Notícias de JANEIRO 2008-Clique no título para ler e para fechar janela
Após sobrevôo, Marina Silva diz que desmatamento em Mato Grosso é preocupante 31.01.08
31.01.08
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliou que o sobrevôo feito hoje (30) pela região de Marcelândia (MT) – município da Amazônia que mais desmatou de agosto a dezembro do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – provou que a situação do desmatamento na região é “preocupante” (veja entrevistas mais abaixo).
Mais uma vez, a ministra evitou responsabilizar diretamente produtores de soja ou pecuaristas pela devastação da floresta, mas voltou a repetir “que não acredita em coincidências”, em referência ao aumento do desmatamento após a valorização dos preços das commodities (produtos agropecuários) no mercado internacional.
“São regiões de dinâmica econômica significativa de atividade agropecuária e de exploração irregular de madeira. Não é apenas uma ação esporádica de uma ou duas pessoas; existe uma dinâmica econômica na região, uma disputa em converter recursos naturais para atividades econômicas”, acrescentou.
Sobre a precisão dos números do Inpe que mostraram o avanço do desmatamento entre os meses de agosto e dezembro, a ministra afirmou que os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) são utilizados para “ orientar o processo de fiscalização” e que a consolidação dos dados é feita por outra metodologia, o Prodes.
“Em nenhum momento foi dito que o Deter se presta a indicar taxa de desmatamento, ele é um sistema para as ações de comando e controle e de fiscalização e são feitas projeções. O governo trabalha com dados oficiais em termos de taxas, quando são divulgados os dados do Prodes, após um trabalho rigoroso em cima de cada imagem”, afirmou Marina.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, que também participou do sobrevôo, anunciou o início de uma força tarefa da Polícia Federal nas regiões de maior desmatamento a partir de 20 de fevereiro. Segundo o ministro, a devastação da floresta é causada por uma sucessão de atos criminosos. “A PF incide sobre [investiga] essa cadeia, verificando se ela está integrada, se há um planejamento centralizado, de um grupo organizado, ou se é uma sucessão de atos delitosos”, adiantou.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil
Marina diz que dados revelam 'indícios' de desmatamento
Sinop, MT - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, admitiu hoje, em Sinop (MT), que, apesar de estarem corretos, os dados apurados pelo sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), que mostram aumento na devastação na Amazônia, indicam "indícios" de desflorestamento. "O Deter é um sistema diferente, não é para taxa de desmatamento, é para fiscalização."
Marina foi interrompida pelo governador Blairo Maggi (PR), que governa o Estado com o maior número de cidades consideradas desflorestadoras. Em meio às declarações dela, Maggi a apartou para dizer que "os dados de abril a setembro não estão corretos". "Preciso falar agora, senão, vou ficar com o chapéu na mão", justificou. Ele disse a Marina que o presidente do Inpe, Gilberto Câmara, reconheceu o erro. A ministra do Meio Ambiente falou no saguão do Aeroporto de Sinop, no norte do Estado, a 500 quilômetros de Cuiabá, depois de fazer um sobrevôo na região, num helicóptero do Exército.
Marina voou cerca de uma hora a partir de Marcelândia, situada mais ao norte mato-grossense, na companhia dos ministros da Justiça, Tarso Genro, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. Maggi juntou-se à comitiva em Marcelândia. Na chegada a Sinop, o grupo reuniu-se no saguão do aeroporto, sem a participação da imprensa. Depois, a ministra defendeu o Deter. "Até agora, essas informações têm sido acertadas." Marina afirmou que os dados apurados pelo Deter não são os mesmos do sistema Prodis, que estabelece a taxa de desmatamento.
"O Deter sinaliza os indícios de desmatamento para que possamos agir, preventivamente, em cima dessa sinalização." O que motivou a divulgação, segundo a ministra, foi a informação de que, até dezembro, a área desmatada na Amazônia chegaria a 7 mil quilômetros quadrados. "É uma forma de alerta. O desmatamento caiu de 2005 para cá e, se perdemos essa batalha, será ruim para todo mundo." Os dados foram usados para a elaboração do decreto que estabelece sanções para as propriedades que agirem de forma lesiva ao meio ambiente.
Discussão
"Trabalhamos em cima dessas informações e, até agora, tem dado certo. Não podemos ficar numa discussão se é desmatamento ou não e, daí a 60 dias, quando vamos comprovar se foi ou não, aí, o leite já foi derramado." O governador do Mato Grosso havia questionado o critério de se considerar desmatada área que teve queimada, apesar da possibilidade de regeneração da floresta. Segundo Marina, os números do Deter serão revistos pelo Prodis em agosto.
A ministra alegou que isso é feito todo ano e não por causa das reclamações do governo do Mato Grosso. "Todo ano, o sistema Deter indica o desmatamento e nós saímos agindo, preventivamente. Em agosto, o sistema Prodis confirma ou não aquela tendência." Marina elogiou Maggi, mas criticou a "falta de diálogo" com alguns governadores, citando o de Rondônia, Ivo Cassol (PPS). "Com ele, é difícil, quase impossível trabalhar."
Ela não quis comentar a afirmação de Maggi de que a divulgação dos números pode ter sido causada por uma disputa pelas verbas do orçamento dos ministérios, sujeitas a corte por causa do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "Nesse momento, não adianta essa discussão e o governador tem a consciência do trabalho que ele fez para reduzir o desmatamento no Estado." Maggi não pretende esperar até agosto pela revisão dos números. Dos 36 municípios que desmataram mais, 19 estão no Estado. Em 60 dias, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado checará todos os pontos mostrados pelo Deter. Para comprovar que os números não são reais, o governador apresentou um relatório preparado pela prefeitura de Marcelândia, segundo o qual 87,5% dos pontos detectados na cidade não eram desmatamentos recentes. Maggi disse que o decreto que penaliza as propriedades que desmatam será cumprido, mas pediu um tempo para os ajustes necessários. O governador requisitou também ajuda do Exército e da Polícia Federal (PF) para a fiscalização.
Ao ser informado de que associações de produtores se organizam contra as medidas, disse que todos terão de conviver com elas. "Temos de entender que o tempo do diferente passou. Se vamos ter sustentabilidade, será dentro desse limite de 80% que temos de preservar." Do contrário, os produtores terão de arcar com as penalidades, como a interdição de atividades econômicas. "Minha conversação com os setores produtivos é que precisamos estar dentro da legislação e isso não se discute mais." O presidente do Inpe deixou a reunião sem dar declarações.
Fonte: José Maria Tomazela, Estado de São Paulo
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliou que o sobrevôo feito hoje (30) pela região de Marcelândia (MT) – município da Amazônia que mais desmatou de agosto a dezembro do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – provou que a situação do desmatamento na região é “preocupante” (veja entrevistas mais abaixo).
Mais uma vez, a ministra evitou responsabilizar diretamente produtores de soja ou pecuaristas pela devastação da floresta, mas voltou a repetir “que não acredita em coincidências”, em referência ao aumento do desmatamento após a valorização dos preços das commodities (produtos agropecuários) no mercado internacional.
“São regiões de dinâmica econômica significativa de atividade agropecuária e de exploração irregular de madeira. Não é apenas uma ação esporádica de uma ou duas pessoas; existe uma dinâmica econômica na região, uma disputa em converter recursos naturais para atividades econômicas”, acrescentou.
Sobre a precisão dos números do Inpe que mostraram o avanço do desmatamento entre os meses de agosto e dezembro, a ministra afirmou que os dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) são utilizados para “ orientar o processo de fiscalização” e que a consolidação dos dados é feita por outra metodologia, o Prodes.
“Em nenhum momento foi dito que o Deter se presta a indicar taxa de desmatamento, ele é um sistema para as ações de comando e controle e de fiscalização e são feitas projeções. O governo trabalha com dados oficiais em termos de taxas, quando são divulgados os dados do Prodes, após um trabalho rigoroso em cima de cada imagem”, afirmou Marina.
O ministro da Justiça, Tarso Genro, que também participou do sobrevôo, anunciou o início de uma força tarefa da Polícia Federal nas regiões de maior desmatamento a partir de 20 de fevereiro. Segundo o ministro, a devastação da floresta é causada por uma sucessão de atos criminosos. “A PF incide sobre [investiga] essa cadeia, verificando se ela está integrada, se há um planejamento centralizado, de um grupo organizado, ou se é uma sucessão de atos delitosos”, adiantou.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil
Marina diz que dados revelam 'indícios' de desmatamento
Sinop, MT - A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, admitiu hoje, em Sinop (MT), que, apesar de estarem corretos, os dados apurados pelo sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) e divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), que mostram aumento na devastação na Amazônia, indicam "indícios" de desflorestamento. "O Deter é um sistema diferente, não é para taxa de desmatamento, é para fiscalização."
Marina foi interrompida pelo governador Blairo Maggi (PR), que governa o Estado com o maior número de cidades consideradas desflorestadoras. Em meio às declarações dela, Maggi a apartou para dizer que "os dados de abril a setembro não estão corretos". "Preciso falar agora, senão, vou ficar com o chapéu na mão", justificou. Ele disse a Marina que o presidente do Inpe, Gilberto Câmara, reconheceu o erro. A ministra do Meio Ambiente falou no saguão do Aeroporto de Sinop, no norte do Estado, a 500 quilômetros de Cuiabá, depois de fazer um sobrevôo na região, num helicóptero do Exército.
Marina voou cerca de uma hora a partir de Marcelândia, situada mais ao norte mato-grossense, na companhia dos ministros da Justiça, Tarso Genro, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel. Maggi juntou-se à comitiva em Marcelândia. Na chegada a Sinop, o grupo reuniu-se no saguão do aeroporto, sem a participação da imprensa. Depois, a ministra defendeu o Deter. "Até agora, essas informações têm sido acertadas." Marina afirmou que os dados apurados pelo Deter não são os mesmos do sistema Prodis, que estabelece a taxa de desmatamento.
"O Deter sinaliza os indícios de desmatamento para que possamos agir, preventivamente, em cima dessa sinalização." O que motivou a divulgação, segundo a ministra, foi a informação de que, até dezembro, a área desmatada na Amazônia chegaria a 7 mil quilômetros quadrados. "É uma forma de alerta. O desmatamento caiu de 2005 para cá e, se perdemos essa batalha, será ruim para todo mundo." Os dados foram usados para a elaboração do decreto que estabelece sanções para as propriedades que agirem de forma lesiva ao meio ambiente.
Discussão
"Trabalhamos em cima dessas informações e, até agora, tem dado certo. Não podemos ficar numa discussão se é desmatamento ou não e, daí a 60 dias, quando vamos comprovar se foi ou não, aí, o leite já foi derramado." O governador do Mato Grosso havia questionado o critério de se considerar desmatada área que teve queimada, apesar da possibilidade de regeneração da floresta. Segundo Marina, os números do Deter serão revistos pelo Prodis em agosto.
A ministra alegou que isso é feito todo ano e não por causa das reclamações do governo do Mato Grosso. "Todo ano, o sistema Deter indica o desmatamento e nós saímos agindo, preventivamente. Em agosto, o sistema Prodis confirma ou não aquela tendência." Marina elogiou Maggi, mas criticou a "falta de diálogo" com alguns governadores, citando o de Rondônia, Ivo Cassol (PPS). "Com ele, é difícil, quase impossível trabalhar."
Ela não quis comentar a afirmação de Maggi de que a divulgação dos números pode ter sido causada por uma disputa pelas verbas do orçamento dos ministérios, sujeitas a corte por causa do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "Nesse momento, não adianta essa discussão e o governador tem a consciência do trabalho que ele fez para reduzir o desmatamento no Estado." Maggi não pretende esperar até agosto pela revisão dos números. Dos 36 municípios que desmataram mais, 19 estão no Estado. Em 60 dias, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado checará todos os pontos mostrados pelo Deter. Para comprovar que os números não são reais, o governador apresentou um relatório preparado pela prefeitura de Marcelândia, segundo o qual 87,5% dos pontos detectados na cidade não eram desmatamentos recentes. Maggi disse que o decreto que penaliza as propriedades que desmatam será cumprido, mas pediu um tempo para os ajustes necessários. O governador requisitou também ajuda do Exército e da Polícia Federal (PF) para a fiscalização.
Ao ser informado de que associações de produtores se organizam contra as medidas, disse que todos terão de conviver com elas. "Temos de entender que o tempo do diferente passou. Se vamos ter sustentabilidade, será dentro desse limite de 80% que temos de preservar." Do contrário, os produtores terão de arcar com as penalidades, como a interdição de atividades econômicas. "Minha conversação com os setores produtivos é que precisamos estar dentro da legislação e isso não se discute mais." O presidente do Inpe deixou a reunião sem dar declarações.
Fonte: José Maria Tomazela, Estado de São Paulo
Luiz Inácio diz que houve 'alarde' no anúncio do desmatamento 31.01.08
31.01.08
Segundo informa Rui Nogueira, de O Estado de S. Paulo, "o presidente Luiz Inácio da Silva não acredita que o País esteja passando por um novo surto de desmatamento e acha mesmo que houve 'alarde' na divulgação dos números do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), na semana passada. Sem citar a ministra Marina Silva, Luiz Inácio criticou o Ministério do Meio Ambiente e as organizações não-governamentais, e disse que não se pode culpar a agropecuária, os produtores de soja e os sem-terra assentados pelo aumento do desmatamento na Amazônia. 'Não dá para culpar ninguém', afirmou".
fonte: UOL
Segundo informa Rui Nogueira, de O Estado de S. Paulo, "o presidente Luiz Inácio da Silva não acredita que o País esteja passando por um novo surto de desmatamento e acha mesmo que houve 'alarde' na divulgação dos números do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), na semana passada. Sem citar a ministra Marina Silva, Luiz Inácio criticou o Ministério do Meio Ambiente e as organizações não-governamentais, e disse que não se pode culpar a agropecuária, os produtores de soja e os sem-terra assentados pelo aumento do desmatamento na Amazônia. 'Não dá para culpar ninguém', afirmou".
fonte: UOL
Luiz Inácio diz que agronegócio não é culpado por desmatamento da AM 31.01.08
31.01.08
Presidente da República diz que fronteira agrícola não pode ser culpada por desmatamento da Amazôniaeste em almoço no Itamaraty.
Foto: José Cruz, Abr.
E diz que "compra a briga" com as ONGs que associam avanço da fronteira agrícola ao desmatamento
governadores e bancada ruralista no Congresso - provocada pelo anúncio do crescimento do desmatamento na Amazônia, nos últimos cinco meses. Foto:José Cruz, Abr.
Mas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliou que o sobrevôo feito ontem (30) pela região de Marcelândia (MT) provou que a situação do desmatamento é “preocupante”.
O presidente da República afirmou nesta quarta-feira, após almoçar no Itamaraty com o Presidente de Timor-Leste, que ainda não se pode culpar os produtores de soja, os criadores de gado e os assentamentos da reforma agrária pelo aumento do desmatamento da Amazônia. Antes de estabelecer as causas, disse o Presidente Luiz Inácio, é preciso investigar.
Saia Justa
O anúncio da reversão de expectativas, feito pela Ministra em reunião de emergência com o presidente da República, na semana passada, criou um problema político público entre os ministros Reinhold Stephanes (Agricultura), que saiu em defesa dos produtores rurais, e Marina Silva (Meio Ambiente), que responsabilizou o aumento da área desmatada como reação dos fazendeiros aos altos preços dessas commodities, buscando ampliar a área plantada e de pastagens para aumentar a produção e aproveitar os preços altamente favoráveis.
A Floresta Amazônica sofreu, no segundo semestre de 2007, a mais rápida devastação desde que os dados começaram a ser monitorados pelo governo. Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram a derrubada de 3.235 quilômetros quadrados de floresta entre agosto e dezembro. Só em Mato Grosso, informa o INPE, foram 1.786 quilômetros quadrados de corte raso. O governo Federal vinha comemorando, nos últimos três anos, que as taxas de desmatamento vinham caindo continuamente.
Para o Presidente, uma interpretação leiga e alarmista
Antes é preciso investigar e verificar o que aconteceu, disse ontem o presidente da República. Agora eu acho que todo mundo que promoveu queimada ilegal deve receber um duro processo, inclusive com a perda da propriedade pelos infratores - afirmou Luiz Inácio, que criticou ainda a forma como o Ministério do Meio Ambiente anunciou a alta das derrubadas. Para o Presidente, a situação é semelhante a 'você ir ao médico ao detectar que está com uma mancha na pele, e ao invés de fazer biópsia e saber como você vai tratar, já sai dizendo que está com câncer'
Luiz Inácio fez ainda uma dura crítica às ONGs internacionais que atacaram o governo brasileiro pelo alta do desmatamento:
- Eu compro essa briga com as ONGs, com isso de associar o desmatamento com a expansão da fronteira agrícola brasileira. Em primeiro lugar, essas ONGs precisam plantar árvores nos países deles - afirmou.
Interpretações distintas e discursos conflitantes
Para verificar o desmatamento no centro-norte de Mato Grosso, os ministros Marina Silva, Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, Tarso Genro, da Justiça, Enzo Martins, interino da Defesa, e o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Silas Ribeiro, fizeram nesta quarta-feira um sobrevôo na região.
Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o sobrevôo feito ontem (30) pela região de Marcelândia (MT) – município da Amazônia um dos que mais desmatou de agosto a dezembro do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – provou que a situação do desmatamento na região é “preocupante".
Já o governador Blairo Maggi, do Mato Grosso, diz que a comitiva admitiu que pode ter havido erro na análise das imagens do satélite que mostraram desmatamento na região. Segundo ele, o grupo sobrevoou 24 pontos de coordenadas captadas pelo Inpe, dos quais apenas dois teriam sido analisados corretamente. Já o restante constituiria áreas de queimadas acidentais, sem o objetivo de desmatar, e áreas de desmate antigas que foram sobrepostas as imagens recentes, além de formações rochosas que são desprovidas de vegetação.
Presidente da República diz que fronteira agrícola não pode ser culpada por desmatamento da Amazôniaeste em almoço no Itamaraty.
Foto: José Cruz, Abr.
E diz que "compra a briga" com as ONGs que associam avanço da fronteira agrícola ao desmatamento
governadores e bancada ruralista no Congresso - provocada pelo anúncio do crescimento do desmatamento na Amazônia, nos últimos cinco meses. Foto:José Cruz, Abr.
Mas a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, avaliou que o sobrevôo feito ontem (30) pela região de Marcelândia (MT) provou que a situação do desmatamento é “preocupante”.
O presidente da República afirmou nesta quarta-feira, após almoçar no Itamaraty com o Presidente de Timor-Leste, que ainda não se pode culpar os produtores de soja, os criadores de gado e os assentamentos da reforma agrária pelo aumento do desmatamento da Amazônia. Antes de estabelecer as causas, disse o Presidente Luiz Inácio, é preciso investigar.
Saia Justa
O anúncio da reversão de expectativas, feito pela Ministra em reunião de emergência com o presidente da República, na semana passada, criou um problema político público entre os ministros Reinhold Stephanes (Agricultura), que saiu em defesa dos produtores rurais, e Marina Silva (Meio Ambiente), que responsabilizou o aumento da área desmatada como reação dos fazendeiros aos altos preços dessas commodities, buscando ampliar a área plantada e de pastagens para aumentar a produção e aproveitar os preços altamente favoráveis.
A Floresta Amazônica sofreu, no segundo semestre de 2007, a mais rápida devastação desde que os dados começaram a ser monitorados pelo governo. Os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectaram a derrubada de 3.235 quilômetros quadrados de floresta entre agosto e dezembro. Só em Mato Grosso, informa o INPE, foram 1.786 quilômetros quadrados de corte raso. O governo Federal vinha comemorando, nos últimos três anos, que as taxas de desmatamento vinham caindo continuamente.
Para o Presidente, uma interpretação leiga e alarmista
Antes é preciso investigar e verificar o que aconteceu, disse ontem o presidente da República. Agora eu acho que todo mundo que promoveu queimada ilegal deve receber um duro processo, inclusive com a perda da propriedade pelos infratores - afirmou Luiz Inácio, que criticou ainda a forma como o Ministério do Meio Ambiente anunciou a alta das derrubadas. Para o Presidente, a situação é semelhante a 'você ir ao médico ao detectar que está com uma mancha na pele, e ao invés de fazer biópsia e saber como você vai tratar, já sai dizendo que está com câncer'
Luiz Inácio fez ainda uma dura crítica às ONGs internacionais que atacaram o governo brasileiro pelo alta do desmatamento:
- Eu compro essa briga com as ONGs, com isso de associar o desmatamento com a expansão da fronteira agrícola brasileira. Em primeiro lugar, essas ONGs precisam plantar árvores nos países deles - afirmou.
Interpretações distintas e discursos conflitantes
Para verificar o desmatamento no centro-norte de Mato Grosso, os ministros Marina Silva, Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, Tarso Genro, da Justiça, Enzo Martins, interino da Defesa, e o secretário executivo do Ministério da Agricultura, Silas Ribeiro, fizeram nesta quarta-feira um sobrevôo na região.
Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o sobrevôo feito ontem (30) pela região de Marcelândia (MT) – município da Amazônia um dos que mais desmatou de agosto a dezembro do ano passado, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – provou que a situação do desmatamento na região é “preocupante".
Já o governador Blairo Maggi, do Mato Grosso, diz que a comitiva admitiu que pode ter havido erro na análise das imagens do satélite que mostraram desmatamento na região. Segundo ele, o grupo sobrevoou 24 pontos de coordenadas captadas pelo Inpe, dos quais apenas dois teriam sido analisados corretamente. Já o restante constituiria áreas de queimadas acidentais, sem o objetivo de desmatar, e áreas de desmate antigas que foram sobrepostas as imagens recentes, além de formações rochosas que são desprovidas de vegetação.
Luiz Inácio quer aplicação da lei para barrar desmatamento da Amazônia 31.01.08
31.01.08
O presidente Luiz Inácio da Silva defendeu ontem (30), em São Paulo, a aplicação da legislação para barrar o aumento do desmatamento da Amazônia, classificado por ele como “preocupante” (a mesma expressão da Ministra Marina, nota do editor). Ele ressaltou que não é necessário desflorestar para aumentar as plantações de soja e cana-de-açúcar ou as criações de gado.
“Quando alguém tenta cometer ilegalidade, nós temos que utilizar a lei contra essa gente. Nós não podemos ser condescendentes. O ministro da Agricultura prova todo santo dia para mim que para manter a produção e a criação de gado, hoje, você não precisa derrubar um pé de árvore. O Brasil tem terra já degradada que dá para a gente plantar quanta soja a gente quiser, quanta cana a gente quiser e criar quanto gado nós quisermos”, afirmou, após participar da inauguração da reforma da Agência Central dos Correios.
Desmatamento "está sob controle"
Luiz Inácio disse, no entanto, que o desmatamento registrado é uma “coceira”, que está sob controle e ainda não pode ser considerado uma doença grave: “A notícia é uma notícia preocupante. É como se você tivesse uma coceira e você achasse que é uma doença mais grave. Por enquanto, nós temos todas as condições de controlar, de saber quem são as pessoas [que desflorestam].”
O presidente ainda ressaltou que o desmatamento registrado no primeiro trimestre de 2007 foi comparado com o mesmo período de 2006, quando o desflorestamento foi muito menor. “Como em 2006 tinha caído muito, 2007 apresentou um acréscimo no desmatamento no Brasil. O que há é um sinal de que cresceu. Nós temos o ano inteiro para brecar”, disse.
Presidente admite falta de estrutura para fiscalizar
O presidente da República admitiu que possam estar faltando equipamentos e pessoal para a fiscalização, de responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na região da floresta: “É por isso que eu acho não cabe só ao Ibama fazer toda a fiscalização: é importante que a gente construa parcerias com os prefeitos, é importante que a gente construa parceria com os governadores e, sobretudo, com a sociedade civil.”
Fonte: Bruno Bocchini, repórter da Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio da Silva defendeu ontem (30), em São Paulo, a aplicação da legislação para barrar o aumento do desmatamento da Amazônia, classificado por ele como “preocupante” (a mesma expressão da Ministra Marina, nota do editor). Ele ressaltou que não é necessário desflorestar para aumentar as plantações de soja e cana-de-açúcar ou as criações de gado.
“Quando alguém tenta cometer ilegalidade, nós temos que utilizar a lei contra essa gente. Nós não podemos ser condescendentes. O ministro da Agricultura prova todo santo dia para mim que para manter a produção e a criação de gado, hoje, você não precisa derrubar um pé de árvore. O Brasil tem terra já degradada que dá para a gente plantar quanta soja a gente quiser, quanta cana a gente quiser e criar quanto gado nós quisermos”, afirmou, após participar da inauguração da reforma da Agência Central dos Correios.
Desmatamento "está sob controle"
Luiz Inácio disse, no entanto, que o desmatamento registrado é uma “coceira”, que está sob controle e ainda não pode ser considerado uma doença grave: “A notícia é uma notícia preocupante. É como se você tivesse uma coceira e você achasse que é uma doença mais grave. Por enquanto, nós temos todas as condições de controlar, de saber quem são as pessoas [que desflorestam].”
O presidente ainda ressaltou que o desmatamento registrado no primeiro trimestre de 2007 foi comparado com o mesmo período de 2006, quando o desflorestamento foi muito menor. “Como em 2006 tinha caído muito, 2007 apresentou um acréscimo no desmatamento no Brasil. O que há é um sinal de que cresceu. Nós temos o ano inteiro para brecar”, disse.
Presidente admite falta de estrutura para fiscalizar
O presidente da República admitiu que possam estar faltando equipamentos e pessoal para a fiscalização, de responsabilidade do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na região da floresta: “É por isso que eu acho não cabe só ao Ibama fazer toda a fiscalização: é importante que a gente construa parcerias com os prefeitos, é importante que a gente construa parceria com os governadores e, sobretudo, com a sociedade civil.”
Fonte: Bruno Bocchini, repórter da Agência Brasil
União Européia suspende importação de carne brasileira 31.01.08
31.01.08
O bife brasileiro irá constar dos pratos europeus até o final dos estoques existentes no continente, pois a importação da carne bovina brasileira foi provisoriamente suspensa pela União Européia (UE), anunciada ontem em Bruxelas (Bélgica).
A UE decidiu suspender a partir de hoje (31) a importação de carne devido à insuficiência de garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo maior país sul-americano, anunciou fonte oficial na capital belga.
Brasília tinha sido avisada em dezembro de 2007 de que, a partir de 31 de janeiro deste ano, a importação de carne bovina seria suspensa, caso não fosse exclusivamente proveniente de fazendas selecionadas que respeitassem as regras sanitárias em vigor na UE.
As autoridades brasileiras propuseram um conjunto de 2.600 propriedades, aprovadas após rápida vistoria pelo governo brasileiro, mas que não foram aceitas pelas instâncias comunitárias, de acordo com o comissário europeu para a Saúde, Markos Kyprianou.
A mesma fonte ressaltou que a suspensão das importações é temporária, mas, para ser levantada, cada uma das propriedades constantes da lista das autoridades brasileiras terá de ser alvo de uma cuidadosa inspeção e verificação da documentação legal.
Em novembro de 2007, veterinários europeus que visitaram o Brasil identificaram “várias deficiências graves nos sistemas de verificação e nas condições sanitárias”, especificamente em três estados brasileiros atingidos por um surto de febre aftosa.
Os animais oriundos de determinadas origens deverão cumprir uma quarentena de 90 dias num território aprovado pela UE, a que se soma um outro período de 40 dias, na fazenda aprovada, antes do abate, num total de 130 dias.
A listagem de criadores será estabelecida com base na informação fornecida pelas autoridades brasileiras competentes e a UE reserva-se o direito de fazer inspeções, através dos seus serviços veterinários.
O Brasil é o primeiro exportador mundial de carne bovina, com 2,3 milhões de toneladas por ano (US$ 4,5 bilhões em 2007), um terço do total mundial. Mas o conflito com a UE já se arrasta há dois anos, depois de o alarme ter sido dado pelo Reino Unido e pela Irlanda.
O britânico Neil Parish, presidente da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, que anda há pelo menos um ano e meio empenhado na suspensão da importação de carne bovina brasileira, devido ao surto de febre aftosa, saudou a decisão comunitária, que classificou de "sinal dado ao governo" brasileiro.
Padraig Walshe, presidente da Federação dos Agricultores Irlandeses (IFA), condenou as autoridades brasileiras por terem feito "ouvidos de mercador" à UE.
E concluiu que "o Brasil não está à altura de controlar o surto de febre aftosa, os movimentos dos animais e a sua verificação, nem de cumprir os necessários requisitos sanitários".
Fonte: Agência Lusa
Ministério considera arbitrário embargo da União Européia à carne brasileira
Até 15 de fevereiro, o Ministério da Agricultura enviará os relatórios de auditoria pedidos pela União Européia (UE) para reavaliar a suspensão da importação de carne bovina brasileira. Em nota oficial, o ministério classificou a decisão da UE de “injustificável e arbitrária” e negou falhas no sistema nacional de controle sanitário.
Uma equipe, liderada pelo secretário nacional de Defesa Animal, Inácio Kroetz, esteve reunida durante toda a tarde de hoje (30) com representantes de produtores de carne bovina para discutir o impacto da decisão da UE sobre o mercado brasileiro de carnes. A partir de sexta-feira (1º), o Ministério da Agricultura deixará de emitir o Certificado Sanitário Internacional (CSI) para aqueles países.
Segundo o comunicado, a UE fez ressalvas apenas ao sistema de rastreabilidade (critério para identificar a procedência dos animais), sem apontar quais seriam os pontos contestados. A nota informa ainda que o Brasil havia apresentado à Comissão Européia, na última segunda-feira (28), a lista das propriedades que estariam em conformidade com as condições sanitárias exigidas pelo bloco econômico e que os serviços veterinários federal e estaduais são confiáveis.
Uma delegação européia deve vir ao Brasil, em 25 de fevereiro, para inspecionar o sistema de rastreabilidade adotado pelo serviço oficial brasileiro em 300 fazendas selecionadas pelo serviço sanitário da Comissão Européia.
O ministério classificou a medida, ainda, como “desnecessária, desproporcional e injustificada”, já que o risco à saúde humana e animal é “ausente”, e exigiu da Comissão Européia que “garanta transparência e previsibilidade” nas próximas etapas para que as relações comerciais voltem ao normal. Segundo o governo brasileiro, os critérios adotados para a seleção das propriedades a serem fiscalizadas ainda não foram definidos.
Fonte: Morillo Carvalho, repórter da Agência Brasil
O bife brasileiro irá constar dos pratos europeus até o final dos estoques existentes no continente, pois a importação da carne bovina brasileira foi provisoriamente suspensa pela União Européia (UE), anunciada ontem em Bruxelas (Bélgica).
A UE decidiu suspender a partir de hoje (31) a importação de carne devido à insuficiência de garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo maior país sul-americano, anunciou fonte oficial na capital belga.
Brasília tinha sido avisada em dezembro de 2007 de que, a partir de 31 de janeiro deste ano, a importação de carne bovina seria suspensa, caso não fosse exclusivamente proveniente de fazendas selecionadas que respeitassem as regras sanitárias em vigor na UE.
As autoridades brasileiras propuseram um conjunto de 2.600 propriedades, aprovadas após rápida vistoria pelo governo brasileiro, mas que não foram aceitas pelas instâncias comunitárias, de acordo com o comissário europeu para a Saúde, Markos Kyprianou.
A mesma fonte ressaltou que a suspensão das importações é temporária, mas, para ser levantada, cada uma das propriedades constantes da lista das autoridades brasileiras terá de ser alvo de uma cuidadosa inspeção e verificação da documentação legal.
Em novembro de 2007, veterinários europeus que visitaram o Brasil identificaram “várias deficiências graves nos sistemas de verificação e nas condições sanitárias”, especificamente em três estados brasileiros atingidos por um surto de febre aftosa.
Os animais oriundos de determinadas origens deverão cumprir uma quarentena de 90 dias num território aprovado pela UE, a que se soma um outro período de 40 dias, na fazenda aprovada, antes do abate, num total de 130 dias.
A listagem de criadores será estabelecida com base na informação fornecida pelas autoridades brasileiras competentes e a UE reserva-se o direito de fazer inspeções, através dos seus serviços veterinários.
O Brasil é o primeiro exportador mundial de carne bovina, com 2,3 milhões de toneladas por ano (US$ 4,5 bilhões em 2007), um terço do total mundial. Mas o conflito com a UE já se arrasta há dois anos, depois de o alarme ter sido dado pelo Reino Unido e pela Irlanda.
O britânico Neil Parish, presidente da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, que anda há pelo menos um ano e meio empenhado na suspensão da importação de carne bovina brasileira, devido ao surto de febre aftosa, saudou a decisão comunitária, que classificou de "sinal dado ao governo" brasileiro.
Padraig Walshe, presidente da Federação dos Agricultores Irlandeses (IFA), condenou as autoridades brasileiras por terem feito "ouvidos de mercador" à UE.
E concluiu que "o Brasil não está à altura de controlar o surto de febre aftosa, os movimentos dos animais e a sua verificação, nem de cumprir os necessários requisitos sanitários".
Fonte: Agência Lusa
Ministério considera arbitrário embargo da União Européia à carne brasileira
Até 15 de fevereiro, o Ministério da Agricultura enviará os relatórios de auditoria pedidos pela União Européia (UE) para reavaliar a suspensão da importação de carne bovina brasileira. Em nota oficial, o ministério classificou a decisão da UE de “injustificável e arbitrária” e negou falhas no sistema nacional de controle sanitário.
Uma equipe, liderada pelo secretário nacional de Defesa Animal, Inácio Kroetz, esteve reunida durante toda a tarde de hoje (30) com representantes de produtores de carne bovina para discutir o impacto da decisão da UE sobre o mercado brasileiro de carnes. A partir de sexta-feira (1º), o Ministério da Agricultura deixará de emitir o Certificado Sanitário Internacional (CSI) para aqueles países.
Segundo o comunicado, a UE fez ressalvas apenas ao sistema de rastreabilidade (critério para identificar a procedência dos animais), sem apontar quais seriam os pontos contestados. A nota informa ainda que o Brasil havia apresentado à Comissão Européia, na última segunda-feira (28), a lista das propriedades que estariam em conformidade com as condições sanitárias exigidas pelo bloco econômico e que os serviços veterinários federal e estaduais são confiáveis.
Uma delegação européia deve vir ao Brasil, em 25 de fevereiro, para inspecionar o sistema de rastreabilidade adotado pelo serviço oficial brasileiro em 300 fazendas selecionadas pelo serviço sanitário da Comissão Européia.
O ministério classificou a medida, ainda, como “desnecessária, desproporcional e injustificada”, já que o risco à saúde humana e animal é “ausente”, e exigiu da Comissão Européia que “garanta transparência e previsibilidade” nas próximas etapas para que as relações comerciais voltem ao normal. Segundo o governo brasileiro, os critérios adotados para a seleção das propriedades a serem fiscalizadas ainda não foram definidos.
Fonte: Morillo Carvalho, repórter da Agência Brasil
Maior parte dos juros da dívida pública vai para 20 mil grupos familiares, revela estudo do Ipea 30.01.08
30.01.08
O mercado financeiro está contribuindo para o enriquecimento de um seleto grupo de brasileiros. Segundo o estudo Os Ricos no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 20 mil clãs familiares (grupos compostos por até 50 membros de uma mesma família) apropriam-se de 70% dos juros que o governo paga aos detentores de títulos da dívida pública.
Apenas de janeiro a novembro do ano passado, o pagamento dos juros da dívida pública pelo setor público (composto por governo federal, estados, municípios e empresas estatais) consumiu R$ 147,3 bilhões. Em entrevista hoje (29) ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, afirmou que os ganhos no mercado financeiro provocam a transferência de renda para essa parcela da população.
De acordo com o estudo, isso ocorre porque o pagamento dos juros dos títulos da dívida, de forma geral, está atrelado à taxa básica de juros da economia, que está acima da inflação. Dessa forma, conforme o Ipea, há um ganho real dos clãs familiares e o aumento da arrecadação de tributos pelo governo, em última instância, vai para os credores da dívida.
Na opinião de Pochmann, seria interessante retirar esse lucro do mercado financeiro e inseri-lo no investimento produtivo. Segundo ele, isso pode ser feito por meio da redução da taxa de juros, construção de rodovias, construção de hospitais. Para ele, essas famílias teriam retorno financeiro semelhante se investisse o dinheiro no setor produtivo e em obras de infra-estrutura.
Fonte: Cilene Figueredo, da Agência Brasil
O mercado financeiro está contribuindo para o enriquecimento de um seleto grupo de brasileiros. Segundo o estudo Os Ricos no Brasil, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 20 mil clãs familiares (grupos compostos por até 50 membros de uma mesma família) apropriam-se de 70% dos juros que o governo paga aos detentores de títulos da dívida pública.
Apenas de janeiro a novembro do ano passado, o pagamento dos juros da dívida pública pelo setor público (composto por governo federal, estados, municípios e empresas estatais) consumiu R$ 147,3 bilhões. Em entrevista hoje (29) ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional, o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, afirmou que os ganhos no mercado financeiro provocam a transferência de renda para essa parcela da população.
De acordo com o estudo, isso ocorre porque o pagamento dos juros dos títulos da dívida, de forma geral, está atrelado à taxa básica de juros da economia, que está acima da inflação. Dessa forma, conforme o Ipea, há um ganho real dos clãs familiares e o aumento da arrecadação de tributos pelo governo, em última instância, vai para os credores da dívida.
Na opinião de Pochmann, seria interessante retirar esse lucro do mercado financeiro e inseri-lo no investimento produtivo. Segundo ele, isso pode ser feito por meio da redução da taxa de juros, construção de rodovias, construção de hospitais. Para ele, essas famílias teriam retorno financeiro semelhante se investisse o dinheiro no setor produtivo e em obras de infra-estrutura.
Fonte: Cilene Figueredo, da Agência Brasil
CNBS adia decisão sobre liberação de milho transgênico 30.01.08
30.01.08
Conselho Nacional de Biossegurança adia decisão sobre liberação de milho transgênico mas não explica motivos da decisão
A decisão sobre a liberação de milho transgênico para comercialização foi adiada para o próximo mês. A reunião do Conselho Nacional de Biossegurança que discutiu ontem (29) o assunto teve baixo quorum e terminou sem deliberação. Uma nova reunião do Conselho está prevista para o dia 12 de fevereiro, segundo informou a assessoria de imprensa do Ministério de Ciência e Tecnologia.
Até lá, diz a fonte acima citada, o Conselho deverá fazer uma consulta à Advocacia Geral da União (AGU) sobre questões de competência. A assessoria, no entanto, não soube precisar quais foram as pendências em relação ao tema.
ANVISA E IBAMA estão contra a liberação
No ano passado, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou o plantio e comercialização de três variedades de milho transgênico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentaram recursos contra a liberação de duas variedades de milho, o da Bayer e o da Monsanto.
Os recursos estavam na pauta de discussão da reunião de ontem, que teve a presença de apenas quatro ministros, de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende; da Agricultura, Reinhold Stephanes; do Meio Ambiente, Marina Silva; e da Casa Civil, Dilma Rousseff, que preside o Conselho Nacional de Biossegurança.
Movimentos sociais pedem proibição da venda de milho transgênico
Enquanto os ministros que compõem o Conselho Nacional de Biossegurança avaliavam se liberavam ou não o plantio e a comercialização de milho transgênico no Brasil, integrantes de movimentos sociais e ambientais realizavam uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto pedindo a sua proibição.
Com uma faixa onde se lê "Milho Transgênico: Ibama e Anvisa reprovam. Os ministros vão liberar?" representantes de organizações como a Via Campesina, do Fórum Nacional de Reforma Agrária, da Comissão Pastoral da Terra -CPT, entre outras, enviaram aos participantes do Conselho uma cesta com produtos orgânicos como manga, milho, cana-de-açúcar e mandioca.
Eles argumentam que ainda não foram feitos estudos suficientes pela comunidade científica para comprovar que os transgênicos não fazem mal à saúde humana.
"Uma vez que a transgenia introduz um novo gene numa planta, a comunidade científica ainda não fez estudos de quantas reações são produzidas dentro dessa nova planta e se ela produz reações tóxicas ou não", afirma o integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Isidoro Revers, mais conhecido como "Galego".
No manifesto contra o milho transgênico que os integrantes dos movimentos sociais trouxeram para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com uma das cestas, eles argumentam ainda que há riscos para o meio ambiente.
"Nem as empresas, nem o governo brasileiro realizaram estudos para subsidiar normas que garantam a não contaminação das variedades locais ou tradicionais e o direito de escolha dos consumidores e dos agricultores. Assim, não há base científica para garantir que a contaminação não ocorrerá", afirma o texto.
O presidente da CPT, Dom Tomás Balduíno, afirma que a liberação do milho transgênico significa o "monopólio da semente" e irá prejudicar a agricultura familiar.
"Qual o agricultor que pode competir com o transgênico, que pode ter a usina que tem a Monsanto de processamento dos transgênicos", questiona.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou no ano passado o plantio e a comercialização de três variedades de milho transgênico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentaram recursos contra a liberação que serão analisados hoje (29) pelo Conselho Nacional de Biossegurança.
Fonte: Yara Aquino e Carolina Pimentel, da Agência Brasil, com o Observatório
Conselho Nacional de Biossegurança adia decisão sobre liberação de milho transgênico mas não explica motivos da decisão
A decisão sobre a liberação de milho transgênico para comercialização foi adiada para o próximo mês. A reunião do Conselho Nacional de Biossegurança que discutiu ontem (29) o assunto teve baixo quorum e terminou sem deliberação. Uma nova reunião do Conselho está prevista para o dia 12 de fevereiro, segundo informou a assessoria de imprensa do Ministério de Ciência e Tecnologia.
Até lá, diz a fonte acima citada, o Conselho deverá fazer uma consulta à Advocacia Geral da União (AGU) sobre questões de competência. A assessoria, no entanto, não soube precisar quais foram as pendências em relação ao tema.
ANVISA E IBAMA estão contra a liberação
No ano passado, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou o plantio e comercialização de três variedades de milho transgênico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentaram recursos contra a liberação de duas variedades de milho, o da Bayer e o da Monsanto.
Os recursos estavam na pauta de discussão da reunião de ontem, que teve a presença de apenas quatro ministros, de Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende; da Agricultura, Reinhold Stephanes; do Meio Ambiente, Marina Silva; e da Casa Civil, Dilma Rousseff, que preside o Conselho Nacional de Biossegurança.
Movimentos sociais pedem proibição da venda de milho transgênico
Enquanto os ministros que compõem o Conselho Nacional de Biossegurança avaliavam se liberavam ou não o plantio e a comercialização de milho transgênico no Brasil, integrantes de movimentos sociais e ambientais realizavam uma manifestação em frente ao Palácio do Planalto pedindo a sua proibição.
Com uma faixa onde se lê "Milho Transgênico: Ibama e Anvisa reprovam. Os ministros vão liberar?" representantes de organizações como a Via Campesina, do Fórum Nacional de Reforma Agrária, da Comissão Pastoral da Terra -CPT, entre outras, enviaram aos participantes do Conselho uma cesta com produtos orgânicos como manga, milho, cana-de-açúcar e mandioca.
Eles argumentam que ainda não foram feitos estudos suficientes pela comunidade científica para comprovar que os transgênicos não fazem mal à saúde humana.
"Uma vez que a transgenia introduz um novo gene numa planta, a comunidade científica ainda não fez estudos de quantas reações são produzidas dentro dessa nova planta e se ela produz reações tóxicas ou não", afirma o integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Isidoro Revers, mais conhecido como "Galego".
No manifesto contra o milho transgênico que os integrantes dos movimentos sociais trouxeram para ser entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com uma das cestas, eles argumentam ainda que há riscos para o meio ambiente.
"Nem as empresas, nem o governo brasileiro realizaram estudos para subsidiar normas que garantam a não contaminação das variedades locais ou tradicionais e o direito de escolha dos consumidores e dos agricultores. Assim, não há base científica para garantir que a contaminação não ocorrerá", afirma o texto.
O presidente da CPT, Dom Tomás Balduíno, afirma que a liberação do milho transgênico significa o "monopólio da semente" e irá prejudicar a agricultura familiar.
"Qual o agricultor que pode competir com o transgênico, que pode ter a usina que tem a Monsanto de processamento dos transgênicos", questiona.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou no ano passado o plantio e a comercialização de três variedades de milho transgênico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apresentaram recursos contra a liberação que serão analisados hoje (29) pelo Conselho Nacional de Biossegurança.
Fonte: Yara Aquino e Carolina Pimentel, da Agência Brasil, com o Observatório
Ministro reconhece plantio ilegal de milho transgênico 30.01.08
30.01.08
Sem autorização legal, produtores rurais já plantam variedades de milho geneticamente modificadas em lavouras clandestinas, informou o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia). "Isso está acontecendo principalmente no Sul e no Centro-Oeste, já existem plantações com sementes contrabandeadas", disse o ministro à Folha. Na reunião de ontem do Conselho Nacional de Biossegurança, Rezende foi um dos principais defensores do aval imediato à comercialização de duas variedades de milho transgênico produzidas por multinacionais.
Principal aliado de Rezende no debate dos transgênicos, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, confirma que o milho vai pelo mesmo caminho das duas únicas variedades de soja e algodão geneticamente modificadas cuja comercialização é autorizada do país: elas foram liberadas apenas depois de constatado o cultivo ilegal.
"Não obstante toda a fiscalização, acontece o contrabando", disse Stephanes. Segundo ele, o ministério não dispõe de estimativas de quanto as culturas ilegais produzem atualmente. O ministro defendeu a rápida liberação das variedades de milho: "É melhor legalizar dentro de regras claras, que protegem o ambiente, do que sermos levados de roldão".
(Nota do editor: o que fazem dois integrantes do mais alto escalão do governo Federal, que têm notícias e as divulgam, acerca de ilegalidades que estão sendo cometidas em território nacional? aparentemente nada, o que certamente os torna passíveis de ações legais. Contrabando de sementes, sem o devido controle essencial para a proteção do ambiente e da população, o plantio ilegal e produção de milho transgênico, sem amparo legal e pondo em risco a população, a fauna e a flora brasileiras. O dever funcional desses ministros exige que iniciem a apuração dessas ilegalidades, no âmbito de suas pastas, e comuniquem os fatos que conhecem e divulgam à Polícia Federal, para a devida investigação do contrabando - afinal ela é responsável pelo controle das fronteiras nacionais - com inquéritos, apuração de responsabilidades e encaminhamento para a decisão da Justiça a respeito de suas conclusões.)
...
Os recursos são assinados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Alegam o risco de contaminação de culturas convencionais, a falta de regras suficientes de monitoramento do plantio, transporte e armazenagem, além da insuficiência de dados sobre efeitos na alimentação humana e de animais. E o ministro da Ciência brasileira tenta desqualificar essas entidades estatais encarregadas de zelar pelo meio ambiente e pela saúde da população, ao se referir a suas ações como sendo fruto da "desinformação e sentimento religioso" (veja mais abaixo).
As lavouras de milho ocuparam no ano passado uma área de 13,8 milhões de hectares. Da produção nacional de 51,5 milhões de toneladas, a maior parte é destinada à ração animal e apenas 5% são usados diretamente como alimento humano, segundo dados do Ministério da Agricultura.
...
"Essa demora prejudica a agricultura brasileira", avalia Sérgio Rezende, confiante na posição favorável do conselho. Caso contrário, especula, "teremos um cenário surrealista". ...
......
Ibama alega razão objetiva para se opor
Liminares concedidas pela Justiça, ações do Ministério Público e manifestações de ONGs ambientalistas com o apoio de trabalhadores sem-terra conseguiram impedir a liberação comercial de organismos geneticamente modificados em mais de dois anos, desde a regulamentação da atual Lei de Biossegurança.
......
O ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) atribui as resistências aos transgênicos no país a uma combinação de "desinformação e sentimento religioso".
O presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Bazileu Margarido, alega ter razões objetivas para se opôr à liberação de variedades de milho.
"O risco de contaminação de lavouras tradicionais seria razoável, a distância determinada entre culturas é insuficiente e a CTNBio não considerou a possibilidade de contaminação nas etapas de transporte e armazenamento", disse.
Responsável por dois dos recursos que o Conselho Nacional de Biossegurança analisa hoje, o presidente do Ibama insiste em que a liberação do milho exige mais cuidados do que a da soja.
Os dois pedidos de liberação comercial de variedades de milho... foram apresentados pelas multinacionais Bayer e Monsanto em 1998 e 1999. (MS)
Fonte: Marta Salomon, Folha de São Paulo, com o Observatório
Sem autorização legal, produtores rurais já plantam variedades de milho geneticamente modificadas em lavouras clandestinas, informou o ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia). "Isso está acontecendo principalmente no Sul e no Centro-Oeste, já existem plantações com sementes contrabandeadas", disse o ministro à Folha. Na reunião de ontem do Conselho Nacional de Biossegurança, Rezende foi um dos principais defensores do aval imediato à comercialização de duas variedades de milho transgênico produzidas por multinacionais.
Principal aliado de Rezende no debate dos transgênicos, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, confirma que o milho vai pelo mesmo caminho das duas únicas variedades de soja e algodão geneticamente modificadas cuja comercialização é autorizada do país: elas foram liberadas apenas depois de constatado o cultivo ilegal.
"Não obstante toda a fiscalização, acontece o contrabando", disse Stephanes. Segundo ele, o ministério não dispõe de estimativas de quanto as culturas ilegais produzem atualmente. O ministro defendeu a rápida liberação das variedades de milho: "É melhor legalizar dentro de regras claras, que protegem o ambiente, do que sermos levados de roldão".
(Nota do editor: o que fazem dois integrantes do mais alto escalão do governo Federal, que têm notícias e as divulgam, acerca de ilegalidades que estão sendo cometidas em território nacional? aparentemente nada, o que certamente os torna passíveis de ações legais. Contrabando de sementes, sem o devido controle essencial para a proteção do ambiente e da população, o plantio ilegal e produção de milho transgênico, sem amparo legal e pondo em risco a população, a fauna e a flora brasileiras. O dever funcional desses ministros exige que iniciem a apuração dessas ilegalidades, no âmbito de suas pastas, e comuniquem os fatos que conhecem e divulgam à Polícia Federal, para a devida investigação do contrabando - afinal ela é responsável pelo controle das fronteiras nacionais - com inquéritos, apuração de responsabilidades e encaminhamento para a decisão da Justiça a respeito de suas conclusões.)
...
Os recursos são assinados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Alegam o risco de contaminação de culturas convencionais, a falta de regras suficientes de monitoramento do plantio, transporte e armazenagem, além da insuficiência de dados sobre efeitos na alimentação humana e de animais. E o ministro da Ciência brasileira tenta desqualificar essas entidades estatais encarregadas de zelar pelo meio ambiente e pela saúde da população, ao se referir a suas ações como sendo fruto da "desinformação e sentimento religioso" (veja mais abaixo).
As lavouras de milho ocuparam no ano passado uma área de 13,8 milhões de hectares. Da produção nacional de 51,5 milhões de toneladas, a maior parte é destinada à ração animal e apenas 5% são usados diretamente como alimento humano, segundo dados do Ministério da Agricultura.
...
"Essa demora prejudica a agricultura brasileira", avalia Sérgio Rezende, confiante na posição favorável do conselho. Caso contrário, especula, "teremos um cenário surrealista". ...
......
Ibama alega razão objetiva para se opor
Liminares concedidas pela Justiça, ações do Ministério Público e manifestações de ONGs ambientalistas com o apoio de trabalhadores sem-terra conseguiram impedir a liberação comercial de organismos geneticamente modificados em mais de dois anos, desde a regulamentação da atual Lei de Biossegurança.
......
O ministro Sérgio Rezende (Ciência e Tecnologia) atribui as resistências aos transgênicos no país a uma combinação de "desinformação e sentimento religioso".
O presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Bazileu Margarido, alega ter razões objetivas para se opôr à liberação de variedades de milho.
"O risco de contaminação de lavouras tradicionais seria razoável, a distância determinada entre culturas é insuficiente e a CTNBio não considerou a possibilidade de contaminação nas etapas de transporte e armazenamento", disse.
Responsável por dois dos recursos que o Conselho Nacional de Biossegurança analisa hoje, o presidente do Ibama insiste em que a liberação do milho exige mais cuidados do que a da soja.
Os dois pedidos de liberação comercial de variedades de milho... foram apresentados pelas multinacionais Bayer e Monsanto em 1998 e 1999. (MS)
Fonte: Marta Salomon, Folha de São Paulo, com o Observatório
Produtores contra proibição de desmatamentos 30.01.08
30.01.08
Segundo assessor da Famato, se a proibição não for revogada, acarretará em prejuízos à balança comercial de mato Grosso, que é pautada principalmente em produtos da agropecuária.
Em 2007, os produtos originários do agronegócio mato-grossense representaram 95,9% das exportações do Estado, quando foram embarcados US$ 4,924 bilhões (soja, carne, milho, algodão, madeira, açúcar e arroz) de um total de US$ 5,130 bilhões. De acordo com o assessor econômico da Famato, Amado de Oliveira Filho, ainda não é possível mensurar a queda, mas se a proibição não for revogada acarretará em prejuízos à balança comercial estadual que é pautada principalmente em produtos da agropecuária.
(comentário do editor: aparentemente, o assessor da Famato está partindo do pressuposto que a maior parte dos produtos exportáveis dos 19 municípios de MT que integram a 'lista suja' do desmatamento origina-se de atividade ilegal. Como ele deve conhecer bem a realidade desses municípios, não há o que discutir, mas isso não dá razões para a revogação da proibição de desmatar mais, já que pressupõe-se que os ditos "produtores" desses municípios já desmataram, caso contrário não produziriam...)
De acordo com levantamento da Famato, nos 19 municípios do Estado que estão proibidos de desmatar existem 31,420 mil propriedades, sendo que 25,512 mil delas (81%) com criação de gado. O rebanho destas propriedades soma 5,935 milhões de cabeças, o que representa 23% do número de animais no Estado, que totaliza 25,740 milhões. Já a produção de soja dos municípios soma 1,809 milhão de toneladas, o que significa 10,8% dos 16,700 milhões (t) previstas para serem colhidas na safra 2007/2008. O cultivo de milho soma 301,790 mil (t), 7,4% da produção estadual estimado em 4,028 milhões (t) e o de algodão 1,75%, com uma produção de 23,114 mil (t) de uma previsão de 1,317 milhão (t) para esta safra.
Para Oliveira Filho, a proibição do desmatamento nos 19 municípios de Mato Grosso acarretará no travamento dos negócios destas localidades. Isso porque entre as penalidades previstas pelo decreto (artigo 12) envolve também os produtos e subprodutos originários das propriedades, e que podem não ser comercializados. "Isso vai dar prejuízo a quem já fez negócios e afugentará novas empresas que pretendiam ir para os municípios". "A proibição na comercialização pode afetar cerca de 120 mil pessoas, que ficarão sem renda".
fonte: A Gazeta, Redação Avicultura Industrial e Suinocultura Industrial, com o Observatório
Segundo assessor da Famato, se a proibição não for revogada, acarretará em prejuízos à balança comercial de mato Grosso, que é pautada principalmente em produtos da agropecuária.
Em 2007, os produtos originários do agronegócio mato-grossense representaram 95,9% das exportações do Estado, quando foram embarcados US$ 4,924 bilhões (soja, carne, milho, algodão, madeira, açúcar e arroz) de um total de US$ 5,130 bilhões. De acordo com o assessor econômico da Famato, Amado de Oliveira Filho, ainda não é possível mensurar a queda, mas se a proibição não for revogada acarretará em prejuízos à balança comercial estadual que é pautada principalmente em produtos da agropecuária.
(comentário do editor: aparentemente, o assessor da Famato está partindo do pressuposto que a maior parte dos produtos exportáveis dos 19 municípios de MT que integram a 'lista suja' do desmatamento origina-se de atividade ilegal. Como ele deve conhecer bem a realidade desses municípios, não há o que discutir, mas isso não dá razões para a revogação da proibição de desmatar mais, já que pressupõe-se que os ditos "produtores" desses municípios já desmataram, caso contrário não produziriam...)
De acordo com levantamento da Famato, nos 19 municípios do Estado que estão proibidos de desmatar existem 31,420 mil propriedades, sendo que 25,512 mil delas (81%) com criação de gado. O rebanho destas propriedades soma 5,935 milhões de cabeças, o que representa 23% do número de animais no Estado, que totaliza 25,740 milhões. Já a produção de soja dos municípios soma 1,809 milhão de toneladas, o que significa 10,8% dos 16,700 milhões (t) previstas para serem colhidas na safra 2007/2008. O cultivo de milho soma 301,790 mil (t), 7,4% da produção estadual estimado em 4,028 milhões (t) e o de algodão 1,75%, com uma produção de 23,114 mil (t) de uma previsão de 1,317 milhão (t) para esta safra.
Para Oliveira Filho, a proibição do desmatamento nos 19 municípios de Mato Grosso acarretará no travamento dos negócios destas localidades. Isso porque entre as penalidades previstas pelo decreto (artigo 12) envolve também os produtos e subprodutos originários das propriedades, e que podem não ser comercializados. "Isso vai dar prejuízo a quem já fez negócios e afugentará novas empresas que pretendiam ir para os municípios". "A proibição na comercialização pode afetar cerca de 120 mil pessoas, que ficarão sem renda".
fonte: A Gazeta, Redação Avicultura Industrial e Suinocultura Industrial, com o Observatório
BNDES financia 67% de parque eólico no Ceará 30.01.08
30.01.08
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 94,9 milhões para a empresa Eco Energy Beberibe implantar o Parque Eólico de Beberibe, no Ceará, com potência instalada de 25,6 megawatts (MW).
O financiamento do BNDES, que ocorre no âmbito do programa de incentivo a fontes renováveis, corresponde a 67% do investimento total do projeto, de R$ 140,9 milhões, segundo nota divulgada hoje pelo banco.
De acordo com a nota, o empreendimento da Eco Energy está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e faz parte do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa). Conforme as regras do Proinfa e segundo o BNDES, o investimento é garantido por Contrato de Compra e Venda de Energia Elétrica (CCVE) com a Eletrobrás com prazo de 20 anos de vigência.
Segundo explica o banco, o projeto consiste na construção de um parque de geração de energia elétrica por fonte eólica. A usina será interligada ao sistema elétrico de distribuição local da Companhia Energética do Ceará (Coelce).
A Eco Energy Beberibe Ltda é uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), constituída para desenvolver e operar o projeto Beberibe. A expectativa é que durante a construção do parque eólico deverão ser criados 400 empregos diretos e indiretos.
Fonte: Jacqueline Farid - Agência Estado
O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 94,9 milhões para a empresa Eco Energy Beberibe implantar o Parque Eólico de Beberibe, no Ceará, com potência instalada de 25,6 megawatts (MW).
O financiamento do BNDES, que ocorre no âmbito do programa de incentivo a fontes renováveis, corresponde a 67% do investimento total do projeto, de R$ 140,9 milhões, segundo nota divulgada hoje pelo banco.
De acordo com a nota, o empreendimento da Eco Energy está incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e faz parte do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa). Conforme as regras do Proinfa e segundo o BNDES, o investimento é garantido por Contrato de Compra e Venda de Energia Elétrica (CCVE) com a Eletrobrás com prazo de 20 anos de vigência.
Segundo explica o banco, o projeto consiste na construção de um parque de geração de energia elétrica por fonte eólica. A usina será interligada ao sistema elétrico de distribuição local da Companhia Energética do Ceará (Coelce).
A Eco Energy Beberibe Ltda é uma Sociedade de Propósito Específico (SPE), constituída para desenvolver e operar o projeto Beberibe. A expectativa é que durante a construção do parque eólico deverão ser criados 400 empregos diretos e indiretos.
Fonte: Jacqueline Farid - Agência Estado
Incertezas levam sojicultores a aumentar ritmo de venda antecipada para garantir preço 29.01.08
29.01.08
Os produtores brasileiros estão acelerando a venda antecipada da safra de soja para se beneficiar dos preços atuais da commodity no mercado internacional. Embora estejam ainda em um patamar bom, acima do verificado no mesmo período do ano passado, os preços da soja já indicam tendência de queda, o que incentivou ainda mais o aumento nas vendas antecipadas.
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, o volume negociado antecipadamente da safra de soja supera aquele registrado no mesmo período do ano passado. Entre os maiores estados produtores, o Mato Grosso do Sul já vendeu 40% de sua soja, contra os 35% que tinham sido comercializados na mesma época de 2007. No Mato Grosso e na Bahia, os sojicultores já venderam antecipadamente 60% da safra. A essa altura do ano passado, esses estados haviam vendido apenas 40% e 30%, respectivamente.
A receita obtida com a venda antecipada, afirma o Cepea, será importante para cobrir despesas com insumos da safra. Com a dificuldade em obter crédito para cobrir despesas com insumos, produtores do Centro-Oeste aumentaram o ritmo de comercialização antecipada de soja. Já no Sul, cooperativas têm orientado os sojicultores a vender antecipadamente sua produção para poder antecipar o pagamento de insumos e obter descontos dos fornecedores.
De acordo com o Cepea, o mercado interno brasileiro acompanhou as quedas na cotação da soja registradas na Bolsa de Mercadorias de Chicago -Chicago Board of Trade (CBOT). Entre os dias 18 e 25 deste mês, os contratos futuros de soja para os próximos três vencimentos caíram 1,7%, refletindo os temores relacionados a uma eventual recessão nos EUA. Segundo os pesquisadores do Cepea, a baixa só não foi maior por conta do corte de 0,75 ponto percentual nos juros dos EUA, realizados pelo Federal Reserve Bank (Fed).
No Brasil, o preço da soja calculado pelo Cepea caiu 0,66% na última semana, com a saca de 60 kg recuando a R$ 46,45. Já o preço medido por Esalq/BM & F registrou baixa de 1,66%, para R$ 48 a saca de 60 kg.
Fonte: José Sergio Osse, Valor Online
Os produtores brasileiros estão acelerando a venda antecipada da safra de soja para se beneficiar dos preços atuais da commodity no mercado internacional. Embora estejam ainda em um patamar bom, acima do verificado no mesmo período do ano passado, os preços da soja já indicam tendência de queda, o que incentivou ainda mais o aumento nas vendas antecipadas.
De acordo com levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, o volume negociado antecipadamente da safra de soja supera aquele registrado no mesmo período do ano passado. Entre os maiores estados produtores, o Mato Grosso do Sul já vendeu 40% de sua soja, contra os 35% que tinham sido comercializados na mesma época de 2007. No Mato Grosso e na Bahia, os sojicultores já venderam antecipadamente 60% da safra. A essa altura do ano passado, esses estados haviam vendido apenas 40% e 30%, respectivamente.
A receita obtida com a venda antecipada, afirma o Cepea, será importante para cobrir despesas com insumos da safra. Com a dificuldade em obter crédito para cobrir despesas com insumos, produtores do Centro-Oeste aumentaram o ritmo de comercialização antecipada de soja. Já no Sul, cooperativas têm orientado os sojicultores a vender antecipadamente sua produção para poder antecipar o pagamento de insumos e obter descontos dos fornecedores.
De acordo com o Cepea, o mercado interno brasileiro acompanhou as quedas na cotação da soja registradas na Bolsa de Mercadorias de Chicago -Chicago Board of Trade (CBOT). Entre os dias 18 e 25 deste mês, os contratos futuros de soja para os próximos três vencimentos caíram 1,7%, refletindo os temores relacionados a uma eventual recessão nos EUA. Segundo os pesquisadores do Cepea, a baixa só não foi maior por conta do corte de 0,75 ponto percentual nos juros dos EUA, realizados pelo Federal Reserve Bank (Fed).
No Brasil, o preço da soja calculado pelo Cepea caiu 0,66% na última semana, com a saca de 60 kg recuando a R$ 46,45. Já o preço medido por Esalq/BM & F registrou baixa de 1,66%, para R$ 48 a saca de 60 kg.
Fonte: José Sergio Osse, Valor Online
Devastação acompanha cotação agrícola 29.01.08
29.01.08
O coordenador do programa Cerrado da organização não-governamental (ONG) Conservação Internacional, Mário Barroso, afirma que na região adjacente ao Parque Nacional das Emas a ocupação agrícola é antiga. O desmatamento vem aumentando até agora, relacionado ao preço das commodities.
Mário diz que, em 2003, houve pico no preço da soja, o que se refletiu na devastação de matas nativas no sudoeste goiano. Em 2006 e 2007 houve novo recorde na produção de grãos. ....
Fonte: O Popular
Como cada setor vê o que está acontecendo com a Floresta Amazônica, e seus respectivos vilões. Fatos e mitos se espalham por todas os lados, sem privilegiar ninguém. Veja:
O que dizem os proprietários rurais
CNA: floresta em pé precisa ter mais valor do que a floresta derrubada
Em nota emitida no dia 25, sexta-feira passada, a Confederação Nacional da Agricultura -CNA, que representa os grandes proprietários de terras, mira no governo Federal como o grande vilão da história ora em debate.
"O grande proprietário de terras na região amazônica é o Governo Federal, detentor de 76% das áreas na Amazônia Legal e a quem cabe cuidar de suas próprias terras. A avaliação é do presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca Veronez, para quem os grandes causadores do desmatamento na região são:
1- a ausência do Estado;
2- a falta de regularização fundiária; e
3- o aumento do número de assentamentos rurais dispensados do licenciamento ambiental e a burocracia na concessão de licenciamentos ambientais.
Assuero diz que falta uma política pública adequada para a Amazônia, de modo que “a floresta em pé tenha mais valor do que a floresta derrubada”.
E parece que a CNA acerta na "mosca", sendo difícil discordar desses três pontos como grandes contribuintes para o problema, mas existem outros que certamente não os interessa incluir em seu rol (nota do editor):
"Para o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, a ausência do Estado no cumprimento dos seus papéis institucionais provoca a dilapidação dos recursos naturais (e do patrimônio do Estado, nota do editor) e acarreta prejuízos ao setor agropecuário, constituído por uma maioria de produtores rurais que respeita a legislação, gera empregos e renda e mantém 80% de suas propriedades como reserva legal."
Falta aí demonstrar a parcela dos proprietários legais de terras rurais na Amazônia que cumpre a legislação. Certamente existem, mas serão significativos, com relação ao total, em termos de quantidade de proprietários e de área dos estabelecimentos? (nota do editor).
Por este motivo, a CNA considera de fundamental importância a implantação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), além da regularização fundiária e a efetiva presença do poder público na organização da exploração e ocupação dos recursos naturais da Amazônia.
Segundo Assuero, “a Amazônia não pode se transformar em um grande parque ecológico, onde tudo será proibido”. Para tanto, sugere a criação de mecanismos de remuneração, a exemplo do que acontece em outros países do mundo, para proprietários de áreas destinadas à conservação, de modo que os serviços ambientais sejam reconhecidos e valorados. “Os proprietários não podem ficar apenas com o ônus da conservação das florestas, como é hoje”, completa ele, justificando que este bem é de interesse de toda a humanidade.
O presidente da Comissão da CNA diz que o Governo se precipitou ao divulgar os números sobre o aumento do desmatamento na região....Na opinião de Assuero, a imagem negativa do País no cenário internacional é causada pelo insucesso na condução desse tema e pela ineficácia das políticas públicas adotadas, além do indevido alarmismo que ocorre normalmente na abordagem do tema. Como resultado, ele prevê prejuízos para o Brasil, com a imposição de novas barreiras comerciais.
Fonte: Agência CNA
O que diz um pecuarista
Avanço da fronteira agrícola foi solução para crise social no Sul
"Natural de Barretos (interior de São Paulo), o pecuarista Fernando Antônio Vieira, 68, chegou à região de Alta Floresta (MT) em 1975, no início do projeto de colonização que faria nascer a cidade. Hoje dono de três fazendas, onde cria um dos maiores rebanhos bovinos da região, ele rejeita o rótulo de "vilão" da natureza 'imposto pelas regiões Sul e Sudeste'.
'O que chama a atenção é que não se fala das pessoas que trabalham aqui, diz Fernando Vieira. É como se houvesse só a floresta. E somos mais de 20 milhões na Amazônia. A colonização nesta região deu um desafogo em Estados superpovoados, principalmente os do Sul. Eu não sei o que seria hoje desses Estados se não tivesse surgido essa válvula de escape oferecida pelas fronteiras agrícolas. Isso evitou o agravamento de problemas sociais'.
Em 1975, quando cheguei aqui, 'era mato. Somente mato. Na época, a documentação da empresa colonizadora já dizia que era preciso conservar as castanheiras e que seria preciso seguir a legislação e manter 50% de áreas preservadas [hoje, a reserva legal é de 80%]. Nós atendemos a um chamamento do governo para que viéssemos ocupar a região'.
FOLHA - Mas não se desmatou além da conta?
VIEIRA - Ninguém iria se aventurar a sair dos grandes centros e vir para cá se não fosse para trabalhar e ganhar dinheiro. Houve exageros nesse período? Houve. Mas o que queremos hoje é parceria com o governo.
FOLHA - Como assim?
VIEIRA - A produção de grãos e de gado é importante para o país. Hoje, se nós precisamos fazer algum ajuste, temos que fazer em conjunto. Nós queremos parceria, não repressão.
FOLHA - Como é possível a coexistência da floresta e da pecuária?
VIEIRA - O pecuarista tem que trabalhar dentro da lei. Agora, o governo também precisa cumprir a sua parte. Se vão fazer o recadastramento das propriedades por satélite é fundamental que o Incra esteja estruturado para analisar as imagens. Do contrário, o processo vai se arrastar por longos anos e as nossas atividades ficarão paralisadas. É preciso punir quem precisa ser punido. Aqui a maioria é trabalhadora, que não merece ser tratada com polícia e repressão. Não somos bandidos."
Fonte: Rodrigo Vargas, enviado especial a Alta Floresta e Paranaíta,MT, Folha de São Paulo
O lado do madeireiro
Madeireiros se consideram "injustiçados'
Cinquenta quilômetros de destruição separam as cidades de Alta Floresta e Paranaíta, no extremo norte de Mato Grosso. O caminho por terra entre os dois municípios -listados entre os 36 mais devastados da Amazônia- em nada lembra a imagem de natureza imponente em geral associada à região.
Às margens da rodovia MT-206, e até onde a vista alcança, predominam as pastagens, o gado e os restos queimados do que um dia já foi a floresta.
Uma medida provisória de 2001 obriga as propriedades a preservar 80% de sua reserva legal -antes dessa data, a obrigação era de 50%. "Nenhuma propriedade nessa rodovia manteve a reserva legal", diz o chefe-substituto do Ibama em Alta Floresta (830 km de Cuiabá), Cláudio Cazal.
A Folha percorreu a rota Alta Floresta-Paranaíta e constatou que não é apenas a ausência do Estado que facilita o desmatamento.
A destruição também avança com o apoio do dinheiro estatal: no caminho, três grandes fazendas de gado exibiam placas de financiamento do Banco do Brasil, por meio do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste)(negrito do editor).
Além de extensas áreas desmatadas, duas delas haviam represado locais de preservação permanente, como beiras de córregos e até mesmo áreas de nascentes.
Na opinião de Cazal, o financiamento de atividades econômicas incompatíveis com a preservação da floresta é reflexo de uma contradição do governo federal. "O governo que fala em preservar é o mesmo que apóia e dá dinheiro para atividades que não podem coexistir com a floresta, como a pecuária extensiva", afirma.
"O que vemos entre Alta Floresta e Paranaíta é que não há critério ambiental algum para a concessão desses financiamentos. No final, o governo financia o desmatamento."
Em 2006, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso contou mais de 1 milhão de cabeças de gado em 4.600 propriedades rurais dos dois municípios. Mas a pecuária não é a única atividade a avançar sobre a mata. A exploração madeireira, mesmo em decadência, continua a abrir novas frentes de exploração.
......
Não derrubam tudo, escolhem valiosos alvos
Ouvidos pela reportagem da FSP, madeireiros dos dois municípios defenderam o segmento, que consideram "injustiçado".
"Quando sai algum número de desmatamento, logo vinculam o problema à nossa atividade, o que é um erro. Não fazemos derrubada, e sim corte seletivo", diz o madeireiro Jairo de Carli, de Alta Floresta (negrito do editor).
"Quem desmata e faz corte raso é o fazendeiro, para plantar ou abrir pastagens (negrito do editor). Nós precisamos da mata em pé."
Para o madeireiro Aloísio dos Santos, em Paranaíta desde 1990, a "criminalização" do setor é fruto da política de ocupação da região. "Por aqui, o que manda é a política da terra, da plantação e do gado. Nunca tivemos política para a madeira. E olha que poderíamos ser os maiores parceiros da conservação da floresta. Mas somos tratados como bandidos", afirma.
Fonte: Rodrigo Vargas, enviado especial a Alta Floresta e Paranaíta,MT, Folha de São Paulo
Marina Silva dividiu o prejuízo
Comentário de Claudio Ângelo, editor de Ciência da Folha de São Paulo: a ministra Marina Silva fez o ritual de denúncia do desmatamento acelerado no Palácio do Planalto junto com o presidente da República para, de certa forma, dividir o prejuízo político da ineficiência com a Chefe da Casa Civil, ministra Dilma Roussef. Dilma é a coordenadora do "Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento lançado com pompa e circunstância pelo governo Federal, em 2004, mas que nada fez efetivamente nesses três anos que se passaram. Diz Ângelo em sua coluna:
"Marina Silva pode ser criacionista, mas boba ela não é. Ao apressar-se em divulgar os dados parciais do Inpe sobre o desmatamento na Amazônia e fazê-lo na última quarta-feira, numa solenidade (ou "fuzuê", como definiu o diretor do Inpe, Gilberto Câmara) pública, a ministra do Meio Ambiente jogou o problema no colo de quem é de direito: o presidente Lula e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff."
...
"A omissão mais notável foi do Ministério da Agricultura. A pasta foi encarregada em 2004 para descobrir meios de ocupar os estimados 165 mil quilômetros quadrados (um Acre) de áreas degradadas na Amazônia, revertendo-as para produção. Não fez nada. Sua única grande contribuição foi gastar dinheiro do combate à derrubada na erradicação da febre aftosa. Algo que fez o desmatamento crescer: o sul do Pará é zona livre de aftosa desde 2007.
...
...
Como a Casa Civil dificilmente fará como o chefe da Agricultura, que preferiu negar os números, supõe-se que o fuzuê de Marina Silva ajude a sacudir o governo.
Fonte: Cláudio Ângelo, Folha de São Paulo
Os políticos locais
Prefeitos do Nortão de MT se reúnem 4ª feira para debater números de desmatamento
As medidas anunciadas pelo governo para conter o desmatamento na Amazônia estão causando apreensão entre produtores rurais e prefeitos de 19 municípios de Mato Grosso que integram a "lista suja" do Ministério do Meio Ambiente. Entidades como a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), sindicatos rurais e indústrias madeireiras temem uma estagnação econômica em 31 mil propriedades, como ocorreu em 2005 após Operação Curupira, que mandou para a cadeia empresários e servidores públicos acusados de corrupção.
Juntos, esses municípios são responsáveis por 20% da produção pecuária do Estado e 11% da produção de soja, segundo a Famato. A partir de amanhã, produtores rurais e prefeitos estarão em Brasília para discutir com o governo os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na semana passada.
Eles temem que as ações de prevenção e controle do desmatamento, anunciadas pelo Ministério do Meio Ambiente, inviabilizem a atividade econômica nos municípios.(ao que parece, desmatamento é o principal "motor" da atividade econômica em seus municípios...negrito e nota do editor)
Em nota, a Famato informou que os instrumentos para controle do meio ambiente são legítimos, mas lembra que os produtores rurais estão buscando se adequar à legislação brasileira. A entidade critica a ausência do Estado para administrar as questões ambientais. "Os produtores rurais do Estado de Mato Grosso têm demonstrado formalmente o desejo de adequarem suas propriedades às exigências da complexa legislação brasileira."
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios, José Aparecido dos Santos, discorda dos números do desmatamento apresentados pelo Inpe. "Os prefeitos têm que saber se de fato ocorreu todo esse desmatamento em seus municípios para tomarmos providências", disse ele, informado que os prefeitos vão se reunir na quarta-feira em Cuiabá para debater o assunto.
Fonte: Agronotícias, 28.01.08
O coordenador do programa Cerrado da organização não-governamental (ONG) Conservação Internacional, Mário Barroso, afirma que na região adjacente ao Parque Nacional das Emas a ocupação agrícola é antiga. O desmatamento vem aumentando até agora, relacionado ao preço das commodities.
Mário diz que, em 2003, houve pico no preço da soja, o que se refletiu na devastação de matas nativas no sudoeste goiano. Em 2006 e 2007 houve novo recorde na produção de grãos. ....
Fonte: O Popular
Como cada setor vê o que está acontecendo com a Floresta Amazônica, e seus respectivos vilões. Fatos e mitos se espalham por todas os lados, sem privilegiar ninguém. Veja:
O que dizem os proprietários rurais
CNA: floresta em pé precisa ter mais valor do que a floresta derrubada
Em nota emitida no dia 25, sexta-feira passada, a Confederação Nacional da Agricultura -CNA, que representa os grandes proprietários de terras, mira no governo Federal como o grande vilão da história ora em debate.
"O grande proprietário de terras na região amazônica é o Governo Federal, detentor de 76% das áreas na Amazônia Legal e a quem cabe cuidar de suas próprias terras. A avaliação é do presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Assuero Doca Veronez, para quem os grandes causadores do desmatamento na região são:
1- a ausência do Estado;
2- a falta de regularização fundiária; e
3- o aumento do número de assentamentos rurais dispensados do licenciamento ambiental e a burocracia na concessão de licenciamentos ambientais.
Assuero diz que falta uma política pública adequada para a Amazônia, de modo que “a floresta em pé tenha mais valor do que a floresta derrubada”.
E parece que a CNA acerta na "mosca", sendo difícil discordar desses três pontos como grandes contribuintes para o problema, mas existem outros que certamente não os interessa incluir em seu rol (nota do editor):
"Para o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, a ausência do Estado no cumprimento dos seus papéis institucionais provoca a dilapidação dos recursos naturais (e do patrimônio do Estado, nota do editor) e acarreta prejuízos ao setor agropecuário, constituído por uma maioria de produtores rurais que respeita a legislação, gera empregos e renda e mantém 80% de suas propriedades como reserva legal."
Falta aí demonstrar a parcela dos proprietários legais de terras rurais na Amazônia que cumpre a legislação. Certamente existem, mas serão significativos, com relação ao total, em termos de quantidade de proprietários e de área dos estabelecimentos? (nota do editor).
Por este motivo, a CNA considera de fundamental importância a implantação do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE), além da regularização fundiária e a efetiva presença do poder público na organização da exploração e ocupação dos recursos naturais da Amazônia.
Segundo Assuero, “a Amazônia não pode se transformar em um grande parque ecológico, onde tudo será proibido”. Para tanto, sugere a criação de mecanismos de remuneração, a exemplo do que acontece em outros países do mundo, para proprietários de áreas destinadas à conservação, de modo que os serviços ambientais sejam reconhecidos e valorados. “Os proprietários não podem ficar apenas com o ônus da conservação das florestas, como é hoje”, completa ele, justificando que este bem é de interesse de toda a humanidade.
O presidente da Comissão da CNA diz que o Governo se precipitou ao divulgar os números sobre o aumento do desmatamento na região....Na opinião de Assuero, a imagem negativa do País no cenário internacional é causada pelo insucesso na condução desse tema e pela ineficácia das políticas públicas adotadas, além do indevido alarmismo que ocorre normalmente na abordagem do tema. Como resultado, ele prevê prejuízos para o Brasil, com a imposição de novas barreiras comerciais.
Fonte: Agência CNA
O que diz um pecuarista
Avanço da fronteira agrícola foi solução para crise social no Sul
"Natural de Barretos (interior de São Paulo), o pecuarista Fernando Antônio Vieira, 68, chegou à região de Alta Floresta (MT) em 1975, no início do projeto de colonização que faria nascer a cidade. Hoje dono de três fazendas, onde cria um dos maiores rebanhos bovinos da região, ele rejeita o rótulo de "vilão" da natureza 'imposto pelas regiões Sul e Sudeste'.
'O que chama a atenção é que não se fala das pessoas que trabalham aqui, diz Fernando Vieira. É como se houvesse só a floresta. E somos mais de 20 milhões na Amazônia. A colonização nesta região deu um desafogo em Estados superpovoados, principalmente os do Sul. Eu não sei o que seria hoje desses Estados se não tivesse surgido essa válvula de escape oferecida pelas fronteiras agrícolas. Isso evitou o agravamento de problemas sociais'.
Em 1975, quando cheguei aqui, 'era mato. Somente mato. Na época, a documentação da empresa colonizadora já dizia que era preciso conservar as castanheiras e que seria preciso seguir a legislação e manter 50% de áreas preservadas [hoje, a reserva legal é de 80%]. Nós atendemos a um chamamento do governo para que viéssemos ocupar a região'.
FOLHA - Mas não se desmatou além da conta?
VIEIRA - Ninguém iria se aventurar a sair dos grandes centros e vir para cá se não fosse para trabalhar e ganhar dinheiro. Houve exageros nesse período? Houve. Mas o que queremos hoje é parceria com o governo.
FOLHA - Como assim?
VIEIRA - A produção de grãos e de gado é importante para o país. Hoje, se nós precisamos fazer algum ajuste, temos que fazer em conjunto. Nós queremos parceria, não repressão.
FOLHA - Como é possível a coexistência da floresta e da pecuária?
VIEIRA - O pecuarista tem que trabalhar dentro da lei. Agora, o governo também precisa cumprir a sua parte. Se vão fazer o recadastramento das propriedades por satélite é fundamental que o Incra esteja estruturado para analisar as imagens. Do contrário, o processo vai se arrastar por longos anos e as nossas atividades ficarão paralisadas. É preciso punir quem precisa ser punido. Aqui a maioria é trabalhadora, que não merece ser tratada com polícia e repressão. Não somos bandidos."
Fonte: Rodrigo Vargas, enviado especial a Alta Floresta e Paranaíta,MT, Folha de São Paulo
O lado do madeireiro
Madeireiros se consideram "injustiçados'
Cinquenta quilômetros de destruição separam as cidades de Alta Floresta e Paranaíta, no extremo norte de Mato Grosso. O caminho por terra entre os dois municípios -listados entre os 36 mais devastados da Amazônia- em nada lembra a imagem de natureza imponente em geral associada à região.
Às margens da rodovia MT-206, e até onde a vista alcança, predominam as pastagens, o gado e os restos queimados do que um dia já foi a floresta.
Uma medida provisória de 2001 obriga as propriedades a preservar 80% de sua reserva legal -antes dessa data, a obrigação era de 50%. "Nenhuma propriedade nessa rodovia manteve a reserva legal", diz o chefe-substituto do Ibama em Alta Floresta (830 km de Cuiabá), Cláudio Cazal.
A Folha percorreu a rota Alta Floresta-Paranaíta e constatou que não é apenas a ausência do Estado que facilita o desmatamento.
A destruição também avança com o apoio do dinheiro estatal: no caminho, três grandes fazendas de gado exibiam placas de financiamento do Banco do Brasil, por meio do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste)(negrito do editor).
Além de extensas áreas desmatadas, duas delas haviam represado locais de preservação permanente, como beiras de córregos e até mesmo áreas de nascentes.
Na opinião de Cazal, o financiamento de atividades econômicas incompatíveis com a preservação da floresta é reflexo de uma contradição do governo federal. "O governo que fala em preservar é o mesmo que apóia e dá dinheiro para atividades que não podem coexistir com a floresta, como a pecuária extensiva", afirma.
"O que vemos entre Alta Floresta e Paranaíta é que não há critério ambiental algum para a concessão desses financiamentos. No final, o governo financia o desmatamento."
Em 2006, o Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso contou mais de 1 milhão de cabeças de gado em 4.600 propriedades rurais dos dois municípios. Mas a pecuária não é a única atividade a avançar sobre a mata. A exploração madeireira, mesmo em decadência, continua a abrir novas frentes de exploração.
......
Não derrubam tudo, escolhem valiosos alvos
Ouvidos pela reportagem da FSP, madeireiros dos dois municípios defenderam o segmento, que consideram "injustiçado".
"Quando sai algum número de desmatamento, logo vinculam o problema à nossa atividade, o que é um erro. Não fazemos derrubada, e sim corte seletivo", diz o madeireiro Jairo de Carli, de Alta Floresta (negrito do editor).
"Quem desmata e faz corte raso é o fazendeiro, para plantar ou abrir pastagens (negrito do editor). Nós precisamos da mata em pé."
Para o madeireiro Aloísio dos Santos, em Paranaíta desde 1990, a "criminalização" do setor é fruto da política de ocupação da região. "Por aqui, o que manda é a política da terra, da plantação e do gado. Nunca tivemos política para a madeira. E olha que poderíamos ser os maiores parceiros da conservação da floresta. Mas somos tratados como bandidos", afirma.
Fonte: Rodrigo Vargas, enviado especial a Alta Floresta e Paranaíta,MT, Folha de São Paulo
Marina Silva dividiu o prejuízo
Comentário de Claudio Ângelo, editor de Ciência da Folha de São Paulo: a ministra Marina Silva fez o ritual de denúncia do desmatamento acelerado no Palácio do Planalto junto com o presidente da República para, de certa forma, dividir o prejuízo político da ineficiência com a Chefe da Casa Civil, ministra Dilma Roussef. Dilma é a coordenadora do "Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento lançado com pompa e circunstância pelo governo Federal, em 2004, mas que nada fez efetivamente nesses três anos que se passaram. Diz Ângelo em sua coluna:
"Marina Silva pode ser criacionista, mas boba ela não é. Ao apressar-se em divulgar os dados parciais do Inpe sobre o desmatamento na Amazônia e fazê-lo na última quarta-feira, numa solenidade (ou "fuzuê", como definiu o diretor do Inpe, Gilberto Câmara) pública, a ministra do Meio Ambiente jogou o problema no colo de quem é de direito: o presidente Lula e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff."
...
"A omissão mais notável foi do Ministério da Agricultura. A pasta foi encarregada em 2004 para descobrir meios de ocupar os estimados 165 mil quilômetros quadrados (um Acre) de áreas degradadas na Amazônia, revertendo-as para produção. Não fez nada. Sua única grande contribuição foi gastar dinheiro do combate à derrubada na erradicação da febre aftosa. Algo que fez o desmatamento crescer: o sul do Pará é zona livre de aftosa desde 2007.
...
...
Como a Casa Civil dificilmente fará como o chefe da Agricultura, que preferiu negar os números, supõe-se que o fuzuê de Marina Silva ajude a sacudir o governo.
Fonte: Cláudio Ângelo, Folha de São Paulo
Os políticos locais
Prefeitos do Nortão de MT se reúnem 4ª feira para debater números de desmatamento
As medidas anunciadas pelo governo para conter o desmatamento na Amazônia estão causando apreensão entre produtores rurais e prefeitos de 19 municípios de Mato Grosso que integram a "lista suja" do Ministério do Meio Ambiente. Entidades como a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), sindicatos rurais e indústrias madeireiras temem uma estagnação econômica em 31 mil propriedades, como ocorreu em 2005 após Operação Curupira, que mandou para a cadeia empresários e servidores públicos acusados de corrupção.
Juntos, esses municípios são responsáveis por 20% da produção pecuária do Estado e 11% da produção de soja, segundo a Famato. A partir de amanhã, produtores rurais e prefeitos estarão em Brasília para discutir com o governo os dados apresentados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) na semana passada.
Eles temem que as ações de prevenção e controle do desmatamento, anunciadas pelo Ministério do Meio Ambiente, inviabilizem a atividade econômica nos municípios.(ao que parece, desmatamento é o principal "motor" da atividade econômica em seus municípios...negrito e nota do editor)
Em nota, a Famato informou que os instrumentos para controle do meio ambiente são legítimos, mas lembra que os produtores rurais estão buscando se adequar à legislação brasileira. A entidade critica a ausência do Estado para administrar as questões ambientais. "Os produtores rurais do Estado de Mato Grosso têm demonstrado formalmente o desejo de adequarem suas propriedades às exigências da complexa legislação brasileira."
O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios, José Aparecido dos Santos, discorda dos números do desmatamento apresentados pelo Inpe. "Os prefeitos têm que saber se de fato ocorreu todo esse desmatamento em seus municípios para tomarmos providências", disse ele, informado que os prefeitos vão se reunir na quarta-feira em Cuiabá para debater o assunto.
Fonte: Agronotícias, 28.01.08
Produtores rurais plantam dendê em áreas desmatadas no oeste do Amazonas 28.01.08
28.01.08
Áreas desmatadas da BR-307, que liga os municípios de Benjamin Constant a Atalaia do Norte, no oeste do Amazonas, serão aproveitadas por pequenos agricultores para a plantação de dendê. Com a planta, eles produzirão biodiesel.
Organizado pela Diocese do Alto Solimões e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) da Amazônia Ocidental, o projeto prevê a plantação de 500 hectares de dendê ao longo da rodovia. A idéia é beneficiar 100 famílias de pequenos produtores rurais dos municípios de Benjamim Constant e Atalaia do Norte.
A previsão do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Amazonas (Idam), parceiro no projeto, é que em cinco anos, cada família receba R$ 1,5 mil de lucro mensal com a plantação de dendê.
Para Edson Barcelos, diretor do Idam, a cultura pode suprir a demanda de combustível da região. “A expectativa desse projeto é que se produzam 2,2 mil toneladas de óleo por ano, daqui a cinco anos. Isso daria para substituir do consumo atual 20% do diesel que se gasta em Atalaia e Benjamim”, explica o diretor.
Já o bispo Alcemar Caldas disse acreditar que o dendê produzido na região da BR-307 poderá ser exportado. “Como vivemos próximo à fronteira com a Colômbia, pode ser que, no final do processo, seja mais interessante exportar para a Colômbia, já que o dendê é muito utilizado por nossos vizinhos”, argumenta.
Até o momento foram gastos no projeto R$ 3 milhões. Os recursos são da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia. O projeto prevê a plantação de 80 mil mudas da planta, além da instalação de usina beneficiadora de grãos. De acordo com as expectativas, a produção do óleo do dendê começará em 2013.
Fonte: João Porto, da Rádio Nacional da Amazônia
Áreas desmatadas da BR-307, que liga os municípios de Benjamin Constant a Atalaia do Norte, no oeste do Amazonas, serão aproveitadas por pequenos agricultores para a plantação de dendê. Com a planta, eles produzirão biodiesel.
Organizado pela Diocese do Alto Solimões e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) da Amazônia Ocidental, o projeto prevê a plantação de 500 hectares de dendê ao longo da rodovia. A idéia é beneficiar 100 famílias de pequenos produtores rurais dos municípios de Benjamim Constant e Atalaia do Norte.
A previsão do Instituto de Desenvolvimento Agrário do Amazonas (Idam), parceiro no projeto, é que em cinco anos, cada família receba R$ 1,5 mil de lucro mensal com a plantação de dendê.
Para Edson Barcelos, diretor do Idam, a cultura pode suprir a demanda de combustível da região. “A expectativa desse projeto é que se produzam 2,2 mil toneladas de óleo por ano, daqui a cinco anos. Isso daria para substituir do consumo atual 20% do diesel que se gasta em Atalaia e Benjamim”, explica o diretor.
Já o bispo Alcemar Caldas disse acreditar que o dendê produzido na região da BR-307 poderá ser exportado. “Como vivemos próximo à fronteira com a Colômbia, pode ser que, no final do processo, seja mais interessante exportar para a Colômbia, já que o dendê é muito utilizado por nossos vizinhos”, argumenta.
Até o momento foram gastos no projeto R$ 3 milhões. Os recursos são da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia. O projeto prevê a plantação de 80 mil mudas da planta, além da instalação de usina beneficiadora de grãos. De acordo com as expectativas, a produção do óleo do dendê começará em 2013.
Fonte: João Porto, da Rádio Nacional da Amazônia
Controle do Desmatamento da Amazônia: promessa difícil de cumprir 28.01.08
28.01.08
Comentário do Editor: Sem qualquer estrutura para operar, a fiscalização do Ibama na Amazônia (como em qualquer ponto do país, ao que tudo indica) não pode entregar o produto que o governo atual promete para combater o desmatamento no bioma. É o que fica claro da situação objetiva, relatada à Folha de São Paulo, em que se defronta o chefe-substituto de Fiscalização do Ibama na cidade de Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, a 830 km de Cuiabá, aproximadamente 2.000 km de estrada do Palácio do Planalto (veja reportagem a Folha de São Paulo, com extratos citados mais abaixo).
Por outro lado, erros ocorridos na medição pelo DETER/INPE dos desmatamentos nos meses de agosto a outubro no ano passado, que dispararam o alarme do Ministério do Meio Ambiente, estão sendo postos em xeque pelas dúvidas e verificações realizadas pelo governo do Mato Grosso, um aliado do governo Federal mas com Blairo Maggi, seu governador, não deixando de ser defensor do agronegócio da soja.
Situação difícil
Propor medidas políticas sem uma sólida estrutura para cumprir o prometido acaba erodindo qualquer administração, seja pela perda de credibilidade, seja pelos embates cotidianos com opositores, nos quais se sai perdendo sistematicamente, todas as disputas. Algumas medidas ora propostas já têm idade avançada sem que tivessem sido operacionalizadas, como registrou Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra- Amazônia Brasileira, imediatamente após seu anúncio pela Presidência da República, em entrevista ao jornal O Globo,
No primeiro mandato do atual presidente, o Ministério do Meio Ambiente perdeu todas as disputas políticas com o Ministério da Agricultura, e suas ações positivas orientaram-se para a criação de grandes áreas protegidas, de diversos matizes, na Amazônia, onde quase todas as terras pertencem ao governo (Federal ou estaduais) e o agronegócio pouco se importava com isso. O relevante para esse setor era, por exemplo, conseguir a liberação das semente transgênicas, e isso praticamente conseguiu no terceiro mês de governo quando medida provisória permitiu a comercialização da safra de soja transgênica do Rio Grande do Sul, legalizando o intenso contrabando de sementes originadas da Argentina
Agora, a ministra Marina Silva começa a sofrer contestação em seu próprio território, a Amazônia, de colegas de ministério e de aliados –como Stephanes e Maggi, ambos com o DNA do agronegócio nas veias – região em que até agora ela produzia resultados sem maiores problemas, sem oposição politicamente relevante.
Horizonte nebuloso
Espera-se que a Ministra não esteja sendo pega de surpresa acerca dos problemas existentes com as informações de três dos cinco meses computados na avaliação que divulgou ao acionar o alarme sobre o desmatamento. Pelo que informa o Diretor do INPE, os números agora divulgados incorporam as correções dos erros verificados em dezembro passado. Melhor assim.
De toda forma, a área total desmatada que apresentou não pode ficar longe da realidade, sob pena de receber um “exocet abaixo da linha d’água” (êta expressão antiga, provavelmente muitos leitores não saberão seu significado, tendo que perguntar a seus pais...) já que o agronégocio – soja, carnes e etanol, em especial – com a notícia do aumento do desmatamento na Amazônia sofrerá agruras nas suas exportações para a União Européia. E ele tem grande força política no Congresso Nacional, dentro do Governo (Federal e estaduais), além de ostentar uma bela fatia nos resultados da Balança Comercial do país. Isso em um ano já difícil, com a UE criando critérios para compra de biocombustíveis e uma provável recessão se abatendo na maior economia mundial, certamente repercutindo em todos países, com perspectivas de redução do consumo e das exportações. O retrospecto dos embates, no atual governo, entre o MMA e o MAPA não é muito animador, como já foi descrito antes.
Por outro lado, não há no MMA, e quase certamente no Incra, qualquer estrutura operacional que possa responder minimamente às determinações agora não mais da ministra, mas sim do presidente da República, além do fato de a ministra haver proposto a adoção de “punições” inócuas, como relata o governador Maggi. Todas ações de controle passam a depender da disponibilidade da Polícia Federal (e talvez a Presidência chame as Forças Armadas para ajudar, como sugere Maggi), o que sempre tem prazo relativamente limitado. Pois certamente os governadores (à exceção do Pará) não vão colaborar muito.
Por último, vale lembrar que neste ano haverá eleições para prefeitos e vereadores, e nas regiões desmatadas esse tema e as ações do governo Federal certamente entrarão na pauta política local, acirrando posições e o “autonomismo” municipal de ter “direito ao desenvolvimento”, como se desmatar fosse progresso e desenvolvimento.
1- Total falta de estrutura humana e material
“ ‘Esse anúncio só mostrou o quanto Brasília desconhece a realidade da Amazônia. É uma espécie de autismo’, afirmou Cláudio Cazal, 29, chefe-substituto do escritório do Ibama em Alta Floresta (2.000 km de Brasília, nota do editor).
...O governo federal anunciou a suspensão de autorizações para desmatamento em 36 municípios da Amazônia Legal... responsáveis por metade do abate de árvores na região.
‘De que adianta bloquear autorizações de desmate em uma região em que a maior parte das derrubadas são feitas sem autorização? Embargo de propriedades já fazemos há muito tempo. O que não temos é estrutura para retornar às áreas para verificar se o embargo está sendo cumprido’, disse Cazal.
O escritório do Ibama de Alta Floresta é responsável pela fiscalização de crimes ambientais em 13 municípios da região norte de Mato Grosso, que somam 92 mil km2.
‘É uma área superior ao território dos Estados do Rio de Janeiro [43,7 mil km2] e do Espírito Santo [46 km2] juntos. Teríamos que ter ao menos 50 servidores para dar retorno a essas medidas de emergência, mas temos só três. E, atualmente, nenhum carro.’
Segundo Cazal, os quatro veículos colocados à disposição do escritório estão quebrados.
...
‘Se precisássemos sair agora, não teríamos condição. Essa é a realidade’, afirmou ele, que está há três anos no Ibama de Alta Floresta e seis meses na função de chefe-substituto.
Tropa de elite
... ‘Quem ouve falar do Ibama logo imagina um Bope [Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro, que inspirou o filme "Tropa de Elite'], mas isso é uma ilusão. Os servidores e os recursos estão concentrados onde o problema não existe’, afirmou.
Recentemente, conta Cazal, um carro do Ibama teve um problema mecânico durante uma operação. O local era isolado. Para buscar ajuda, segundo ele, a equipe teve de seguir de carona com caminhões de madeireiras ilegais.
‘É algo inacreditável. É como se a Polícia Federal pedisse ajuda aos traficantes para empurrar um carro’, disse Cazal.
Os fazendeiros e madeireiros da região não temem multas e embargos, segundo Cazal, porque contam com a falta de estrutura da fiscalização. ‘A multa eles protelam e não pagam. O embargo, não respeitam. Eles só temem a perda de bens e também a cadeia. Mas isso nunca acontece’.
Para os servidores, a falta de incentivos para permanecer nas áreas críticas e a ineficácia da estrutura montada para o controle são motivo de descontentamento e frustração.
‘Eu sou biólogo, estudei 15 anos para isso, passei em um concurso difícil. Tudo para vir para esse lugar e ver a floresta ser trocada por camionetes. Temos muito dentro do que é possível, mas a situação está longe de estar sob controle.’”
....
Fonte: Rodrigo Vargas, da Agência Folha, em Alta Floresta, MT, colaborou Matheus Pichonelli, da Agência Folha, 27.01.08, com o Observatório.
2- ''Queremos saber a serviço de quem o Inpe está mentindo''
“.... Apesar de aliado do governo federal, Blairo Maggi (PR), governador de Mato Grosso e um dos maiores produtores de soja do mundo, foi responsabilizado pela ministra Marina Silva, do Meio Ambiente.
Nesta entrevista exclusiva ao Estado, por telefone, Maggi, de 50 anos, no segundo mandato, reage, contestando energicamente os números e lançando uma suspeita sobre o órgão federal: "O Inpe está mentindo a serviço de alguém." Ele ainda chama de "besteira" a suspensão de créditos, uma das medidas adotadas pelo governo federal: "Ninguém pega crédito para desmatar."
A ministra Marina Silva o acusou de não cooperar com o combate ao desmatamento. Como reage?
Recebemos esses dados com muita surpresa. Todos nós sabemos que esses números não são verdadeiros com base no trabalho dos nossos técnicos da Secretaria do Meio Ambiente, que vem promovendo um arrocho nos últimos anos. O Inpe está mentindo a serviço de alguém. Queremos saber a serviço de quem. Falei com a ministra hoje (sexta-feira) pela manhã longamente pelo telefone e mostrei que os números que apresentaram a ela não têm consistência. Sobre os números de outubro a dezembro, ainda não posso dizer quanto é verdadeiro. Mas, dos números de abril a setembro do Deter, verificamos mais ou menos 300 pontos. Já temos os laudos de 113. Desses, em 91 (80,53%), o desmatamento não existiu ou é antigo e deve ter entrado em algum outro momento estatístico. Dentro de 20 a 30 dias terei o restante. Acho muita irresponsabilidade da parte do Inpe lançar para o mundo os números sem checar na realidade do campo o que está acontecendo.
Qual a receptividade da ministra?
A princípio, parece-me que ficou surpresa. Junto com os técnicos da nossa secretaria, também havia pessoal do Ibama. Em todos os pontos em que notamos erros, foi feito um laudo e assinaram o pessoal do Ibama, nossos técnicos e os policiais militares que fazem parte das equipes. Tenho tudo documentado. A mim cabe perguntar se os números de setembro a dezembro também não são errados, mal interpretados, até por má-fé.
..... A ministra Marina saiu do Brasil e defendeu posições de que estamos reduzindo desmatamento. Aí, chega e lança um número desses, sem nenhum critério, sem nada, vira no que virou. No mundo inteiro estão botando a boca, dizendo que o Brasil é irresponsável. Irresponsável é quem bota os dados sem checar no campo. Sou parceiro da ministra, do governo. Tenho feito grande trabalho para reduzir o desmatamento em Mato Grosso. Os setores produtivos do Estado têm criado fundos para devolver as áreas de preservação permanente, assumindo o compromisso de fazer tudo correto.
...
Os municípios problemáticos são esses mesmos que aparecem na lista do governo?
São. Mas desses (19 mato-grossenses, do total de 36), apenas três trabalham fortemente com soja: Querência, Gaúcha do Norte e Nova Maringá. No noroeste do Estado e na região de Colniza, temos problemas muito sérios com grandes assentamentos do Incra. Eles também não respeitam, não fazem licenciamento. O pessoal derruba a floresta para manter a posse. Nem consegue produzir. Há ainda uma área de grilagem muito grande. São invasões. Muita gente vem de Rondônia. São pequenos sitiantes que tiram a tora e vendem para os madeireiros. Já pedi até apoio do Exército para as duas áreas e não consegui até hoje. Quando aperta, todo mundo grita. Quando a gente pede ajuda, que tem que pôr a mão no bolso e trabalhar, todo mundo corre. Devia aproveitar essa confusão e mandar o Exército ficar seis meses acampado na região. Vão ver como reduziria o desmatamento. Só com blablablá a gente não faz nada. Quero que a Amazônia pare de ser desmatada, mas quero também que paremos de fazer carnaval em cima dessas coisas.
No restante, qual é a pressão?
É pecuária.
....
O que acha das medidas adotadas pelo governo, de suspensão de créditos e envio de força-tarefa?
Suspensão de crédito não muda nada porque ninguém pega crédito para isso. Nunca teve crédito para desmatar. Isso é besteira. Enviar agente policial para cá pode ajudar. Mas antes da Polícia Federal, podia ser o Exército, para uma presença preventiva. Tira esse povo lá do Rio de Janeiro, da fronteira da Amazônia, onde está todo mundo coçando o saco, e traz para cá. Falei para a ministra hoje que uma medida boa é identificar na cadeia produtiva de onde está vindo o boi, a soja ou a madeira. Se vem de área desmatada irregularmente, trava na comercialização. Isso funciona bem. Já existe em Mato Grosso moratória feita pelas empresas, que não têm comprado soja de áreas desmatadas (na floresta, após 2006) (o governador refere-se à Moratória da Soja na Amazônia Legal, "decretada" pela Abiove em julho 2006, após campanha do Greenpeace -com outras organizações locais e nacionais - contra o desmatamento da Amazônia para produção de soja, nota do editor).
....
....”
Fonte: Lourival Sant’Anna, jornal Estado de São Paulo, com o Observatório
3-Diretor do Inpe reconhece que números divulgados em outubro estavam errados
Os números divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em outubro sobre o desmatamento na Amazônia estavam errados, segundo apurou o jornal O Estado de São Paulo. Os dados mostravam que a taxa de derrubada da floresta havia aumentado 8% nos meses de junho a setembro em comparação com o mesmo período de 2006 - incluindo um aumento explosivo de 600% dos índices em Rondônia. A área desmatada de fato, porém, foi bem menor do que o divulgado.
"Erramos", disse ao Estado o diretor do Inpe, Gilberto Câmara. Segundo ele, houve uma dupla contagem de áreas desmatadas que já tinham sido detectadas pelo sistema Prodes e foram novamente computadas pelo sistema Deter - os dois programas de monitoramento por satélite da floresta. "Erramos e corrigimos. Os números (divulgados em outubro) não têm mais validade."
Câmara diz que os novos números do Deter, divulgados quarta-feira, estão corretos. O relatório, que traz dados de agosto a dezembro, mostra um crescimento alarmante do desmatamento nos últimos dois meses de 2007. "Os dados foram estritamente checados várias vezes e verificados com todo o cuidado."
Máscara
Segundo Câmara, o erro no relatório anterior foi detectado no final de dezembro, quando a equipe do Inpe fazia a consolidação dos dados do Deter de 2007 e percebeu que os números estavam muito altos. O problema, segundo ele, foi uma falha do software que analisa as imagens dos satélites, seguida de um erro humano por parte dos técnicos, que falharam ao não detectar o erro.
.....
A sobrecarga de trabalho no instituto também teria contribuído para o problema, diz Câmara. Até 2005, os dados consolidados do Prodes levavam um ano para serem preparados e divulgados, o que praticamente impedia o governo de reagir às flutuações do desmatamento em tempo hábil. De lá para cá, os dados passaram a ser compilados em poucos meses após o fim do calendário de desmatamento, que vai de 1º de agosto de um ano a 31 de julho do seguinte. O último relatório do Prodes foi divulgado em dezembro, mostrando queda de quase 60% do desmatamento em relação a 2004. "Entre agosto e novembro, a ênfase do Inpe foi em fazer o Prodes", disse. "A equipe continuou a fazer o Deter, mas não checou os dados com o detalhe que deveria." Segundo ele, o aparato disponível para o monitoramento está aquém do necessário. "Para fazer o que a gente faz, com a equipe que a gente tem, é trabalho de herói."
Fonte: Herton Escobar, Estado de São Paulo, 27.01.08
Comentário do Editor: Sem qualquer estrutura para operar, a fiscalização do Ibama na Amazônia (como em qualquer ponto do país, ao que tudo indica) não pode entregar o produto que o governo atual promete para combater o desmatamento no bioma. É o que fica claro da situação objetiva, relatada à Folha de São Paulo, em que se defronta o chefe-substituto de Fiscalização do Ibama na cidade de Alta Floresta, no norte de Mato Grosso, a 830 km de Cuiabá, aproximadamente 2.000 km de estrada do Palácio do Planalto (veja reportagem a Folha de São Paulo, com extratos citados mais abaixo).
Por outro lado, erros ocorridos na medição pelo DETER/INPE dos desmatamentos nos meses de agosto a outubro no ano passado, que dispararam o alarme do Ministério do Meio Ambiente, estão sendo postos em xeque pelas dúvidas e verificações realizadas pelo governo do Mato Grosso, um aliado do governo Federal mas com Blairo Maggi, seu governador, não deixando de ser defensor do agronegócio da soja.
Situação difícil
Propor medidas políticas sem uma sólida estrutura para cumprir o prometido acaba erodindo qualquer administração, seja pela perda de credibilidade, seja pelos embates cotidianos com opositores, nos quais se sai perdendo sistematicamente, todas as disputas. Algumas medidas ora propostas já têm idade avançada sem que tivessem sido operacionalizadas, como registrou Roberto Smeraldi, diretor da Amigos da Terra- Amazônia Brasileira, imediatamente após seu anúncio pela Presidência da República, em entrevista ao jornal O Globo,
No primeiro mandato do atual presidente, o Ministério do Meio Ambiente perdeu todas as disputas políticas com o Ministério da Agricultura, e suas ações positivas orientaram-se para a criação de grandes áreas protegidas, de diversos matizes, na Amazônia, onde quase todas as terras pertencem ao governo (Federal ou estaduais) e o agronegócio pouco se importava com isso. O relevante para esse setor era, por exemplo, conseguir a liberação das semente transgênicas, e isso praticamente conseguiu no terceiro mês de governo quando medida provisória permitiu a comercialização da safra de soja transgênica do Rio Grande do Sul, legalizando o intenso contrabando de sementes originadas da Argentina
Agora, a ministra Marina Silva começa a sofrer contestação em seu próprio território, a Amazônia, de colegas de ministério e de aliados –como Stephanes e Maggi, ambos com o DNA do agronegócio nas veias – região em que até agora ela produzia resultados sem maiores problemas, sem oposição politicamente relevante.
Horizonte nebuloso
Espera-se que a Ministra não esteja sendo pega de surpresa acerca dos problemas existentes com as informações de três dos cinco meses computados na avaliação que divulgou ao acionar o alarme sobre o desmatamento. Pelo que informa o Diretor do INPE, os números agora divulgados incorporam as correções dos erros verificados em dezembro passado. Melhor assim.
De toda forma, a área total desmatada que apresentou não pode ficar longe da realidade, sob pena de receber um “exocet abaixo da linha d’água” (êta expressão antiga, provavelmente muitos leitores não saberão seu significado, tendo que perguntar a seus pais...) já que o agronégocio – soja, carnes e etanol, em especial – com a notícia do aumento do desmatamento na Amazônia sofrerá agruras nas suas exportações para a União Européia. E ele tem grande força política no Congresso Nacional, dentro do Governo (Federal e estaduais), além de ostentar uma bela fatia nos resultados da Balança Comercial do país. Isso em um ano já difícil, com a UE criando critérios para compra de biocombustíveis e uma provável recessão se abatendo na maior economia mundial, certamente repercutindo em todos países, com perspectivas de redução do consumo e das exportações. O retrospecto dos embates, no atual governo, entre o MMA e o MAPA não é muito animador, como já foi descrito antes.
Por outro lado, não há no MMA, e quase certamente no Incra, qualquer estrutura operacional que possa responder minimamente às determinações agora não mais da ministra, mas sim do presidente da República, além do fato de a ministra haver proposto a adoção de “punições” inócuas, como relata o governador Maggi. Todas ações de controle passam a depender da disponibilidade da Polícia Federal (e talvez a Presidência chame as Forças Armadas para ajudar, como sugere Maggi), o que sempre tem prazo relativamente limitado. Pois certamente os governadores (à exceção do Pará) não vão colaborar muito.
Por último, vale lembrar que neste ano haverá eleições para prefeitos e vereadores, e nas regiões desmatadas esse tema e as ações do governo Federal certamente entrarão na pauta política local, acirrando posições e o “autonomismo” municipal de ter “direito ao desenvolvimento”, como se desmatar fosse progresso e desenvolvimento.
1- Total falta de estrutura humana e material
“ ‘Esse anúncio só mostrou o quanto Brasília desconhece a realidade da Amazônia. É uma espécie de autismo’, afirmou Cláudio Cazal, 29, chefe-substituto do escritório do Ibama em Alta Floresta (2.000 km de Brasília, nota do editor).
...O governo federal anunciou a suspensão de autorizações para desmatamento em 36 municípios da Amazônia Legal... responsáveis por metade do abate de árvores na região.
‘De que adianta bloquear autorizações de desmate em uma região em que a maior parte das derrubadas são feitas sem autorização? Embargo de propriedades já fazemos há muito tempo. O que não temos é estrutura para retornar às áreas para verificar se o embargo está sendo cumprido’, disse Cazal.
O escritório do Ibama de Alta Floresta é responsável pela fiscalização de crimes ambientais em 13 municípios da região norte de Mato Grosso, que somam 92 mil km2.
‘É uma área superior ao território dos Estados do Rio de Janeiro [43,7 mil km2] e do Espírito Santo [46 km2] juntos. Teríamos que ter ao menos 50 servidores para dar retorno a essas medidas de emergência, mas temos só três. E, atualmente, nenhum carro.’
Segundo Cazal, os quatro veículos colocados à disposição do escritório estão quebrados.
...
‘Se precisássemos sair agora, não teríamos condição. Essa é a realidade’, afirmou ele, que está há três anos no Ibama de Alta Floresta e seis meses na função de chefe-substituto.
Tropa de elite
... ‘Quem ouve falar do Ibama logo imagina um Bope [Batalhão de Operações Especiais do Rio de Janeiro, que inspirou o filme "Tropa de Elite'], mas isso é uma ilusão. Os servidores e os recursos estão concentrados onde o problema não existe’, afirmou.
Recentemente, conta Cazal, um carro do Ibama teve um problema mecânico durante uma operação. O local era isolado. Para buscar ajuda, segundo ele, a equipe teve de seguir de carona com caminhões de madeireiras ilegais.
‘É algo inacreditável. É como se a Polícia Federal pedisse ajuda aos traficantes para empurrar um carro’, disse Cazal.
Os fazendeiros e madeireiros da região não temem multas e embargos, segundo Cazal, porque contam com a falta de estrutura da fiscalização. ‘A multa eles protelam e não pagam. O embargo, não respeitam. Eles só temem a perda de bens e também a cadeia. Mas isso nunca acontece’.
Para os servidores, a falta de incentivos para permanecer nas áreas críticas e a ineficácia da estrutura montada para o controle são motivo de descontentamento e frustração.
‘Eu sou biólogo, estudei 15 anos para isso, passei em um concurso difícil. Tudo para vir para esse lugar e ver a floresta ser trocada por camionetes. Temos muito dentro do que é possível, mas a situação está longe de estar sob controle.’”
....
Fonte: Rodrigo Vargas, da Agência Folha, em Alta Floresta, MT, colaborou Matheus Pichonelli, da Agência Folha, 27.01.08, com o Observatório.
2- ''Queremos saber a serviço de quem o Inpe está mentindo''
“.... Apesar de aliado do governo federal, Blairo Maggi (PR), governador de Mato Grosso e um dos maiores produtores de soja do mundo, foi responsabilizado pela ministra Marina Silva, do Meio Ambiente.
Nesta entrevista exclusiva ao Estado, por telefone, Maggi, de 50 anos, no segundo mandato, reage, contestando energicamente os números e lançando uma suspeita sobre o órgão federal: "O Inpe está mentindo a serviço de alguém." Ele ainda chama de "besteira" a suspensão de créditos, uma das medidas adotadas pelo governo federal: "Ninguém pega crédito para desmatar."
A ministra Marina Silva o acusou de não cooperar com o combate ao desmatamento. Como reage?
Recebemos esses dados com muita surpresa. Todos nós sabemos que esses números não são verdadeiros com base no trabalho dos nossos técnicos da Secretaria do Meio Ambiente, que vem promovendo um arrocho nos últimos anos. O Inpe está mentindo a serviço de alguém. Queremos saber a serviço de quem. Falei com a ministra hoje (sexta-feira) pela manhã longamente pelo telefone e mostrei que os números que apresentaram a ela não têm consistência. Sobre os números de outubro a dezembro, ainda não posso dizer quanto é verdadeiro. Mas, dos números de abril a setembro do Deter, verificamos mais ou menos 300 pontos. Já temos os laudos de 113. Desses, em 91 (80,53%), o desmatamento não existiu ou é antigo e deve ter entrado em algum outro momento estatístico. Dentro de 20 a 30 dias terei o restante. Acho muita irresponsabilidade da parte do Inpe lançar para o mundo os números sem checar na realidade do campo o que está acontecendo.
Qual a receptividade da ministra?
A princípio, parece-me que ficou surpresa. Junto com os técnicos da nossa secretaria, também havia pessoal do Ibama. Em todos os pontos em que notamos erros, foi feito um laudo e assinaram o pessoal do Ibama, nossos técnicos e os policiais militares que fazem parte das equipes. Tenho tudo documentado. A mim cabe perguntar se os números de setembro a dezembro também não são errados, mal interpretados, até por má-fé.
..... A ministra Marina saiu do Brasil e defendeu posições de que estamos reduzindo desmatamento. Aí, chega e lança um número desses, sem nenhum critério, sem nada, vira no que virou. No mundo inteiro estão botando a boca, dizendo que o Brasil é irresponsável. Irresponsável é quem bota os dados sem checar no campo. Sou parceiro da ministra, do governo. Tenho feito grande trabalho para reduzir o desmatamento em Mato Grosso. Os setores produtivos do Estado têm criado fundos para devolver as áreas de preservação permanente, assumindo o compromisso de fazer tudo correto.
...
Os municípios problemáticos são esses mesmos que aparecem na lista do governo?
São. Mas desses (19 mato-grossenses, do total de 36), apenas três trabalham fortemente com soja: Querência, Gaúcha do Norte e Nova Maringá. No noroeste do Estado e na região de Colniza, temos problemas muito sérios com grandes assentamentos do Incra. Eles também não respeitam, não fazem licenciamento. O pessoal derruba a floresta para manter a posse. Nem consegue produzir. Há ainda uma área de grilagem muito grande. São invasões. Muita gente vem de Rondônia. São pequenos sitiantes que tiram a tora e vendem para os madeireiros. Já pedi até apoio do Exército para as duas áreas e não consegui até hoje. Quando aperta, todo mundo grita. Quando a gente pede ajuda, que tem que pôr a mão no bolso e trabalhar, todo mundo corre. Devia aproveitar essa confusão e mandar o Exército ficar seis meses acampado na região. Vão ver como reduziria o desmatamento. Só com blablablá a gente não faz nada. Quero que a Amazônia pare de ser desmatada, mas quero também que paremos de fazer carnaval em cima dessas coisas.
No restante, qual é a pressão?
É pecuária.
....
O que acha das medidas adotadas pelo governo, de suspensão de créditos e envio de força-tarefa?
Suspensão de crédito não muda nada porque ninguém pega crédito para isso. Nunca teve crédito para desmatar. Isso é besteira. Enviar agente policial para cá pode ajudar. Mas antes da Polícia Federal, podia ser o Exército, para uma presença preventiva. Tira esse povo lá do Rio de Janeiro, da fronteira da Amazônia, onde está todo mundo coçando o saco, e traz para cá. Falei para a ministra hoje que uma medida boa é identificar na cadeia produtiva de onde está vindo o boi, a soja ou a madeira. Se vem de área desmatada irregularmente, trava na comercialização. Isso funciona bem. Já existe em Mato Grosso moratória feita pelas empresas, que não têm comprado soja de áreas desmatadas (na floresta, após 2006) (o governador refere-se à Moratória da Soja na Amazônia Legal, "decretada" pela Abiove em julho 2006, após campanha do Greenpeace -com outras organizações locais e nacionais - contra o desmatamento da Amazônia para produção de soja, nota do editor).
....
....”
Fonte: Lourival Sant’Anna, jornal Estado de São Paulo, com o Observatório
3-Diretor do Inpe reconhece que números divulgados em outubro estavam errados
Os números divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em outubro sobre o desmatamento na Amazônia estavam errados, segundo apurou o jornal O Estado de São Paulo. Os dados mostravam que a taxa de derrubada da floresta havia aumentado 8% nos meses de junho a setembro em comparação com o mesmo período de 2006 - incluindo um aumento explosivo de 600% dos índices em Rondônia. A área desmatada de fato, porém, foi bem menor do que o divulgado.
"Erramos", disse ao Estado o diretor do Inpe, Gilberto Câmara. Segundo ele, houve uma dupla contagem de áreas desmatadas que já tinham sido detectadas pelo sistema Prodes e foram novamente computadas pelo sistema Deter - os dois programas de monitoramento por satélite da floresta. "Erramos e corrigimos. Os números (divulgados em outubro) não têm mais validade."
Câmara diz que os novos números do Deter, divulgados quarta-feira, estão corretos. O relatório, que traz dados de agosto a dezembro, mostra um crescimento alarmante do desmatamento nos últimos dois meses de 2007. "Os dados foram estritamente checados várias vezes e verificados com todo o cuidado."
Máscara
Segundo Câmara, o erro no relatório anterior foi detectado no final de dezembro, quando a equipe do Inpe fazia a consolidação dos dados do Deter de 2007 e percebeu que os números estavam muito altos. O problema, segundo ele, foi uma falha do software que analisa as imagens dos satélites, seguida de um erro humano por parte dos técnicos, que falharam ao não detectar o erro.
.....
A sobrecarga de trabalho no instituto também teria contribuído para o problema, diz Câmara. Até 2005, os dados consolidados do Prodes levavam um ano para serem preparados e divulgados, o que praticamente impedia o governo de reagir às flutuações do desmatamento em tempo hábil. De lá para cá, os dados passaram a ser compilados em poucos meses após o fim do calendário de desmatamento, que vai de 1º de agosto de um ano a 31 de julho do seguinte. O último relatório do Prodes foi divulgado em dezembro, mostrando queda de quase 60% do desmatamento em relação a 2004. "Entre agosto e novembro, a ênfase do Inpe foi em fazer o Prodes", disse. "A equipe continuou a fazer o Deter, mas não checou os dados com o detalhe que deveria." Segundo ele, o aparato disponível para o monitoramento está aquém do necessário. "Para fazer o que a gente faz, com a equipe que a gente tem, é trabalho de herói."
Fonte: Herton Escobar, Estado de São Paulo, 27.01.08
O olhar fixo de governo e da sociedade 25.01.08
25.01.08
Uma reunião com o presidente da República, mas tudo que foi anunciado como decisão já havia sido divulgado no final do ano passado. Novidade, mesmo, só a lista dos municípios com maior desmatamento nos últimos cinco meses. Nem a divergência entre ministros, sobre as causas, foi novidade. Na Amazônia pelo menos se sabe, mas como anda o desmatamento no Cerrado?
Reunião com o presidente da República reafirma medidas anunciadas no final de 2007
Além de reafirmar o que anunciou ao final de dezembro passado, o resultado da reunião não trouxe novidades para o público. O rol de medidas contém muitas promessas "requentadas", existindo dúvidas se agora serão implementadas. Como ressaltou o diretor da ONG Amigos da Terra- Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, em entrevista para O Globo, "itens como a restrição do financiamento a produtores que devastam e a obrigatoriedade de cadastramento das terras no Incra já estavam previstos em lei, mas não eram cumpridos: — Não me parecem medidas novas. Os bancos oficiais já deviam checar a situação dos produtores com os órgãos ambientais desde 2002".
Vale lembrar, aqui, mais uma vez, que governo e sociedade -brasileira e internacional - ao focalizarem apenas a Floresta Amazônica deixam de enxergar a devastação ambiental que ocorre em seu bioma vizinho, o Cerrado, área preferida de expansão das atividades produtivas ligadas ao agronegócio. Indicadores de desmatamento de 3.500 km2 (ou 7.000, na hipótese mais pessimista apresentada pelo governo) provocam até reunião de emergência na Presidência da República. Enquanto isso, onde ocorreu a reunião, no Cerrado, perde-se historicamente 30.000 km2 de cobertura vegetal natural por ano, nas três últimas décadas, conforme estudos da ONG Conservação Internacional, e nem sequer se faz monitoramento ou, simplesmente, a verificação das autorizações concedidas para desmatamento pelos estados e a soma das respectivas áreas, para ter um total e acompanhar sua evolução ao longo do tempo. Parece que sua biodiversidade e/ou impacto no aquecimento global vale zero (comentário do Editor).
Reunião gera outras reuniões
O presidente Luiz Inácio Lula Silva decidiu, após reunião emergencial com diversos ministros, que fará reunião com prefeitos e governadores desses estados para reforçar as ações de combate aos crimes ambientais. Desde já, no entanto, está proibida qualquer nova autorização de desmatamento nessas localidades, seja por agente público federal ou estadual. As regras serão publicadas em portaria no Diário Oficial, nesta sexta-feira. "O alerta está inteiramente aceso, porque não queremos voltar a uma situação de falta de governança na Amazônia", disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Os 36 municípios da lista - que respondem por 50% do desmatamento total do bioma - deverão obedecer regras mais rígidas de controle, conforme estabelecido em decreto presidencial de dezembro de 2007. A partir de uma Instrução Normativa, que está sendo finalizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Incra, todos os proprietários rurais dessas localidades estarão obrigados a fazer um cadastramento georeferenciado e a demonstrar que possuem a reserva legal e a área de preservação permanente, nos termos previstos na lei.
Stephanes diz que agropecuária não desmatou
Embora a posição do setor não seja nova, o Ministro da Agricultura, Reinolds Stephanes, defendeu os fazendeiros afirmando que a agropecuária não é responsável pelo desmatamento verificado na Amazônia nos últimos cinco meses. O que pode ter surpreendido foi sua colocação na reunião e entrevista coletiva que se seguiu a ela, momentos delicados usados normalmente para mostrar a 'unidade' do governo. Além disso, desconheceu inteiramente os levantamentos estatísticos e estudos divulgados recentemente pelo IBGE, órgão do governo, e pela ONG Amigos da Terra -Amazônia Brasileira (O Reino do Gado, 2008).
O coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, diz que Stephanes não pode garantir que a alta do desmatamento nos últimos cinco meses não está ligada à expansão do cultivo de soja.
Após desmatar e queimar, o fazendeiro cria gado no primeiro ano, planta arroz no segundo, para corrigir o solo, e só leva a soja no terceiro, lembra Adário. Por isso, o governo não pode afirmar com segurança quem foi responsável pelos últimos desmatamentos.
O pacote do governo está atrasado, afirma Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental, e o discurso de Stephanes demonstra uma tentativa do Ministério da Agricultura de se eximir da responsabilidade pelo desmatamento da floresta. A agricultura ainda não vê o desmatamento como um problema, mas como um meio de aumentar a produção. Enquanto o setor não assumir sua responsabilidade, a floresta continuará em risco, conclui Adriana.
Nenhuma novidade
Para Miriam Leitão, colunista de economia do jornal O Globo, nada do que se tratou na reunião presidencial era novidade. "Todo dia, três mil e quinhentos caminhões circulam na Amazônia com madeira ilegal. Mais de dois mil e quinhentos levam toras para as serrarias; pelo menos 900 grandes caminhões saem com madeira serrada para os consumidores em outros estados, principalmente para São Paulo. Nada é secreto, tudo se sabe. As áreas desmatadas viram campo onde já pastam 80 milhões de cabeças.
Tudo se sabe. A notícia que provocou ontem reunião de emergência no Planalto já se sabia. Quando o presidente Lula esteve na ONU comemorando a queda do desmatamento, em setembro, o governo já sabia que a destruição da floresta tinha voltado a subir.
Desde maio do ano passado, a comparação com o mesmo mês do ano anterior mostrava aumento. Em agosto, acendeu a luz amarela, e o governo foi informado.
Agora, o que acendeu foi a luz vermelha", conclui Miriam Leitão.
Recadastramento rural nos municípios
O prazo para este recadastramento está sendo definido e será publicado na próxima semana mas, findo este prazo, o Incra irá inibir o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) na Amazônia para os que não se cadastraram. Isto significa que o proprietário não poderá obter crédito, vender produtos, vender a propriedade, obter notas fiscais e guias de transporte e sequer transferir, por herança, o imóvel que estiver em seu nome.
No caso de o proprietário não cumprir o prazo, o governo está autorizado a fazer o cadastramento à revelia da propriedade rural a fim de inseri-la no sistema.
Além disso, as áreas das fazendas onde registrarem-se os desmatamentos autuados pelo Ibama a partir de janeiro deste ano serão automaticamente embargadas (antes isso era uma prerrogativa do fiscal). Essas áreas serão georeferenciadas e monitoradas permanentemente. Caso seja identificado que o proprietário descumpriu o embargo, isto é, produziu na área embargada, o nome da propriedade será incluída em uma lista a ser publicada no Diário Oficial.
Cadeia produtiva tem co-responsabilidade
Grupos empresariais - como frigoríficos, traders, siderúrgicas, serrarias e espremedores de grãos, entre outros - que comprarem produtos desses estabelecimentos, serão co-responsáveis pelo desmatamento e penalizados pelo dano havido na propriedade. "O decreto de dezembro criou uma co-responsabilização da cadeia produtiva por adquirir um produto ilegal, o que terá um impacto positivo no controle", destaca o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco. A punição dependerá da área embargada e do volume ilegal comprado, mas pode chegar ao fechamento da empresa.
"O objetivo é construir um processo de fiscalização que, paulatinamente, deixe de depender de grandes operações. O que se quer é instalar na Amazônia um processo permanente de controle, com mais ação de inteligência", acrescenta Capobianco.
Ações prometidas
Na reunião convocada pelo presidente Lula, foram definidas outras providências que o governo irá adotar de imediato. Entre elas uma visita às regiões mais problemáticas e o envio de cerca de 800 agentes da Polícia Federal para ações móveis no bioma, a partir do próximo dia 21 de fevereiro. Além disso, o efetivo permanente já existente nos postos regionais será acrescido em 25%.
Outras medidas incluem o fortalecimento do controle da agropecuária, a criação de unidades de conservação ao longo da BR-139, o bloqueio de financiamentos concedidos pelos bancos oficiais para atividades que geram desmatamento, monitoramento mensal com aeronaves de áreas embargadas em municípios críticos e o recadastramento de propriedades rurais pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Ministros detalham cadastramento rural nos municípios que mais desmataram
Os ministros do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e do Meio Ambiente, Marina Silva, detalharam hoje (25) o cadastramento de imóveis rurais nos 36 municípios que apresentaram os maiores índices de desmatamento em 2007. Juntos, esses municípios somam entre 80 e 100 milhões de hectares e abrigam cerca de 80 mil propriedades rurais.
Os proprietários terão de 30 a 60 dias para apresentar ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o cadastramento georeferenciado (medição da propriedade por sistema GPS) e para comprovar que respeitam a reserva legal e a área de preservação permanente.
Quem não estiver em situação regular terá o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) suspenso. Sem o documento, o proprietário não pode pleitear crédito rural, vender a propriedade ou transferir o imóvel por herança.
Pequenos Produtores ficam fora
De acordo com o ministro Guilherme Cassel, os agricultores familiares não serão prejudicados, porque a medida só valerá para áreas superiores a quatro módulos fiscais, o que não inclui as pequenas propriedades.
“Vamos focar a atuação nesses 36 municípios mais problemáticos. Não será fácil, levará tempo: a gente tem que ir lá e ver a realidade”, reconheceu o ministro. Segundo Cassel, o cadastramento será a prioridade, inclusive orçamentária, do Incra nas ações de regularização fundiária na Amazônia. O custo do georeferenciamento de áreas superiores a quatro módulos fiscais cabe aos proprietários, não ao governo.
Na avaliação da ministra Marina Silva, o cadastramento vai separar “o joio do trigo” entre os produtores rurais, sejam grandes ou pequenos. “As pessoas que têm um pensamento estratégico, com responsabilidade em relação à agricultura, que estão fazendo corretamente, não merecem ser penalizados em função daqueles que estão fazendo errado e que comprometem todo o processo”, disse.
De acordo com Cassel, o Ministério do Desenvolvimento Agrário deverá publicar nos próximos dias, no Diário Oficial da União, uma portaria com as normas e a data de início do cadastramento, prevista para 15 de fevereiro.
Prefeitos contestam dados sobre desmatamento na Amazônia
A explicação do primeiro e do terceiro município que aparecem no ranking dos que tiveram mais desmatamento entre agosto e dezembro do ano passado é praticamente a mesma. Para os prefeitos de Marcelândia e Querência, ambos no Mato Grosso, o grande número de áreas queimadas no ano passado pode ter sido confundido com a realização de desmatamentos.
Adalberto Diamante, prefeito de Marcelândia, que foi apontada como a cidade que mais desmatou nos últimos cinco meses de 2007, diz que há um controle intenso da Secretaria Estadual de Meio Ambiente na região e que não houve desmatamento no ano passado. “Tivemos queimadas descontroladas no município, que estão aparecendo nas imagens de satélite como desmatamento”, afirma.
O prefeito diz que irá fazer um levantamento detalhado da situação do município, em parceria com organizações não-governamentais e institutos.
O prefeito de Querência, Fernando Goergen, que ficou em terceiro lugar na colocação, também contesta a informação do Inpe. “Devem ter confundido queimadas de pasto com desmatamentos”, afirma, lembrando que no ano passado houve um grande número de áreas queimadas na cidade. “É uma inverdade o que estão publicando”, diz o prefeito.
Segundo ele, tanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quanto a Secretaria Estadual do Meio Ambiente fazem uma fiscalização bastante rigorosa em relação aos desmatamentos na região. “Qualquer ocorrência de desmatamento é imediatamente denunciada”, alega. O prefeito garante que no município, que tem a economia baseada na agricultura e pecuária, “o meio ambiente e a agricultura vivem em harmonia, desde que seja obedecida a legislação ambiental”.
A prefeita de Alta Floresta (MT), Maria Izaura Alfonso, também discorda da inclusão do município na lista dos mais desmatados. “Não sabemos de derrubadas no nosso município. Estamos nos sentindo injustiçados por esta medida”, afirma. A cidade ficou em 23º lugar no ranking das que mais desmataram ano passado.
Segundo ela, a prefeitura vai fazer uma reunião com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e com o governador do Mato Grosso para definir ações conjuntas. “Vamos fazer um levantamento, ver o que aconteceu. Não podemos ser penalizados dessa maneira, de jeito nenhum”, diz a prefeita.
A grande extensão territorial do município de Altamira (PA) – 159 mil quilômetros quadrados – e a falta de pessoal para combater os desmatamentos são apontadas pelo secretário municipal de gestão do Meio Ambiente e Turismo, Francisco Modesto da Silva, como as causas para que a cidade esteja em 14º lugar na lista das mais desmatadas.
“Temos uma dificuldade muito grande de acompanhar toda a dimensão do município, principalmente na questão do desmatamento”, argumenta o secretário, lembrando que a estrutura municipal é pequena para conter as derrubadas.
Nova "lista suja"?
A lista dos municípios que mais desmatam a floresta amazônica, e que integram a portaria da ministra do Ministério do Meio Ambiente, foi definida a partir de três critérios, estabelecidos em decreto de dezembro de 2007: o total desmatado desde o início do monitoramento, em 1988; o total desmatado nos últimos três anos; e o aumento de taxa de desmatamento em pelo menos três vezes nos últimos cinco anos, de forma consecutiva ou não.
De acordo com a ministra Marina Silva, os infratores da determinação de não desmatar serão incluídos em uma lista, que sairá no Diário Oficial. Ficou claro o que acontecerá com quem deixar de registrar sua propriedade, mas não o que acontecerá com aqueles incluídos nessa lista.
Os municípios campeões do desmatamento na Amazônia (agosto/dezembro 2007)
Segue a lista, em ordem alfabética, dos 36 maiores desmatadores, segundo a portaria ministerial:
1 - Alta Floresta (MT); 2 - Altamira (PA); 3 - Aripuanã (MT); 4 - Brasil Novo (PA); 5 - Brasnorte (MT; 6 - Colniza (MT); 7 - Confresa (MT); 8 - Cotriguaçu (MT); 9 - Cumaru do Norte (PA); 10 - Dom Eliseu (PA); 11 - Gaúcha do Norte (MT); 12 - Juara (MT); 13 - Juína (MT); 14 - Lábrea (AM); 15 - Machadinho D´Oeste (RO);16 - Marcelândia (MT); 17 - Nova Bandeirantes (MT); 18 - Nova Mamoré (RO); 19 - Nova Maringá (MT); 20 - Nova Ubiratã (MT); 21 - Novo Progresso (PA); 22 - Novo Repartimento (PA); 23 - Paragominas (PA); 24 - Paranaíta (MT); 25 - Peixoto de Azevedo (MT); 26 - Pimenta Bueno (RO); 27 - Porto dos Gaúchos (MT); 28 - Porto Velho (RO); 29 - Querência (MT); 30 - Rondon do Pará (PA); 31 - Santa Maria das Barreiras (PA); 32 - Santana do Araguaia (PA); 33 - São Félix do Araguaia (MT); 34 - São Félix do Xingu (PA); 35 - Ulianópolis (PA); 36 - Vila Rica (MT)
Fontes: Observatório, com Assessoria de Imprensa do MMA, Luana Lourenço e Sabrina Craide, repórteres da Agência Brasil, e O Globo.
Uma reunião com o presidente da República, mas tudo que foi anunciado como decisão já havia sido divulgado no final do ano passado. Novidade, mesmo, só a lista dos municípios com maior desmatamento nos últimos cinco meses. Nem a divergência entre ministros, sobre as causas, foi novidade. Na Amazônia pelo menos se sabe, mas como anda o desmatamento no Cerrado?
Reunião com o presidente da República reafirma medidas anunciadas no final de 2007
Além de reafirmar o que anunciou ao final de dezembro passado, o resultado da reunião não trouxe novidades para o público. O rol de medidas contém muitas promessas "requentadas", existindo dúvidas se agora serão implementadas. Como ressaltou o diretor da ONG Amigos da Terra- Amazônia Brasileira, Roberto Smeraldi, em entrevista para O Globo, "itens como a restrição do financiamento a produtores que devastam e a obrigatoriedade de cadastramento das terras no Incra já estavam previstos em lei, mas não eram cumpridos: — Não me parecem medidas novas. Os bancos oficiais já deviam checar a situação dos produtores com os órgãos ambientais desde 2002".
Vale lembrar, aqui, mais uma vez, que governo e sociedade -brasileira e internacional - ao focalizarem apenas a Floresta Amazônica deixam de enxergar a devastação ambiental que ocorre em seu bioma vizinho, o Cerrado, área preferida de expansão das atividades produtivas ligadas ao agronegócio. Indicadores de desmatamento de 3.500 km2 (ou 7.000, na hipótese mais pessimista apresentada pelo governo) provocam até reunião de emergência na Presidência da República. Enquanto isso, onde ocorreu a reunião, no Cerrado, perde-se historicamente 30.000 km2 de cobertura vegetal natural por ano, nas três últimas décadas, conforme estudos da ONG Conservação Internacional, e nem sequer se faz monitoramento ou, simplesmente, a verificação das autorizações concedidas para desmatamento pelos estados e a soma das respectivas áreas, para ter um total e acompanhar sua evolução ao longo do tempo. Parece que sua biodiversidade e/ou impacto no aquecimento global vale zero (comentário do Editor).
Reunião gera outras reuniões
O presidente Luiz Inácio Lula Silva decidiu, após reunião emergencial com diversos ministros, que fará reunião com prefeitos e governadores desses estados para reforçar as ações de combate aos crimes ambientais. Desde já, no entanto, está proibida qualquer nova autorização de desmatamento nessas localidades, seja por agente público federal ou estadual. As regras serão publicadas em portaria no Diário Oficial, nesta sexta-feira. "O alerta está inteiramente aceso, porque não queremos voltar a uma situação de falta de governança na Amazônia", disse a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Os 36 municípios da lista - que respondem por 50% do desmatamento total do bioma - deverão obedecer regras mais rígidas de controle, conforme estabelecido em decreto presidencial de dezembro de 2007. A partir de uma Instrução Normativa, que está sendo finalizada pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Incra, todos os proprietários rurais dessas localidades estarão obrigados a fazer um cadastramento georeferenciado e a demonstrar que possuem a reserva legal e a área de preservação permanente, nos termos previstos na lei.
Stephanes diz que agropecuária não desmatou
Embora a posição do setor não seja nova, o Ministro da Agricultura, Reinolds Stephanes, defendeu os fazendeiros afirmando que a agropecuária não é responsável pelo desmatamento verificado na Amazônia nos últimos cinco meses. O que pode ter surpreendido foi sua colocação na reunião e entrevista coletiva que se seguiu a ela, momentos delicados usados normalmente para mostrar a 'unidade' do governo. Além disso, desconheceu inteiramente os levantamentos estatísticos e estudos divulgados recentemente pelo IBGE, órgão do governo, e pela ONG Amigos da Terra -Amazônia Brasileira (O Reino do Gado, 2008).
O coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, diz que Stephanes não pode garantir que a alta do desmatamento nos últimos cinco meses não está ligada à expansão do cultivo de soja.
Após desmatar e queimar, o fazendeiro cria gado no primeiro ano, planta arroz no segundo, para corrigir o solo, e só leva a soja no terceiro, lembra Adário. Por isso, o governo não pode afirmar com segurança quem foi responsável pelos últimos desmatamentos.
O pacote do governo está atrasado, afirma Adriana Ramos, do Instituto Socioambiental, e o discurso de Stephanes demonstra uma tentativa do Ministério da Agricultura de se eximir da responsabilidade pelo desmatamento da floresta. A agricultura ainda não vê o desmatamento como um problema, mas como um meio de aumentar a produção. Enquanto o setor não assumir sua responsabilidade, a floresta continuará em risco, conclui Adriana.
Nenhuma novidade
Para Miriam Leitão, colunista de economia do jornal O Globo, nada do que se tratou na reunião presidencial era novidade. "Todo dia, três mil e quinhentos caminhões circulam na Amazônia com madeira ilegal. Mais de dois mil e quinhentos levam toras para as serrarias; pelo menos 900 grandes caminhões saem com madeira serrada para os consumidores em outros estados, principalmente para São Paulo. Nada é secreto, tudo se sabe. As áreas desmatadas viram campo onde já pastam 80 milhões de cabeças.
Tudo se sabe. A notícia que provocou ontem reunião de emergência no Planalto já se sabia. Quando o presidente Lula esteve na ONU comemorando a queda do desmatamento, em setembro, o governo já sabia que a destruição da floresta tinha voltado a subir.
Desde maio do ano passado, a comparação com o mesmo mês do ano anterior mostrava aumento. Em agosto, acendeu a luz amarela, e o governo foi informado.
Agora, o que acendeu foi a luz vermelha", conclui Miriam Leitão.
Recadastramento rural nos municípios
O prazo para este recadastramento está sendo definido e será publicado na próxima semana mas, findo este prazo, o Incra irá inibir o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) na Amazônia para os que não se cadastraram. Isto significa que o proprietário não poderá obter crédito, vender produtos, vender a propriedade, obter notas fiscais e guias de transporte e sequer transferir, por herança, o imóvel que estiver em seu nome.
No caso de o proprietário não cumprir o prazo, o governo está autorizado a fazer o cadastramento à revelia da propriedade rural a fim de inseri-la no sistema.
Além disso, as áreas das fazendas onde registrarem-se os desmatamentos autuados pelo Ibama a partir de janeiro deste ano serão automaticamente embargadas (antes isso era uma prerrogativa do fiscal). Essas áreas serão georeferenciadas e monitoradas permanentemente. Caso seja identificado que o proprietário descumpriu o embargo, isto é, produziu na área embargada, o nome da propriedade será incluída em uma lista a ser publicada no Diário Oficial.
Cadeia produtiva tem co-responsabilidade
Grupos empresariais - como frigoríficos, traders, siderúrgicas, serrarias e espremedores de grãos, entre outros - que comprarem produtos desses estabelecimentos, serão co-responsáveis pelo desmatamento e penalizados pelo dano havido na propriedade. "O decreto de dezembro criou uma co-responsabilização da cadeia produtiva por adquirir um produto ilegal, o que terá um impacto positivo no controle", destaca o secretário-executivo do MMA, João Paulo Capobianco. A punição dependerá da área embargada e do volume ilegal comprado, mas pode chegar ao fechamento da empresa.
"O objetivo é construir um processo de fiscalização que, paulatinamente, deixe de depender de grandes operações. O que se quer é instalar na Amazônia um processo permanente de controle, com mais ação de inteligência", acrescenta Capobianco.
Ações prometidas
Na reunião convocada pelo presidente Lula, foram definidas outras providências que o governo irá adotar de imediato. Entre elas uma visita às regiões mais problemáticas e o envio de cerca de 800 agentes da Polícia Federal para ações móveis no bioma, a partir do próximo dia 21 de fevereiro. Além disso, o efetivo permanente já existente nos postos regionais será acrescido em 25%.
Outras medidas incluem o fortalecimento do controle da agropecuária, a criação de unidades de conservação ao longo da BR-139, o bloqueio de financiamentos concedidos pelos bancos oficiais para atividades que geram desmatamento, monitoramento mensal com aeronaves de áreas embargadas em municípios críticos e o recadastramento de propriedades rurais pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Ministros detalham cadastramento rural nos municípios que mais desmataram
Os ministros do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, e do Meio Ambiente, Marina Silva, detalharam hoje (25) o cadastramento de imóveis rurais nos 36 municípios que apresentaram os maiores índices de desmatamento em 2007. Juntos, esses municípios somam entre 80 e 100 milhões de hectares e abrigam cerca de 80 mil propriedades rurais.
Os proprietários terão de 30 a 60 dias para apresentar ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) o cadastramento georeferenciado (medição da propriedade por sistema GPS) e para comprovar que respeitam a reserva legal e a área de preservação permanente.
Quem não estiver em situação regular terá o Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) suspenso. Sem o documento, o proprietário não pode pleitear crédito rural, vender a propriedade ou transferir o imóvel por herança.
Pequenos Produtores ficam fora
De acordo com o ministro Guilherme Cassel, os agricultores familiares não serão prejudicados, porque a medida só valerá para áreas superiores a quatro módulos fiscais, o que não inclui as pequenas propriedades.
“Vamos focar a atuação nesses 36 municípios mais problemáticos. Não será fácil, levará tempo: a gente tem que ir lá e ver a realidade”, reconheceu o ministro. Segundo Cassel, o cadastramento será a prioridade, inclusive orçamentária, do Incra nas ações de regularização fundiária na Amazônia. O custo do georeferenciamento de áreas superiores a quatro módulos fiscais cabe aos proprietários, não ao governo.
Na avaliação da ministra Marina Silva, o cadastramento vai separar “o joio do trigo” entre os produtores rurais, sejam grandes ou pequenos. “As pessoas que têm um pensamento estratégico, com responsabilidade em relação à agricultura, que estão fazendo corretamente, não merecem ser penalizados em função daqueles que estão fazendo errado e que comprometem todo o processo”, disse.
De acordo com Cassel, o Ministério do Desenvolvimento Agrário deverá publicar nos próximos dias, no Diário Oficial da União, uma portaria com as normas e a data de início do cadastramento, prevista para 15 de fevereiro.
Prefeitos contestam dados sobre desmatamento na Amazônia
A explicação do primeiro e do terceiro município que aparecem no ranking dos que tiveram mais desmatamento entre agosto e dezembro do ano passado é praticamente a mesma. Para os prefeitos de Marcelândia e Querência, ambos no Mato Grosso, o grande número de áreas queimadas no ano passado pode ter sido confundido com a realização de desmatamentos.
Adalberto Diamante, prefeito de Marcelândia, que foi apontada como a cidade que mais desmatou nos últimos cinco meses de 2007, diz que há um controle intenso da Secretaria Estadual de Meio Ambiente na região e que não houve desmatamento no ano passado. “Tivemos queimadas descontroladas no município, que estão aparecendo nas imagens de satélite como desmatamento”, afirma.
O prefeito diz que irá fazer um levantamento detalhado da situação do município, em parceria com organizações não-governamentais e institutos.
O prefeito de Querência, Fernando Goergen, que ficou em terceiro lugar na colocação, também contesta a informação do Inpe. “Devem ter confundido queimadas de pasto com desmatamentos”, afirma, lembrando que no ano passado houve um grande número de áreas queimadas na cidade. “É uma inverdade o que estão publicando”, diz o prefeito.
Segundo ele, tanto o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) quanto a Secretaria Estadual do Meio Ambiente fazem uma fiscalização bastante rigorosa em relação aos desmatamentos na região. “Qualquer ocorrência de desmatamento é imediatamente denunciada”, alega. O prefeito garante que no município, que tem a economia baseada na agricultura e pecuária, “o meio ambiente e a agricultura vivem em harmonia, desde que seja obedecida a legislação ambiental”.
A prefeita de Alta Floresta (MT), Maria Izaura Alfonso, também discorda da inclusão do município na lista dos mais desmatados. “Não sabemos de derrubadas no nosso município. Estamos nos sentindo injustiçados por esta medida”, afirma. A cidade ficou em 23º lugar no ranking das que mais desmataram ano passado.
Segundo ela, a prefeitura vai fazer uma reunião com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e com o governador do Mato Grosso para definir ações conjuntas. “Vamos fazer um levantamento, ver o que aconteceu. Não podemos ser penalizados dessa maneira, de jeito nenhum”, diz a prefeita.
A grande extensão territorial do município de Altamira (PA) – 159 mil quilômetros quadrados – e a falta de pessoal para combater os desmatamentos são apontadas pelo secretário municipal de gestão do Meio Ambiente e Turismo, Francisco Modesto da Silva, como as causas para que a cidade esteja em 14º lugar na lista das mais desmatadas.
“Temos uma dificuldade muito grande de acompanhar toda a dimensão do município, principalmente na questão do desmatamento”, argumenta o secretário, lembrando que a estrutura municipal é pequena para conter as derrubadas.
Nova "lista suja"?
A lista dos municípios que mais desmatam a floresta amazônica, e que integram a portaria da ministra do Ministério do Meio Ambiente, foi definida a partir de três critérios, estabelecidos em decreto de dezembro de 2007: o total desmatado desde o início do monitoramento, em 1988; o total desmatado nos últimos três anos; e o aumento de taxa de desmatamento em pelo menos três vezes nos últimos cinco anos, de forma consecutiva ou não.
De acordo com a ministra Marina Silva, os infratores da determinação de não desmatar serão incluídos em uma lista, que sairá no Diário Oficial. Ficou claro o que acontecerá com quem deixar de registrar sua propriedade, mas não o que acontecerá com aqueles incluídos nessa lista.
Os municípios campeões do desmatamento na Amazônia (agosto/dezembro 2007)
Segue a lista, em ordem alfabética, dos 36 maiores desmatadores, segundo a portaria ministerial:
1 - Alta Floresta (MT); 2 - Altamira (PA); 3 - Aripuanã (MT); 4 - Brasil Novo (PA); 5 - Brasnorte (MT; 6 - Colniza (MT); 7 - Confresa (MT); 8 - Cotriguaçu (MT); 9 - Cumaru do Norte (PA); 10 - Dom Eliseu (PA); 11 - Gaúcha do Norte (MT); 12 - Juara (MT); 13 - Juína (MT); 14 - Lábrea (AM); 15 - Machadinho D´Oeste (RO);16 - Marcelândia (MT); 17 - Nova Bandeirantes (MT); 18 - Nova Mamoré (RO); 19 - Nova Maringá (MT); 20 - Nova Ubiratã (MT); 21 - Novo Progresso (PA); 22 - Novo Repartimento (PA); 23 - Paragominas (PA); 24 - Paranaíta (MT); 25 - Peixoto de Azevedo (MT); 26 - Pimenta Bueno (RO); 27 - Porto dos Gaúchos (MT); 28 - Porto Velho (RO); 29 - Querência (MT); 30 - Rondon do Pará (PA); 31 - Santa Maria das Barreiras (PA); 32 - Santana do Araguaia (PA); 33 - São Félix do Araguaia (MT); 34 - São Félix do Xingu (PA); 35 - Ulianópolis (PA); 36 - Vila Rica (MT)
Fontes: Observatório, com Assessoria de Imprensa do MMA, Luana Lourenço e Sabrina Craide, repórteres da Agência Brasil, e O Globo.
e quem ainda acredita no FMI? Comentário do editor, 25.01.08
25.01.08
Comentário do Editor: e quem ainda acredita no FMI? Quem pode acreditar nas previsões dos economistas dos grandes conglomerados financeiros, internacionais ou nacionais, que foram pegos de "calças nas mãos” pela crise dos empréstimos hipotecários dos quais, na maior parte, eles eram co-responsáveis pela análise de risco? Palpites é o que mais se vê na mídia, nesse momento, cada entrevistado reforçando sua perspectiva ou seus desejos, neste caso principalmente se há interesses concretos envolvidos. O que se vê, de um lado, são lentes cor-de-rosa para que os investidores não saiam correndo para vender suas ações, ao declararem que as vendas das empresas e traders continuarão crescendo (em um ambiente de depressão econômica que atinge, pelo menos, a maior economia mundial). Por outro lado (e são muitos os lados, preparem-se...), a inércia dos grandes volumes (de commodities agrícolas transacionadas em curto e médio prazos) mantém as tendências de preços, já que a oferta não tem dado conta das demandas já colocadas e os estoques reguladores estão abaixo do volume histórico. Com a reversão das expectativas de crescimento econômico, a poeira baixando e permitindo uma avaliação concreta da reação dos consumidores (pessoas e empresas) frente às medidas tomadas pelos governos -e se o mercado interno dos países ditos emergentes serão suficientes para manter suas taxas de crescimento - é provável que no começo do segundo trimestre do ano já seja possível enxergar melhor se haverá alguma inflexão de demanda e, por conseqüência, dos preços, nas commodities agrícolas, agora também ligadas à demanda energética. Mais um lado da questão é como os preços desses produtos têm sido influenciados pela especulação, na Bolsa de Chicago, dos fundos de pensão e de investimentos, e como a recessão irá repercutir no comportamento e na capacidade financeira desses fundos. Por conseqüência, se há espaço para queda nos preços das commodities a partir desse fator de influência.
Comentário do Editor: e quem ainda acredita no FMI? Quem pode acreditar nas previsões dos economistas dos grandes conglomerados financeiros, internacionais ou nacionais, que foram pegos de "calças nas mãos” pela crise dos empréstimos hipotecários dos quais, na maior parte, eles eram co-responsáveis pela análise de risco? Palpites é o que mais se vê na mídia, nesse momento, cada entrevistado reforçando sua perspectiva ou seus desejos, neste caso principalmente se há interesses concretos envolvidos. O que se vê, de um lado, são lentes cor-de-rosa para que os investidores não saiam correndo para vender suas ações, ao declararem que as vendas das empresas e traders continuarão crescendo (em um ambiente de depressão econômica que atinge, pelo menos, a maior economia mundial). Por outro lado (e são muitos os lados, preparem-se...), a inércia dos grandes volumes (de commodities agrícolas transacionadas em curto e médio prazos) mantém as tendências de preços, já que a oferta não tem dado conta das demandas já colocadas e os estoques reguladores estão abaixo do volume histórico. Com a reversão das expectativas de crescimento econômico, a poeira baixando e permitindo uma avaliação concreta da reação dos consumidores (pessoas e empresas) frente às medidas tomadas pelos governos -e se o mercado interno dos países ditos emergentes serão suficientes para manter suas taxas de crescimento - é provável que no começo do segundo trimestre do ano já seja possível enxergar melhor se haverá alguma inflexão de demanda e, por conseqüência, dos preços, nas commodities agrícolas, agora também ligadas à demanda energética. Mais um lado da questão é como os preços desses produtos têm sido influenciados pela especulação, na Bolsa de Chicago, dos fundos de pensão e de investimentos, e como a recessão irá repercutir no comportamento e na capacidade financeira desses fundos. Por conseqüência, se há espaço para queda nos preços das commodities a partir desse fator de influência.
FMI descarta recessão nos Estados Unidos 25.01.08
25.01.08
O FMI (Fundo Monetário Internacional) previu ontem que os Estados Unidos não entrarão em recessão, apesar da recente turbulência nos mercados financeiros, devido aos elevados lucros das empresas e às medidas de estímulo monetário e fiscal previstas.
"Nós ainda prevemos um período de crescimento abaixo do potencial como o cenário mais provável", afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do FMI, Masood Ahmed.
Ele reiterou o apoio do organismo ao corte dos juros adotado na terça-feira pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano), em resposta a uma queda generalizada das Bolsas em todo o mundo devido ao medo de uma recessão nos Estados Unidos.
O porta-voz também apoiou o plano de medidas fiscais no valor de US$ 150 bilhões sobre o qual o Congresso e a Casa Branca chegaram ontem a um princípio de acordo.
Ahmed indicou que o FMI ainda acredita que a "sustentabilidade fiscal é uma questão-chave" para o país e pediu reiteradamente aos EUA que reduzam seu déficit fiscal.
Fonte: Folha Online, 25.01.08
O FMI (Fundo Monetário Internacional) previu ontem que os Estados Unidos não entrarão em recessão, apesar da recente turbulência nos mercados financeiros, devido aos elevados lucros das empresas e às medidas de estímulo monetário e fiscal previstas.
"Nós ainda prevemos um período de crescimento abaixo do potencial como o cenário mais provável", afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do FMI, Masood Ahmed.
Ele reiterou o apoio do organismo ao corte dos juros adotado na terça-feira pelo Fed (Federal Reserve, banco central americano), em resposta a uma queda generalizada das Bolsas em todo o mundo devido ao medo de uma recessão nos Estados Unidos.
O porta-voz também apoiou o plano de medidas fiscais no valor de US$ 150 bilhões sobre o qual o Congresso e a Casa Branca chegaram ontem a um princípio de acordo.
Ahmed indicou que o FMI ainda acredita que a "sustentabilidade fiscal é uma questão-chave" para o país e pediu reiteradamente aos EUA que reduzam seu déficit fiscal.
Fonte: Folha Online, 25.01.08
Em Davos, poucos acreditam na tese do "descolamento" 25.01.08
25.01.08
Edição vespertina
"A maioria dos analistas acha que emergentes terão perdas fortes com crise dos ricos. Presidente da Petrobras e economista americano, mais otimistas, são vozes dissonantes nas previsões de contaminação da AL”, é o que sumarizou Clóvis Rossi, enviado especial da FSP a Davos, na sua coluna de ontem (24).
A aposta de que os mercados emergentes se descolaram do mundo rico e, portanto, não seriam afetados pela crise nos Estados Unidos ganhou um enterro de luxo no encontro 2008 do Fórum Econômico Mundial, mas recebeu apoio de um economista de peso, chamado Fred Bergsten (ex-Instituto para a Economia Internacional, onde nasceu o chamado "Consenso de Washington", hoje no Instituto Peterson para a Economia Internacional).
Bergsten acha que... o que pode acontecer é um casamento ao revés. "O resto do mundo é que vai impulsionar os Estados Unidos e evitar o pior", aposta o economista.
Ninguém comprou sua teoria, ao menos não em público. Nem a versão mais branda, a do mero descolamento.
"Falar em descolamento é excessivo", diz, por exemplo, James Wolfensohn, do alto da experiência de presidente do Banco Mundial durante dez anos, até que, em 2005, preferiu criar sua própria empresa.
Até representantes da China, em tese o país que puxaria a economia global em lugar dos EUA, rejeitam o descolamento.
"A China depende tremendamente da demanda externa. As exportações respondem por 8,6% de nossa economia", diz Yu Yongding, diretor do Instituto de Política e Economia Mundial da Academia de Ciências da China.”
“Nouriel Roubini, outro eterno pessimista, - relata Rossi – prefere dizer que, em vez de descolamento, o que está havendo é uma maior dependência da Ásia (e, portanto, da China e da Índia) do mercado norte-americano. Cita até estudo do Banco de Desenvolvimento da Ásia, que revela maior dependência do que ‘há cinco ou dez anos’”.
“Para não deixar Bergsten falando sozinho, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, diz: "Sou partidário do descolamento, sim. Está havendo uma superestimação de movimentos de curto prazo".
Edição vespertina
"A maioria dos analistas acha que emergentes terão perdas fortes com crise dos ricos. Presidente da Petrobras e economista americano, mais otimistas, são vozes dissonantes nas previsões de contaminação da AL”, é o que sumarizou Clóvis Rossi, enviado especial da FSP a Davos, na sua coluna de ontem (24).
A aposta de que os mercados emergentes se descolaram do mundo rico e, portanto, não seriam afetados pela crise nos Estados Unidos ganhou um enterro de luxo no encontro 2008 do Fórum Econômico Mundial, mas recebeu apoio de um economista de peso, chamado Fred Bergsten (ex-Instituto para a Economia Internacional, onde nasceu o chamado "Consenso de Washington", hoje no Instituto Peterson para a Economia Internacional).
Bergsten acha que... o que pode acontecer é um casamento ao revés. "O resto do mundo é que vai impulsionar os Estados Unidos e evitar o pior", aposta o economista.
Ninguém comprou sua teoria, ao menos não em público. Nem a versão mais branda, a do mero descolamento.
"Falar em descolamento é excessivo", diz, por exemplo, James Wolfensohn, do alto da experiência de presidente do Banco Mundial durante dez anos, até que, em 2005, preferiu criar sua própria empresa.
Até representantes da China, em tese o país que puxaria a economia global em lugar dos EUA, rejeitam o descolamento.
"A China depende tremendamente da demanda externa. As exportações respondem por 8,6% de nossa economia", diz Yu Yongding, diretor do Instituto de Política e Economia Mundial da Academia de Ciências da China.”
“Nouriel Roubini, outro eterno pessimista, - relata Rossi – prefere dizer que, em vez de descolamento, o que está havendo é uma maior dependência da Ásia (e, portanto, da China e da Índia) do mercado norte-americano. Cita até estudo do Banco de Desenvolvimento da Ásia, que revela maior dependência do que ‘há cinco ou dez anos’”.
“Para não deixar Bergsten falando sozinho, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, diz: "Sou partidário do descolamento, sim. Está havendo uma superestimação de movimentos de curto prazo".
E as commodities nisso tudo? 25.01.08
25.01.08
A coluna “Vaivém das commodities” da Folha de São Paulo, relatou ontem (24), que as commodities agrícolas não conseguiram se descolar da especulacão financeira, no dia 23, quarta-feira, e sua volatilidade nessa crise, com a soja e o milho fechando suas cotações na Bolsa de Chicago no limite máximo de queda, na altura de 4% de perda no valor, quando as negociações do produto são automaticamente suspensas.
Os fundos de investimento tendem a vender os contratos agrícolas para cobrirem prejuízos nos mercados de ações, relatou Steve Cachia, analista de commodities da Cerealpar, à coluna da FSP. Segundo ele, a desaceleração da economia norte-americana e uma eventual mudança na demanda mundial de alimentos poderiam colocar os preços das commodities agrícolas em risco.
Montanha Russa
Hoje, relata a coluna da Folha que, como ontem (24) houve “ganhos nos mercados de ações, as commodities agrícolas não ficaram de fora. Na Bolsa de Chicago, ontem, vários vencimentos da soja fecharam no limite máximo de alta. O primeiro contrato da oleaginosa, de março/08, teve valorização de 3,45%. Já o milho, que também fechou no limite de alta, teve recuperação de 4,26%."
Para o analista Anderson Galvão, da consultoria Céleres, ainda de acordo com a “Vaivém”, os mercados são interligados. "Momentos de ganho num determinado mercado [como o d
A coluna “Vaivém das commodities” da Folha de São Paulo, relatou ontem (24), que as commodities agrícolas não conseguiram se descolar da especulacão financeira, no dia 23, quarta-feira, e sua volatilidade nessa crise, com a soja e o milho fechando suas cotações na Bolsa de Chicago no limite máximo de queda, na altura de 4% de perda no valor, quando as negociações do produto são automaticamente suspensas.
Os fundos de investimento tendem a vender os contratos agrícolas para cobrirem prejuízos nos mercados de ações, relatou Steve Cachia, analista de commodities da Cerealpar, à coluna da FSP. Segundo ele, a desaceleração da economia norte-americana e uma eventual mudança na demanda mundial de alimentos poderiam colocar os preços das commodities agrícolas em risco.
Montanha Russa
Hoje, relata a coluna da Folha que, como ontem (24) houve “ganhos nos mercados de ações, as commodities agrícolas não ficaram de fora. Na Bolsa de Chicago, ontem, vários vencimentos da soja fecharam no limite máximo de alta. O primeiro contrato da oleaginosa, de março/08, teve valorização de 3,45%. Já o milho, que também fechou no limite de alta, teve recuperação de 4,26%."
Para o analista Anderson Galvão, da consultoria Céleres, ainda de acordo com a “Vaivém”, os mercados são interligados. "Momentos de ganho num determinado mercado [como o d