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Irregularidades no trabalho continuam a existir em canaviais do Estado de São Paulo 30.06.08
Quatorze empresas fornecedoras de cana-de-açúcar foram autuadas por fiscais de trabalho nesta semana, durante uma ação realizada na região de Piracicaba (152 km da São Paulo). De acordo com a assessoria de imprensa da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo (STRE-SP), 58 autos de infração foram emitidos. Desses, 41 foram por problemas ligados à segurança e saúde dos trabalhadores e outros 17 por descumprimento da legislação trabalhista.
Roberto Martins de Figueiredo, coordenador do Grupo Rural, responsável pela ação, disse que foram encontrados problemas de falta de sanitários para os funcionários, equipamentos de proteção e precariedade no transporte oferecido pelas empresas. “O pior que encontramos foi um ônibus, sem nenhum documento e com o pneu ruim, que servia para o deslocamento dos trabalhadores”, disse ele, em entrevista à Agência Brasil.
O veículo foi interditado pela fiscalização e só será liberado após regularização.
Ainda de acordo com Figueiredo, problemas de excesso de jornada e de terceirização irregular de funcionários também foram verificados. As empresas autuadas por esses motivos foram obrigadas a reduzir a carga de trabalho de seus funcionários ou contratar quem estava trabalhando como prestador de serviços.
Só nesta ação, 35 funcionários acabaram registrados e 135 terceirizados foram contratados.
Segundo a STRE-SP, esta foi a quarta ação de fiscalização de empresas do setor sucroalcooleiro realizada neste ano. Figueiredo, do Grupo Rural, disse que o número de autuações deste ano é menor do que o de anos anteriores. “Na área de saúde e segurança, principalmente, as coisas têm melhorado muito.”
40 cortadores de cana vieram do Piauí
Segundo Jurandir Duarte Macedo, trabalhador piauiense, é muito duro o tratamento dispensado a ele e seus companheiros de extenuantes jornadas de trabalho. "Ele nos chama de peão "barrela", de burro e cavalo, e ameaça demitir. Eles humilham a gente. Sou trabalhador e pai de família e não mereço ser tratado desse jeito", reclama Jurandir, que usa um engenhoso gancho de madeira para cortar as ponteiras da cana. "Eles só trocam a bota quando já está aparecendo o dedo", denuncia o trabalhador, que veio do Piauí com outros quarenta trabalhadores para fazer a safra.
O trabalho degradante começa no transporte em ônibus sem segurança (um deles foi interditado), continua durante o trabalho de corte, com ausência de sanitários, mesas, cadeiras e equipamentos adequados, sob controle de fiscais que humilham e assediam trabalhadores, com baixa remuneração, e culmina em alojamentos sem condições de higiene e conforto.
Treze trabalhadores dessa turma estão alojados em um barraco no bairro Tabela, de Charqueada, espremidos em três quartos com forro de plástico e dividem um só banheiro. A casa não tem acabamento e esse alojamento, assim como outros três que foram visitados, não possui armários para comidas ou roupas, que ficam espalhadas pelos poucos móveis e pelo chão.
A remuneração ficam entre R$ 500,00 e R$ 600,00, e ainda pagam aluguel e outras despesas. "Não é possível, o preço da cana não está compensando, não tem condição", reclamou também o proprietário da lavoura.
Fontes: Vinicius Konchinski, repórter da Agência Brasil, com informações da Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região
Primeiro trimestre registra queda no abate de gado e aumento no de frango 30.06.08
O Brasil abateu menos cabeças de bovinos e mais frangos e suínos nos três primeiros meses deste ano. Os dados fazem parte da Pesquisa Trimestral do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, divulgada sexta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O abate de bovinos diminuiu em 10,1% nos primeiros três meses do ano, comparado a igual período de 2007. De janeiro a março foram abatidas 7,155 milhões de cabeças bovinas.
De acordo com o gerente de Pecuária do IBGE, Octávio Costa de Oliveira, a diminuição é devida à escassez de bois gordos, causada pela falta de investimentos, em anos anteriores, em matrizes.
“Os pecuaristas argumentam que os criadores não vinham tendo uma boa rentabilidade nos últimos anos e estavam desestimulados porque o preço não estava compensando. Então, eles fizeram o abate de fêmeas, o que se refletiu na dificuldade de repor o rebanho.
Mesmo com a diminuição recente no rebanho bovino, em uma série histórica mais ampla é possível constatar que o Brasil avançou em 80% no abate mensal nos últimos dez anos, passando de 1,285 milhão de cabeças abatidas em março de 1998, para 2,314 milhões de cabeças em março deste ano.
Já o número de frangos abatidos demonstrou um forte crescimento no primeiro trimestre deste ano, com alta de 12,2% contra o mesmo período de 2007, com 1,184 bilhão abatido no total do período. Na série histórica, também a produção de aves mensal passou por alta expressiva nos últimos dez anos no país, saltando de 181,6 milhões em março de 1998 para 384,5 milhões no mesmo mês deste ano, numa alta de 111%, mais do que o dobro.
Também houve crescimento alto no abate mensal de suínos, que aumentou 80% em uma década, saindo de 1,066 milhão, em março de 1998, para 2,258 milhões no mesmo mês deste ano. No primeiro trimestre de 2008, a produção suína cresceu 2,7% em relação a igual período do ano passado, totalizando 6,824 milhões de cabeças abatidas.
Fonte: Vladimir Platonow, repórter da Agência Brasil
Governo vai lançar linha de crédito ambiental para madeireiros e pecuaristas 27.06.08
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, anunciou ontem (26), que o governo vai lançar uma linha de crédito para modernizar as cadeias produtivas da pecuária, soja, madeira e mineração, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O projeto chamado "Empresa Âncora" terá capacidade de financiamento de 100% do empreendimento com taxa anual de juros de 7,15%. O assunto foi definido durante uma reunião na manhã de hoje com o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
De acordo com Minc, a linha poderá ser utilizada por grandes frigoríficos ou madeireiras, por exemplo, que repassarão os recursos aos pequenos fornecedores de sua cadeia produtiva, que geralmente têm mais dificuldade de cumprirem a legislação ambiental, para que se modernizem.
Segundo o ministro, ao mesmo tempo, estarão sendo assinados acordos com as grandes companhias desses setores que passam a ser co-responsáveis pelos crimes ambientais praticados por seus fornecedores.
“Com isso vamos ganhar muito mais do que botar um policial florestal ou fiscal do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] atrás de cada um. As próprias cadeias produtivas vão colocar na linha seus fornecedores. Com uma mão a gente bate duro e, com a outra, o BNDES dá o oxigênio para que eles cumpram tudo o que a gente está exigindo”, afirmou.
Projetos "sustentáveis"
Outro assunto discutido durante a reunião foi a assinatura de um acordo com os bancos públicos e privados do país para que só financiem projetos sustentáveis, garantindo condições de crédito mais favoráveis para projetos de tecnologia limpa, que provoquem menos impactos ao meio ambiente.
O último ponto acordado entre Minc e Coutinho diz respeito à criação de uma linha de financiamento para que os órgãos ambientais estaduais se modernizem e possam dar agilidade à fiscalização e os processos de licenciamento. O ministro informou que essa linha depende apenas da liberação do Conselho Monetário Nacional (CMN).
“Será um grande avanço para destravar o licenciamento ambiental e a fiscalização em vários estados do país”, destacou.
Fonte: Thaís Leitão, repórter da Agência Brasil
Menos de 6% dos laticínios mineiros trata seus efluentes líquidos 27.06.08
O projeto Minas Ambiente mapeou cerca de 1,3 mil laticínios e cooperativas leiteiras em Minas Gerais, constatando que apenas 69 possuem sistema de tratamento de efluentes líquidos. Outras 21 agroindústrias estão em fase de implantação, segundo dados da Câmara Temática de Indústria, Mineração e Infra-Estrutura do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam).
O projeto abrange laticínios independentes com capacidade de recepção de 60 mil litros de leite por dia e cooperativas com captação diária de até 100 mil litros diários. Segundo a gerente de Desenvolvimento e Apoio Técnico às Atividades Industriais da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Liliana Nappi Mateus, no início da ação esperava-se a adesão de 1.253 empresas, mas apenas 133 se interessaram.
Desse montante, 125 finalizaram o processo de licenciamento, 93 continuaram com o trabalho de licenciamento e outras 40 empresas tiveram o pedido indeferido.
Segundo reportagem de Rodrigo Moinhos, do Diário do Comércio/MG, o grande gargalo são os prazos. A Feam dá um prazo de 12 meses, podendo ser prorrogado em 18 ou 24 meses. "Caso a empresa não cumpra as formalidades, poderá ser autuada ou ter as atividades suspensas, coisa que acontece pouco, pois a Justiça favorece as empresas", minimizou Liliana.
No momento, cerca de 13 empresas poderão serem multadas ou terem as atividades suspensas.
Fonte: Diário do Comércio/MG, com Milkpoint
Anvisa proíbe Danone de veicular propaganda de iogurte Activia 27.06.08
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou hoje (27) a suspensão das propagandas do iogurte Activia, da Danone, em todo território nacional.
De acordo com a Resolução n.º 2.125, publicada no Diário Oficial da União, a agência considera que a empresa tem sugerido, por meio das afirmações veiculadas, a ingestão do produto como tratamento para o funcionamento intestinal irregular (constipação intestinal).
O texto trata a atitude como uma “medida de interesse sanitário”.
Fonte: Agência Brasil
Mais três abatedouros vendiam muita água no frango 27.06.08
Três abatedouros de aves, dois de Minas Gerais e um de São Paulo, foram impedidos ontem (26) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) de comercializar sua produção de frango congelado. De acordo com nota, a decisão foi tomada depois que o ministério recebeu uma denúncia do Procon do Espírito Santo, acusando as empresas de colocar frango congelado com excesso de água no mercado capixaba.
As empresas Avivar Alimentos S.A. e Real Alimentos Ltda (MG) e Vigor Alimentos Ltda (SP) vão ter seus abatedouros submetidos ao regime especial de fiscalização pelo Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), até que fique constatado que as empresas estão produzindo de acordo com as especificações legais. A legislação permite a presença de no máximo 6% de água na carcaça do frango congelado.
Comentário do editor: como o Observatório vem noticiando, vender água a preço de frango tem sido um grande negócio para o setor, que só no ano passado faturou quase 500 mil toneladas de água -legalmente admitidas pelo Mapa - nos frangos vendidos. E ainda tem esses abatedouros que exageram, chegando a mais de 25% de água, enquanto o Mapa permite 6% e "tolera" mais 1 % de "erro", e quando aparece alguma reclamação de consumidores acabam sendo punidos. Mas ninguém devolve o dinheiro aos consumidores lesados.
Além de não poder escoar a produção, os abatedouros deverão revisar e apresentar ao Dipoa os programas de prevenção e controle de adição de água aos produtos. As empresas também vão ter que informar a causa do descontrole que levou ao excesso de água no produto.
Ainda de acordo com a nota, o Mapa também vai verificar se há indícios de fraude, para que sejam tomadas as sanções cabíveis, e qual a responsabilidade dos funcionários do Serviço de Inspeção Federal (SIF), que atuam nas empresas. A investigação será encaminhada ao Ministério Público, que poderá aplicar multa às empresas, de acordo com o possível lucro que obtiveram com a suposta fraude.
Fonte: Ana Luiza Zenker, repórter da Agência Brasil, com o Observatório
Sadia amplia produção em SC para mercado externo 27.06.08
A Sadia escolheu a cidade de Mafra para ser a sede de sua terceira unidade de produção em Santa Catarina. Localizado no Planalto Norte, a 310 quilômetros de Florianópolis, o município vai receber a construção de um abatedouro de suínos. O empreendimento abrange também uma fábrica de rações e granjas de produção integrada. O investimento total, que deverá ser feito até 2010, é da ordem de R$ 650 milhões, dos quais R$ 400 milhões próprios e R$ 250 milhões de terceiros.
Com 35 mil metros quadrados de área construída, a unidade de Mafra terá capacidade para abater 5 mil suínos/dia e deverá gerar uma receita anual adicional à empresa da ordem de R$ 500 milhões quando estiver operando em sua plena capacidade. Já a fábrica de rações deverá produzir 60 mil toneladas/mês. Em relação à geração de empregos, serão criados 1,2 mil novos postos de trabalho diretos e 4,5 mil indiretos. O projeto prevê a implantação de um sistema de integração com 540 suinocultores, entre unidades produtoras de leitão e unidades de terminação.
A previsão é a de que 90% da produção do novo abatedouro seja destinada ao mercado externo. No ano passado, o Comitê Internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) reconheceu Santa Catarina como zona livre de febre aftosa sem vacinação, status até então inédito no País, abrindo a possibilidade da carne suína produzida no Estado ganhar novos e importantes mercados.
O projeto faz parte do plano da Sadia de expandir a capacidade produtiva da companhia no Brasil e no exterior por meio do investimento na ampliação de unidades já existentes e na construção de novas plantas. “Estamos investindo em greenfields e em projetos inovadores com o intuito de manter a companhia na vanguarda da competitividade e de crescer”, salienta Gilberto Tomazoni, diretor presidente da Sadia.
Segundo a empresa, a escolha de Mafra deveu-se, sobretudo, à infra-estrutura de produção e à localização estratégica da cidade, que fica próxima dos portos de Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e São Francisco do Sul (SC).
Fonte: Suinocultura Industrial
Produção de leite e ovos cresce no 1º trimestre 27.06.08
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou hoje (27) as pesquisas do Abate de Animais, do Leite, do Couro e da Produção de Ovos de Galinha, referentes ao primeiro trimestre deste ano. Segundo a pesquisa do IBGE, foram adquiridos 4,893 bilhões de litros de leite pelas indústrias no 1º trimestre deste ano, indicando um aumento de captação de 9,2% ante o mesmo período de 2007, e queda de 1,1% com relação ao 4º trimestre do ano passado.
O volume de leite industrializado no 1º trimestre foi de 4,880 bilhões de litros, que representa um aumento de 9,3%, em relação ao 1º trimestre de 2007, e queda de 0,9% frente ao 4º trimestre de 2007. Segundo o IBGE, "os preços reais ao produtor estiveram favoráveis durante o ano de 2007 frente a 2006, estimulando a produção de leite".
Produção de ovos
No 1º trimestre de 2008, foram produzidas 570,5 milhões de dúzias de ovos de galinha pelas unidades produtoras com efetivos acima de 10.000 galinhas poedeiras, seja de ovos para incubação e produção de matrizes ou ovos para consumo, segundo mostra pesquisa do IBGE.
Ao comparar o volume de produção no 1º trimestre com o obtido no mesmo período de 2007 verificou-se aumento de produção de 8,2%. Já com relação ao 4º trimestre de 2007, houve aumento de 2,6% da produção. "Estes aumentos estão relacionados em parte com o aumento da produção de frangos de corte, cujo abate tem crescido continuamente nos últimos trimestres", segundo o documento de divulgação da pesquisa.
Fonte: Jacqueline Farid - Agência Estado, com o Observatório
CNA critica apreensões de gado feitas pelo Ministério do Meio Ambiente na Amazônia 26.06.08
O presidente do Fórum
Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e
Pecuária do Brasil (CNA), Antenor Nogueira, disse ontem (25), que a
forma como o Ministério do Meio Ambiente fez as apreensões de
cabeças de gado, pode ter envolvido pecuaristas que não estão em
condições irregulares, na região amazônica.
Nogueira informou que a CNA não é a favor de produtores ilegais,
mas acha que deve haver mais conversa e menos exposição. "Não damos
as mãos a um produtor que esteja ilegal na condição dele. Se ele
está ilegal, tem que ser punido., mas acho também que precisava
conversar. Eu acho que esse tipo de sensacionalismo não leva a
nada", afirmou.
O representante da entidade acredita que, em alguns casos, não foi
o pecuarista quem desmatou. O crime contra o meio ambiente teria
ocorrido antes de sua chegada. "Nós temos que sentar e conversar. A
CNA está disposta a conversar", disse.
As declarações foram feitas por Antenor Nogueira no intervalo da
reunião da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina, a
qual também preside, no Ministério da Agricultura.
Quanto ao aumento do preço interno da carne bovina, Nogueira disse
que pode causar redução nas exportações, mas outros fatores têm
mais impacto sobre as vendas, como a "dificuldade de se cumprir a
rastreabilidade".
Na reunião de hoje, ficou decidida a criação de dois grupos de
trabalho na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Carne Bovina.
Um, para avaliar o Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia
Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), e outro, para verificar
o padrão de fabricação da vacina contra a febre aftosa na América
do Sul.
Fonte: Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil
Maior inserção internacional favoreceu crescimento das grandes indústrias 26.06.08
Indústrias com mais de mil empregados responderam por mais da metade da produção
A participação das grandes indústrias com mil pessoas ocupadas ou mais na produção do setor passou de 48,7% em 1996 para 60% em 2006. O maior salto ocorreu no período de 2000 a 2006, como mostra a Pesquisa Industrial Mensal – Empresa (PIA-Empresa), divulgada ontem (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2000, o valor da transformação industrial para essa parcela das empresas havia aumentado para 53,8%.
Entre os fatores que propiciaram o crescimento dessas indústrias, a economista Isabela Nunes,gerente do Grupo de Análises do IBGE, destacou a maior inserção no mercado internacional e a valorização das commodities, que são produtos básicos agrícolas e industriais comercializados no mercado exterior. “Porque as grandes empresas todas têm uma perna de exportação de commodities, seja siderúrgica, seja petróleo, minério de ferro, celulose”.
Falando à Agência Brasil, Isabela Nunes esclareceu que de 1996 a 2000, todas as empresas industriais, inclusive as maiores dentre as maiores, se reestruturavam, fazendo ajustes mais finos. “A partir de 2000, quando o cenário macroeconômico melhorou, foram elas que tiveram mais condições de crescer”. Ela ressaltou que o “período virtuoso” foi de 2000 até 2006. “Foi a partir desse período que as empresas grandes conseguiram dar esse salto”.
Para Isabela Nunes, o que está por trás desse movimento “é um desempenho exportador muito favorável e uma situação de acumulação interna [de capital] maior do que das outras empresas”, o que significa que elas tinham mais condições e souberam aproveitar melhor o momento. “É uma conjugação de fatores”.
Nos dez anos analisados pela pesquisa, as grandes indústrias não só aumentaram de tamanho, mas ampliaram o número de empregos, assim como aumentaram a produtividade. Nesse período, a velocidade de crescimento do emprego das grandes empresas foi de 42,7% e a velocidade de crescimento do número de empresas foi de 29,9%. O saldo entre essas duas relações deu um crescimento de tamanho médio de 9,8% nesses dez anos, só para as indústrias com mil empregados ou mais.
Fronteira agrícola também atraiu indústrias
A expansão da fronteira agrícola e maiores incentivos fiscais são alguns dos fatores que explicam a atração exercida por outros estados fora do Sudeste para as grandes indústrias brasileiras, disse a pesquisadora do IBGE.
Isabela Nunes informou que os setores de alimentos e bebidas, refino e máquinas e equipamentos foram os que mais cresceram nos últimos dez anos, aumentando o pessoal ocupado e também a participação do valor da transformação industrial. “A grande empresa está localizada principalmente nos setores de refino, extrativa, veículos automotores”.
No entanto, o maior ganho nesse período pode ser identificado no setor de alimentos e bebidas. “Nesse crescimento do emprego e do valor da transformação, pode-se dizer que o setor de alimentos e bebidas cresceu fortemente”, destacou.
O pessoal ocupado nas empresas com mil ou mais pessoas ocupadas passou de 42,2% em 1996 para 54,7% em 2006. Já o valor da transformação industrial para essa mesma faixa de empresas evoluiu de 57,5% para 64,5% nesses dez anos.
A economista do IBGE enfatizou que, em relação ao setor de refino e extrativo mineral, os anos de 2000 a 2006 foram considerados o “período áureo” das descobertas de petróleo. “Houve um aumento da oferta e, logo em seguida, uma valorização muito grande. Foram setores que se beneficiaram nesse período.”
Já o setor de alimentos e bebidas não concentra apenas grandes indústrias. “Por pegar empresas de todos os portes, a produtividade do setor não é destacada”, observou Isabela Nunes. Esse é, contudo, o segmento que mais emprega e paga os maiores salários totais. “Ele tem um peso grande na economia. E as grandes [indústrias], particularmente, têm se mostrado muito ativas nesse segmento”.
Grande escala foi fundamental para crescer ainda mais
Os outros dois segmentos das grandes empresas industriais – as que empregam de 250 a 499 pessoas e as que mantêm de 500 a 999 trabalhadores - permaneceram com o mesmo porte entre 1996 e 2006 e não apresentaram dinamismo. O diferencial competitivo das grandes empresas com mil empregados ou mais em relação a essas duas fatias de indústrias é o ganho de escala, segundo Isabela Nunes.
“São empresas que trabalham em grande escala. Elas conseguem ter um custo menor e uma margem de lucro maior e, portanto, investem mais”. A taxa de inovação nas maiores empresas industriais atinge 86%, contra uma média de 33% na indústria em geral.
“Elas trazem modernidade para o setor à medida que, com a inovação, estão trazendo nova tecnologia. Isso acaba por tornar essas empresas catalizadoras do crescimento”. Com isso, elas impactam de forma positiva as pequenas e médias empresas, que formam a cadeia fornecedora das indústrias de grande porte. “Se esse setor se moderniza, automaticamente tem impacto na cadeia de pequenas e médias”.
As empresas com mil pessoas ocupadas ou mais responderam por 57% da produção e vendas de 3,5 mil produtos abrangidos pela Pesquisa Industrial Anual-Produto (PIA-Produto) referente a 2006, de acordo com o levantamento divulgado ontem (25) pelo IBGE.
As empresas na faixa de 250 a 999 empregados responderam por 23%. No caso dos estabelecimentos com mais de 30 até 249 pessoas ocupadas, o percentual apurado foi de 20%.
“Quando se faz esse mesmo estudo para os 100 principais produtos, constata-se que essa concentração é maior ainda. As empresas com mil ou mais funcionários são responsáveis por 74% da produção. As de 250 até 999 têm 17% e as de 30 a 249 têm 9,1%”, revelou à Agência Brasil o gerente da pesquisa, João Batista de Oliveira.
Por regiões, considerando também os 100 maiores produtos em valor de vendas, verifica-se que as empresas com mais de mil empregados registram participação superior a 60% em todas elas. “Todas têm participação acima de 60%, sendo que na Região Norte o impacto é maior. As grandes indústrias ficam com 79,4%. As grandes empresas que ficam na Região Norte realmente se destacam e agregam maior valor [aos produtos]”, analisou o gerente da PIA-Produto.
O mesmo movimento ocorre para as empresas com grande contingente de pessoas ocupadas no Nordeste (75,8%) e no Sudeste (77,3%), “bem próximo da média Brasil que é de 73,9%”. Nas duas regiões que ficaram abaixo da média nacional, Centro-Oeste e Sul, a participação das empresas com mil empregados ou mais foi de 63,4% e 60,9%, respectivamente. “Então, na lista dos principais produtos regionalizada, a gente verifica que as empresas com mais de mil empregados participam com mais de 60% em todas as regiões”, destacou João Batista.
Na faixa de empresas com 250 a 999 empregados, a participação foi maior no Sul (28,1%), seguido do Centro-Oeste (21,5%) e Norte (18,6%). Abaixo da média nacional (17%), ficaram as Regiões Sudeste (14,1%) e Nordeste (11,7%).
Já as empresas com mais de 30 até 249 empregados mostraram participação mais expressiva no Centro-Oeste (15%) e no Sul (11%). Em seguida vêm Nordeste (8,9%), Sudeste (8,6%) e Norte (5,6%). A média nacional nessa categoria foi de 9,1%.
Sudeste ainda concentra maiores empresas indusriais mas começa a perder espaço para outras regiões
As grandes empresas com mil pessoas ocupadas ou mais estão concentradas, em especial, na Região Sudeste, mostra a Pesquisa Industrial Anual - Empresa (PIA-Empresa), divulgada ontem (25) IBGE.
A gerente do Grupo de Análise do IBGE, Isabela Nunes, observou, em entrevista à Agência Brasil, que também no Sul verifica-se grande número de indústrias de maior porte. Salientou, entretanto, que a maior concentração é mesmo no Sudeste (1.498 empresas), porque o Sul (778) apresenta também um grande contingente de pequenas e médias empresas do setor industrial.
“Agora, recentemente, registra-se um aumento, principalmente para o Norte, no Amazonas, por causa da Zona Franca. A participação dessas grandes empresas está crescendo no Norte e no Centro-Oeste também”. A economista observou que no Centro-Oeste também existem muitas empresas do setor de alimentos, que são de pequeno, médio e grande portes.
“No caso do Norte, especialmente Amazonas e Zona Franca, existe um segmento de material eletrônico e de comunicação muito forte, que são setores tecnologicamente mais avançados”, destacou. Ela acrescentou que o aumento da fronteira agrícola, direcionado para as Regiões Norte e Centro-Oeste, já vem sendo observado também pelo setor industrial há algum tempo.
Esse movimento foi confirmado nos dados referentes a 2006, explicou a economista. “Se considerarmos as grandes empresas, o diferencial é um pouco maior nessas regiões. Há maior produtividade das empresas, tem o maior salário medido em salário mínimo dessas empresas para essas regiões e uma certa perda do Sudeste, o que é uma tendência. Embora a concentração seja muito localizada no Sudeste, ao longo de dez anos, ela perdeu espaço”.
Nos últimos dez anos, as Regiões Sudeste e Sul perderam participação no valor da transformação industrial. Essa variável caiu de 71,6%, em 1996, para 64,4%, em 2006, no Sudeste; e de 15,5% para 14,7% no Sul. Enquanto isso, as demais regiões apresentam ganhos de participação. O Centro-Oeste subiu de 1,2% para 3,3%; o Nordeste, de 7,1% para 11,3%; e o Norte, de 4,5% para 6,3%, revela a pesquisa do IBGE.
Fonte: Alana Gandra, repórter da Agência Brasil, com o Observatório
Alimentos com alto teor de gordura, sal e açúcar predominam na propaganda 26.06.08
A Universidade de Brasília (UnB) e o Ministério da Saúde divulgaram ontem (26), no auditório da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o resultado de uma pesquisa que apontou que as propagandas que mais predominam nas TVs e revistas são as de alimentos com alto teor de gordura, sal e açúcar.
Os anúncios de alimentos nas televisões correspondem a 9,7% do total e sua maior freqüência é registrada no período das 14h30 às 18h30, com maior prevalência na rede de televisão a cabo. Já as mídias impressas focam mais em revistas infantis, para adolescentes e mulheres.
No estudo constatou-se que os alimentos mais divulgados na mídia são produtos que afetam a saúde e acarretam em doenças crônicas. Durante a divulgação dos dados, o Ministério da Saúde afirmou que 60% dos recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) são gastos em tratamentos de hipertensão, diabetes e coronarianas.
Segundo a coordenadora geral da política de alimentação e nutrição do Ministério da Saúde, Ana Beatriz Vasconcellos, os órgãos competentes pretendem realizar campanhas de alimentação adequadas para executar uma mudança nos hábitos da população, na intenção de reduzir o consumo desses mantimentos. Entretanto, a meta principal é efetuar revisões de todas as políticas legislativas que estão no Congresso Nacional, relacionadas a esse tipo de propaganda.
Além disso, a reunião discutiu também a proposta de consulta pública da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada em 2006, que dispõe sobre a oferta, propaganda e publicidade de alimentos com quantidades elevadas de açúcar, gordura saturada, gordura trans e sódio.
Na avaliação da gerente de propaganda da Anvisa, Maria José Delvado, a consulta mudará os hábitos dos brasileiros e irá privilegiar a saúde da população, principalmente das crianças que consomem esses alimentos, muitas vezes, induzidos pela mídia.
“Nós estamos estabelecendo critérios de propagandas ricas em gordura, sal e açúcar, justamente para que essas campanhas possam ter informação importante sobre o ponto de vista de saúde pública e que possam conter práticas implementadas neste segmento que influenciem e alterem significamente os padrões de consumo”, disse.
Segundo a dona de casa, Carmem Miranda, os meios de comunicação erram ao não equilibrar as informações, inclusive, nos comerciais. Ela disse que hoje é muito difícil fazer com que os filhos mantenham uma alimentação saudável. Para ela, a falta de tempo dos pais, a influência dos amigos na escola e a televisão são aspectos que contribuem para que as crianças aprendam a consumir alimentos que não são saudáveis.
“Em casa, quando tenho tempo, preparo um lanche mais saudável, mas quando eles chegam na escola trocam os lanches com os coleguinhas por biscoito de chocolate, sem contar que a televisão passa toda hora propaganda de biscoito de super heróis, daí a gente acaba comprando para agradar os filhos”, conta Carmem.
Fonte: Agência Brasil
Rio Grande do Sul colhe supersafra de grãos 26.06.08
A safra de verão 2007/2008 foi a segunda maior da história do Rio Grande do Sul e a melhor em preços pagos ao produtor. Os números finais da colheita dos principais grãos cultivados no Estado - soja, arroz, milho, feijão e trigo - foram divulgados, ontem (25), pelo secretário da Agricultura, João Carlos Machado, em entrevista coletiva no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF). "É o segundo ano consecutivo que comemoramos uma supersafra no Estado", afirmou o secretário.
Ao lado do chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel, e dos presidentes da Emater-RS, Mário Nascimento, e do Irga (Instituto Rio Grande do Arroz), Maurício Fischer, Machado destacou o valor bruto de R$ 14,6 bilhões gerado no campo. A diferença positiva de R$ 5,1 bilhões é 54% superior ao registrado na safra passada (R$ 9,44 bilhões) com a colheita dos principais grãos plantados no RS.
Segundo dados finais apurados pelos técnicos da Emater-RS e do Irga em todo o Estado, a atual safra totalizou 20,5 milhões de toneladas de grãos (soja, arroz, milho e feijão). O secretário acrescentou que, se for considerada a produção de trigo para esta safra que se inicia e que está estimada em 1,78 milhão de toneladas, o total a ser colhido na safra 2007/2008 sobe para 22,25 milhões de toneladas - permanecendo como a 2ª maior safra da história gaúcha. Em relação à safra recorde do ano passado, de 24,12 milhões de toneladas, incluindo o trigo, a queda foi de 8% na produção.
O secretário lembrou que, no ano passado, deu tudo certo, o clima foi o melhor possível. Este ano, porém, as condições climáticas foram adversas, com a ocorrência de estiagem, chuvas de granizo e até ciclone extra-tropical. "Mesmo assim, a safra de verão deste ano é a vice-campeã na história gaúcha e é 17% maior do que a média dos últimos cinco anos".
Bons resultados melhoram perspectivas
Apesar da preocupação com a alta dos custos de produção, Machado disse que espera uma nova safra recorde em 2009. "O grande desafio é produzir mais na mesma área, como estão fazendo os produtores de arroz incentivados pelo Irga", exemplificou. Segundo ele, o produtor gaúcho está motivado porque, há dois anos, vem tendo bons resultados na lavoura, o que está propiciando a recuperação da sua renda e a capacidade de investimento.
O presidente do Irga, Maurício Fischer, disse que, no caso do arroz, não há mais área para aumentar a produção. "Estamos no limite. Nossa intenção é continuar sendo mais eficientes para ter uma produtividade cada vez maior", observou. O Irga está adiantado um ano nas metas de produtividade previstas no Programa Arroz RS. O programa prevê a produção de uma tonelada por hectare a mais durante os quatro anos da atual gestão do governo estadual, o que representaria, no final, uma produtividade próxima de 7,5 toneladas por hectare. "Já nesta safra atingimos 7 toneladas por hectare. Para o próximo ano, devemos atingir 7,25 toneladas por hectare", revelou o diretor comercial e industrial do Instituto, Rubens Silveira.
O presidente da Emater-RS, Mário Nascimento, destacou que este é um momento de oportunidades crescentes para os agricultores gaúchos. "A alta demanda mundial por alimentos e a capacidade de produção do Estado garantem um futuro promissor no agronegócio", ressaltou. Nascimento creditou aos produtores a colheita de mais uma supersafra no RS. "É o trabalho e a coragem dos nossos agricultores que impulsionam a economia do Estado".
Arroz bateu recorde de produção
O arroz obteve o melhor resultado dos grãos plantados no RS nesta safra de verão. Pelo quinto ano consecutivo, a produtividade ficou acima das seis toneladas por hectare, sendo a melhor da história, com sete toneladas/ha, tendo por base os números do Irga. Conseqüentemente, a produção de arroz também foi a maior da história na safra 2007/2008, atingindo 7,5 milhões de toneladas. Os preços pagos ao produtor igualmente são os melhores já verificados no Estado. O valor da saca de 50 Kg de arroz está em R$ 33,55 em média, 44,9% acima do que estava nesta mesma época no ano passado.
A lavoura de soja, mesmo com prejuízos localizados de falta de chuvas em algumas regiões do Estado, alcançou uma produção de 7,2 milhões de toneladas, 19,3% superior a média dos últimos cincos anos, que foi de 6 milhões de toneladas. No ranking histórico, a produção de soja deste ano é a 3ª maior já colhida pelos gaúchos. O preço do saco de 60 Kg de soja está 58,5% maior do que a mesma época de 2007, sendo comercializado a R$ 49,24 em média.
Apesar dos problemas causados pelas intempéries, o milho teve a quinta maior safra do RS da história, com a produção de 5,21 milhões de toneladas. O preço da saca de 60 Kg pago ao produtor está em R$ 23,95 em média - 31,16% superior ao mesmo período do ano passado. O feijão, que teve uma redução de 12,17% (somando a 1ª e a 2ª safra) na área plantada, fechou uma produção de 104,7 mil toneladas. A produtividade foi boa, de uma tonelada por hectare, sendo a 2ª maior da história, só perdendo para a do ano passado, que foi de 1,21 tonelada/ha. O preço pago ao produtor é o melhor de todos os tempos, com média de R$ 121,11 o saco (60Kg) - mais de 192,6% maior do que o verificado nesta mesma época no ano passado.
Fonte: Agronotícias
Senador dos EUA pede bloqueio de compras do Friboi 26.06.08
Washington - O senador democrata norte-americano Herb Kohl, do Estado de Wisconsin (EUA), recomendou que o Departamento de Justiça dos Estados Unidos bloqueie a compra da processadora de carne de boi National Beef Packing e da divisão de carne Five Rivers Ranch Cattle Feeding, da Smithfield, pelo frigorífico brasileiro Friboi. O senador, que preside o Subcomitê de Direitos do Consumidor, Políticas de Concorrência e Antitruste do Senado dos EUA, disse que as compras são anticompetitivas e poderiam causar substancial dano à concorrência e aos consumidores.
Em uma carta enviada ontem ao promotor-geral assistente Thomas Barnett, da divisão antitruste do Departamento de Justiça norte-americano, o senador lembra que o Friboi é a terceira maior empresa processadora de carne dos EUA e que a compra da National e da Smithfield, respectivamente a quarta e a quinta maiores do país, deixaria apenas três empresas do setor no mercado norte-americano, com o frigorífico brasileiro na liderança. "Essas três empresas remanescentes terão mais de 80% de participação no mercado de abate de bois e novilhos e o Friboi sozinho controlará quase um terço do mercado", diz a carta.
Segundo o senador, tal nível de concentração em um setor já convergente reduziria de cinco para três o número de compradores de gado, e em algumas regiões até a dois, dando "enorme poder de compra às processadoras de carne restantes". Kohl afirma que os criadores de gado seriam deixados em uma posição de "pegar ou largar" nas negociações de venda do gado.
"No nível nacional, as compras do Friboi juntariam sob sua propriedade exclusiva 11 unidades de processamento de carne, agora controladas por três processadoras", diz o senador. "No nível regional, muitos fazendeiros e abatedouros ficariam com apenas uma, na melhor das hipóteses duas, unidades de processamento de carne para vender seu gado." Kohl acrescenta preocupações relativas aos preços dos alimentos para argumentar contra o negócio que, segundo ele, aumentaria ainda mais o preço da carne nos EUA.
Como alternativa ao bloqueio da transação, o senador democrata sugere que o Friboi renuncie à compra do Five Rivers, da Smithfield. O Five Rivers, maior abatedouro dos EUA, comercializa cerca de dois milhões de cabeças de gado por ano. Segundo Kohl, a compra do Five Rivers daria ao Friboi uma enorme oferta cativa de gado e prejudicaria os produtores independentes.
Fonte: as informações são de agências internacionais, com Hélio Barboza -Agência Estado
Lucro da Monsanto sobe 42% no 3º trimestre fiscal de 2008 26.06.08
O lucro líquido da multinacional norte-americana Monsanto registrou alta de 42% no terceiro trimestre fiscal, encerrado em 31 de maio deste ano, somando US$ 811 milhões, ou US$ 1,45 por ação. No mesmo período do ano passado, o lucro havia sido de US$ 570 milhões, ou US$ 1,03 por ação. A receita da empresa aumentou 26% para US$ 3,59 bilhões.
Segundo a Monsanto, a demanda por produtos da empresa tem aumentado por conta da necessidade crescente de alimentos no mundo e do aumento do uso de grãos na produção de etanol.
No segmento de sementes e genomas, a receita da Monsanto subiu 20% para US$ 2,05 bilhões, com um aumento de 9,4% nas vendas de milho e de 38% nas vendas de soja. A receita do segmento de produtividade agrícola cresceu 36% para US$ 1,54 bilhão, com as vendas do herbicida Roundup e de outros herbicidas à base de glifosato disparando 54%.
Com os resultados do terceiro trimestre fiscal, a Monsanto elevou a projeção para o ano fiscal de 2008 pela quarta vez este ano, projetando agora lucro por ação de US$ 3,40. Porém, a empresa destacou que seu quarto trimestre fiscal será "amplamente influenciado por seu negócio global de algodão e pelos negócios do Roundup nos Estados Unidos". Geralmente, a Monsanto registra prejuízo no quarto trimestre fiscal.
Fonte: informações da Dow Jones, com Deise Vieira- Agência Estado
Contrato prevê exportação de etanol brasileiro produzido sob critérios socioambientais 26.06.08
Um contrato pioneiro assinado nesta quarta-feira, dia 25, entre as empresas Alcoeste, Cosan, Guarani, Nova América, do Brasil, e a sueca Cekab, a maior compradora européia do álcool prevê a exportação de 115 milhões de litros de etanol brasileiro para a Suécia, em nove meses.
O embarque do produto começou neste mês. É o primeiro contrato de exportação do biocombustível baseado na observância de critérios de sustentabilidade. Duas vezes por ano, cada empresa brasileira passará por auditoria considerando a redução da emissão de gás carbônico na atmosfera, compromisso com a conservação de áreas de mata nativa, progressos na mecanização da colheita e a tolerância zero ao trabalho infantil nas lavouras.
O vice-presidente da Cekab, Anders Fredksson, afirmou que a empresa e os consumidores suecos acreditam na sustentabilidade do etanol brasileiro. Disse também que até o fim do ano que vem metade dos postos de combustível suecos estarão abastecidos com o combustívei do Brasil e que a meta é que o uso do etanol ultrapasse o da gasolina na Suécia em até oito anos.
Fonte: Canal Rural, com o Observatório
Descoberto caso de estomatite vesicular em GO 26.06.08
A confirmação de um caso de estomatite vesicular no município de Cavalcante, no norte de Goiás, já fez o Ministério da Agricultura suspender os embarques de todos os tipos de carne do Estado para o mercado russo, de acordo com o protocolo sanitário existente entre os dois países.
O presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte, Antenor Nogueira, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), avaliou que a descoberta não deve prejudicar as exportações de carnes. Ele lembrou que a propriedade já foi isolada e que foram tomadas as medidas cabíveis do ponto de vista sanitário.
Apesar do protocolo sanitário, ele não acredita que a Rússia fechará seu mercado para toda a carne produzida em Goiás. Nogueira avalia que poderá haver a restrição apenas aos produtos do município de Cavalcante.
O JBS-Friboi divulgou nota informando que suas exportações para a Rússia não serão prejudicadas pelo caso identificado em Goiás. "A JBS informa que esta suspensão não impacta negativamente de forma alguma suas exportações visto que a companhia possui nove unidades produtivas em seis outros Estados (Rondônia, Mato Grosso, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Paraná) aptas a produzir e exportar para a Rússia", diz a nota divulgada pela empresa.
A empresa também abastece o mercado russo através das unidades instaladas da Argentina, Estados Unidos e Austrália, sendo líder no fornecimento para aquele país. Atualmente, a Rússia é o maior importador de carne bovina no mundo. Brasília
A nota do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa que:
Ø A propriedade onde foram detectados os focos da doença ficará interditada até 21 dias após a cura do último animal que manifestou a enfermidade;
Ø Por se tratar de doença branda, não será necessário o sacrifício de animais;
Ø Os países para os quais o Brasil exporta carne bovina já foram comunicados da ocorrência da doença;
Ø Por se tratar de um tipo de vírus já notificado anteriormente no País, a comunicação à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) será feita mediante relatório semestral encaminhado rotineiramente à entidade;
Ø Por força do acordo sanitário vigente entre Brasil e Rússia, está suspensa a emissão de certificados de exportação de carne bovina oriunda de animais do estado de Goiás;
Ø Os frigoríficos de Goiás podem continuar a exportar para o mercado russo, desde que abatam animais de outras unidades federativas.
Fontes: Fabiola Salvador e Alexandre Inácio, Agência Estado, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento -Mapa, com o Obsevatório
Stephanes quer mais feijão com arroz e produção de fertilizantes 25.06.08
O novo plano agrícola e pecuário, a ser anunciado oficialmente pelo presidente Luiz Inácio da Silva no dia 2 de julho, deverá favorecer principalmente a expansão do cultivo do arroz, feijão, trigo e milho. A afirmação foi feita ontem (24) pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, ao participar do seminário Perspectivas para o Agribusiness em 2008 e 2009.
Stephanes disse que, embora “não seja uma commodity [produto com cotação em bolsas de valores], o arroz é o terceiro cereal mais consumido no mundo, com uma produção mundial de 500 milhões de toneladas, das quais apenas 25 milhões são comercializadas internacionalmente e quando há uma quebra de safra, mesmo pequena, isso acaba pressionando os preços do grão”.
Sobre o trigo, o ministro destacou a necessidade de obtenção de um ganho em transporte, já que, diante da instabilidade do fornecimento do produto pela Argentina, o Brasil precisou recorrer à importação de mercados mais distantes, como o Canadá, onerando o preço.
Quanto ao feijão, ressaltou que, por ser uma cultura de ciclos curtos, em torno de 90 dias, “há uma volatilidade grande”, e é preciso manter as etapas de quatro colheitas. Para estimular o produtor, o governo usará a estratégia de garantia de preços mínimos e, para o equilíbrio da oferta e procura, lançará mão dos estoques reguladores.
Segundo Stephanes, o governo pretende recuperar áreas de pastagens degradadas e voltar ao nível de três anos atrás em área plantada, passando dos atuais 45 milhões para 48 milhões de hectares. O ministro salientou que a região de Cerrado do Centro-Oeste é a que tem “maior potencial para crescer”. De acordo com cálculos do ministro, em todo o país, poderiam ser incorporados à agricultura comercial cerca de 100 milhões de hectares.
Ele informou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) colocará, inicialmente, R$ 1 bilhão em créditos voltados para essa recuperação, com o cuidado de se preservar o meio ambiente.”É uma espécie de troca em que não é preciso derrubar árvores, mas preservar o que já temos.”
Stephanes considera os recursos estimados para a próxima safra, R$ 65 bilhões, suficientes para aumentar a produção de forma a suprir a demanda do mercado interno e gerar excedentes para exportação.
O Brasil precisa buscar auto-suficiência em fertilizantes
O ministro Reinhold Stephanes, lembrou ontem (24) que o Brasil precisa reduzir a sua dependência externa de insumos destinados ao plantio no campo, como ação estratégica para se beneficiar do atual aumento da demanda internacional por alimentos. “O Brasil depende em 90% do potássio, que é fornecido apenas por 12 exportadores no mundo”, disse ele.
De acordo com o ministro, apesar de o Brasil ter três minas para exploração do mineral necessário à produção do fosfato, “as empresas que dominam o negócio não têm investido o ideal para o abastecimento interno”. Quanto aos nitrogenados, ele informou que a Petrobrás deve dar a sua contribuição, “entrando mais forte com a exploração da Bacia de Santos”.
Fonte: Marli Moreira, repórter da Agência Brasil
Candidato conservador à Presidência dos EUA, McCain defende álcool brasileiro 25.06.08
O provável candidato republicano à Casa Branca, John McCain, desafiou a indústria automobilística a enfrentar o desafio ambiental e a incrementar a produção de motores não poluentes, defendendo a liberação das taxas que hoje são impostas por seu país sobre a importação do etanol produzido no Brasil a partir da cana-de-açúcar
Em um discurso na cidade de Fresno, Califórnia, McCain propôs que o governo americano deveria abandonar sua fixação em fabricar álcool a partir do milho. Para McCain, as subvenções ao produto americano e as barreiras comerciais contra o álcool brasileiro são um gasto do dinheiro público para financiar "interesses particulares".
O republicano prometeu baixar os impostos da indústria automobilística baseando-se "nas reduções das emissões de CO2" dos veículos. Para isso, ofereceu um prêmio de US$ 300 milhões e reduções de impostos à indústria automobilística.
"Se isto exigir um encontro com a indústria automobilística durante o primeiro mês de minha gestão ou a assinatura de um decreto, alcançaremos a meta de uma rápida conversão dos veículos americanos" para um combustível mais limpo.
O seu rival democrata, Barack Obama, senador por Illinois, um grande Estado agrícola, apóia as subvenções ao etanol produzido com milho e as barreiras comerciais impostas às importações do combustível do Brasil.
Contudo, em tempos de grande alta do preço do petróleo, ambos os prováveis candidatos à Casa Branca enfatizam a necessidade da independência energética para os EUA e a diminuição das emissões de carbono que contribuem para o aquecimento global.
Saída
McCain apóia o fim dos subsídios multibilionários anuais distribuídos do governo para o setor. Como defensor do livre-comércio, McCain também se opõe à tarifa de 54 centavos de dólar por galão que os EUA impõem para a importação de álcool brasileiro, o que é mais barato e consome menos energia para ser produzido que o de milho.
Obama, ao contrário, é a favor dos subsídios. Em nome de ajudar os EUA a ser independente na questão energética, ele apóia a ajuda federal aos produtores de milho.
Artigo de Larry Rohter - aquele correspondente que quase foi expulso do Brasil por ter feito uma reportagem sobre hábitos do presidente da República - publicado ontem no jornal norte-americano "New York Times", afirmou que o comitê de Obama possui ligações com a indústria do álcool. Segundo ele, Tom Daschle, co-presidente do comitê de Obama, trabalha para três companhias de etanol em seu escritório de advocacia em Washington, onde "provê conselhos estratégicos para seus clientes por meio da energia renovável".
Fontes: Folha Online, com France Presse, New York Times e o Observatório
Caminhoneiros anunciam que começa hoje uma paralisação de 24 horas 25.06.08
Caminhoneiros de todo o país estão com indicativo de paralisação de 24 horas para hoje (25). A categoria reivindica preços mais baixos para o óleo diesel, diminuição do valor do frete, alteração no Decreto 49.487, que regulamenta novas restrições para a circulação de caminhões na cidade de São Paulo, e melhorias para motoristas autônomos.
O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros, José da Fonseca Lopes, disse que a greve será diferente das anteriores: primeiro, a categoria vai interromper as atividades, para depois entrar em negociação com os órgãos competentes. “Para atingir o governo, temos de fazer pressão política. Por isso a classe decidiu, a priori reivindicar, para depois negociar, pois só assim, conseguiremos lutar pelo que a classe necessita.”, afirmou Lopes, em entrevista ao programa Revista Brasil da Rádio Nacional.
Lopes ressaltou que, se o governo não modificar o Decreto 49.487, a entrega das mercadorias certamente atrasará e trará prejuízos para os motoristas que transportam produtos perecíveis. “Umas das reivindicações é que as marginais sejam liberadas, de uma estado para outro, pois a capital paulista é local estratégico de passagem e de distribuição de produtos. Se os carros não puderem passar das 5 às 21 horas, com certeza isso trará retardamento nas entregas e prejuízo aos motoristas que carregam frigorificados, cargas vivas e hortifrutigranjeiros.”
Segundo o sindicalista, o governo pouco tem feito pela melhoria e qualidade do setor, principalmente para caminhoneiros autônomos. Ele lembrou que esses trabalhadores têm dificuldades na aquisição de financiamento para compra de veículos novos e, quando conseguem, a entrega do carro costuma atrasar até seis meses, o que gera um prejuízo incomensurável.
Lopes espera que o resultado da paralisação de amanhã sensibilize as autoridades e que, com isso, elas apresentem propostas de solução para a categoria.
Na entrevista, o sindicalista recomendou que os motoristas não saiam de casa. Aos caminhoneiros que trafegam nas rodovias, sugeriu que parem em postos de abastecimento ou em locais seguros, pois podem acorrer imprevistos violentos da parte de alguns manifestantes. “Faço um apelo à categoria para que adira à paralisação, porque pode acontecer de caminhoneiros alterados realizarem atos de depredação, como aconteceu na greve de 1999.”
Fonte: Agência Brasil
Brasil registra vitória na ONU em sua ofensiva pelo etanol de cana-de-açúcar 24.06.08
"Genebra - Ontem, o secretário-executivo da Convenção da Organização das Nações Unidas (ONU) para Mudanças Climáticas, Yvo de Boer, ressaltou que o etanol brasileiro "não gera desmatamento" e é sustentável, mas criticou os biocombustíveis de outras fontes. Para ele, apenas o etanol que seja produzido de forma sustentável fará parte de uma solução final para garantir a redução de emissões de gás carbônico no mundo. E ainda alertou: "Uma solução climática no mundo não passa por abandonar um combustível por outro. Todos terão de estar envolvidos." Ao que tudo indica, (ONU) reconhece que parte da resistência ao uso do etanol vem da oposição dos interesses ligados ao petróleo."
Comentário do editor: de onde ele tirou essa informação de que o etanol brasileiro "não gera desmatamento", não sei. Só se, mais uma vez, o Cerrado é invisível e só tem capim, não tem árvores. A quantidade de usinas de etanol planejadas para o Cerrado é enorme. E mesmo se fosse apenas capim, literalmente é "desmatamento", retirada do "mato".
A substituição da cobertura vegetal natural por plantios comerciais como a cana-de-açúcar geralmente altera significativamente a evapotranspiração, elevando a quantidade de água retirada do solo e tornando-o mais seco, e o "albedo" da terra (albedo é a fração resultante da divisão entre a quantidade de raios solares refletidos pela superfície terrestre -numerador - e o total dos raios solares que nela incidem -denominador) onde ocorre a alteração, levando a maior reflexão dos raios solares para a atmosfera, o que certamente provoca seu aquecimento local. Além disso, estudo recentemente publicado por Fargione e outros (2008), demonstrou que o volume de emissão para a atmosfera do carbono acumulado na vegetação típica do Cerrado, retirada para produção de etanol, demorará 17 anos para zerar com a "economia" de CO2 resultante do uso do etanol, ao invés da gasolina, em automóveis.
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No que se refere ao etanol, De Boer admitiu que o assunto não é bem recebido pelos produtores de petróleo. "Cada país e setor tem seu interesse", disse. "O pessoal do petróleo não gosta desse debate (do etanol)", admitiu. O presidente Luiz Inácio da Silva já alertou no início do mês em Roma que os "dedos apontados contra a energia limpa dos biocombustíveis estão sujos de óleo e de carvão".
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"O que precisamos é que todos se sentem à mesa para discutir. A solução para a questão climática não será a de escolher entre um ou outro combustível", disse. Ele nega que a solução nas emissões de gás carbônico tenha de passar pela substituição de combustíveis no mundo. "O que queremos é reduzir as emissões. Esse é o objetivo", disse.
Para ele, o debate sobre o futuro do etanol precisa ser mais "sofisticado". "Não há um só etanol. O que existe no Brasil não desmata e é sustentável", disse. Em sua avaliação, o critério de sustentabilidade será o que determinará se o etanol poderá ou não fazer parte de uma solução climática no mundo. "O biocombustível de óleo de palma desmata. Há também o etanol de milho, que está gerando a alta nos preços dos alimentos", alertou. "Portanto, sei que o etanol será ainda um tema polêmico nas negociações do clima", completou.
Fonte: Jamil Chade, Agência Estado, extrato do Observatório
Boiada "pirata" vai a leilão, se Justiça autorizar, com renda para diversos usos 24.06.08
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, detalhou ontem (24) a apreensão de 3,1 mil cabeças de gado em uma fazenda instalada dentro de uma estação ecológica na Terra do Meio, na região próxima ao município de São Félix do Xingu (PA).
O proprietário da Fazenda Lourislândia, Lourival Medrado Novaes dos Santos, havia sido notificado desde 2006 para retirar o rebanho da unidade de conservação.
O leilão ainda depende de procedimentos judiciais, e, segundo Minc, deve ser realizado em três semanas. A apreensão ocorreu no último dia 7 e foi a primeira da chamada Operação Boi Pirata, que pretende coibir a criação de gado em áreas de preservação na Amazônia.
Remexendo assuntos antigos
Segundo o ministro, além do Fome Zero, os recursos serão utilizados para custear as operações de fiscalização e financiar ações de saúde indígena. De acordo com Minc, a apreensão do gado e a tomada da sede da Fazenda Lourilândia já começou a provocar um “êxodo da boiada” criada irregularmente na região.
Segundo o diretor de Proteção Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Flávio Montiel, há ainda cerca de 40 mil cabeças de gado ilegais em 14 propriedades na Terra do Meio.
Na avaliação do ministro, o leilão dos chamados bois piratas não deverá interferir no mercado ou pressionar o aumento do preço da carne. “Alguns adversários insinuam que isso vai criar uma incerteza, ou provocar desabastecimento. Nós não vemos dessa forma. O Brasil tem mais de 200 milhões de cabeças, estamos fazendo operações com 9, 10 mil, e que são concorrência ilegal”, argumentou.
Na última quinta-feira (19), em audiência pública na Câmara dos Deputados, o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, afirmou que so em seu Estado existem mais de 10 milhões de cabeças que poderiam ser classificadas como "boi pirata", acrescentando que a caça aos bois piratas poderá provocar diminuição da oferta de carne para os supermercados. “É muito fácil o discurso do transgressor de dizer 'não me reprima porque isso vai aumentar o preço'”, afirmou Minc sem citar o governador de Mato Grosso.
Outras 10 mil cabeças de gado criadas irregularmente em uma fazenda do município de Costa Marques (RO) deverão seguir para leilão, segundo Minc. O Ibama embargou a propriedade ontem pela manhã, de acordo com o diretor Flávio Montiel, e notificou o proprietário, Jair Fernando Simonato, que tem prazo de 15 dias para retirar o rebanho da área.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil
MPF no Pará acusa Incra e federação de agricultores de improbidade administrativa 24.06.08
O Ministério Público Federal (MPF) no Pará moveu uma ação de improbidade administrativa contra o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetagri), por causa de um convênio firmado entre as duas entidades.
Ao acatar a ação de improbidade, o juiz federal de Marabá, Carlos Henrique Haddad, decretou a quebra do sigilo bancário da conta onde foram feitos depósitos de cerca de R$ 3,2 milhões, entre 2004 e 2006.
O convênio foi firmado para que a Fetagri prestasse assessoria técnica, social e ambiental ao assentados das regiões sul e sudeste do Pará, segundo nota do MPF. Mas, ainda de acordo com a Procuradoria da República, além de a contrapartida não ter sido prestada corretamente pela Federação, o Incra pagou pelos serviços e nunca os fiscalizou.
Dessa forma, o Ministério Público constatou irregularidades como terceirização ilegal dos serviços, despesas sem explicação e a falta de um relatório de gastos.
A Fetagri não foi encontrada para se pronunciar sobre as acusações. O Incra alegou que deve divulgar uma nota de esclarecimentos até amanhã, quarta-feira (25).
Fonte: Mariana Jungmann, repórter da Agência Brasil
Presidente da Unica diz que é momento de dialogar com EUA sobre etanol 24.06.08
O presidente da União da Agroindústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank, disse ontem que o momento atual é o ideal para uma aproximação entre o Brasil e os Estados Unidos "para tentar implementar uma política de complementariedade na questão do álcool". Ele afirmou que esta questão está sendo discutida, em função da pressão de preços do petróleo e do milho, após a quebra de safra do cereal provocada pelas fortes chuvas que caíram nas regiões produtoras dos Estados Unidos.
A conjuntura atual poderia facilitar um diálogo, já que a Unica estuda a possibilidade de pedir a abertura de um painel na Organização Mundial de Comércio (OMC) contra as tarifas impostas sobre o álcool brasileiro no mercado norte-americano. Ele afirmou que não há na Unica uma decisão final a este respeito ...
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Diante da situação atual, diz ele, poderiam ser estudadas alternativas entre o Brasil e os Estados Unidos, como cortes temporários na tarifa, a criação de um sistema de cotas, ou mesmo uma espécie de tarifa móvel, que variasse de acordo com os preços internacionais do milho. Jank afirmou que a relação entre dois países é crucial para a criação de um mercado global, pois juntos representam 75% da produção mundial de etanol.
Comentário do editor: ou seja, se nos acertarmos, com 75% da oferta podemos criar um cartel que vai definir os padrões do etanol, da forma que mais nos beneficiar, e ter grande influência nos preços.
Média
Ele ressaltou, no entanto, que o Brasil continuará defendendo uma abertura do mercado de alguns países, inclusive do próprio Estados Unidos. "Nós entendemos que o subsídio dado aos produtores norte-americanos de milho se justifica, em virtude da preocupação do governo com a segurança energética, mas não precisamos conviver com as tarifas impostas ao etanol brasileiro", disse ele.
O presidente da Unica disse que se as tarifas fossem menores, o Brasil poderia suprir o mercado norte-americano de etanol no curto prazo, podendo ajudar contra a pressão que existe sobre os preços do petróleo e do milho. Ele lembrou que os Estados Unidos são o maior mercado para etanol do mundo e que até o ano de 2020 deverá consumir 140 bilhões de litros. Atualmente, o Brasil exporta para os Estados Unidos 1,6 bilhão de litros, que chega até aquele mercado por meio de países do Caribe.
Fonte: Alexandre Inacio, Agência Estado, extrato do Observatório
Ministério da Agricultura prevê aumento na demanda por fertilizantes e agrotóxicos 24.06.08
A demanda dos produtores rurais por fertilizantes este ano será de 5% a 7% maior que a do ano passado, segundo previu ontem (23) o presidente da Câmara Temática de Insumos do Ministério da Agricultura, Cristiano Walter Simom.
Segundo ele, as vendas este ano, que apenas começaram, já superam em 20% as do mesmo período do ano passado. Simon observou, no entanto, que esse aumento se deu pelo temor dos agricultores de uma possível escassez de fertilizante no mercado.
"Houve uma antecipação por medo da falta de abastecimento, o que não haverá", afirmou Simom.
Ele disse também que a demanda por agrotóxicos agrícolas deve ser 5% a 7% a mais que no ano passado.
Simon informou que foi acertado com parlamentares da Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados que o Convênio-100, que zera a alíquota do Imposto sobre Circulação de Produtos e Serviços (ICMS), será prorrogado a cada 60 dias a partir de 31 de julho até que a reforma tributária seja votada pelo Congresso Nacional.
Participam da Câmara Técnica de Insumos representantes dos produtores rurais, do governo e das confederações de agricultores.
Fonte: Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil, com o Observatório
Alta da soja ameaça compromisso de não plantar em área de desmatamento 23.06.08
Os resultados positivos dos dois primeiros anos da moratória da soja, compromisso assinado por compradores de não comercializar grãos produzidos em áreas de novos desmatamentos na Amazônia, podem não se repetir no período de prorrogação do compromisso, assinada essa semana por representantes do governo e indústrias.
De acordo com o Grupo de Trabalho da Soja, que reúne representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e do Greenpeace, entre outras ONGs, nos dois primeiros anos da moratória, em nenhum dos 193 polígonos de novos desmatamentos na Amazônia houve cultivo de soja.
No entanto, a situação pode mudar até a próxima safra, influenciada pelo aumento do preço do grão no mercado internacional, o que eleva o interesse dos produtores, e passada a “domesticação” da terra, período de transição (com plantio de outras culturas, por exemplo) para que o solo seja cultivável para a soja.
“O monitoramento revelou que houve desmatamento em 193 polígonos e a área está lá aguardando algum tipo de definição, que não necessariamente será a soja. O que não quer dizer que se nós não formos atentos, alguma soja será plantada nessas áreas. Até porque em alguns polígonos, essas áreas estão relativamente próximas a áreas já plantadas com soja no passado”, admitiu o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli.
O levantamento dos polígonos de novos desmatamentos só levou em conta áreas de devastação iguais ou maiores que 100 hectares, porque, segundo o GTS, em geral, não é economicamente viável para o produtor de soja cultivar o grão em áreas inferiores a essas.
Na avaliação do coordenador da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, é preciso ficar atento também a desmatamentos inferiores a 100 hectares. “Identificamos proprietários que desmataram áreas menores, bem próximas às lavouras que já produzem soja, o que pode indicar que a produção será estendida para essas áreas nos próximos anos”, apontou.
Mas, para o presidente da Abiove, a garantia de que a soja irregular não será comercializada se deve ao fato de que os compradores de soja, que repassam a produção aos grandes exportadores “conhecem de perto” os produtores do grão. “Ele tem raízes na região, conhece os produtores, é relacionado, são companheiros, ele tem a informação [se desmatou ou não]”, disse.
Já o coordenador da campanha do Greenpeace defende a divulgação da lista de fornecedores, para que o monitoramento dos produtores, que desmataram ou não para produzir mais soja, não seja feito somente por representantes das indústrias compradoras. “O comprador de soja não tem credibilidade suficiente para dizer que não comprou de quem desmatou”.
Adário acredita que será necessário reforçar o trabalho para que o monitoramento chegue aos pequenos polígonos de desmatamento. Segundo ele, foram identificados mais 47 mil com extensão inferior a 100 hectares.
“Esse ano vai ter soja plantada nas áreas desmatadas Não será um grande problema monitorar os 193 polígonos. O que o GTS não têm condições de fiscalizar são os polígonos abaixo de 100 hectares. A imensa maioria não é em área de soja, mas se a gente falar em 10% para a soja, sendo conservador, serão cerca de 5 mil polígonos a mais para monitorar”, estimou.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil
Exportação de soja por Itaqui já supera 500.000 t 23.06.08
SÃO LUÍS - Desde março, a Vale já embarcou para o mercado exterior 540 mil toneladas de soja, oriundas de lavouras no Maranhão (região sul do estado e região de Chapadinha), Piauí, Tocantins, Pará e do Mato Grosso. Até o próximo dia 28, mais 130 mil toneladas do grão serão exportadas pelo píer II de Ponta da Madeira. O grande número de caminhões para o desembarque está provocando congestionamentos na rodovia próxima à Vale.
O volume de soja já exportado foi transportado por nove navios, sendo três para a China, dois com destino a Portugal, dois para a Bélgica, um para a Itália e um que seguiu para a Espanha.
Segundo o gerente comercial de logística da Vale, Evaldo Barbosa, até dezembro deverão ser exportadas 1,7 milhão de toneladas (Mt) de soja e 200 mil toneladas de farelo. Ano passado, a companhia embarcou 1,506 milhão de toneladas de soja.
De acordo com a Vale, 90% da soja que chega a São Luís para ser exportada pelo píer II de Ponta da Madeira é transportada pela Estrada de Ferro de Carajás (EFC). O restante vem por rodovias, devendo chegar ao volume de 200 mil toneladas via caminhões.
Mas, apesar de ser uma quantidade pequena em comparação à ferrovia, o transporte por caminhão tem causado problemas. Os motoristas reclamam da demora no descarregamento da soja nas instalações da Vale.
A fila de caminhões é grande
Os caminhoneiros denunciam que a operação de descarga está demorando oito vezes mais do que o tempo previsto. O problema está provocando congestionamentos em postos de combustíveis e em terrenos às margens da rodovia, próximo à Vale.
A Vale informou que as filas que estão se formando ao longo da BR se devem ao número de caminhões acima do acordado com as empresas proprietárias da soja. “Nós acordamos descarregar 60 caminhões/dia, mas estão vindo muito mais do que foi acertado”, explicou Evaldo Barbosa.
Para dinamizar a operação de descarregamento, a Vale otimizou seus processos internos no porto e elevou a média diária de atendimento para 70 caminhões por dia. Cada carreta tem capacidade média para transportar 37 mil toneladas.
Fonte: O Estado do Maranhão
Globalização reduz o poder do governo sobre o seu próprio país 23.06.08
O maior exemplo de que o aumento da produção agrícola não vai influenciar a redução dos preços, principalmente dos alimentos, de acordo com Quadros, foi o que ocorreu com o preço do arroz. “A relação oferta/demanda do mercado brasileiro não justificava a elevação do preço do arroz. A produção dava para atender a demanda local. Tanto que, em março, o preço do arroz estava até caindo. O que aconteceu foi que o preço do arroz subiu no mundo e o agricultor brasileiro percebeu que era mais interessante vender no mercado internacional. Aí, o preço do arroz no Brasil, imediatamente, começou a subir”, exemplificou o economista Salomão Quadros, professor da Fundação Getulio Vargas e responsável técnico pelos índices econômicos medidos pela instituição.
Quadros explica que os mercados são cada vez mais integrados e, mesmo que se aumente a produção doméstica agrícola, isso não se refletirá tanto assim no mercado interno. “A globalização tem essa característica. Ela reduz um pouco o poder do governo sobre o seu próprio país”, destacou.
De acordo com ele, a inflação no Brasil só não foi maior devido ao cenário de valorização do câmbio que vem ocorrendo desde o ano passado. “A inflação brasileira já vem passando por um amortecimento devido ao câmbio. O câmbio não pára de valorizar. Esse ano ele já valorizou perto de 10%. No ano passado, quase 20%. Nos últimos quatro anos, o câmbio caiu 50%. Isso tem colaborado. Na ausência dessa valorização do câmbio, a inflação aqui teria sido bem maior”.
Economista vê em crise de alimentos chance de o país se recolocar no mercado externo
Enquanto o aumento na produção agrícola terá um efeito reduzido no controle da inflação, ele pode, em contrapartida, ser uma boa opção para o reposicionamento do Brasil no mercado internacional, lembra Quadros.
Para ele, o Brasil tem, no contexto atual da crise mundial de alimentos, uma rara oportunidade de avançar no cenário externo. “O Brasil está prestes a suplantar os Estados Unidos como maior exportador de soja. Os Estados Unidos ainda são o maior produtor de soja, mas o cultivo da soja está crescendo mais rápido no Brasil que nos Estados Unidos, onde a soja está brigando um pouco com o milho, por causa do etanol. No Brasil, não há essa briga. Há espaço para crescer, há espaço para os dois crescerem. Isso dá ao Brasil uma importância cada vez maior”, destacou.
Fonte: Luciana Lima, repórter da Agência Brasil
Setor de máquinas agrícolas espera sinalização do governo para investir 23.06.08
A indústria de máquinas e equipamentos agrícolas espera uma sinalização mais forte do governo federal para investir na contratação e formação de mão-de-obra com o objetivo de atender à demanda que pode ser gerada com os investimentos que serão anunciados no início de julho para a agricultura.
De acordo com o diretor-secretário da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Carlos Pastoriza, a planta existente hoje tem plenas condições de atender com folga o dobro da demanda por máquinas e equipamentos. Para isso, a indústria só espera uma sinalização mais forte do governo para implantar o segundo turno da produção.
“O setor está trabalhando com 80% de sua capacidade, mas esse percentual refere-se a apenas um turno. Se o governo realmente der sinais de que haverá um incremento para o setor agrícola, as indústrias vão contratar e formar profissionais para trabalharem em um segundo, ou até em um terceiro turno. O setor de máquinas tem condições de atender com folga o aumento da demanda”, informou.
Essa fase de adaptação da indústria, de acordo com Pastoriza, levará no máximo três meses.
Fonte: Luciana Lima, repórter da Agência Brasil
Cassol quer fim dos assentamentos do Incra 20.06.08
e novo imposto para "preservar a Amazônia", mas Minc descarta sua criação
Maggi quer dinheiro subsidiado para pecuaristas se modernizarem
Os governadores de Mato Grosso e de Rondônia contestaram ontem(19) os altos índices de desmatamento da floresta amazônica em seus estados e reclamaram da lentidão do governo federal em regularizar as terras da região. Em audiência pública promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, os governadores ainda sugeriram incentivos para preservação de matas nativas e reestruturação da pecuária na região.
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, descartou hoje (20) a idéia de se criar um imposto nos moldes da Contribuição Social para a Saúde (CSS) para aumentar os recursos destinados à preservação da Amazônia.
Segundo dados de monitoramento por satélite, os dois estados estão entre os líderes de desmatamento na Amazônia, atrás apenas do Pará. No período 2006-2007, foram devastados 2.476 quilômetros quadrados de florestas em Mato Grosso e 1.465 em Rondônia. No entanto, houve uma diminuição significativa em relação à medição anterior, com redução de 43% das áreas devastadas em Mato Grosso e 29% em Rondônia, enquanto a devastação no Pará ficou praticamente estabilizada.
Titulação da terra
O governador de Rondônia, Ivo Cassol, defendeu o fim dos assentamentos na Amazônia e pediu que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) acelere os processos de regularização fundiária. Cassol diz que a falta de regularização fundiária no Estado dá oportunidade para grileiros derrubarem a floresta. "Precisamos dessa regularização. Desde 2002, não se expede um título em Rondônia, isso não é justo", comentou.
O governador afirma que, desde 2006, o ritmo do desmatamento diminuiu 60% em Rondônia. "Estamos preservando, fazendo o dever de casa, mas precisamos que o Brasil inteiro e o mundo comecem a botar a mão no bolso e pagar para o sitiante que tem 50% de área intocada", sugeriu. Ele até propôs o valor, de R$ 10 por hectare preservado.
Para financiar a preservação, Ivo Cassol pediu uma contribuição nos moldes da CPMF e da Contribuição Social para a Saúde (CSS), que ele chamou de Contribuição Social Sustentável. "Por que não colocar 0,05% para a preservação da Amazônia? De conversa estamos cheios", afirmou.
Reestruturação da pecuária
O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, também criticou a falta de organização fundiária na Amazônia e citou avanços no combate ao desmatamento. Ele reconheceu que a pecuária pressiona a floresta e defendeu a criação de incentivos, como crédito de longo prazo e juros baixos, para que pecuaristas integrem a agricultura à atividade, como forma de recuperar as pastagens degradadas e aumentar a produtividade de 1 cabeça de gado por hectare/ano para 4 cabeças por hectare/ano.
Para isso, apontou, seria necessário um grande programa para reestruturar a pecuária na região. "A ocupação de solo é muito grande para uma população muito pequena. Isso requer alguns milhões de reais, mas há possibilidade de fazer tecnicamente, e acho que é o caminho a perseguir. Caso contrário, essa pressão sobre a floresta continuará, até pela necessidade de sobrevivência dessas atividades", alertou.
O governador também criticou a forma de combate do Ministério do Meio Ambiente ao chamado "boi pirata", criado em áreas desmatadas. Ele estima que esse rebanho totalize 10 milhões de cabeças em Mato Grosso. Segundo Maggi, se o governo apreender essa quantidade de gado, isso vai afetar o preço da carne nos supermercados.
Desmatamento zero
O deputado Homero Pereira (PR-MT) elogiou a proposta do governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, de transformar pastagens degradadas em áreas de agricultura. "Essa é uma forma inteligente de recompor as áreas degradadas. Quando a pecuária voltar à área usada pela agricultura será possível intensificar a criação de gado."
Já o deputado Sarney Filho (PV-MA), um dos parlamentares que sugeriram o debate com os governadores, defendeu a decretação do desmatamento zero até que haja regularização fundiária e zoneamento ecológico-econômico (ZEE) em toda a região. Ele disse ainda não acreditar que seja necessário devastar a Amazônia para produzir alimentos e lembrou que o desmatamento pode desequilibrar o clima, o que prejudicaria a produção agrícola em outras regiões do País.
O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) criticou as ações de combate ao desmatamento do governo federal, como a Operação Arco de Fogo, que reprime madeireiras ilegais. Segundo ele, o governo não apresenta propostas para beneficiar os desempregados com o fechamento das madeireiras. "É preciso ter compensação ambiental, mas não há projeto do governo nesse sentido", lamentou.
Fonte:Mônica Montenegro e Francisco Brandão -Agência Câmara
Minc descarta criação de imposto para financiar a preservação da Amazônia
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, descartou hoje (20) a idéia de se criar um imposto nos moldes da Contribuição Social para a Saúde (CSS) para aumentar os recursos destinados à preservação da Amazônia.
Segundo Minc, o ideal é que os estados e a União trabalhem juntos, inclusive, com a utilização de batalhões e bombeiros florestais para coibir os danos ao meio ambiente.
“Acho sim que poderíamos usar fundos como o Fundo Amazônia, que vai arrecadar US$ 900 milhões. Desse fundo, sairiam recursos para os estados melhorarem a preservação e não mais novos impostos, porque ninguém agüenta”.
De acordo com o ministro, o fundo será criado daqui a um mês e contará com dinheiro doado por outros países. A Noruega já garantiu a liberação de US$ 100 milhões, informou Carlos Minc.
Fonte: Ivan Richard, Repórter da Agência Brasil
Governo diz que quer produção maior de alimentos, mas apoio à agricultura familiar cresce pouco 20.06.08
Enquanto fazendeiros terão R$ 65 bi para financiar a próxima safra (na safra passada receberam R$58 bi), a agricultura familiar terá apenas R$1 bi a mais que no ano passado (passa de R$13 bi para R$14bi)
O presidente fez uma reunião ontem com a equipe econômica, economistas de fora do governo e o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) para discutir o andamento de medidas de combate à inflação e eventuais novas propostas. Nas palavras de um ministro, o governo vai continuar a monitorar o comportamento da inflação a fim de mantê-la na meta oficial.
Na área agrícola, o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse que as medidas discutidas ontem serão suficientes para elevar a produção de grãos em 5%, alcançado 148 milhões de toneladas.
"Não queremos cair na armadilha em que alguns países estão caindo de tabelar e não ter produto, ou limitar as exportações ou até de taxar, que é o caso da Argentina, e acabar desorganizando o próprio setor produtivo", disse Stephanes à Folha de São Paulo.
Além de Mercadante, Mantega e Stephanes, participaram da reunião Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Franklin Martins (Comunicação Social), o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e o professor Luiz Gonzaga Belluzzo. Como Henrique Meirelles está viajando, foi representado pelo diretor do BC Alexandre Tombini.
Secretário aponta importância da agricultura familiar na produção de alimentos
Em Curitiba, o secretário de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Adoniran Sanches, ressaltou ontem (19), a importância da agricultura familiar na manutenção da segurança alimentar num momento em que o país precisa produzir mais alimentos para baixar os indicadores de inflação.
“Os relatórios do Banco Mundial são muito claros. Um país que tem o perfil da agricultura voltado para a produção de alimentos está sofrendo menos o impacto da crise da oferta”, disse o secretário referindo-se ao Brasil. Segundo ele, enquanto nos últimos dois anos a inflação de alimentos no mundo está em torno de 85%, aqui permanece em 23%.
“Dos 4,8 milhões de estabelecimentos familiares ocupados com a agricultura, 4,1 milhões são de agricultores familiares. A situação poderia ser muito pior se não tivéssemos esse universo forte ofertando a cenoura, a beterraba, o leite, o feijão. O perfil é de pequena e média propriedade”, afirmou.
Sanches lembrou que 70% do feijão, 40% da soja, 95% das hortaliças e um grande percentual de vários outros alimentos consumidos pela população brasileira são provenientes da agricultura familiar.
“O Pronaf [Programa Nacional da Agricultura Familiar] saiu de um orçamento ofertado ao sistema financeiro de R$ 2,2 bilhões para R$ 12 bilhões nesta safra, além de novos modelos de assistência técnica, seguros de preços, de risco climático, rearticulações das Emater [empresas de extensão rural]", observou. Segundo ele, os recursos destinados aos seguros de preços e climático chegam a R$ 300 milhões por ano.
Fontes: sucursal de Brasília da Folha de São Paulo e Lúcia Norcio, repórter da Agência Brasil, com o Observatório