir ônibus próprios". Para a próxima safra, que começa em abril de 2008, ele promete aumentar a mecanização, contratar menos indígenas e destruir os alojamentos antigos para reconstruir um espaço maior com uma planta mais moderna.
Ele não admite negligência no acompanhamento da situação dos alojamentos. Promete ainda guardar imagens e convidar representantes do Ministério Público do Trabalho para conferir as instalações oferecidas aos funcionários antes da safra do ano que vem começar. "Nunca quisemos explorar ninguém. Ficamos muito tristes com esse episódio todo".
Fonte: Por Beatriz Camargo e Maurício Hashizume, Repórter Brasil
Para mais informações, vá ao sitio do Repórter Brasil
Comentário do Editor: as medidas anunciadas pelo empresário parecem indicar que a “culpa” da situação acaba sendo atribuída ao fato de contratar indígenas, já que eles terão menos emprego na próxima safra...

Governo vai licitar lagos, rios e mar para cultivos aquáticos

19.11.07

Reforma Aquária dá andamento à privatização das águas no Brasil
Depois das rodovias, agora é a vez das águas da União. O Governo Federal lançou o primeiro edital de licitação neste mês e prepara pelo menos outros quatro até o fim do ano para conceder o direito de uso por 20 anos das chamadas "áreas aqüícolas" em lagos, rios, açudes, reservatórios ou em pontos do litoral.
As concessões serão exclusivas à aqüicultura --a criação de pescado em cativeiro--, tanto em água doce como salgada.
O primeiro edital publicado é para a concessão de 155 lotes no reservatório da hidrelétrica de Itaipu, no Paraná. Cada um dos lotes (ou áreas aqüícolas) tem 0,2 hectare em lâmina d'água, o equivalente à área de duas piscinas olímpicas.
A concessão será entregue a pescadores e ribeirinhos que forem aprovados num processo de seleção da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência, ao estilo das entrevistas para a escolha de famílias nos projetos de assentamento da reforma agrária.
Seleção e concorrência
Haverá dois tipos de edital: os de seleção, como no caso de Itaipu; e os de cessão onerosa, no qual tanto empresas nacionais como estrangeiras poderão disputar o mesmo espaço. Os primeiros editais para licitações onerosas serão abertos para áreas no litoral de Pernambuco (169 hectares) e de São Paulo (8,4 hectares).
A empresa vencedora será aquela que, na abertura dos envelopes, oferecer o maior valor pelo uso do lote por 20 anos. Além disso, terá de pagar anuidade para cada hectare concedido --entre R$ 200 e R$ 300 (valor ainda não definido).
Nos editais, já constará o tipo de pescado a ser produzido naquele conjunto de lotes. No caso de Itaipu, a produção será exclusiva de pacu.
Neste ano, ainda estão previstos editais para o açude do Castanhão, no interior cearense, e na bacia do Jatobá, em Pernambuco. O governo estima em 5,5 milhões de hectares o espaço disponível em águas da União para projetos de aqüicultura --segundo a legislação, apenas 1% de cada área poderá ser entregue à concessão. Por exemplo: uma represa de 500 hectares terá apenas 5 hectares abertos à concessão.
Uma instrução normativa interministerial publicada no mês passado tirou do caminho os últimos entraves jurídicos que até então impediam o lançamento dos editais. Nela, por exemplo, a responsabilidade pela escolha das áreas de concessão passou da Secretaria do Patrimônio da União para a Secretaria de Aqüicultura e Pesca.
Porta de saída
Segundo o governo, o uso legalizado das águas da União, como em açudes e reservatórios de hidrelétricas, pode ser uma "porta de saída" ao Bolsa Família. "Essas concessões vão beneficiar tanto o pequeno [pescador] como o empresário. A cessão é democrática e gera emprego para gente de baixa qualificação. É porta de saída para o Bolsa Família, ao colocar essa gente para produzir peixe", diz Felipe Matias, diretor de Desenvolvimento da Aqüicultura da Secretaria da Pesca.
Já a CPT (Comissão Pastoral da Terra) vê as licitações de outra forma. Para a entidade, braço agrário da Igreja Católica responsável por pesquisas sobre o chamado "hidronegócio", o cultivo de pescado em reservatórios da União ou em tanques-rede no mar pode trazer riscos ambientais e sociais.
"Haverá um problema sério do ponto de vista social. Tanto o litoral como as águas interiores não serão espaços mais livres. Haverá restrição do acesso às famílias pobres", afirma Roberto Malvezzi, pesquisador da Pastoral da Terra.
A publicação dos editais somente ocorre depois da autorização do Ibama, do governo do Estado, da Marinha e da ANA (Agência Nacional de Águas). As áreas escolhidas pela Secretaria da Pesca, em geral, serão aquelas nas quais já existe a presença de criadores de peixe --todos na ilegalidade, segundo o governo.
Empresas européias aguardam licitação em áreas de água doce e pontos do litoral
Já espalhadas pelas plantações de cana-de-açúcar e de soja do país, empresas estrangeiras poderão agora explorar águas da União. De acordo com o governo, já existem escoceses, noruegueses, franceses e espanhóis interessados na abertura dos editais de licitação, tanto para reservatórios em água doce como em pontos do litoral.
Esses estrangeiros atuarão em igualdade de condições aos brasileiros, em qualquer um dos editais para licitações onerosas. Um grupo da Noruega com participação em uma empresa nacional está aguardando a abertura do edital para um lote de 169 hectares no litoral pernambucano. Lá, a produção será de bijupirá, peixe exportado com o nome de cobia.
"Não há interesse de proibir os estrangeiros. Não queremos proibir ninguém, e sim garantir que o pequeno tenha acesso", afirma Felipe Matias, diretor de Desenvolvimento da Aqüicultura da Secretaria Especial da Pesca.
Já a CPT (Comissão Pastoral da Terra) vê com preocupação a futura presença de estrangeiros em águas na União.
Predadoras
"São empresas predadoras. Deixam para trás locais [no exterior] já deteriorados e procuram novos espaços, sem nenhuma preocupação com o ambiente. Elas vêm no sentido de produzir pescado em larga escala", afirma Roberto Malvezzi, agente do braço agrário da Igreja Católica e um dos coordenadores de estudos da entidade sobre os impactos do agro e do hidronegócio nas pequenas comunidades.
Fonte: Eduardo Scolese, da Folha de S.Paulo, em Brasília
Comentário do Editor: Essa questão está me lembrando os famosos "perímetros irrigados" do passado, onde se previa assentar principalmente pequenos agricultores. Estão, hoje, predominantemente na mão de empresas. Será a criação em cativeiro de peixes e outros seres aquáticos tão simples assim? qualquer pescador ou ribeirinho vai "se dar bem" nessa nova atividade? a tecnologia, os controles de qualidade, a escolha das rações? haverá assistência técnica disponível para todos?

MTE acha 32 trabalhadores em condições desumanas no RS

19.11.07

Fiscais do Ministério do Trabalho encontraram 32 pessoas submetidas a condições desumanas de trabalho e sobrevivência em plantações de eucaliptos no interior do município de Cacequi, a 400 quilômetros de Porto Alegre, na sexta-feira. O grupo foi transferido para um hotel no centro da cidade, onde vai esperar pelo pagamento de salários.
O empregador fez um acordo com representantes da Delegacia Regional do Trabalho, prometendo obter o dinheiro durante a semana para quitar o débito. Logo que receberem, os trabalhadores voltarão a Alegrete, no Rio Grande do Sul, e a cidades de Mato Grosso do Sul e do Paraguai, de onde saíram.
A Brigada Militar (polícia militar gaúcha), o Ministério do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal investigavam o caso desde terça-feira da semana passada, quando receberam uma denúncia anônima. Os fiscais e policiais foram ao local e encontraram homens e mulheres cortando árvores do nascer ao pôr-do-sol, em jornadas exaustivas e não remuneradas de trabalho, situação que o Ministério considera como de "redução à condição análoga à de escravo".
Os alojamentos também foram considerados insalubres, por falta de banheiro e condições mínimas de higiene, conforto e segurança. Homens, mulheres e crianças eram obrigados a beber água de um rio e nele se banhar.
A Delegacia Regional do Trabalho não divulgou o nome da empresa que contratou os trabalhadores. Informou apenas que ela tem domicílio no Paraná e que é fornecedora de empresas ligadas ao ramo ferroviário. Os troncos de eucaliptos seriam usados como dormentes de trilhos. Se condenados pela Justiça pela exploração de trabalho escravo, os responsáveis podem pegar penas de dois a oito anos de reclusão.
Fonte: Elder Ogliari- Agência Estado

Brasil é o 5º País maior emissor de CO2

19.11.07

Emissão cresce mais que o PIB no Brasil, diz a Folha de São Paulo
Gás carbônico emitido na economia teve alta de 45% entre 1994 e 2005
Cálculo foi feito por grupo do RJ a pedido do governo e integrará novo inventário nacional; térmicas e carros foram fatores de elevação: Frota maior foi um dos responsáveis pelo crescimento nas emissões
As emissões de gás carbônico na economia brasileira cresceram 45% entre 1994 e 2005. Nesse período, a média de crescimento anual da produção de gases-estufa excluindo o desmatamento foi de 3,4%, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 2,6%. Ou seja, o país está poluindo mais do que gerando riqueza.
Os dados integram relatório do balanço de carbono do Brasil, feito em convênio com o Ministério da Ciência e Tecnologia pela Economia & Energia (www.ecen.com), uma organização sediada no Rio.
Eles formarão a base do próximo inventário nacional de emissões, ainda sem data para ser concluído, que será entregue à Convenção do Clima das Nações Unidas. O inventário atual, lançado em 2004, já nasceu desatualizado: seus dados refletem as emissões de 1994.
... Em 2005, (as emissões de carbono) chegaram a 91 milhões de toneladas, ultrapassando as emissões somadas de Áustria e da Holanda. Tudo isso excluído o desmatamento, que responde por cerca de 75% das emissões brasileiras -e que torna o Brasil o quinto maior poluidor global.
Segundo Carlos Feu, diretor da Economia & Energia, dois fatores responderam pela elevação das emissões: o brasileiro está andando mais de carro e consumindo energia mais suja.
...A matriz energética nacional, antes predominantemente hidrelétrica (cujas emissões não são contabilizadas por falta de critério científico), passou a contar a partir desta década com usinas movidas a combustíveis fósseis como gás natural, diesel e carvão mineral.
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O Plano Nacional de Energia, elaborado pela EPE (Empresa Brasileira de Pesquisas Energéticas), prevê que a participação do gás na matriz nacional em 2030 terá quase dobrado em relação ao 2005. A capacidade instalada de usinas a carvão deve quadruplicar no período, de 1.400 para 6.000 megawatts. As estimativas foram feitas antes da confirmação do potencial do campo de petróleo de Tupi, na bacia de Santos -que tende a tornar o óleo uma fonte de energia ainda mais importante no país.
Segundo o relatório do balanço de carbono, o setor de geração de energia foi o único que cresceu sua participação relativa no total de emissões entre 1994 e 2005: de 12% para 17%. As emissões desse setor duplicaram no período, de 7,6 milhões de toneladas de carbono em 1994 para 15,2 milhões em 2005. Os transportes mantiveram a fatia de 40%, mas suas emissões saltaram 45%: de 25,4 milhões para 36,9 milhões de toneladas de carbono.
Para Carlos Feu, o aumento no consumo de veículos no país -que se reflete primeiro na queima de combustíveis fósseis- é parte da explicação para o aumento nas emissões ter ultrapassado do PIB.

Intensidade
Isso tudo contribui para que a chamada intensidade de carbono, ou seja, o total de carbono emitido por US$ 1.000 gerados na economia, ainda seja alta no Brasil. Nos países ricos, a tendência é que ela caia, seja por eficiência, seja pelo aumento da participação do setor de serviços. "Ainda estamos num caminho de subir a intensidade de carbono", diz Feu.
O relatório, no entanto, ainda não conseguiu avaliar o peso dos motores flex na redução das emissões. Os carros flex, que aumentaram o uso do álcool (combustível que emite pouco carbono) no país, só entraram no mercado em 2004.
O crescimento das emissões industriais deve colocar o Brasil numa posição ainda mais delicada nas negociações do acordo substituto de Kyoto, que começam no mês que vem em Bali, Indonésia. O país, como o resto do Terceiro Mundo, é desobrigado por Kyoto de cortar emissões mas vem sendo pressionado pelas nações industrializadas a adotar algum tipo de compromisso obrigatório no período pós-Kyoto. A posição tradicional brasileira é não aceitar metas.
Fonte: Cláudio Angelo, Editor de Ciência, Folha de São Paulo
Comentário do Editor: propositalmente, chamei a atenção que nosso país é o 5º país maior poluidor, o que não é novidade, mas no dia-a-dia a gente acaba esquecendo disso. O que se vê é a constante comemoração de recordes de produção de automóveis, poluindo mais e agravando os problemas urbanos com crescentes engarrafamentos e dificuldades de estacionamento. Não se sabe qual tem sido nem qual será no futuro imediato o efeito da frota com motores flex, pois nos jornais de hoje já aventa-se que a gasolina pode ficar mais barata (relativamente, suponho) que o álcool, devido aos crescentes preços desse combustível, alimentado pela demanda internacional. E empresas como a Vale do Rio Doce (que em breve mudará de nome) construindo usinas termoelétricas a CARVÃO mineral! a matriz energética sendo programada para uma pior composição entre as várias possibilidades que existem. Ninguém do setor elétrico ou do governo preocupando-se com a repotencialização das usinas hidrelétricas mais antigas. E, mais ainda, a eutrofização dos lagos das represas começando a gerar gases de efeito estufa pela forte poluição recebida pelos rios que neles deságuam.Tem uma conta que também ainda está por ser feita: sempre se fala em desmatamento da floresta amazônica, e suas queimadas, no cálculo do CO2 emitido pelo Brasil e que agrava o efeito estufa. E o desmatamento do Cerrado, sua transformação em carvão vegetal e lenha, isso não conta? tivemos, nas últimas três décadas quase 1 milhão de quilômetros quadrados de vegetação nativa retirada e substituída por plantios comerciais, uma média anual de 30.000 quilômetros quadrados derrubados, parte transformada em carvão e lenha, alterando o albedo da região, gerando maior reflexão dos raios solares e elevação da temperatura da atmosfera.

Caravana pela moralização