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Erva daninha: Natureza está derrotando o plantio de transgênicos 29.02.08
29.02.08
“Mentiram para os agricultores brasileiros”, afirma o presidente da Claspar.
A Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) anunciou ontem que não corresponde à verdade a informação de que a soja transgênica não teria concorrência das ervas daninhas e que as pragas poderiam ser combatidas com eficiência e com menores custos com a aplicação do glifosato Round-Up, o agrotóxico da Monsanto.
“A erva daninha buva tornou-se resistente ao glifosato e agora os produtores estão sendo aconselhados a capinar suas lavouras de transgênicos ”, afirma o engenheiro agrônomo Valdir Izidoro Silveira, presidente da Claspar.
Técnicos do Departamento de Fiscalização Sanitária da Secretaria da Agricultura constataram que a erva “buva” infestou as lavouras de soja do Oeste paranaense e a aplicação de glifosato não conseguiu eliminá-la. Os produtores de soja foram obrigados a utilizar outros herbicidas como o 2,4D, Gramocil e Classic, entre outros.
A “buva” compete com a soja, reduzindo a produtividade da lavoura. Como há dificuldade de controle químico pelos herbicidas na soja e como ela se espalha rapidamente por meio das sementes levadas pelo vento, a única forma de diminuir o problema na atual safra é realizar a catação manual ou capina.
“Nesta safra, não existe mais possibilidade de realizar o controle cultural e os herbicidas não têm se mostrado eficientes”, alerta o pesquisador Lineu Domit, da Embrapa-Soja. Já Dionísio Gazziero, também da Embrapa-Soja, recomenda a rotação de soja convencional com a soja transgênica.
Segundo Valdir, isto é um contra-senso porque esta recomendação desmistifica a superioridade da soja RR sobre a convencional. “Mentiram para os agricultores brasileiros”, afirma o presidente da Claspar.
De acordo com um levantamento realizado pelo Detec da Coamo, em algumas partes das regiões Noroeste e Oeste do Paraná já é bastante visível a resistência da buva ao defensivo. A semente da buva pode ser levada pelo vento até por 65 quilômetros de distância, e por isso se dissemina facilmente com muita rapidez.
O agrônomo Valdir Izidoro alerta também que a buva não é única planta daninha resistente ao glifosato. No Brasil já existem oito espécies que apresentam resistência a herbicidas, entre elas a ‘buva’, o ‘azevém’ e o ‘leiteiro’. A ‘buva’ pode ser encontrada em cinco espécies no mundo, sendo que no Brasil existem duas e são resistentes.
A resistência da “buva” é explicada pela seleção natural. Com o passar dos anos, as mais fortes que não morriam com o glifosato, foram se reproduzindo e agora está quase impossível controlar a planta.
O engenheiro agronômo José Carlos Braciforte apresenta duas opções. Para os donos de pequenas áreas, o negócio é voltar ao passado e capinar a lavoura. Já para os grandes produtores, e preciso torcer para que as perdas não sejam muito grandes.
Fonte: Agência Paranaense de Notícias
“Mentiram para os agricultores brasileiros”, afirma o presidente da Claspar.
A Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) anunciou ontem que não corresponde à verdade a informação de que a soja transgênica não teria concorrência das ervas daninhas e que as pragas poderiam ser combatidas com eficiência e com menores custos com a aplicação do glifosato Round-Up, o agrotóxico da Monsanto.
“A erva daninha buva tornou-se resistente ao glifosato e agora os produtores estão sendo aconselhados a capinar suas lavouras de transgênicos ”, afirma o engenheiro agrônomo Valdir Izidoro Silveira, presidente da Claspar.
Técnicos do Departamento de Fiscalização Sanitária da Secretaria da Agricultura constataram que a erva “buva” infestou as lavouras de soja do Oeste paranaense e a aplicação de glifosato não conseguiu eliminá-la. Os produtores de soja foram obrigados a utilizar outros herbicidas como o 2,4D, Gramocil e Classic, entre outros.
A “buva” compete com a soja, reduzindo a produtividade da lavoura. Como há dificuldade de controle químico pelos herbicidas na soja e como ela se espalha rapidamente por meio das sementes levadas pelo vento, a única forma de diminuir o problema na atual safra é realizar a catação manual ou capina.
“Nesta safra, não existe mais possibilidade de realizar o controle cultural e os herbicidas não têm se mostrado eficientes”, alerta o pesquisador Lineu Domit, da Embrapa-Soja. Já Dionísio Gazziero, também da Embrapa-Soja, recomenda a rotação de soja convencional com a soja transgênica.
Segundo Valdir, isto é um contra-senso porque esta recomendação desmistifica a superioridade da soja RR sobre a convencional. “Mentiram para os agricultores brasileiros”, afirma o presidente da Claspar.
De acordo com um levantamento realizado pelo Detec da Coamo, em algumas partes das regiões Noroeste e Oeste do Paraná já é bastante visível a resistência da buva ao defensivo. A semente da buva pode ser levada pelo vento até por 65 quilômetros de distância, e por isso se dissemina facilmente com muita rapidez.
O agrônomo Valdir Izidoro alerta também que a buva não é única planta daninha resistente ao glifosato. No Brasil já existem oito espécies que apresentam resistência a herbicidas, entre elas a ‘buva’, o ‘azevém’ e o ‘leiteiro’. A ‘buva’ pode ser encontrada em cinco espécies no mundo, sendo que no Brasil existem duas e são resistentes.
A resistência da “buva” é explicada pela seleção natural. Com o passar dos anos, as mais fortes que não morriam com o glifosato, foram se reproduzindo e agora está quase impossível controlar a planta.
O engenheiro agronômo José Carlos Braciforte apresenta duas opções. Para os donos de pequenas áreas, o negócio é voltar ao passado e capinar a lavoura. Já para os grandes produtores, e preciso torcer para que as perdas não sejam muito grandes.
Fonte: Agência Paranaense de Notícias
Em Tailândia, milhares buscam cesta básica gratuita na casa do prefeito 29.02.08
29.02.08
Tailândia (PA) - Antes das 9h de ontem, às margens da Rodovia PA-150, milhares de homens, mulheres e crianças formam filas imensas em frente da casa do prefeito Paulo Jasper, 56 anos, popularmente conhecido como "Macarrão". Alguns enfrentaram mais de cinco quilômetros a pé ou dez quilômetros de bicicleta para chegar ali e disputar 3.500 cestas básicas distribuídas gratuitamente pela Secretaria de Ação Social do município. Na fila, o discurso é unificado: críticas à Operação Arco de Fogo, que combate a exploração ilegal de madeira na cidade e muitos elogios ao que chamam de "bondade" do prefeito e de sua família.
"Os pais de família que trabalham com madeira e crianças estão morrendo de fome. A gente sempre vem na casa do prefeito, e quando ele pode, ajuda a gente", disse a doméstica Josefa Cunha, 58 anos.
Quando a distribuição de comida efetivamente começa, começam a sair do estacionamento da casa um microônibus e várias caminhonetes. Na comitiva, o prefeito segue com deputados estaduais e federais que representam a região e foram ao município debater com lideranças locais as ações da operação que combate o desmatamento. Macarrão, após 15 dias longe do município, desce de seu veículo, ergue os braços, acena para os que aguardam a comida, é aplaudido e sai sem falar com a imprensa.
Alguns funcionários de madeireiras permanecem pacientemente na fila. É o caso de Zulmiro Soares, 60 anos, três filhos. O salário médio da categoria é de R$ 600, segundo o sindicato dos trabalhadores . “O serviço aqui está todo parado não tem como sustentar os filhos. Vou arrumar renda da onde?”, questiona Soares. “A empresa pára e nós também. O homem sempre dava comida, até antes de ser prefeito.”
Com uma filha de 6 meses no colo, Socorro Nascimento, 25 anos, ainda consegue carregar sua cesta com a mão que sobra. Ele diz que a Operação Arco de Fogo está provocando desemprego e fome na região. "Eles têm que pegar a madeira, vender, trocar em rancho [comida] e dar para o pessoal desempregado", defendeu.
Silas de Almeida, 43 anos, trabalhava fazia cinco meses no setor madeireiro de Tailândia. Ele disse saber da existência ilegalidade, mas avaliou que o combate à situação exige um período de transição: "A coisa tem quer modificada devagar para ninguém passar necessidade".
Primeira Dama no comando da operação
Na coordenação da distribuição, ao lado do caminhão, quem manda é a esposa do prefeito, Hígia Frota, titular da Secretaria de Ação Social de Tailândia e dona da residência onde os populares se concentram. Ela confirmou que os alimentos foram adquiridos com recursos da prefeitura e contou que pessoas estão há mais de uma semana batendo na sua porta em função do desemprego. Mas disse ainda confiar que as autoridades estaduais e federais apontem uma solução para a crise instalada no setor madeireiro local: "Temos que ter emprego para esse povo. É injusto é um pai de família ficar desempregado. O município não pode ficar a vida toda desse jeito".
Algumas horas depois, já no início da tarde, o prefeito Macarrão aceitou conceder entrevista. Questionado sobre o porquê da distribuição de alimentos comprados com dinheiro público na porta de sua casa, alegou ser uma tradição local: "É quase um folclore, toda a população me procura todo dia. Eles não tem a quem recorrer, e por isso pedem ao prefeito". O prefeito ainda comentou o risco de pessoas se juntarem à beira de uma rodovia movimentada em busca de comida: "Acho tudo perigoso, precisamos é resolver o problema da comunidade".
Antes da entrevista, em pronunciamento a lideranças locais, o prefeito disse estar ciente de que não basta distribuir comida ao povo. "A cesta básica no Nordeste é um bote salva-vida, mas na nossa região é uma âncora no pescoço de um funcionário. É a retirada da dignidade, pois ele tem compromisso no comércio e em todos os lugares", comparou.
Nem toda população avalia positivamente o gesto e as intenções do prefeito. A agricultora Antônia Pereira, 46 anos, comentou que, como os alimentos foram comprados pela ação social do município, a entrega tinha de ser na prefeitura. "Isso é movimento político e quem faz tem que ser punido", defendeu. "Nossa sociedade não pode viver do assistencialismo. Temos que viver produzindo e trabalhando", reforçou outro agricultor, Valdinei Palhares.
Na secretaria do Fórum do município, a informação é de que representantes do Ministério Público vão averiguar possíveis irregularidades na ação da manhã de hoje. O prefeito já foi reeleito, não podendo se recandidatar, mas neste ano ocorrerão eleições para a Prefeitura e Câmara dos Vereadores.
Fonte: Marco Antônio Soalheiro, Enviado especial da Agência Brasil, com o Observatório
Tailândia (PA) - Antes das 9h de ontem, às margens da Rodovia PA-150, milhares de homens, mulheres e crianças formam filas imensas em frente da casa do prefeito Paulo Jasper, 56 anos, popularmente conhecido como "Macarrão". Alguns enfrentaram mais de cinco quilômetros a pé ou dez quilômetros de bicicleta para chegar ali e disputar 3.500 cestas básicas distribuídas gratuitamente pela Secretaria de Ação Social do município. Na fila, o discurso é unificado: críticas à Operação Arco de Fogo, que combate a exploração ilegal de madeira na cidade e muitos elogios ao que chamam de "bondade" do prefeito e de sua família.
"Os pais de família que trabalham com madeira e crianças estão morrendo de fome. A gente sempre vem na casa do prefeito, e quando ele pode, ajuda a gente", disse a doméstica Josefa Cunha, 58 anos.
Quando a distribuição de comida efetivamente começa, começam a sair do estacionamento da casa um microônibus e várias caminhonetes. Na comitiva, o prefeito segue com deputados estaduais e federais que representam a região e foram ao município debater com lideranças locais as ações da operação que combate o desmatamento. Macarrão, após 15 dias longe do município, desce de seu veículo, ergue os braços, acena para os que aguardam a comida, é aplaudido e sai sem falar com a imprensa.
Alguns funcionários de madeireiras permanecem pacientemente na fila. É o caso de Zulmiro Soares, 60 anos, três filhos. O salário médio da categoria é de R$ 600, segundo o sindicato dos trabalhadores . “O serviço aqui está todo parado não tem como sustentar os filhos. Vou arrumar renda da onde?”, questiona Soares. “A empresa pára e nós também. O homem sempre dava comida, até antes de ser prefeito.”
Com uma filha de 6 meses no colo, Socorro Nascimento, 25 anos, ainda consegue carregar sua cesta com a mão que sobra. Ele diz que a Operação Arco de Fogo está provocando desemprego e fome na região. "Eles têm que pegar a madeira, vender, trocar em rancho [comida] e dar para o pessoal desempregado", defendeu.
Silas de Almeida, 43 anos, trabalhava fazia cinco meses no setor madeireiro de Tailândia. Ele disse saber da existência ilegalidade, mas avaliou que o combate à situação exige um período de transição: "A coisa tem quer modificada devagar para ninguém passar necessidade".
Primeira Dama no comando da operação
Na coordenação da distribuição, ao lado do caminhão, quem manda é a esposa do prefeito, Hígia Frota, titular da Secretaria de Ação Social de Tailândia e dona da residência onde os populares se concentram. Ela confirmou que os alimentos foram adquiridos com recursos da prefeitura e contou que pessoas estão há mais de uma semana batendo na sua porta em função do desemprego. Mas disse ainda confiar que as autoridades estaduais e federais apontem uma solução para a crise instalada no setor madeireiro local: "Temos que ter emprego para esse povo. É injusto é um pai de família ficar desempregado. O município não pode ficar a vida toda desse jeito".
Algumas horas depois, já no início da tarde, o prefeito Macarrão aceitou conceder entrevista. Questionado sobre o porquê da distribuição de alimentos comprados com dinheiro público na porta de sua casa, alegou ser uma tradição local: "É quase um folclore, toda a população me procura todo dia. Eles não tem a quem recorrer, e por isso pedem ao prefeito". O prefeito ainda comentou o risco de pessoas se juntarem à beira de uma rodovia movimentada em busca de comida: "Acho tudo perigoso, precisamos é resolver o problema da comunidade".
Antes da entrevista, em pronunciamento a lideranças locais, o prefeito disse estar ciente de que não basta distribuir comida ao povo. "A cesta básica no Nordeste é um bote salva-vida, mas na nossa região é uma âncora no pescoço de um funcionário. É a retirada da dignidade, pois ele tem compromisso no comércio e em todos os lugares", comparou.
Nem toda população avalia positivamente o gesto e as intenções do prefeito. A agricultora Antônia Pereira, 46 anos, comentou que, como os alimentos foram comprados pela ação social do município, a entrega tinha de ser na prefeitura. "Isso é movimento político e quem faz tem que ser punido", defendeu. "Nossa sociedade não pode viver do assistencialismo. Temos que viver produzindo e trabalhando", reforçou outro agricultor, Valdinei Palhares.
Na secretaria do Fórum do município, a informação é de que representantes do Ministério Público vão averiguar possíveis irregularidades na ação da manhã de hoje. O prefeito já foi reeleito, não podendo se recandidatar, mas neste ano ocorrerão eleições para a Prefeitura e Câmara dos Vereadores.
Fonte: Marco Antônio Soalheiro, Enviado especial da Agência Brasil, com o Observatório
MPTresgata mais 200 trabalhadores em condições degradantes 29.02.08
29.02.08
Brasil do Atraso
Fiscalização ocorreu nas usinas Capricho e Sumaúma, do Grupo Toledo. Na mesma operação, fiscais já haviam encontrado mais de 450 trabalhadores em condições degradantes em outras duas empresas do setor canavieiro alagoano
Cerca de 200 pessoas que trabalhavam em condição degradante foram encontradas no início desta semana em duas usinas de cana em Alagoas. Com esse resgate, já são mais de 650 trabalhadores flagrados em situação semelhante na mesma operação de fiscalização realizada pelo grupo móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Alagoas.
Os resgates ocorreram na Usina Capricho, no município de Cajueiro (AL), e na Usina Sumaúma, em Marechal Deodoro (AL). Os dois empreendimentos fazem parte do Grupo Toledo, pertencente à uma família centenária do Estado. Segundo definição do próprio site do grupo, "A Família Toledo cultiva cana-de-açúcar desde tempos brasileiros imemoriais".
De acordo com o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Rodrigo Carelli, que participou das fiscalizações, a condição dos alojamentos era precária, e faltavam equipamentos básicos aos trabalhadores. "A questão é bem complicada nessas usinas quanto ao alojamento dos trabalhadores, que estão em condições bem insatisfatórias. Além disso, eles passam horas dentro do ônibus para ir ao trabalho, e chegam exaustos. Não há quase nenhum equipamento de proteção individual (EPI), e os que estão disponíveis são velhos e inapropriados, fora das especificações", relata.
Com o objetivo de verificar irregularidades no setor sucroalcooleiro, o MPT criou uma força-tarefa. Em geral, apenas um representante da instituição - juntamente com um auditor fiscal do Trabalho e agentes da Polícia Federal (PF) para garantir a segurança - participa das operações do grupo móvel. Em Alagoas, são oito. "Estamos começando por Alagoas, mas vamos expandir para outros estados que também têm esse tipo de problema.", conta Rodrigo.
De acordo com nota divulgada pelo MTE, fiscais negociam o pagamento da rescisão contratual dos 200 trabalhadores alojados em condições degradantes.
Grandes produtores
No final da semana passada, a operação em Alagoas já havia flagrado mais de 450 pessoas (veja notícia mais abaixo, do dia 27.02.08) trabalhando sob péssimas condições. Na usina Laginha, que fica em União dos Palmares (AL) e faz parte do Grupo João Lyra, foram encontrados 53 trabalhadores em situação degradante. Na Santa Clotilde, no município de Rio Largo (AL), a fiscalização resgatou mais de 400 pessoas.
Fonte: Iberê Thenório, Repórter Brasil
O outro lado
Usinas dizem que vão sanar irregularidades
Um dos diretores do grupo Toledo, Jorge Toledo, disse à Agência Folha que fará o que a Procuradoria do Trabalho determinar, inclusive rescindir os contratos dos cerca de 200 trabalhadores. "A gente vai ajudar na medida do possível e vencer os obstáculos apontados. Há vontade de se adequar à exigências."
Segundo Toledo, no entanto, como o Brasil é um "país multicultural", há detalhes que não são levados em conta. "Sempre há a opção de cama ou de rede. Muitos preferem a rede, mas a Procuradoria do Trabalho não a considera um lugar adequado para o descanso", disse.
"Banheiros rurais são padrão no Brasil inteiro, mas eles também foram indicados como não satisfatórios." Disse ainda que, "na agricultura do Nordeste, ninguém ganha mais do que o trabalhador na cana" e que "quase todos têm contrato formal".
Tatiana Simões, responsável pelo departamento jurídico da usina Santa Clotilde, afirmou que, de fato, foram encontradas algumas irregularidades, mas que estão sendo sanadas. Segundo ela, não houve rescisão dos contratos. "O trabalhador também não recebe só feijão. Há uma quentinha em recipiente térmico", afirmou.
Em nota, o grupo João Lyra voltou a afirmar que o resgate dos trabalhadores não ocorreu na usina: "O que ocorreu foi uma fiscalização na usina Laginha que não teve nenhuma dessas conseqüências divulgadas". O Ministério do Trabalho confirmou novamente o resgate.
Fonte: Agência Folha
Brasil do Atraso
Fiscalização ocorreu nas usinas Capricho e Sumaúma, do Grupo Toledo. Na mesma operação, fiscais já haviam encontrado mais de 450 trabalhadores em condições degradantes em outras duas empresas do setor canavieiro alagoano
Cerca de 200 pessoas que trabalhavam em condição degradante foram encontradas no início desta semana em duas usinas de cana em Alagoas. Com esse resgate, já são mais de 650 trabalhadores flagrados em situação semelhante na mesma operação de fiscalização realizada pelo grupo móvel do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em Alagoas.
Os resgates ocorreram na Usina Capricho, no município de Cajueiro (AL), e na Usina Sumaúma, em Marechal Deodoro (AL). Os dois empreendimentos fazem parte do Grupo Toledo, pertencente à uma família centenária do Estado. Segundo definição do próprio site do grupo, "A Família Toledo cultiva cana-de-açúcar desde tempos brasileiros imemoriais".
De acordo com o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Rodrigo Carelli, que participou das fiscalizações, a condição dos alojamentos era precária, e faltavam equipamentos básicos aos trabalhadores. "A questão é bem complicada nessas usinas quanto ao alojamento dos trabalhadores, que estão em condições bem insatisfatórias. Além disso, eles passam horas dentro do ônibus para ir ao trabalho, e chegam exaustos. Não há quase nenhum equipamento de proteção individual (EPI), e os que estão disponíveis são velhos e inapropriados, fora das especificações", relata.
Com o objetivo de verificar irregularidades no setor sucroalcooleiro, o MPT criou uma força-tarefa. Em geral, apenas um representante da instituição - juntamente com um auditor fiscal do Trabalho e agentes da Polícia Federal (PF) para garantir a segurança - participa das operações do grupo móvel. Em Alagoas, são oito. "Estamos começando por Alagoas, mas vamos expandir para outros estados que também têm esse tipo de problema.", conta Rodrigo.
De acordo com nota divulgada pelo MTE, fiscais negociam o pagamento da rescisão contratual dos 200 trabalhadores alojados em condições degradantes.
Grandes produtores
No final da semana passada, a operação em Alagoas já havia flagrado mais de 450 pessoas (veja notícia mais abaixo, do dia 27.02.08) trabalhando sob péssimas condições. Na usina Laginha, que fica em União dos Palmares (AL) e faz parte do Grupo João Lyra, foram encontrados 53 trabalhadores em situação degradante. Na Santa Clotilde, no município de Rio Largo (AL), a fiscalização resgatou mais de 400 pessoas.
Fonte: Iberê Thenório, Repórter Brasil
O outro lado
Usinas dizem que vão sanar irregularidades
Um dos diretores do grupo Toledo, Jorge Toledo, disse à Agência Folha que fará o que a Procuradoria do Trabalho determinar, inclusive rescindir os contratos dos cerca de 200 trabalhadores. "A gente vai ajudar na medida do possível e vencer os obstáculos apontados. Há vontade de se adequar à exigências."
Segundo Toledo, no entanto, como o Brasil é um "país multicultural", há detalhes que não são levados em conta. "Sempre há a opção de cama ou de rede. Muitos preferem a rede, mas a Procuradoria do Trabalho não a considera um lugar adequado para o descanso", disse.
"Banheiros rurais são padrão no Brasil inteiro, mas eles também foram indicados como não satisfatórios." Disse ainda que, "na agricultura do Nordeste, ninguém ganha mais do que o trabalhador na cana" e que "quase todos têm contrato formal".
Tatiana Simões, responsável pelo departamento jurídico da usina Santa Clotilde, afirmou que, de fato, foram encontradas algumas irregularidades, mas que estão sendo sanadas. Segundo ela, não houve rescisão dos contratos. "O trabalhador também não recebe só feijão. Há uma quentinha em recipiente térmico", afirmou.
Em nota, o grupo João Lyra voltou a afirmar que o resgate dos trabalhadores não ocorreu na usina: "O que ocorreu foi uma fiscalização na usina Laginha que não teve nenhuma dessas conseqüências divulgadas". O Ministério do Trabalho confirmou novamente o resgate.
Fonte: Agência Folha
CMN aprova exigências ambientais para liberação de crédito rural na Amazônia 29.02.08
29.02.08
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem (28/02) a inclusão de critérios ambientais para contratação de crédito da safra 2008/2009 no bioma Amazônia. Com isso, aumenta o rigor na liberação de financiamentos para produtores que desmatam ilegalmente. A medida vale para instituições financeiras públicas e privadas.
A partir da próxima safra, a concessão de financiamentos em todo crédito rural para atividades agropecuárias, nos 550 municípios que integram o bioma, ficará condicionada à apresentação, pelos produtores, dos seguintes documentos: Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) vigente e certificado, certidão ou licença ambiental vigente do imóvel onde será implantado o projeto a ser financiado e declaração de que inexistem embargos vigentes de uso econômico de áreas desmatadas ilegalmente no imóvel. As regras valem também para financiamento a parceiros, meeiros e arrendatários. A liberação do crédito deverá observar, ainda, as recomendações e restrições do zoneamento ecológico-econômico.
Beneficiários enquadrados no Pronaf, exceto no Grupo "B" (famílias com renda anual até R$ 4 mil), e produtores rurais que disponham de área não superior a quatro módulos fiscais, devem apresentar - no lugar do CCIR e da licença ambiental - uma declaração individual atestando a existência física de reserva legal e área de preservação permanente, conforme previsto no Código Florestal. Devem atender, no entanto, às demais exigências da legislação ambiental e não podem estar com áreas incluídas nos embargos. Produtores enquadrados no Grupo "B" estão isentos de apresentação desses documentos.
Excluem-se da restrição, para efeitos do valor do financiamento: exploração extrativista ecologicamente sustentável, e plano de manejo florestal sustentável, incluindo-se os custos relativos à implantação e manutenção do empreendimento; e adequação ambiental, mediante recomposição, regeneração e manutenção de áreas de preservação permanente e reserva legal e recuperação de áreas degradadas, para o cumprimento de legislação ambiental.
Fonte: ASCOM/MMA
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem (28/02) a inclusão de critérios ambientais para contratação de crédito da safra 2008/2009 no bioma Amazônia. Com isso, aumenta o rigor na liberação de financiamentos para produtores que desmatam ilegalmente. A medida vale para instituições financeiras públicas e privadas.
A partir da próxima safra, a concessão de financiamentos em todo crédito rural para atividades agropecuárias, nos 550 municípios que integram o bioma, ficará condicionada à apresentação, pelos produtores, dos seguintes documentos: Certificado de Cadastro de Imóvel Rural (CCIR) vigente e certificado, certidão ou licença ambiental vigente do imóvel onde será implantado o projeto a ser financiado e declaração de que inexistem embargos vigentes de uso econômico de áreas desmatadas ilegalmente no imóvel. As regras valem também para financiamento a parceiros, meeiros e arrendatários. A liberação do crédito deverá observar, ainda, as recomendações e restrições do zoneamento ecológico-econômico.
Beneficiários enquadrados no Pronaf, exceto no Grupo "B" (famílias com renda anual até R$ 4 mil), e produtores rurais que disponham de área não superior a quatro módulos fiscais, devem apresentar - no lugar do CCIR e da licença ambiental - uma declaração individual atestando a existência física de reserva legal e área de preservação permanente, conforme previsto no Código Florestal. Devem atender, no entanto, às demais exigências da legislação ambiental e não podem estar com áreas incluídas nos embargos. Produtores enquadrados no Grupo "B" estão isentos de apresentação desses documentos.
Excluem-se da restrição, para efeitos do valor do financiamento: exploração extrativista ecologicamente sustentável, e plano de manejo florestal sustentável, incluindo-se os custos relativos à implantação e manutenção do empreendimento; e adequação ambiental, mediante recomposição, regeneração e manutenção de áreas de preservação permanente e reserva legal e recuperação de áreas degradadas, para o cumprimento de legislação ambiental.
Fonte: ASCOM/MMA
Dejetos de suínos e aves viram energia elétrica 29.02.08
29.02.08
O interesse de uma empresa norte-americana em instalar uma usina de geração de energia elétrica a partir de dejetos de aves e suínos aos poucos começa a projetar mudanças no cenário econômico de São Ludgero, cidade de 10 mil habitantes no Sul do Estado, cuja base da economia está sustentada pela indústria plástica e pela agropecuária. Segundo informações do governo do Estado, o investimento do grupo Contour Global será de US$ 128 milhões, com possibilidade de início das operações em 2010.
O grupo tem sede em Nova York e controla oito indústrias do setor no mundo. No ano passado, a multinacional investiu cerca de US$ 300 milhões em uma hidrelétrica em São Domingos, no interior de Goiás. Conforme o secretário Regional de Desenvolvimento, Gelson Padilha, a dimensão real do negócio só deve ser conhecida a partir de maio, quando a empresa interessada irá apresentar o projeto da futura usina. Além do esterco dos aviários, serão utilizados serragem e restos de ração.
"A idéia é utilizar os dejetos de aves em um primeiro momento. A suinocultura também deverá ser fornecedora de material para a geração de energia", conta o secretário. A Prefeitura de São Ludgero analisa as possíveis áreas que podem ser escolhidas para a implantação da usina. O engenheiro civil Jânio Paladini informa que 12 terrenos, alguns próximos da área urbana, foram considerados e podem ser adquiridos pelo grupo investidor. Além do aspecto econômico, o aproveitamento dos dejetos de frangos e, mais tarde, também dos suínos representa um avanço ambiental.
"É uma alternativa interessante, pois dá um destino ecologicamente correto aos dejetos que são poluidores do meio ambiente", diz o engenheiro-agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), Luís Carlos Lunardi. Para os avicultores, a construção da usina ainda é um mistério, já que não há projetos nem informações concretas sobre o tema. O criador Irmoto Schilickmann já ouviu falar no assunto e considera a idéia positiva, pois até as pequenas propriedades podem ganhar uma renda extra com a venda dos dejetos.
"Tenho 15 mil frangos que produzem 30 mil litros de dejetos por mês. É pouco, pois a propriedade é pequena, mas se fosse utilizado nessa usina já ajudaria a preservar a natureza", comenta. Clodoaldo Becker, cuja propriedade tem quase 70 mil frangos, também está otimista. "Não se conhece muito a respeito dessa usina, mas, se der realmente certo, será muito bom", acredita o criador.
Fonte: A Notícia
O interesse de uma empresa norte-americana em instalar uma usina de geração de energia elétrica a partir de dejetos de aves e suínos aos poucos começa a projetar mudanças no cenário econômico de São Ludgero, cidade de 10 mil habitantes no Sul do Estado, cuja base da economia está sustentada pela indústria plástica e pela agropecuária. Segundo informações do governo do Estado, o investimento do grupo Contour Global será de US$ 128 milhões, com possibilidade de início das operações em 2010.
O grupo tem sede em Nova York e controla oito indústrias do setor no mundo. No ano passado, a multinacional investiu cerca de US$ 300 milhões em uma hidrelétrica em São Domingos, no interior de Goiás. Conforme o secretário Regional de Desenvolvimento, Gelson Padilha, a dimensão real do negócio só deve ser conhecida a partir de maio, quando a empresa interessada irá apresentar o projeto da futura usina. Além do esterco dos aviários, serão utilizados serragem e restos de ração.
"A idéia é utilizar os dejetos de aves em um primeiro momento. A suinocultura também deverá ser fornecedora de material para a geração de energia", conta o secretário. A Prefeitura de São Ludgero analisa as possíveis áreas que podem ser escolhidas para a implantação da usina. O engenheiro civil Jânio Paladini informa que 12 terrenos, alguns próximos da área urbana, foram considerados e podem ser adquiridos pelo grupo investidor. Além do aspecto econômico, o aproveitamento dos dejetos de frangos e, mais tarde, também dos suínos representa um avanço ambiental.
"É uma alternativa interessante, pois dá um destino ecologicamente correto aos dejetos que são poluidores do meio ambiente", diz o engenheiro-agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri), Luís Carlos Lunardi. Para os avicultores, a construção da usina ainda é um mistério, já que não há projetos nem informações concretas sobre o tema. O criador Irmoto Schilickmann já ouviu falar no assunto e considera a idéia positiva, pois até as pequenas propriedades podem ganhar uma renda extra com a venda dos dejetos.
"Tenho 15 mil frangos que produzem 30 mil litros de dejetos por mês. É pouco, pois a propriedade é pequena, mas se fosse utilizado nessa usina já ajudaria a preservar a natureza", comenta. Clodoaldo Becker, cuja propriedade tem quase 70 mil frangos, também está otimista. "Não se conhece muito a respeito dessa usina, mas, se der realmente certo, será muito bom", acredita o criador.
Fonte: A Notícia
Falta de estrutura prejudica retirada de madeira ilegal no Pará 29.02.08
29.02.08
Tailândia (PA) - Em condições precárias, seis homens trabalham em um dos postos estratégicos para a retirada da madeira ilegal apreendida na cidade de Tailândia, no nordeste do Pará.
São centenas de toras de árvores, cortadas na floresta e empilhadas às margens do rio Moju, em um terminal fluvial a 15 quilômetros de Tailândia, por conta da estrutura precária para retirá-las dos caminhões e colocá-las nas balsas que devem levar o material para Belém.
“Essa madeira deveria ter embarcado na terça, mas hoje [quinta-feira] nós estamos aqui esperando. Só tem uma máquina com problema e eles não vêm aqui arrumar. Com sorte, a madeira sai daqui amanhã [hoje, sexta-feira]”, lamentou Ceará, capitão da balsa, em entrevista à TV Brasil.
“Isso não é trabalho para só uma máquina. Era para ter mais uma, e as duas em condições normais. Assim fica muito difícil”, disse o marinheiro Helinho.
Com o atraso de três dias no embarque da madeira, os marinheiros temem pela segurança.
Ceará e os marinheiros passaram o dia aguardando uma mangueira para que a pá, que recolhe os enormes pedaços de madeira, pudesse funcionar. Segundo o capitão, em 30 minutos o problema estaria resolvido caso um representante do governo do Estado estivesse no local para auxiliar nos trabalhos.
São duas plataformas, uma com capacidade para mil metros cúbicos de madeira e outra para 400 metros cúbicos, que já deveriam ter partido para Belém.
Fonte: Roberto Maltchik e Marco Antônio Soalheiro,
enviados especiais da Agência Brasil
Tailândia (PA) - Em condições precárias, seis homens trabalham em um dos postos estratégicos para a retirada da madeira ilegal apreendida na cidade de Tailândia, no nordeste do Pará.
São centenas de toras de árvores, cortadas na floresta e empilhadas às margens do rio Moju, em um terminal fluvial a 15 quilômetros de Tailândia, por conta da estrutura precária para retirá-las dos caminhões e colocá-las nas balsas que devem levar o material para Belém.
“Essa madeira deveria ter embarcado na terça, mas hoje [quinta-feira] nós estamos aqui esperando. Só tem uma máquina com problema e eles não vêm aqui arrumar. Com sorte, a madeira sai daqui amanhã [hoje, sexta-feira]”, lamentou Ceará, capitão da balsa, em entrevista à TV Brasil.
“Isso não é trabalho para só uma máquina. Era para ter mais uma, e as duas em condições normais. Assim fica muito difícil”, disse o marinheiro Helinho.
Com o atraso de três dias no embarque da madeira, os marinheiros temem pela segurança.
Ceará e os marinheiros passaram o dia aguardando uma mangueira para que a pá, que recolhe os enormes pedaços de madeira, pudesse funcionar. Segundo o capitão, em 30 minutos o problema estaria resolvido caso um representante do governo do Estado estivesse no local para auxiliar nos trabalhos.
São duas plataformas, uma com capacidade para mil metros cúbicos de madeira e outra para 400 metros cúbicos, que já deveriam ter partido para Belém.
Fonte: Roberto Maltchik e Marco Antônio Soalheiro,
enviados especiais da Agência Brasil
Deputado Salame diz a Prefeito Macarrão que vai cobrar regularização de Governadora Carepa 29.02.08
29.02.08
Tailândia (PA) - A Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Pará vai cobrar da governadora Ana Júlia Carepa medidas no sentido de agilizar a regularização fundiária e emissão de licenças ambientais pendentes na região de Tailândia.
A promessa foi feita à população local pelo presidente da comissão, deputado João Salame (PPS).
“Vamos levar [ao governo estadual] a necessidade de urgência dos planos de manejo para que a indústria madeireira possa operar de maneira legal e outras alternativas para aquecer a economia local”, disse.
“O objetivo é impedir que a operação [Arco de Fogo], que veio para combater a ilegalidade, intensifique ainda mais a atividade ilegal a partir do desespero das pessoas que vão ficar sem emprego”, acrescentou.
Segundo o deputado, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) está mal aparelhada e carente de técnicos. Há cerca de 6 mil pedidos de licenciamento aguardando autorização da pasta. A solução, para Salame, seria a municipalização de autorizações para projetos de pequeno e médio impacto ambiental.
“Não é possível que para se licenciar uma casa de farinha, a construção de um posto de gasolina e um hotel tenha que se apresentar um pedido em Belém”, argumentou o deputado.
O presidente do Sindicato das Madeireiras de Tailândia ( Sindimata), João Medeiros, admitiu a ocorrência de ilegalidades no setor, mas lembrou que sem regularização fundiária não se consegue legalizar plano de manejo florestal.
“Viemos aqui para ficar. Tudo que temos está aqui dentro e 80% são legais. Que há ilegais há, mas como em todos os outros setores da economia”, disse Medeiros.
O encontro entre lideranças locais e os deputados foi intermediado pelo prefeito Paulo Jasper, o Macarrão. Há 15 dias fora de Tailândia, ele disse ter usado o tempo para articular em Belém uma ação política ampla em favor de medidas que garantam alternativas aos empresários e trabalhadores afetados pela Operação Arco de Fogo, que combate a exploração ilegal de madeira no município.
“Uma solução para esse problema não pode se dar no singular, mas no plural”, ressaltou, ao argumentar também que “tão importante quanto preservar a floresta é preservar a dignidade do homem”.
Fonte: Marco Antônio Soalheiro, enviado especial da Agência Brasil
Tailândia (PA) - A Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa do Pará vai cobrar da governadora Ana Júlia Carepa medidas no sentido de agilizar a regularização fundiária e emissão de licenças ambientais pendentes na região de Tailândia.
A promessa foi feita à população local pelo presidente da comissão, deputado João Salame (PPS).
“Vamos levar [ao governo estadual] a necessidade de urgência dos planos de manejo para que a indústria madeireira possa operar de maneira legal e outras alternativas para aquecer a economia local”, disse.
“O objetivo é impedir que a operação [Arco de Fogo], que veio para combater a ilegalidade, intensifique ainda mais a atividade ilegal a partir do desespero das pessoas que vão ficar sem emprego”, acrescentou.
Segundo o deputado, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) está mal aparelhada e carente de técnicos. Há cerca de 6 mil pedidos de licenciamento aguardando autorização da pasta. A solução, para Salame, seria a municipalização de autorizações para projetos de pequeno e médio impacto ambiental.
“Não é possível que para se licenciar uma casa de farinha, a construção de um posto de gasolina e um hotel tenha que se apresentar um pedido em Belém”, argumentou o deputado.
O presidente do Sindicato das Madeireiras de Tailândia ( Sindimata), João Medeiros, admitiu a ocorrência de ilegalidades no setor, mas lembrou que sem regularização fundiária não se consegue legalizar plano de manejo florestal.
“Viemos aqui para ficar. Tudo que temos está aqui dentro e 80% são legais. Que há ilegais há, mas como em todos os outros setores da economia”, disse Medeiros.
O encontro entre lideranças locais e os deputados foi intermediado pelo prefeito Paulo Jasper, o Macarrão. Há 15 dias fora de Tailândia, ele disse ter usado o tempo para articular em Belém uma ação política ampla em favor de medidas que garantam alternativas aos empresários e trabalhadores afetados pela Operação Arco de Fogo, que combate a exploração ilegal de madeira no município.
“Uma solução para esse problema não pode se dar no singular, mas no plural”, ressaltou, ao argumentar também que “tão importante quanto preservar a floresta é preservar a dignidade do homem”.
Fonte: Marco Antônio Soalheiro, enviado especial da Agência Brasil
Embaixador diz que Brasil interpretou mal recomendação da União Européia 28.02.08
28.02.08
Ao anunciar ontem (27) a liberação da exportação de carne de 106 fazendas brasileiras para a União Européia (UE), o chefe da Delegação Européia no Brasil, embaixador João Pacheco, disse que pode ter havido um problema de interpretação do governo brasileiro em relação ao número de fazendas que estariam aptas a exportar. Ele explicou que a indicação de limitar o comércio a 300 fazendas foi apenas uma recomendação, não uma limitação quantitativa.
“Foi uma recomendação, para que não nos enviassem uma lista muito maior, para que depois fôssemos fazer uma inspeção e as coisas não estivessem bem. Mas não há nenhum limite quantitativo, o único limite são as auditorias estarem feitas, e bem feitas”, disse Pacheco.
Em nota divulgada no início de fevereiro, o Itamaraty disse que “a pretensão européia de que o Brasil selecione 300 propriedades dentre o universo de fazendas preliminarmente aprovadas é descabida e discriminaria entre fazendas perfeitamente habilitadas, punindo os esforços dos fazendeiros que procuraram cumprir as exigências estabelecidas pela União Européia”.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou a dizer que as restrições quantitativas em relação à carne do Brasil contrariam as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo João Pacheco, a necessidade do envio de listas pelo governo brasileiro ocorreu devido a problemas com o Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov).
“Primeiro, nos enviaram uma lista com mais de duas mil fazendas sem os relatórios de inspeção. Então, não pudemos aceitar. Depois, nos enviaram uma lista mais reduzida, mas que ainda tinha problemas. E finalmente agora tivemos uma lista sem problemas”, explicou.
Ele reforçou que não existe um limite quantitativo para a importação de carne brasileira pela União Européia (UE). “Não há qualquer limite quantitativo. O número de fazendas que serão liberadas depende do que o governo brasileiro nos enviar como lista devidamente auditada, com auditoria feita”.
No dia 31 de janeiro, a União Européia suspendeu a compra de carne do Brasil, alegando insuficiência das garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo país.
Sabrina Craide, repórter da Agência Brasil
Ao anunciar ontem (27) a liberação da exportação de carne de 106 fazendas brasileiras para a União Européia (UE), o chefe da Delegação Européia no Brasil, embaixador João Pacheco, disse que pode ter havido um problema de interpretação do governo brasileiro em relação ao número de fazendas que estariam aptas a exportar. Ele explicou que a indicação de limitar o comércio a 300 fazendas foi apenas uma recomendação, não uma limitação quantitativa.
“Foi uma recomendação, para que não nos enviassem uma lista muito maior, para que depois fôssemos fazer uma inspeção e as coisas não estivessem bem. Mas não há nenhum limite quantitativo, o único limite são as auditorias estarem feitas, e bem feitas”, disse Pacheco.
Em nota divulgada no início de fevereiro, o Itamaraty disse que “a pretensão européia de que o Brasil selecione 300 propriedades dentre o universo de fazendas preliminarmente aprovadas é descabida e discriminaria entre fazendas perfeitamente habilitadas, punindo os esforços dos fazendeiros que procuraram cumprir as exigências estabelecidas pela União Européia”.
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, chegou a dizer que as restrições quantitativas em relação à carne do Brasil contrariam as normas da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo João Pacheco, a necessidade do envio de listas pelo governo brasileiro ocorreu devido a problemas com o Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov).
“Primeiro, nos enviaram uma lista com mais de duas mil fazendas sem os relatórios de inspeção. Então, não pudemos aceitar. Depois, nos enviaram uma lista mais reduzida, mas que ainda tinha problemas. E finalmente agora tivemos uma lista sem problemas”, explicou.
Ele reforçou que não existe um limite quantitativo para a importação de carne brasileira pela União Européia (UE). “Não há qualquer limite quantitativo. O número de fazendas que serão liberadas depende do que o governo brasileiro nos enviar como lista devidamente auditada, com auditoria feita”.
No dia 31 de janeiro, a União Européia suspendeu a compra de carne do Brasil, alegando insuficiência das garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo país.
Sabrina Craide, repórter da Agência Brasil
Liberação de fazendas não é suficiente para o setor, afirma dirigente da CNA 28.02.08
28.02.08
A liberação de 106 fazendas brasileiras para exportação de carne aos países da União Européia não significa benefícios para os produtores brasileiros, na avaliação do presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira. Para ele, ainda há um “embargo branco” no setor.
“É uma falta de respeito com o produtor rural brasileiro. Hoje existem no banco de dados do Sisbov [Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos] mais de 8,7 mil fazendas só na zona habilitada. Dessas, tirar só 106, é ridículo”, disse Nogueira. Segundo ele, a carne que poderá ser comercializada com o bloco “não é suficiente para exportar nem um container”.
O representante da CNA também critica a falta de regras por parte da União Européia para aceitar a carne vinda do Brasil. “Estamos cobrando do Ministério da Agricultura que exija da União Européia regras claras sobre esse assunto”, afirmou.
O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Antônio Jorge Carmardelli, disse que os exportadores brasileiros deverão avaliar se ainda vale a pena comercializar carne para a União Européia, já que o preço dos animais das propriedades que atenderam às premissas do bloco deverá ser valorizado.
“Isso é uma questão de mercado, funciona a lei de oferta e procura. Se for conveniente, os frigoríficos irão adquirir para cumprir seus contratos e acordos”, explica. Camardelli lembra que, além dos países que formam a União Européia, o Brasil exporta carne para mais 150 países.
Segundo o diretor da Abiec, a movimentação mensal do setor corresponde a US$ 90 milhões. Mas, para ele, as perdas do setor com o embargo foram mais sentidas pelos frigoríficos. “Os frigoríficos tinham programações anuais, nós procuramos fugir um pouco de vendas pequenas e com isso houve uma quebra da seqüência”, afirma.
Ele lembra que na Europa os prejuízos também foram sentidos. Segundo Camardelli, o preço da carne teve aumento de 20% nos países europeus. “Há prejuízos para todos os lados, resta tirar a lição e trabalhar para frente”, acredita.
O diretor da Abiec espera que a Secretaria de Defesa Agropecuária tenha o mesmo sucesso ao discutir junto à União Européia como será o cronograma de inclusão de novas propriedades e de que forma isso será feito. Para ele, o Brasil tem estabilidade no cenário da exportação de carnes, mas precisa reorganizar o processo e reforçar sua condição de status sanitário.
O Ministério das Relações Exteriores ainda não se manifestou oficialmente sobre a liberação da exportação da carne brasileira. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a medida foi considerada positiva pelo governo brasileiro, pois indica que a União Européia aceitou as informações repassadas pelo Brasil e não pretende manter o mercado fechado. O Itamaraty ainda não descarta a possibilidade de levar o assunto para discussão na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Sabrina Craide, repórter da Agência Brasil
A liberação de 106 fazendas brasileiras para exportação de carne aos países da União Européia não significa benefícios para os produtores brasileiros, na avaliação do presidente do Fórum Nacional de Pecuária de Corte da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), Antenor Nogueira. Para ele, ainda há um “embargo branco” no setor.
“É uma falta de respeito com o produtor rural brasileiro. Hoje existem no banco de dados do Sisbov [Serviço Brasileiro de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos] mais de 8,7 mil fazendas só na zona habilitada. Dessas, tirar só 106, é ridículo”, disse Nogueira. Segundo ele, a carne que poderá ser comercializada com o bloco “não é suficiente para exportar nem um container”.
O representante da CNA também critica a falta de regras por parte da União Européia para aceitar a carne vinda do Brasil. “Estamos cobrando do Ministério da Agricultura que exija da União Européia regras claras sobre esse assunto”, afirmou.
O diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Antônio Jorge Carmardelli, disse que os exportadores brasileiros deverão avaliar se ainda vale a pena comercializar carne para a União Européia, já que o preço dos animais das propriedades que atenderam às premissas do bloco deverá ser valorizado.
“Isso é uma questão de mercado, funciona a lei de oferta e procura. Se for conveniente, os frigoríficos irão adquirir para cumprir seus contratos e acordos”, explica. Camardelli lembra que, além dos países que formam a União Européia, o Brasil exporta carne para mais 150 países.
Segundo o diretor da Abiec, a movimentação mensal do setor corresponde a US$ 90 milhões. Mas, para ele, as perdas do setor com o embargo foram mais sentidas pelos frigoríficos. “Os frigoríficos tinham programações anuais, nós procuramos fugir um pouco de vendas pequenas e com isso houve uma quebra da seqüência”, afirma.
Ele lembra que na Europa os prejuízos também foram sentidos. Segundo Camardelli, o preço da carne teve aumento de 20% nos países europeus. “Há prejuízos para todos os lados, resta tirar a lição e trabalhar para frente”, acredita.
O diretor da Abiec espera que a Secretaria de Defesa Agropecuária tenha o mesmo sucesso ao discutir junto à União Européia como será o cronograma de inclusão de novas propriedades e de que forma isso será feito. Para ele, o Brasil tem estabilidade no cenário da exportação de carnes, mas precisa reorganizar o processo e reforçar sua condição de status sanitário.
O Ministério das Relações Exteriores ainda não se manifestou oficialmente sobre a liberação da exportação da carne brasileira. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a medida foi considerada positiva pelo governo brasileiro, pois indica que a União Européia aceitou as informações repassadas pelo Brasil e não pretende manter o mercado fechado. O Itamaraty ainda não descarta a possibilidade de levar o assunto para discussão na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Sabrina Craide, repórter da Agência Brasil
Caminhoneiros que transportam madeira apreendida no Pará relatam ameaças 28.02.08
28.02.08
Tailândia (PA) - Enquanto fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizam a medição da madeira apreendida na serrarias de Tailândia, caminhoneiros encarregados do transporte do material aguardam a hora de entrar em cena. Na operação Arco de Fogo, eles são responsáveis por levar parte das toras para um depósito em Marituba, na região metropolitana de Belém. Eles apontam riscos diante da insatisfação de parte da população local com a fiscalização.
"O alvo somos nós. Ouvimos direto por aí que vão nos matar, que vão tocar fogo em nossos caminhões", relatou à Agência Brasil o caminhoneiro Marcos Aparecido. Segundo ele, como o reforço do aparato policial inibe ações contra as forças de segurança, é mais fácil para os insatisfeitos com a fiscalização se voltar contra os motoristas do que contra esses agentes.
Apesar do que dizem escutar, os condutores não admitem abandonar o serviço. "O trabalho é bem complicado, mas precisamos, né?", disse Liesel da Silva. "Fomos contratados para puxar até a última tora de madeira [ilegal]", reforçou Aparecido.
Os motoristas têm escolta de viaturas da polícia militar em parte do trajeto. São 250 quilômetros entre as duas cidades e a escolta vai até Moju, a cerca de 100 quilômetros de Tailândia. No restante do caminho, o monitoramento é feito apenas por postos da Polícia Rodoviária Estadual. Segundo as forças policiais, os cuidados adotados são suficientes para garantir a segurança dos caminhoneiros.
"Nós temos um serviço de inteligência que repassa qualquer informação ou alarde, além de contar com suporte aéreo por helicópteros. Isso nos permite dar uma pronta-resposta para coibir qualquer ação que tente denegrir a imagem da operação ou causar risco às condições físicas dos motoristas", garantiu o capitão Fernando Bilóia, comandante do efetivo da polícia ambiental na Operação Arco de Fogo.
Ao todo, 35 caminhões trabalham na retirada da madeira apreendida em Tailândia. Quinze deles levam as toras até uma balsa em Moju e outros 20 fazem o transporte direto a Marituba. Cada caminhão carrega entre 25 e 60 metros cúbicos de madeira, de acordo com o tamanho da carroceria. Segundo com a coordenação da operação, cerca 400 metros cúbicos de madeira explorada de forma irregular estão deixando diariamente a cidade.
Moradores de Tailândia pedem alternativas de renda para substituir madeira
Tailândia (PA) - Em cada ação dos fiscais e agentes da Operação Arco de Fogo nas madeireiras do município paraense, forma-se um conjunto de moradores que acompanham com atenção e curiosidade os fatos. Estão sempre abertos a conversas, mas muitos se negam a dar entrevistas formais e revelar nomes. Os que topam reclamam dos efeitos que a fiscalização terá na economia local.
“Como vai ficar a população de Tailândia?”, questionou Daniel Monteiro, 48 anos, corretor de vendas de madeira. “Nossa renda está na madeira e não há outros meios para sobreviver. Fico imaginando a cidade daqui a uns 45 dias, todo mundo desempregado. Hoje estou à-toa olhando para o tempo”, acrescentou.
O vendedor de polpa de frutas Arlindo Cassimiro da Silva manifestou solidariedade aos conterrâneos. “Tem muitos pais de família, com vários filhos, que dependem do setor madeireiro. A criança vai pedir comida e vai chorar amargamente. Nosso pão vem da providência de Deus, mas a comunidade precisa trabalhar”, argumentou o morador, que é evangélico.
Silva defendeu que a prefeitura e o governo do estado trabalhem pela instalação de indústrias em Tailândia, para gerar empregos permanentes para a população. “Não adianta só tirar madeira. Onde tira e não se coloca, se acaba. Também tem que gerar alguma coisa para o povo. Até agora não vi isso, para o pessoal ficar tranqüilo”, disse.
O governo do Pará já manifestou a intenção de leiloar a madeira apreendida em Tailândia e se comprometeu aplicar no mínimo 50% dos recursos arrecadados em ações sociais voltadas aos trabalhadores que perderem postos de trabalho na cidade. A prefeitura de Tailândia estima que 70% do dinheiro que circula na cidade venha da madeira.
Cerca de um sétimo da madeira apreendida em Tailândia foi retirado, estima secretaria
Tailândia (PA) - Dos cerca de 15 mil metros cúbicos de madeira apreendidos nas Operações Guardiões da Amazônia e Arco de Fogo, 2.100 metros cúbicos – aproximadamente um sétimo do total – foram retirados até o momento. A informação é do gerente de monitoramento ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Pará, Marcelo Faria.
Vinte e quatro técnicos da Sema e 14 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) participam dos trabalhos de autuação e organização da retirada do material.
“Já está tudo sendo solucionado. A polícia ambiental está providenciado mais agentes e a secretaria também. Temos quatro empilhadeiras trabalhando e duas empresas de transporte contratadas”, informou Faria.
Segundo ele, cerca de 400 metros cúbicos por dia estão sendo retirados por terra e balsa em direção a um depósito na região metropolitana de Belém. Ao todo, 35 caminhões estão a postos para transportar as toras. A carga de cada um varia entre 25 e 60 metros cúbicos.
“O desafio agora é otimizar o trabalho, fazendo a retirada simultânea em duas serrarias. Uma parte vai por balsa e outra pelos caminhões até Belém”, ressaltou Faria. O volume transportado exige uma checagem minuciosa para que não exceda a quantidade declarada no termo de apreensão lavrado pelo Ibama. As espécies mais transportadas são faveiro e cajuaçu, usadas para fazer laminados. A estimativa do Ibama é de que ao final do trabalho de fiscalização sejam encontrados até 40 mil metros cúbicos de madeira extraída de forma irregular.
Logo na chegada à cidade de Tailândia, percebe-se o quanto as madeireiras e serrarias representam na economia local. Dezenas delas se sucedem nas duas margens no trecho urbano da Rodovia PA-150. Um sobrevôo em helicóptero do Ibama deu à equipe da Agência Brasil uma dimensão da quantidade de madeira existente nos pátios das empresas. O último Censo Agropecuário do IBGE registra uma produção anual de 1,4 milhão de metros cúbicos de madeira em toras no município.
“A fiscalização nos reporta a uma situação de agravamento da pressão sobre os recursos naturais, que merece resposta do governo”, afirmou o capitão Fernando Bilóia, comandante do efetivo da polícia ambiental na Operação Arco de Fogo.
Fonte: Marco Antônio Soalheiro, Enviado especial da Agência Brasil
Tailândia (PA) - Enquanto fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizam a medição da madeira apreendida na serrarias de Tailândia, caminhoneiros encarregados do transporte do material aguardam a hora de entrar em cena. Na operação Arco de Fogo, eles são responsáveis por levar parte das toras para um depósito em Marituba, na região metropolitana de Belém. Eles apontam riscos diante da insatisfação de parte da população local com a fiscalização.
"O alvo somos nós. Ouvimos direto por aí que vão nos matar, que vão tocar fogo em nossos caminhões", relatou à Agência Brasil o caminhoneiro Marcos Aparecido. Segundo ele, como o reforço do aparato policial inibe ações contra as forças de segurança, é mais fácil para os insatisfeitos com a fiscalização se voltar contra os motoristas do que contra esses agentes.
Apesar do que dizem escutar, os condutores não admitem abandonar o serviço. "O trabalho é bem complicado, mas precisamos, né?", disse Liesel da Silva. "Fomos contratados para puxar até a última tora de madeira [ilegal]", reforçou Aparecido.
Os motoristas têm escolta de viaturas da polícia militar em parte do trajeto. São 250 quilômetros entre as duas cidades e a escolta vai até Moju, a cerca de 100 quilômetros de Tailândia. No restante do caminho, o monitoramento é feito apenas por postos da Polícia Rodoviária Estadual. Segundo as forças policiais, os cuidados adotados são suficientes para garantir a segurança dos caminhoneiros.
"Nós temos um serviço de inteligência que repassa qualquer informação ou alarde, além de contar com suporte aéreo por helicópteros. Isso nos permite dar uma pronta-resposta para coibir qualquer ação que tente denegrir a imagem da operação ou causar risco às condições físicas dos motoristas", garantiu o capitão Fernando Bilóia, comandante do efetivo da polícia ambiental na Operação Arco de Fogo.
Ao todo, 35 caminhões trabalham na retirada da madeira apreendida em Tailândia. Quinze deles levam as toras até uma balsa em Moju e outros 20 fazem o transporte direto a Marituba. Cada caminhão carrega entre 25 e 60 metros cúbicos de madeira, de acordo com o tamanho da carroceria. Segundo com a coordenação da operação, cerca 400 metros cúbicos de madeira explorada de forma irregular estão deixando diariamente a cidade.
Moradores de Tailândia pedem alternativas de renda para substituir madeira
Tailândia (PA) - Em cada ação dos fiscais e agentes da Operação Arco de Fogo nas madeireiras do município paraense, forma-se um conjunto de moradores que acompanham com atenção e curiosidade os fatos. Estão sempre abertos a conversas, mas muitos se negam a dar entrevistas formais e revelar nomes. Os que topam reclamam dos efeitos que a fiscalização terá na economia local.
“Como vai ficar a população de Tailândia?”, questionou Daniel Monteiro, 48 anos, corretor de vendas de madeira. “Nossa renda está na madeira e não há outros meios para sobreviver. Fico imaginando a cidade daqui a uns 45 dias, todo mundo desempregado. Hoje estou à-toa olhando para o tempo”, acrescentou.
O vendedor de polpa de frutas Arlindo Cassimiro da Silva manifestou solidariedade aos conterrâneos. “Tem muitos pais de família, com vários filhos, que dependem do setor madeireiro. A criança vai pedir comida e vai chorar amargamente. Nosso pão vem da providência de Deus, mas a comunidade precisa trabalhar”, argumentou o morador, que é evangélico.
Silva defendeu que a prefeitura e o governo do estado trabalhem pela instalação de indústrias em Tailândia, para gerar empregos permanentes para a população. “Não adianta só tirar madeira. Onde tira e não se coloca, se acaba. Também tem que gerar alguma coisa para o povo. Até agora não vi isso, para o pessoal ficar tranqüilo”, disse.
O governo do Pará já manifestou a intenção de leiloar a madeira apreendida em Tailândia e se comprometeu aplicar no mínimo 50% dos recursos arrecadados em ações sociais voltadas aos trabalhadores que perderem postos de trabalho na cidade. A prefeitura de Tailândia estima que 70% do dinheiro que circula na cidade venha da madeira.
Cerca de um sétimo da madeira apreendida em Tailândia foi retirado, estima secretaria
Tailândia (PA) - Dos cerca de 15 mil metros cúbicos de madeira apreendidos nas Operações Guardiões da Amazônia e Arco de Fogo, 2.100 metros cúbicos – aproximadamente um sétimo do total – foram retirados até o momento. A informação é do gerente de monitoramento ambiental da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Pará, Marcelo Faria.
Vinte e quatro técnicos da Sema e 14 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) participam dos trabalhos de autuação e organização da retirada do material.
“Já está tudo sendo solucionado. A polícia ambiental está providenciado mais agentes e a secretaria também. Temos quatro empilhadeiras trabalhando e duas empresas de transporte contratadas”, informou Faria.
Segundo ele, cerca de 400 metros cúbicos por dia estão sendo retirados por terra e balsa em direção a um depósito na região metropolitana de Belém. Ao todo, 35 caminhões estão a postos para transportar as toras. A carga de cada um varia entre 25 e 60 metros cúbicos.
“O desafio agora é otimizar o trabalho, fazendo a retirada simultânea em duas serrarias. Uma parte vai por balsa e outra pelos caminhões até Belém”, ressaltou Faria. O volume transportado exige uma checagem minuciosa para que não exceda a quantidade declarada no termo de apreensão lavrado pelo Ibama. As espécies mais transportadas são faveiro e cajuaçu, usadas para fazer laminados. A estimativa do Ibama é de que ao final do trabalho de fiscalização sejam encontrados até 40 mil metros cúbicos de madeira extraída de forma irregular.
Logo na chegada à cidade de Tailândia, percebe-se o quanto as madeireiras e serrarias representam na economia local. Dezenas delas se sucedem nas duas margens no trecho urbano da Rodovia PA-150. Um sobrevôo em helicóptero do Ibama deu à equipe da Agência Brasil uma dimensão da quantidade de madeira existente nos pátios das empresas. O último Censo Agropecuário do IBGE registra uma produção anual de 1,4 milhão de metros cúbicos de madeira em toras no município.
“A fiscalização nos reporta a uma situação de agravamento da pressão sobre os recursos naturais, que merece resposta do governo”, afirmou o capitão Fernando Bilóia, comandante do efetivo da polícia ambiental na Operação Arco de Fogo.
Fonte: Marco Antônio Soalheiro, Enviado especial da Agência Brasil
Morre aos 52 anos Vanderlei de Castro, um defensor do Cerrado 28.02.08
28.02.08
por Jaime Gesisky, ISPN
O Brasil perdeu na madrugada desta quarta-feira (27) um dos principais defensores do uso sustentável da biodiversidade do Cerrado. Vanderlei de Castro, 52 anos, faleceu no município de Diorama, na região do Médio Araguaia (GO). Foi lá que o socioambientalista – considerado um “teórico da terra” – criou em 1996 a organização não-governamental Centro de Tecnologia Agroecológica de Pequenos Agricultores (Agrotec)
Destinado à produção de medicamentos fitoterápicos com princípios ativos das espécies nativas do Cerrado, o Centro tornou-se referência no Brasil por materializar uma experiência-piloto que envolve conhecimento tradicional, tecnologia, uso sustentável da agrobiodiversidade e geração de emprego e renda para agricultores familiares. A Agrotec identifica e reproduz plantas nativas com princípios ativos para 20 produtos fitoterápicos. A Organização conta com 21 associados diretos e centenas de beneficiados indiretos, a maioria deles agricultores familiares e gente simples do Cerrado.
A partir da iniciativa conduzida por Castro foi possível chegar a um protocolo de intenções entre os ministérios do Meio Ambiente, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e FIOCRUZ. O principal objetivo do protocolo é criar um modelo para a adoção dos fitoterápicos brasileiros no Sistema Único de Saúde (SUS).
A experiência começou a ser implantada este ano nos postos de saúde de cinco municípios de Goiás: Diorama, Aragarças, Montes Claros, Piranha e Jussara. Nesses locais, a população teria acesso gratuito a medicamentos feitos com plantas da região a partir de receituário médico. O projeto serviu como inspiração para o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Teórico da terra
Filho de pequenos agricultores,Vanderlei Castro se formou em Psicologia. Mas, na década de 1970, ele deixou a profissão para se juntar a uma equipe de cineastas ingleses, com os quais passou 10 anos filmando na Amazônia a série “A década da destruição”. Exibido na Europa, o documentário foi um dos estopins do movimento internacional que culminou com a realização no Brasil da RIO-92, a conferência mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
O contato com os povos da floresta durante as filmagens do documentário permitiu a Vanderlei de Castro vislumbrar formas de uso sustentável da biodiversidade brasileira. Castro foi um dos pioneiros na proposição de um modelo de manejo de animais silvestres para fins de geração de renda para as comunidades.
Sua experiência na floresta também deu a ele condições de vislumbrar estratégias de articulação entre índios e não-índios que resultaram, entre outras iniciativas, na Aliança dos Povos da Floresta. Como boa parte da população brasileira, ele também contava com ancestrais indígenas, no seu caso, da etnia Bororo.
A atuação de Vanderlei de Castro é considerada imprescindível para o estabelecimento de políticas públicas para beneficiar as comunidades e os povos tradicionais do Cerrado, bioma que deve muito a ele em relação ao estabelecimento de tecnologias agrárias de baixo impacto. Seu trabalho foi todo voltado para beneficiar o meio ambiente e as pessoas diretamente ligadas à terra. Deixou esposa e dois filhos.
Depoimentos:
“Ele amou, primeiramente, a Amazônia e seus povos e, depois, o Cerrado e os povos que viviam em harmonia com o meio ambiente. (...) Sentiu em seu coração como deveria atuar para a proteção dos conhecimentos tradicionais dos povos que habitam o planeta, especialmente os povos que lutam pelo direito à vida”.
Severiá M.Idioriê Xavante (Educadora/ Associação Aliança dos Povos do Roncador)
“Vanderlei de Castro tinha um desafio que era integrar a medicina tradicional ao sistema de saúde pública no Brasil”.
Consolación Udry (Pesquisadora/Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Cooperativismo/Ministério da Agricultura)
“O Cerrado, seus povos e as organizações que trabalham por essa causa perdem um grande e incansável companheiro de luta, mas fica seu exemplo”.
Andréa Lobo/Antropóloga/Presidente do Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN)
“Ele foi um dos pilares do socioambientalismo no Cerrado”.
Donald Sawyer (Sociólogo/Professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UNB)
“Obstinado, ousado, Vanderlei ajudou a abrir novas fronteiras para a conservação do Cerrado”.
Mônica Nogueira ( Antropóloga/Coordenadora da Rede Cerrado)
“Era um lutador das causas comunitárias. Trabalhava pelo coletivo”.
Rubens Nodare (Gerente de Recursos Genéticos/Sec. de Biodiversidade e Florestas/MMA)
“Vanderlei era uma agenda inexistente”
Mauro Pires (MMA)
por Jaime Gesisky, ISPN
O Brasil perdeu na madrugada desta quarta-feira (27) um dos principais defensores do uso sustentável da biodiversidade do Cerrado. Vanderlei de Castro, 52 anos, faleceu no município de Diorama, na região do Médio Araguaia (GO). Foi lá que o socioambientalista – considerado um “teórico da terra” – criou em 1996 a organização não-governamental Centro de Tecnologia Agroecológica de Pequenos Agricultores (Agrotec)
Destinado à produção de medicamentos fitoterápicos com princípios ativos das espécies nativas do Cerrado, o Centro tornou-se referência no Brasil por materializar uma experiência-piloto que envolve conhecimento tradicional, tecnologia, uso sustentável da agrobiodiversidade e geração de emprego e renda para agricultores familiares. A Agrotec identifica e reproduz plantas nativas com princípios ativos para 20 produtos fitoterápicos. A Organização conta com 21 associados diretos e centenas de beneficiados indiretos, a maioria deles agricultores familiares e gente simples do Cerrado.
A partir da iniciativa conduzida por Castro foi possível chegar a um protocolo de intenções entre os ministérios do Meio Ambiente, Agricultura, Desenvolvimento Agrário, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e FIOCRUZ. O principal objetivo do protocolo é criar um modelo para a adoção dos fitoterápicos brasileiros no Sistema Único de Saúde (SUS).
A experiência começou a ser implantada este ano nos postos de saúde de cinco municípios de Goiás: Diorama, Aragarças, Montes Claros, Piranha e Jussara. Nesses locais, a população teria acesso gratuito a medicamentos feitos com plantas da região a partir de receituário médico. O projeto serviu como inspiração para o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Teórico da terra
Filho de pequenos agricultores,Vanderlei Castro se formou em Psicologia. Mas, na década de 1970, ele deixou a profissão para se juntar a uma equipe de cineastas ingleses, com os quais passou 10 anos filmando na Amazônia a série “A década da destruição”. Exibido na Europa, o documentário foi um dos estopins do movimento internacional que culminou com a realização no Brasil da RIO-92, a conferência mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
O contato com os povos da floresta durante as filmagens do documentário permitiu a Vanderlei de Castro vislumbrar formas de uso sustentável da biodiversidade brasileira. Castro foi um dos pioneiros na proposição de um modelo de manejo de animais silvestres para fins de geração de renda para as comunidades.
Sua experiência na floresta também deu a ele condições de vislumbrar estratégias de articulação entre índios e não-índios que resultaram, entre outras iniciativas, na Aliança dos Povos da Floresta. Como boa parte da população brasileira, ele também contava com ancestrais indígenas, no seu caso, da etnia Bororo.
A atuação de Vanderlei de Castro é considerada imprescindível para o estabelecimento de políticas públicas para beneficiar as comunidades e os povos tradicionais do Cerrado, bioma que deve muito a ele em relação ao estabelecimento de tecnologias agrárias de baixo impacto. Seu trabalho foi todo voltado para beneficiar o meio ambiente e as pessoas diretamente ligadas à terra. Deixou esposa e dois filhos.
Depoimentos:
“Ele amou, primeiramente, a Amazônia e seus povos e, depois, o Cerrado e os povos que viviam em harmonia com o meio ambiente. (...) Sentiu em seu coração como deveria atuar para a proteção dos conhecimentos tradicionais dos povos que habitam o planeta, especialmente os povos que lutam pelo direito à vida”.
Severiá M.Idioriê Xavante (Educadora/ Associação Aliança dos Povos do Roncador)
“Vanderlei de Castro tinha um desafio que era integrar a medicina tradicional ao sistema de saúde pública no Brasil”.
Consolación Udry (Pesquisadora/Secretaria de Desenvolvimento Sustentável e Cooperativismo/Ministério da Agricultura)
“O Cerrado, seus povos e as organizações que trabalham por essa causa perdem um grande e incansável companheiro de luta, mas fica seu exemplo”.
Andréa Lobo/Antropóloga/Presidente do Instituto Sociedade, População e Natureza - ISPN)
“Ele foi um dos pilares do socioambientalismo no Cerrado”.
Donald Sawyer (Sociólogo/Professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da UNB)
“Obstinado, ousado, Vanderlei ajudou a abrir novas fronteiras para a conservação do Cerrado”.
Mônica Nogueira ( Antropóloga/Coordenadora da Rede Cerrado)
“Era um lutador das causas comunitárias. Trabalhava pelo coletivo”.
Rubens Nodare (Gerente de Recursos Genéticos/Sec. de Biodiversidade e Florestas/MMA)
“Vanderlei era uma agenda inexistente”
Mauro Pires (MMA)
Retirada de madeira ilegal apreendida em município do Pará pode levar 60 dias 27.02.08
27.02.08
Belém - Autoridades que trabalham na linha de frente da Operação Arco de Fogo, em Tailândia, no nordeste do Pará, estimam que serão necessários pelo menos 60 dias para que os agentes consigam retirar da cidade toda a madeira que já foi ou ainda será apreendida nas madeireiras e serrarias clandestinas da cidade.
Na semana passada, durante a Operação Guardiões da Floresta, foram confiscados entre 13 mil e 15 mil metros cúbicos de madeira.
“É um trabalho difícil e lento”, afirmou o coronel da Polícia Militar (PM) do Pará, Rolian Silva. Ele comanda a tropa de intervenção da PM em Tailândia, que atua em auxílio à Polícia Federal, à Força Nacional de Segurança e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). São, ao todo, 300 agentes que desembarcaram na cidade sem data para sair. Silva informou que o transporte do material é feito por caminhões, pela rodovia PA-150, e por balsas, pelo rio Moju.
Ontem (26), informa o coronel, os agentes da operação fiscalizaram mais duas madeireiras em Tailândia. Elas tiveram serviços suspensos e os funcionários foram dispensados. Técnicos ainda não concluíram a medição da madeira ilegal encontrada nos locais. “Nem toda a madeira é ilegal. É preciso verificar aquilo que excede a autorização de manejo”, ressalvou Rolian Silva.
O superintendente do Ibama no Pará, Aníbal Picanço, avalia que a partir das próximas ações de fiscalização sejam apreendidos até 40 mil metros cúbicos de madeira em Tailândia.
“A cidade funciona como entreposto de madeira extraída de forma irregular de outras áreas do Estado”, explicou Picanço, referindo-se à retirada das toras de reservas ambientais e áreas indígenas. Maçaranduba e ipê estão entre as espécies mais comuns encontradas nos depósitos.
As toras apreendidas em Tailândia são encaminhadas para um depósito em Marituba, município da região metropolitana de Belém. Na tarde de hoje havia no local sete caminhões e centenas de toras recolhidas nas ações recentes de fiscalização. O governo do Pará quer leiloar o material e reverter parte da renda em programas sociais de atendimento aos que deixarem a atividade.
O coronel Rolian Silva disse que o trabalho dos agentes ocorreu de forma tranqüilia, sem novas reações por parte da população de Tailândia: “É óbvio que há um descontentamento pelo impacto na atividade econômica, mas a demonstração de força tem efeito sobre o comportamento da população”.
Para o Ibama, o apoio do aparato policial estadual e federal é fundamental para garantir a eficácia do trabalho de fiscalização: “Antes fazíamos os flagrantes e aplicávamos multas, mas ao darmos as costas a ilegalidade voltava imediatamente. Agora o Estado já entra fazendo a retirada do material”.
A prefeitura de Tailândia sustenta que o setor madeireiro é responsável por 70% dos recursos que circulam na cidade. Na secretaria estadual de Meio Ambiente há 147 pessoas jurídicas (empresas) registradas no município, mas apenas 60 possuem licenciamento ambiental. “Muitas são fantasmas e várias funcionam no mesmo endereço. É uma estratégia para facilitar fraudes em guias florestais”, afirmou o superintendente do Ibama.
Operação busca chegar a financiadores do desmatamento ilegal, afirma diretor da PF
A Polícia Federal (PF) vai trabalhar em conjunto com órgãos de fiscalização na Operação Arco de Fogo, iniciada ontem em Tailândia (PA), para inibir não apenas a ação dos que estão na ponta da exploração ilegal de madeira, mas também daqueles que, de fato, financiam e estimulam a atividade.
Foi o que afirmou o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional. “Estamos levando para a região uma capacidade considerável de investigação e perícia contábil para entrar na vida financeira dos operadores”, afirmou.
Na segunda-feira (25), chegaram a Tailândia cerca de 300 agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para implantar uma fiscalização ostensiva nas madeireiras e serrarias da cidade nos próximos dias.
Na terça-feira da semana passada (19), madeireiros e moradores que trabalham no setor - instigados pelos seus empregadores - tentaram impedir a retirada de madeireira que tinha sido apreendida na Operação Guardiões da Amazônia.
Além de conter a exploração ilegal de madeira, a PF também terá pela frente o desafio de atuar em um dos municípios mais violentos do país. Tailândia é a 6ª cidade com maior taxa média de homicídios (96,2 para cada 100 mil habitantes), de acordo com o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros de 2008.
“Nossa estratégia é estar mais presente, porque, a partir da derrubada da madeira, se desencadeia uma sequência de violência de toda ordem, que passa por homicídios e corrupção”, afirmou Luiz Fernando Corrêa.
Fonte: Marco Antônio Soalheiro, enviado especial da ABr
Belém - Autoridades que trabalham na linha de frente da Operação Arco de Fogo, em Tailândia, no nordeste do Pará, estimam que serão necessários pelo menos 60 dias para que os agentes consigam retirar da cidade toda a madeira que já foi ou ainda será apreendida nas madeireiras e serrarias clandestinas da cidade.
Na semana passada, durante a Operação Guardiões da Floresta, foram confiscados entre 13 mil e 15 mil metros cúbicos de madeira.
“É um trabalho difícil e lento”, afirmou o coronel da Polícia Militar (PM) do Pará, Rolian Silva. Ele comanda a tropa de intervenção da PM em Tailândia, que atua em auxílio à Polícia Federal, à Força Nacional de Segurança e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). São, ao todo, 300 agentes que desembarcaram na cidade sem data para sair. Silva informou que o transporte do material é feito por caminhões, pela rodovia PA-150, e por balsas, pelo rio Moju.
Ontem (26), informa o coronel, os agentes da operação fiscalizaram mais duas madeireiras em Tailândia. Elas tiveram serviços suspensos e os funcionários foram dispensados. Técnicos ainda não concluíram a medição da madeira ilegal encontrada nos locais. “Nem toda a madeira é ilegal. É preciso verificar aquilo que excede a autorização de manejo”, ressalvou Rolian Silva.
O superintendente do Ibama no Pará, Aníbal Picanço, avalia que a partir das próximas ações de fiscalização sejam apreendidos até 40 mil metros cúbicos de madeira em Tailândia.
“A cidade funciona como entreposto de madeira extraída de forma irregular de outras áreas do Estado”, explicou Picanço, referindo-se à retirada das toras de reservas ambientais e áreas indígenas. Maçaranduba e ipê estão entre as espécies mais comuns encontradas nos depósitos.
As toras apreendidas em Tailândia são encaminhadas para um depósito em Marituba, município da região metropolitana de Belém. Na tarde de hoje havia no local sete caminhões e centenas de toras recolhidas nas ações recentes de fiscalização. O governo do Pará quer leiloar o material e reverter parte da renda em programas sociais de atendimento aos que deixarem a atividade.
O coronel Rolian Silva disse que o trabalho dos agentes ocorreu de forma tranqüilia, sem novas reações por parte da população de Tailândia: “É óbvio que há um descontentamento pelo impacto na atividade econômica, mas a demonstração de força tem efeito sobre o comportamento da população”.
Para o Ibama, o apoio do aparato policial estadual e federal é fundamental para garantir a eficácia do trabalho de fiscalização: “Antes fazíamos os flagrantes e aplicávamos multas, mas ao darmos as costas a ilegalidade voltava imediatamente. Agora o Estado já entra fazendo a retirada do material”.
A prefeitura de Tailândia sustenta que o setor madeireiro é responsável por 70% dos recursos que circulam na cidade. Na secretaria estadual de Meio Ambiente há 147 pessoas jurídicas (empresas) registradas no município, mas apenas 60 possuem licenciamento ambiental. “Muitas são fantasmas e várias funcionam no mesmo endereço. É uma estratégia para facilitar fraudes em guias florestais”, afirmou o superintendente do Ibama.
Operação busca chegar a financiadores do desmatamento ilegal, afirma diretor da PF
A Polícia Federal (PF) vai trabalhar em conjunto com órgãos de fiscalização na Operação Arco de Fogo, iniciada ontem em Tailândia (PA), para inibir não apenas a ação dos que estão na ponta da exploração ilegal de madeira, mas também daqueles que, de fato, financiam e estimulam a atividade.
Foi o que afirmou o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional. “Estamos levando para a região uma capacidade considerável de investigação e perícia contábil para entrar na vida financeira dos operadores”, afirmou.
Na segunda-feira (25), chegaram a Tailândia cerca de 300 agentes da Polícia Federal, da Força Nacional de Segurança e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para implantar uma fiscalização ostensiva nas madeireiras e serrarias da cidade nos próximos dias.
Na terça-feira da semana passada (19), madeireiros e moradores que trabalham no setor - instigados pelos seus empregadores - tentaram impedir a retirada de madeireira que tinha sido apreendida na Operação Guardiões da Amazônia.
Além de conter a exploração ilegal de madeira, a PF também terá pela frente o desafio de atuar em um dos municípios mais violentos do país. Tailândia é a 6ª cidade com maior taxa média de homicídios (96,2 para cada 100 mil habitantes), de acordo com o Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros de 2008.
“Nossa estratégia é estar mais presente, porque, a partir da derrubada da madeira, se desencadeia uma sequência de violência de toda ordem, que passa por homicídios e corrupção”, afirmou Luiz Fernando Corrêa.
Fonte: Marco Antônio Soalheiro, enviado especial da ABr
Estado atrasa exploração legal da floresta, que tem demanda para ser abatida 27.02.08
27.02.08
Os produtores de madeira do Estado do Pará afirmam que o déficit dos planos de manejo florestal, a ausência de zoneamento econômico-ambiental e o atraso nos processos de concessão de florestas públicas impedem a exploração legal dos recursos naturais e favorecem o desmatamento sem controle na Amazônia.
Segundo o presidente em exercício do sindicato das empresas madeireiras no município de Tailândia, João Batista Medeiros, "a demanda pela matéria-prima é muito grande e a oferta legal, muito pequena". Ele afirma que nesta situação "a maioria das empresas toma a iniciativa" e não consulta o sindicato quanto à autorização para extrair madeira.
Demanda quatro vezes superior às autorizações
Luiz Carlos Tremonte, presidente do Sindicato da Indústria Madeireira do Sudeste do Pará, contabiliza que os produtores têm uma demanda de exploração de mais de 12 milhões de metros cúbicos de madeira por ano, mas as autorizações da Secretaria de Meio Ambiente do estado somaram apenas 3 milhões de metros cúbicos no ano passado.
Segundo o produtor, há mais de três anos a lei autoriza a concessão de floresta pública, mas ainda não houve licitação no Pará. Ele defende a necessidade de um levantamento socioeconômico e ecológico, que determine os locais e percentuais autorizados para a retirada de árvores.
A falta do zoneamento ambiental e o atraso nos planos de manejo também são criticados por parlamentares, como o deputado Lira Maia (DEM-PA), para quem "o aparelho do estado não está preparado para legalizar as atividades". Ele propõe a adoção de mecanismos como a garantia de renda aos trabalhadores que serão impedidos de desmatar: "Quando se proíbe a pesca nos rios, o governo concede um salário no período do defeso. Como é que ficarão as famílias proibidas de trabalhar na indústria madeireira e que não têm outra atividade?"
Ontem (26), a 5ª Vara do Tribunal de Justiça do Pará negou pedido de liminar de duas empresas autuadas em Tailândia, no nordeste do estado, por terem depósito de madeira sem comprovação de origem. As empresas queriam impedir a remoção da madeira apreendida.
As equipes de fiscalização da Secretaria e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) retomaram as vistorias nas serrarias de Tailândia e a partir de hoje (27) a madeira apreendida será transportada em balsas no rio Moju.
Fonte: Gilberto Costa, repórter da Rádio Nacional da Amazônia
Os produtores de madeira do Estado do Pará afirmam que o déficit dos planos de manejo florestal, a ausência de zoneamento econômico-ambiental e o atraso nos processos de concessão de florestas públicas impedem a exploração legal dos recursos naturais e favorecem o desmatamento sem controle na Amazônia.
Segundo o presidente em exercício do sindicato das empresas madeireiras no município de Tailândia, João Batista Medeiros, "a demanda pela matéria-prima é muito grande e a oferta legal, muito pequena". Ele afirma que nesta situação "a maioria das empresas toma a iniciativa" e não consulta o sindicato quanto à autorização para extrair madeira.
Demanda quatro vezes superior às autorizações
Luiz Carlos Tremonte, presidente do Sindicato da Indústria Madeireira do Sudeste do Pará, contabiliza que os produtores têm uma demanda de exploração de mais de 12 milhões de metros cúbicos de madeira por ano, mas as autorizações da Secretaria de Meio Ambiente do estado somaram apenas 3 milhões de metros cúbicos no ano passado.
Segundo o produtor, há mais de três anos a lei autoriza a concessão de floresta pública, mas ainda não houve licitação no Pará. Ele defende a necessidade de um levantamento socioeconômico e ecológico, que determine os locais e percentuais autorizados para a retirada de árvores.
A falta do zoneamento ambiental e o atraso nos planos de manejo também são criticados por parlamentares, como o deputado Lira Maia (DEM-PA), para quem "o aparelho do estado não está preparado para legalizar as atividades". Ele propõe a adoção de mecanismos como a garantia de renda aos trabalhadores que serão impedidos de desmatar: "Quando se proíbe a pesca nos rios, o governo concede um salário no período do defeso. Como é que ficarão as famílias proibidas de trabalhar na indústria madeireira e que não têm outra atividade?"
Ontem (26), a 5ª Vara do Tribunal de Justiça do Pará negou pedido de liminar de duas empresas autuadas em Tailândia, no nordeste do estado, por terem depósito de madeira sem comprovação de origem. As empresas queriam impedir a remoção da madeira apreendida.
As equipes de fiscalização da Secretaria e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) retomaram as vistorias nas serrarias de Tailândia e a partir de hoje (27) a madeira apreendida será transportada em balsas no rio Moju.
Fonte: Gilberto Costa, repórter da Rádio Nacional da Amazônia
Mais de 450 pessoas em trabalho degradante são resgatadas em Alagoas 27.02.08
27.02.08
Usina Laginha, que mantinha alojamentos e equipamentos de proteção em situação precária, pertence ao tradicional Grupo João Lyra, de Alagoas. Na mesma operação, fiscais libertaram outros 53 trabalhadores em outra fazenda
Aos pés da Serra da Barriga, em Alagoas, nas cercanias do local que abrigou o Quilombo de Palmares, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertaram, na última sexta-feira (22), mais de 400 pessoas que trabalhavam em condições degradantes. Elas eram empregadas da usina de cana-de-açúcar Laginha, que fica em União dos Palmares (AL) e faz parte do Grupo João Lyra, tradicional conglomerado de empresas da região.
"O alojamento é de alvenaria, mas é muito sujo, fedido. Os trabalhadores não recebem colchões, mas espumas velhas, rasgadas, que quando se aperta com a mão, dá pra encostar um dedo no outro.", relata o auditor fiscal do trabalho Dercides Pereira, que chefiou a operação na fazenda que fica no município a cerca de 85 km da capital Maceió.
De acordo com o auditor, outro problema grave encontrado foi a condição dos equipamentos de proteção individual (EPIs). "Eles estavam muito danificados. Eram botas furadas, luvas, toucas e mangotes rasgados. Encontramos trabalhadores que não tinham um equipamento sequer", conta.
Muito trabalho por fazer
Como a fiscalização ainda está em curso, os auditores do MTE ainda não calcularam o número exato de trabalhadores libertados na usina. Na mesma operação, os fiscais também encontraram condições de trabalho degradantes na Usina Santa Clotilde, localizada no município de Rio Largo (AL), onde foram resgatadas outras 53 pessoas.
Em ambas as usinas, havia centenas de empregados que moravam na região, e a condição deles não foi considerada degradante porque não utilizavam os alojamentos. Para os trabalhadores resgatados, os auditores propuseram uma rescisão indireta do contrato de trabalho, o que obriga a empresa a demitir os funcionários em condição degradante e a pagar os direitos trabalhistas no ato do desligamento. Também é garantido aos libertados o recebimento de cinco parcelas do seguro-desemprego. As empresas, contudo, não concordaram com essa decisão, e vão recorrer à Justiça.
Liminares
A primeira providência do grupo móvel em ambas as usinas foi a interdição do corte da cana até que as irregularidades trabalhistas fossem resolvidas. Porém, as duas empresas conseguiram liminares para autorizar a continuidade dos trabalhos. A liberação na Santa Clotilde foi obtida junto à Justiça do Trabalho; e a da Laginha, na Justiça Federal.
Para o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas, Rodrigo Alencar, que acompanha a operação, a liminar concedida pela Justiça Federal é irregular. "A Constituição é claríssima nesse ponto: compete à Justiça do Trabalho julgar as penalidades impostas pelo MTE", argumenta. O procurador também informa que o MPT ajuizará uma ação contra as usinas pedindo indenização por danos morais coletivos.
Em novembro de 2007, o MPT já havia firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a usina Laginha, depois que trabalhadores fizeram um protesto bloqueando a rodovia BR-104 por mais de 10 horas. Entre os 20 itens de compromisso assumidos pela empresa estava o fornecimento de equipamentos de proteção novos assim que os velhos se desgastassem. O documento ainda previa multa de R$ 10 mil por cada item descumprido.
Poder econômico
O ex-deputado João Lyra é o dono do grupo que leva seu nome. O conglomerado reúne dez empresas e, além da cana, também atua nos setores automobilístico, de transportes aéreos e hospitalar. Em 2006, quando concorreu ao governo de Alagoas pelo PTB, Lyra era o segundo candidato mais rico do país, com bens declarados no valor de R$ 236 milhões. Ele ficou em segundo lugar nas eleições, com 30,5% dos votos, perdendo no 1o turno para o atual governador, Teotonio Vilela, do PSDB, que obteve 55,8%.
A família Lyra é centenária e uma das mais ricas de Alagoas. O irmão do empresário, Carlos Lyra, é dono de outro grupo empresarial, que se declara o segundo maior produtor de açúcar do país. João Lyra também é pai de Thereza Collor, viúva de Pedro Collor, irmão do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello, e pai de Lurdinha Lyra, vice-prefeita de Maceió.
Em seu site oficial, o Grupo João Lyra declara que, na usina Laginha, "o processo produtivo segue rigoroso controle agrícola e industrial com base na política de produção do Grupo, que tem entre seus valores quesitos como qualidade, produtividade, respeito ao meio ambiente e retorno social."
A Repórter Brasil procurou os representantes das duas usinas fiscalizadas, mas foi informada que os responsáveis já não se encontravam mais na empresa no horário da ligação.
Fonte: Iberê Thenório, da Repórter Brasil
Usina Laginha, que mantinha alojamentos e equipamentos de proteção em situação precária, pertence ao tradicional Grupo João Lyra, de Alagoas. Na mesma operação, fiscais libertaram outros 53 trabalhadores em outra fazenda
Aos pés da Serra da Barriga, em Alagoas, nas cercanias do local que abrigou o Quilombo de Palmares, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) libertaram, na última sexta-feira (22), mais de 400 pessoas que trabalhavam em condições degradantes. Elas eram empregadas da usina de cana-de-açúcar Laginha, que fica em União dos Palmares (AL) e faz parte do Grupo João Lyra, tradicional conglomerado de empresas da região.
"O alojamento é de alvenaria, mas é muito sujo, fedido. Os trabalhadores não recebem colchões, mas espumas velhas, rasgadas, que quando se aperta com a mão, dá pra encostar um dedo no outro.", relata o auditor fiscal do trabalho Dercides Pereira, que chefiou a operação na fazenda que fica no município a cerca de 85 km da capital Maceió.
De acordo com o auditor, outro problema grave encontrado foi a condição dos equipamentos de proteção individual (EPIs). "Eles estavam muito danificados. Eram botas furadas, luvas, toucas e mangotes rasgados. Encontramos trabalhadores que não tinham um equipamento sequer", conta.
Muito trabalho por fazer
Como a fiscalização ainda está em curso, os auditores do MTE ainda não calcularam o número exato de trabalhadores libertados na usina. Na mesma operação, os fiscais também encontraram condições de trabalho degradantes na Usina Santa Clotilde, localizada no município de Rio Largo (AL), onde foram resgatadas outras 53 pessoas.
Em ambas as usinas, havia centenas de empregados que moravam na região, e a condição deles não foi considerada degradante porque não utilizavam os alojamentos. Para os trabalhadores resgatados, os auditores propuseram uma rescisão indireta do contrato de trabalho, o que obriga a empresa a demitir os funcionários em condição degradante e a pagar os direitos trabalhistas no ato do desligamento. Também é garantido aos libertados o recebimento de cinco parcelas do seguro-desemprego. As empresas, contudo, não concordaram com essa decisão, e vão recorrer à Justiça.
Liminares
A primeira providência do grupo móvel em ambas as usinas foi a interdição do corte da cana até que as irregularidades trabalhistas fossem resolvidas. Porém, as duas empresas conseguiram liminares para autorizar a continuidade dos trabalhos. A liberação na Santa Clotilde foi obtida junto à Justiça do Trabalho; e a da Laginha, na Justiça Federal.
Para o procurador-chefe do Ministério Público do Trabalho (MPT) em Alagoas, Rodrigo Alencar, que acompanha a operação, a liminar concedida pela Justiça Federal é irregular. "A Constituição é claríssima nesse ponto: compete à Justiça do Trabalho julgar as penalidades impostas pelo MTE", argumenta. O procurador também informa que o MPT ajuizará uma ação contra as usinas pedindo indenização por danos morais coletivos.
Em novembro de 2007, o MPT já havia firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a usina Laginha, depois que trabalhadores fizeram um protesto bloqueando a rodovia BR-104 por mais de 10 horas. Entre os 20 itens de compromisso assumidos pela empresa estava o fornecimento de equipamentos de proteção novos assim que os velhos se desgastassem. O documento ainda previa multa de R$ 10 mil por cada item descumprido.
Poder econômico
O ex-deputado João Lyra é o dono do grupo que leva seu nome. O conglomerado reúne dez empresas e, além da cana, também atua nos setores automobilístico, de transportes aéreos e hospitalar. Em 2006, quando concorreu ao governo de Alagoas pelo PTB, Lyra era o segundo candidato mais rico do país, com bens declarados no valor de R$ 236 milhões. Ele ficou em segundo lugar nas eleições, com 30,5% dos votos, perdendo no 1o turno para o atual governador, Teotonio Vilela, do PSDB, que obteve 55,8%.
A família Lyra é centenária e uma das mais ricas de Alagoas. O irmão do empresário, Carlos Lyra, é dono de outro grupo empresarial, que se declara o segundo maior produtor de açúcar do país. João Lyra também é pai de Thereza Collor, viúva de Pedro Collor, irmão do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello, e pai de Lurdinha Lyra, vice-prefeita de Maceió.
Em seu site oficial, o Grupo João Lyra declara que, na usina Laginha, "o processo produtivo segue rigoroso controle agrícola e industrial com base na política de produção do Grupo, que tem entre seus valores quesitos como qualidade, produtividade, respeito ao meio ambiente e retorno social."
A Repórter Brasil procurou os representantes das duas usinas fiscalizadas, mas foi informada que os responsáveis já não se encontravam mais na empresa no horário da ligação.
Fonte: Iberê Thenório, da Repórter Brasil
Técnicos europeus conferem informações sobre fazendas brasileiras 27.02.08
27.02.08
Técnicos da União Européia irão visitar, por amostragem, um grupo de fazendas incluídas nas 106 propriedades consideradas aptas a exportar carne para o bloco. Eles vão verificar se as informações dadas pelo governo brasileiro nos relatórios de auditoria correspondem à realidade.
“No papel, está tudo certo. Agora tem uma inspeção que está aí, que vai visitar algumas dessas 106 fazendas para verificar se está tudo conforme as auditorias”, disse o chefe da delegação européia no Brasil, embaixador João Pacheco.
Segundo ele, a liberação de mais fazendas depende do trabalho de auditoria do governo brasileiro. “Depende do governo brasileiro, tem que fazer mais auditorias e enviar-nos. Quando vai fazer, e a que ritmo vai fazer, isso depende inteiramente do governo brasileiro.”
Pacheco informou que as exigências de rastreabilidade de 90 dias dos animais foram mantidas, assim como acontece com outros países, como Argentina e Uruguai. Ele disse que as exigências para a carne procedente de fazendas da União Européia são ainda maiores: lá, os produtores de gado devem ter a rastreabilidade do gado durante 20 anos.
O embaixador acredita que o episódio não deve afetar as relações entre o Brasil e os países da União Européia. “Temos uma relação muito mais larga, em termos de parceria estratégica, em termos econômicos e comerciais - é, de longe, muito mais importante do que esses pequenos casos”, afirmou Pacheco. Segundo ele, casos como este são comuns em relações comerciais entre os países.
A União Européia suspendeu a compra de carne do Brasil no dia 31 de janeiro, alegando insuficiência das garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo país.
Fonte: Sabrina Craide, repórter da Agência Brasil
Técnicos da União Européia irão visitar, por amostragem, um grupo de fazendas incluídas nas 106 propriedades consideradas aptas a exportar carne para o bloco. Eles vão verificar se as informações dadas pelo governo brasileiro nos relatórios de auditoria correspondem à realidade.
“No papel, está tudo certo. Agora tem uma inspeção que está aí, que vai visitar algumas dessas 106 fazendas para verificar se está tudo conforme as auditorias”, disse o chefe da delegação européia no Brasil, embaixador João Pacheco.
Segundo ele, a liberação de mais fazendas depende do trabalho de auditoria do governo brasileiro. “Depende do governo brasileiro, tem que fazer mais auditorias e enviar-nos. Quando vai fazer, e a que ritmo vai fazer, isso depende inteiramente do governo brasileiro.”
Pacheco informou que as exigências de rastreabilidade de 90 dias dos animais foram mantidas, assim como acontece com outros países, como Argentina e Uruguai. Ele disse que as exigências para a carne procedente de fazendas da União Européia são ainda maiores: lá, os produtores de gado devem ter a rastreabilidade do gado durante 20 anos.
O embaixador acredita que o episódio não deve afetar as relações entre o Brasil e os países da União Européia. “Temos uma relação muito mais larga, em termos de parceria estratégica, em termos econômicos e comerciais - é, de longe, muito mais importante do que esses pequenos casos”, afirmou Pacheco. Segundo ele, casos como este são comuns em relações comerciais entre os países.
A União Européia suspendeu a compra de carne do Brasil no dia 31 de janeiro, alegando insuficiência das garantias sanitárias e de qualidade dadas pelo país.
Fonte: Sabrina Craide, repórter da Agência Brasil
UE encontra mais inconsistências nos relatórios do MAPA sobre fazendas 27.02.08
27.02.08
Apesar de o governo ter reduzido de forma significativa a lista de fazendas aptas a vender animais para frigoríficos que exportam carne in natura para a União Européia (UE), os técnicos europeus que estão no Brasil desde domingo encontraram inconsistências nos relatórios que trazem informações sobre as propriedades.
Diante das deficiências, os europeus e técnicos do Ministério da Agricultura decidiram, de comum acordo, excluir outras propriedades da lista de fazendas que poderão ser visitadas pelos europeus nos próximos dias.
Na sexta-feira, o Ministério encaminhou documento à UE informando que, após analisar a documentação das propriedades auditadas em janeiro, constatou que menos de 200 propriedades cumpriam todos os requisitos previstos na Instrução Normativa 17, de 2006, que define as regras da rastreabilidade. A lista teria apenas 150 fazendas.
Nos corredores do prédio anexo do ministério, onde fica a Secretaria de Defesa Agropecuária, a torcida é para que reste alguma fazenda na lista que servirá de base para a escolha das propriedades que serão vistoriadas pelos europeus até o dia 11 de março.
O roteiro das visitas deve ser definido após a checagem dos dados, mas as fazendas localizadas em Goiás devem ser as primeiras a ser inspecionadas pelos europeus, o que pode acontecer ainda esta semana.
As visitas devem ser intensificadas na próxima semana, quando outros técnicos da UE chegarão ao Brasil. Dois europeus já estão no Brasil e outros sete chegarão ao País na próxima segunda-feira (dia 3).
Apesar dos cortes constantes nas listas, técnicos do ministério ressaltam a importância da visita da missão para a retomada das vendas de carne bovina in natura para o bloco. "Não interessa o número de fazendas que estarão na lista ou que serão inspecionadas", afirmou uma fonte do governo. "O importante é reabrir o mercado, o que depende da apresentação de dados confiáveis", completou um desses técnicos.
Ele lembrou que todas as fazendas que, comprovadamente, cumprirem as regras de rastreabilidade poderão vender para o bloco e não só aquelas que serão vistoriadas pelos europeus.
O secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, está em Minas Gerais, acompanhando o chefe do Serviço Federal Veterinário e Fitossanitária da Rússia, Sergey Dankvert.
Fonte: Agência Estado
Apesar de o governo ter reduzido de forma significativa a lista de fazendas aptas a vender animais para frigoríficos que exportam carne in natura para a União Européia (UE), os técnicos europeus que estão no Brasil desde domingo encontraram inconsistências nos relatórios que trazem informações sobre as propriedades.
Diante das deficiências, os europeus e técnicos do Ministério da Agricultura decidiram, de comum acordo, excluir outras propriedades da lista de fazendas que poderão ser visitadas pelos europeus nos próximos dias.
Na sexta-feira, o Ministério encaminhou documento à UE informando que, após analisar a documentação das propriedades auditadas em janeiro, constatou que menos de 200 propriedades cumpriam todos os requisitos previstos na Instrução Normativa 17, de 2006, que define as regras da rastreabilidade. A lista teria apenas 150 fazendas.
Nos corredores do prédio anexo do ministério, onde fica a Secretaria de Defesa Agropecuária, a torcida é para que reste alguma fazenda na lista que servirá de base para a escolha das propriedades que serão vistoriadas pelos europeus até o dia 11 de março.
O roteiro das visitas deve ser definido após a checagem dos dados, mas as fazendas localizadas em Goiás devem ser as primeiras a ser inspecionadas pelos europeus, o que pode acontecer ainda esta semana.
As visitas devem ser intensificadas na próxima semana, quando outros técnicos da UE chegarão ao Brasil. Dois europeus já estão no Brasil e outros sete chegarão ao País na próxima segunda-feira (dia 3).
Apesar dos cortes constantes nas listas, técnicos do ministério ressaltam a importância da visita da missão para a retomada das vendas de carne bovina in natura para o bloco. "Não interessa o número de fazendas que estarão na lista ou que serão inspecionadas", afirmou uma fonte do governo. "O importante é reabrir o mercado, o que depende da apresentação de dados confiáveis", completou um desses técnicos.
Ele lembrou que todas as fazendas que, comprovadamente, cumprirem as regras de rastreabilidade poderão vender para o bloco e não só aquelas que serão vistoriadas pelos europeus.
O secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, está em Minas Gerais, acompanhando o chefe do Serviço Federal Veterinário e Fitossanitária da Rússia, Sergey Dankvert.
Fonte: Agência Estado
Governadora diz que Pará perde R$ 2,5 bilhões com término das atividades ilegais e pede compensação 26.02.08
26.02.08
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, quer que o Estado receba "compensação" classificada como "pagamento de serviços ambientais" para a preservação da floresta amazônica pois, segundo ela, o combate ao desmatamento ilegal trará um impacto de R$ 2,5 bilhões na economia do Estado.
Para Ana Júlia Carepa, "não basta aplaudir" as ações de controle – manter a "floresta em pé" é um compromisso de toda a população brasileira. A governadora disse não ter uma proposta de compensação, mas considerou que a discussão sobre um "novo modelo de desenvolvimento" pode ser feita no âmbito da reforma tributária e cotejar aumento de repasse de recursos aos municípios e de programas de renda mínima, como o Bolsa-Família.
Substituir a economia ilegal
"Nós temos que substituir esses R$ 2,5 bilhões. Nós vamos procurar apoio do governo federal e queremos colocar essa discussão para o país, porque no estado do Pará nossa ação está contribuindo para o país inteiro e para o mundo inteiro", disse ao repórter da Rádio Nacional da Amazônia.
A governadora estima que 100 mil pessoas sobrevivam no Estado da exploração de madeira e carvão. E que vai precisar de recursos para atender desempregados, reorientar atividades produtivas na agricultura e promover a recomposição florestal.
Em Brasília, hoje (25), ela participou da solenidade de lançamento do programa Territórios da Cidadania – 57 municípios paraenses receberão neste ano R$ 1,22 bilhão.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Valmir Ortega, prometeu que o combate ao desmatamento se estenderá por todo o ano e atacará focos de destruição da floresta nas regiões sul e sudeste do Pará, ao longo da Rodovia Transamazônica e da BR-222. "A idéia é desenvolver uma ação de pelo menos um ano, com foco inicial nos 12 municípios que são aqueles com o maior índice de desmatamento", disse.
O combate ao desmatamento será nos municípios de Altamira, Brasil Novo, Cumaru do Norte, Dom Eliseu, Novo Progresso, Novo Repartimento, Paragominas, Rondon do Pará, Santa Maria das Barreiras, Santana do Araguaia, São Félix do Xingu e Ulianópolis.
O secretário anunciou ainda que até o final do ano os governos estadual e federal deverão licitar 1,5 milhão de hectares para a concessão florestal.
Fonte: Gilberto Costa, repórter da Rádio Nacional da Amazônia
Comentário do editor: bem direta, essa governadora, heim? seria interessante obter a fórmula de cálculo dessa economia ilegal, ou será que a informação veio dos donos ou contadores das madeireiras ilegais, que certamente estão na teia política do Estado? O governador Sérgio Cabral poderá usar metodologia semelhante para calcular o impacto, em termos de faturamento e empregos/desemprego, caso o governo Federal decida (e consiga, o que é outra história tanto na Amazônia quanto no Rio de Janeiro) acabar com o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Conhecer essas informações pode ajudar, também, o IBGE e a Fundacão Getúlio Vargas a corrigirem os valores do PIB nacional, das exportacões (de madeira ilegal e cocaína, por exemplo), e elevar o orgulho nacional por ter uma economia muito mais forte da que antes se calculava.
Operação para combater desmatamento deverá ter mais de mil agentes
Diversos órgãos do governo federal iniciaram a Operação Arco de Fogo, que tem como objetivo patrulhar a Amazônia e deter o desmatamento na região. O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, estima em mais de mil o número de agentes na força-tarefa, que começará efetivamente as ações hoje (26), por Tailândia (PA), cidade onde madeireiros organizaram manifestações contra o combate ao desmatamento.
O Operação Arco de Fogo terá ainda a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Polícia Rodoviária Federal. Segundo a Polícia Federal, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa disponibilizou 200 policiais do estado para apoiar a operação.
“Passa de mil homens, com certeza, o projeto na sua totalidade. Mas hoje estamos com um esforço concentrado em razão daqueles eventos ocorrido em Tailândia. Tem lá em torno de 150 homens da Força Nacional, uns 300 agentes federais e mais a força local e mais a participação do Ibama na região. Uma vez instalados, começa esse processo em parceira com o Ibama de fiscalização das serrarias”, explica o diretor-geral da Polícia Federal.
“A expectativa é o enfrentamento constante, ou seja, vamos fazer esse pronto-atendimento agora, mas contrariando o que muitos pensam, o fato novo é a permanência, e não uma operação episódica. Esse é o diferencial. O que combater, isso está na rotina da PF. O diferencial foi construir um planejamento que permitisse uma permanência mais prolongada naquela região.”
Segundo Luiz Fernando Corrêa, a fiscalização começará pelas serrarias e depois será direcionada às ações de combate ao transporte e corte ilegal de madeira. "Com certeza vamos ter capacidade de enfrentar e apoiar as forças estaduais em outras criminalidades que decorrem dessa atividade nessas localidades.”
A Polícia Federal já estuda a destinação que será dada à madeira apreendida. Uma das possibilidades em avaliação é a realização de leilões. Os recursos arrecadados seriam revertidos para o financiamento das ações de combate ao desmatamento.
“As madeireiras que trabalharem dentro da legalidade estarão até mais confortáveis depois da operação, porque terão segurança e a certeza de que não está havendo nenhuma concorrência desleal ao seu trabalho”, prevê o diretor-geral da Polícia Federal.
“Vamos enfrentar o desmatamento e toda a criminalidade correlata à isso. Isso pode refletir até na criminalidade mais comum possível, como fraude, corrupção, e aí ninguém está livre, instituição nenhuma.”
Fonte: Paula Laboissière e Juliana Cézar Nunes, repórteres da Agência Brasil
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, quer que o Estado receba "compensação" classificada como "pagamento de serviços ambientais" para a preservação da floresta amazônica pois, segundo ela, o combate ao desmatamento ilegal trará um impacto de R$ 2,5 bilhões na economia do Estado.
Para Ana Júlia Carepa, "não basta aplaudir" as ações de controle – manter a "floresta em pé" é um compromisso de toda a população brasileira. A governadora disse não ter uma proposta de compensação, mas considerou que a discussão sobre um "novo modelo de desenvolvimento" pode ser feita no âmbito da reforma tributária e cotejar aumento de repasse de recursos aos municípios e de programas de renda mínima, como o Bolsa-Família.
Substituir a economia ilegal
"Nós temos que substituir esses R$ 2,5 bilhões. Nós vamos procurar apoio do governo federal e queremos colocar essa discussão para o país, porque no estado do Pará nossa ação está contribuindo para o país inteiro e para o mundo inteiro", disse ao repórter da Rádio Nacional da Amazônia.
A governadora estima que 100 mil pessoas sobrevivam no Estado da exploração de madeira e carvão. E que vai precisar de recursos para atender desempregados, reorientar atividades produtivas na agricultura e promover a recomposição florestal.
Em Brasília, hoje (25), ela participou da solenidade de lançamento do programa Territórios da Cidadania – 57 municípios paraenses receberão neste ano R$ 1,22 bilhão.
O secretário estadual de Meio Ambiente, Valmir Ortega, prometeu que o combate ao desmatamento se estenderá por todo o ano e atacará focos de destruição da floresta nas regiões sul e sudeste do Pará, ao longo da Rodovia Transamazônica e da BR-222. "A idéia é desenvolver uma ação de pelo menos um ano, com foco inicial nos 12 municípios que são aqueles com o maior índice de desmatamento", disse.
O combate ao desmatamento será nos municípios de Altamira, Brasil Novo, Cumaru do Norte, Dom Eliseu, Novo Progresso, Novo Repartimento, Paragominas, Rondon do Pará, Santa Maria das Barreiras, Santana do Araguaia, São Félix do Xingu e Ulianópolis.
O secretário anunciou ainda que até o final do ano os governos estadual e federal deverão licitar 1,5 milhão de hectares para a concessão florestal.
Fonte: Gilberto Costa, repórter da Rádio Nacional da Amazônia
Comentário do editor: bem direta, essa governadora, heim? seria interessante obter a fórmula de cálculo dessa economia ilegal, ou será que a informação veio dos donos ou contadores das madeireiras ilegais, que certamente estão na teia política do Estado? O governador Sérgio Cabral poderá usar metodologia semelhante para calcular o impacto, em termos de faturamento e empregos/desemprego, caso o governo Federal decida (e consiga, o que é outra história tanto na Amazônia quanto no Rio de Janeiro) acabar com o tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Conhecer essas informações pode ajudar, também, o IBGE e a Fundacão Getúlio Vargas a corrigirem os valores do PIB nacional, das exportacões (de madeira ilegal e cocaína, por exemplo), e elevar o orgulho nacional por ter uma economia muito mais forte da que antes se calculava.
Operação para combater desmatamento deverá ter mais de mil agentes
Diversos órgãos do governo federal iniciaram a Operação Arco de Fogo, que tem como objetivo patrulhar a Amazônia e deter o desmatamento na região. O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, estima em mais de mil o número de agentes na força-tarefa, que começará efetivamente as ações hoje (26), por Tailândia (PA), cidade onde madeireiros organizaram manifestações contra o combate ao desmatamento.
O Operação Arco de Fogo terá ainda a participação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Polícia Rodoviária Federal. Segundo a Polícia Federal, a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa disponibilizou 200 policiais do estado para apoiar a operação.
“Passa de mil homens, com certeza, o projeto na sua totalidade. Mas hoje estamos com um esforço concentrado em razão daqueles eventos ocorrido em Tailândia. Tem lá em torno de 150 homens da Força Nacional, uns 300 agentes federais e mais a força local e mais a participação do Ibama na região. Uma vez instalados, começa esse processo em parceira com o Ibama de fiscalização das serrarias”, explica o diretor-geral da Polícia Federal.
“A expectativa é o enfrentamento constante, ou seja, vamos fazer esse pronto-atendimento agora, mas contrariando o que muitos pensam, o fato novo é a permanência, e não uma operação episódica. Esse é o diferencial. O que combater, isso está na rotina da PF. O diferencial foi construir um planejamento que permitisse uma permanência mais prolongada naquela região.”
Segundo Luiz Fernando Corrêa, a fiscalização começará pelas serrarias e depois será direcionada às ações de combate ao transporte e corte ilegal de madeira. "Com certeza vamos ter capacidade de enfrentar e apoiar as forças estaduais em outras criminalidades que decorrem dessa atividade nessas localidades.”
A Polícia Federal já estuda a destinação que será dada à madeira apreendida. Uma das possibilidades em avaliação é a realização de leilões. Os recursos arrecadados seriam revertidos para o financiamento das ações de combate ao desmatamento.
“As madeireiras que trabalharem dentro da legalidade estarão até mais confortáveis depois da operação, porque terão segurança e a certeza de que não está havendo nenhuma concorrência desleal ao seu trabalho”, prevê o diretor-geral da Polícia Federal.
“Vamos enfrentar o desmatamento e toda a criminalidade correlata à isso. Isso pode refletir até na criminalidade mais comum possível, como fraude, corrupção, e aí ninguém está livre, instituição nenhuma.”
Fonte: Paula Laboissière e Juliana Cézar Nunes, repórteres da Agência Brasil
Plano do governo na Amazônia é tornar o desmatamento atividade antieconômica 26.02.08
26.02.08
O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem (25) que a operação de combate ao desmatamento na Amazônia terá efeitos imediatos sobre a derrubada da floresta. “A diminuição [do desmatamento] começa imediatamente, porque lá, de certa forma, havia um vácuo da presença do Estado”.
O ministro admitiu, porém, que a redução da atividade de extração de madeira ilegal é sempre lenta. “Lastimavelmente isso é uma atividade econômica que se comunica com determinada necessidade de sobrevivência da população da região”, disse, acrescentando que o governo do Estado deve desenvolver políticas públicas que ofereçam uma saída para a população.
Genro garantiu que a Polícia Federal vai permanecer na área, e que o governo tem um plano de estabelecer naquela região dez ou 12 postos permanentes da Polícia Federal para estrangular as vias de transporte da madeira colhida ilegalmente.
A intenção do governo, segundo o ministro, é que a ação da Polícia Federal torne o desmatamento uma atividade antieconômica. “Não adianta eles abaterem porque não vão poder transportar. Nós estamos presentes naqueles pontos-chave, através dos quais as madeiras passariam para sua comercialização”, afirmou.
O ministro disse que espera implantar os primeiros postos da PF na Amazônia para coibir a ação das madeireiras ilegais ainda este ano. Genro disse que os postos irão combinar uma ação permanente, articulada com os fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e se necessário com cobertura da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança.
“Serão postos bem equipados, com capacidade de intervir fortemente na região. E sob o comando da Polícia Federal, que é a polícia da União destinada a coibir esse tipo de delito”.
Fonte: Alana Gandra, repórter da Agência Brasil
O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou ontem (25) que a operação de combate ao desmatamento na Amazônia terá efeitos imediatos sobre a derrubada da floresta. “A diminuição [do desmatamento] começa imediatamente, porque lá, de certa forma, havia um vácuo da presença do Estado”.
O ministro admitiu, porém, que a redução da atividade de extração de madeira ilegal é sempre lenta. “Lastimavelmente isso é uma atividade econômica que se comunica com determinada necessidade de sobrevivência da população da região”, disse, acrescentando que o governo do Estado deve desenvolver políticas públicas que ofereçam uma saída para a população.
Genro garantiu que a Polícia Federal vai permanecer na área, e que o governo tem um plano de estabelecer naquela região dez ou 12 postos permanentes da Polícia Federal para estrangular as vias de transporte da madeira colhida ilegalmente.
A intenção do governo, segundo o ministro, é que a ação da Polícia Federal torne o desmatamento uma atividade antieconômica. “Não adianta eles abaterem porque não vão poder transportar. Nós estamos presentes naqueles pontos-chave, através dos quais as madeiras passariam para sua comercialização”, afirmou.
O ministro disse que espera implantar os primeiros postos da PF na Amazônia para coibir a ação das madeireiras ilegais ainda este ano. Genro disse que os postos irão combinar uma ação permanente, articulada com os fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama), e se necessário com cobertura da Polícia Rodoviária Federal e da Força Nacional de Segurança.
“Serão postos bem equipados, com capacidade de intervir fortemente na região. E sob o comando da Polícia Federal, que é a polícia da União destinada a coibir esse tipo de delito”.
Fonte: Alana Gandra, repórter da Agência Brasil
Programa de Alimentos da ONU precisará de mais dinheiro 26.02.08
26.02.08
A diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP), Josette Sheeran, afirmou ontem que está analisando a possibilidade de racionar os alimentos que a agência distribui devido ao aumento dos preços dos produtos e à falta de verbas.
Falando à BBC, Sheeran afirmou que o WFP está realizando reuniões com especialistas para decidir se o fornecimento de alimentos deverá ser paralisado ou racionado em alguns locais se a agência não receber novas injeções de recursos no curto prazo.
Preços de alimentos dobraram
"Com o alimento duas vezes mais caro, podemos obter metade do que podíamos pelo mesmo preço e com as mesmas contribuições", disse.
"Precisaremos de contribuições maiores para garantir que possamos atender às necessidades já avaliadas", acrescentou.
Números divulgados pela ONU indicam que os preços de alimentos aumentaram 40% no último ano, devido à crescente demanda de países em desenvolvimento e a alta do preço do petróleo.
Outro fator que estaria se refletindo num aumento nos preços seria o maior uso dos biocombustíveis.
"Nós estamos vendo mais da produção mundial de alimentos indo para uso em bioenergia, e isso está encarecendo a comida", disse.
Insegurança alimentar aumenta
"Em muitos lugares, somos a única fonte de alimentos para algumas pessoas", disse a diretora do WFP.
"Também estamos observando necessidades crescentes em alguns lugares como o Afeganistão, onde as pessoas estão caindo na insegurança alimentar simplesmente devido aos preços mais altos (de alimentos)."
Sheeran afirmou que este aumento nos preços está "atingindo da pior forma os mais vulneráveis do mundo, especialmente aqueles que vivem com US$ 0,50 por dia". Algumas dessas pessoas gastam até 90% do dinheiro que ganham só com comida.
"Em alguns destes países em desenvolvimento o preço aumentou em 80%, no caso de alimentos básicos", afirmou.
A diretora do WFP destaca que até pessoas de classe média que vivem em cidades de países como Indonésia, México e Iêmen estão tendo que escolher como gastar o orçamento familiar.
"(...) Estamos observando estas pessoas desistirem de educação e saúde e tentando reservar o máximo de seus orçamentos para alimentos", acrescentou.
Fonte: BBC Brasil (matéria reproduzida devido sua relevância)
A diretora do Programa Mundial de Alimentos da ONU (WFP), Josette Sheeran, afirmou ontem que está analisando a possibilidade de racionar os alimentos que a agência distribui devido ao aumento dos preços dos produtos e à falta de verbas.
Falando à BBC, Sheeran afirmou que o WFP está realizando reuniões com especialistas para decidir se o fornecimento de alimentos deverá ser paralisado ou racionado em alguns locais se a agência não receber novas injeções de recursos no curto prazo.
Preços de alimentos dobraram
"Com o alimento duas vezes mais caro, podemos obter metade do que podíamos pelo mesmo preço e com as mesmas contribuições", disse.
"Precisaremos de contribuições maiores para garantir que possamos atender às necessidades já avaliadas", acrescentou.
Números divulgados pela ONU indicam que os preços de alimentos aumentaram 40% no último ano, devido à crescente demanda de países em desenvolvimento e a alta do preço do petróleo.
Outro fator que estaria se refletindo num aumento nos preços seria o maior uso dos biocombustíveis.
"Nós estamos vendo mais da produção mundial de alimentos indo para uso em bioenergia, e isso está encarecendo a comida", disse.
Insegurança alimentar aumenta
"Em muitos lugares, somos a única fonte de alimentos para algumas pessoas", disse a diretora do WFP.
"Também estamos observando necessidades crescentes em alguns lugares como o Afeganistão, onde as pessoas estão caindo na insegurança alimentar simplesmente devido aos preços mais altos (de alimentos)."
Sheeran afirmou que este aumento nos preços está "atingindo da pior forma os mais vulneráveis do mundo, especialmente aqueles que vivem com US$ 0,50 por dia". Algumas dessas pessoas gastam até 90% do dinheiro que ganham só com comida.
"Em alguns destes países em desenvolvimento o preço aumentou em 80%, no caso de alimentos básicos", afirmou.
A diretora do WFP destaca que até pessoas de classe média que vivem em cidades de países como Indonésia, México e Iêmen estão tendo que escolher como gastar o orçamento familiar.
"(...) Estamos observando estas pessoas desistirem de educação e saúde e tentando reservar o máximo de seus orçamentos para alimentos", acrescentou.
Fonte: BBC Brasil (matéria reproduzida devido sua relevância)
Problemas na exportação de carne para Rússia estão superados, afirma Stephanes 26.02.08
26.02.08
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes avaliou que os problemas sobre a exportação de carne para a Rússia estão superados. Ele recebeu na manhã de ontem (25) a comitiva do Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário russo, chefiada por Sergey Dankvert.
“A Rússia, sozinha, já importa quase todo o volume da União Européia. Há menos de um ano, tínhamos problemas de entendimento sanitário. Hoje, nossas relações estão estabilizadas”, destacou Stephanes.
O ministro salientou que a comissão pretende certificar mais 40 estabelecimentos brasileiros para a importação de carne e que, com isso, sobe para 16 o número de estados brasileiros habilitados a exportar para a Rússia – contra apenas oito autorizados pela União Européia.
“As relações dos nossos países estão se desenvolvendo de forma bastante dinâmica. Se observarem que, no ano 2000, importávamos 30 mil toneladas de todos os tipos de carne e que em 2007 o volume atingido superou as 950 mil toneladas, veremos o quanto é importante esse desenvolvimento de nossas relações”, apontou Dankvert.
Stephanes disse ainda que a visita da comitiva vai servir para consolidar a exportação de gado leiteiro para a Rússia.
Fonte: Morillo Carvalho, repórter da Agência Brasil
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes avaliou que os problemas sobre a exportação de carne para a Rússia estão superados. Ele recebeu na manhã de ontem (25) a comitiva do Serviço Federal Veterinário e Fitossanitário russo, chefiada por Sergey Dankvert.
“A Rússia, sozinha, já importa quase todo o volume da União Européia. Há menos de um ano, tínhamos problemas de entendimento sanitário. Hoje, nossas relações estão estabilizadas”, destacou Stephanes.
O ministro salientou que a comissão pretende certificar mais 40 estabelecimentos brasileiros para a importação de carne e que, com isso, sobe para 16 o número de estados brasileiros habilitados a exportar para a Rússia – contra apenas oito autorizados pela União Européia.
“As relações dos nossos países estão se desenvolvendo de forma bastante dinâmica. Se observarem que, no ano 2000, importávamos 30 mil toneladas de todos os tipos de carne e que em 2007 o volume atingido superou as 950 mil toneladas, veremos o quanto é importante esse desenvolvimento de nossas relações”, apontou Dankvert.
Stephanes disse ainda que a visita da comitiva vai servir para consolidar a exportação de gado leiteiro para a Rússia.
Fonte: Morillo Carvalho, repórter da Agência Brasil
4 mil fazendas precisam exportar para atender europeus 26.02.08
26.02.08
Para que o Brasil consiga alcançar o volume de exportação de carne que atenda às necessidades da União Européia (UE), é necessário que pelo menos 4 mil fazendas estejam aptas para exportar. É o que informou ontem (25) o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em encontro com comitiva russa que também avalia propriedades brasileiras para importar o produto.
No momento, de acordo com Stephanes, a UE está no Brasil para inspecionar as cerca de 200 fazendas que correspondem aos critérios de importação exigidos pelo bloco econômico.
“Precisamos de pelo menos 4 ou 5 mil propriedades habilitadas e a União Européia também sabe disso, portanto isso é um processo que deverá ocorrer agora com muita rapidez à medida em que eles consigam aprovar essas - em torno de 200 propriedades - que foram no momento apresentadas”, afirmou o ministro.
Agora, para Stephanes, logo que o pecuarista que estava na lista se adequar, volta à lista de fazendas aceitas pela UE. “Quanto a isso não há nenhum problema. Agora, nós também a médio prazo vamos tentar reformular esses compromissos que o Brasil depositou na Organização Mundial do Comércio em relação ao cumprimento às exigências européias”, disse.
Ele também afirmou que, até o momento, ao contrário do que foi dito por parlamentares, nenhum pecuarista entrou na Justiça contra o Ministério da Fazenda ou a União para discutir o embargo europeu. “Algumas pessoas estão, irresponsavelmente, colocando isso em debate”, afirmou. Ele adiantou que não vê possibilidade de sucesso, caso haja alguma ação judicial.
“Eu acho que isso não terá nenhum curso, porque, afinal de contas, existiam normas, eles aderiram às normas voluntariamente, independente se essas normas eram burocratizadas ou excessivas. Eles aderiram a essas normas, e, ao serem auditados não as tinham cumprido”.
Para Stephanes “ou eles [pecuaristas] se adaptam a essas normas ou nós vamos tentar, num processo a médio prazo, simplificar essas normas da União Européia”.
Fonte: Morillo Carvalho, repórter da Agência Brasil
Para que o Brasil consiga alcançar o volume de exportação de carne que atenda às necessidades da União Européia (UE), é necessário que pelo menos 4 mil fazendas estejam aptas para exportar. É o que informou ontem (25) o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, em encontro com comitiva russa que também avalia propriedades brasileiras para importar o produto.
No momento, de acordo com Stephanes, a UE está no Brasil para inspecionar as cerca de 200 fazendas que correspondem aos critérios de importação exigidos pelo bloco econômico.
“Precisamos de pelo menos 4 ou 5 mil propriedades habilitadas e a União Européia também sabe disso, portanto isso é um processo que deverá ocorrer agora com muita rapidez à medida em que eles consigam aprovar essas - em torno de 200 propriedades - que foram no momento apresentadas”, afirmou o ministro.
Agora, para Stephanes, logo que o pecuarista que estava na lista se adequar, volta à lista de fazendas aceitas pela UE. “Quanto a isso não há nenhum problema. Agora, nós também a médio prazo vamos tentar reformular esses compromissos que o Brasil depositou na Organização Mundial do Comércio em relação ao cumprimento às exigências européias”, disse.
Ele também afirmou que, até o momento, ao contrário do que foi dito por parlamentares, nenhum pecuarista entrou na Justiça contra o Ministério da Fazenda ou a União para discutir o embargo europeu. “Algumas pessoas estão, irresponsavelmente, colocando isso em debate”, afirmou. Ele adiantou que não vê possibilidade de sucesso, caso haja alguma ação judicial.
“Eu acho que isso não terá nenhum curso, porque, afinal de contas, existiam normas, eles aderiram às normas voluntariamente, independente se essas normas eram burocratizadas ou excessivas. Eles aderiram a essas normas, e, ao serem auditados não as tinham cumprido”.
Para Stephanes “ou eles [pecuaristas] se adaptam a essas normas ou nós vamos tentar, num processo a médio prazo, simplificar essas normas da União Européia”.
Fonte: Morillo Carvalho, repórter da Agência Brasil
Força Nacional substituirá PM em Tailândia no PA 25.02.08
25.02.08
Segundo fonte militar, contigente com 157 homens deveria desembarcar neste domingo no Belém
O primeiro contingente de soldados da Força Nacional de Segurança, com 157 homens, deveria desembarcar no começo da madrugada deste domingo, 24, na capital paraense, segundo fonte militar de Brasília, ligada à operação militar, informou ao jornal Estado de São Paulo. Por uma "questão de logística", a Força também incluiu Marabá na rota de desembarque.

Imagem de satélite da região de Tailândia, Pará, onde é visível o pouco que resta de floresta (em verde).
Fonte: GoogleEarth, 24.02.08
A presença da Força Nacional de Segurança na Amazônia, embora cercada de mistério, é uma decisão de governo e não será revista, até porque as forças regulares das Polícias Militar e Federal na região, segundo avaliação da fonte militar, não têm estrutura suficiente para uma permanência prolongada, de no mínimo dois meses, em municípios onde os crimes ambientais continuam sendo praticados com preocupante intensidade.
Assim que ela chegar ao município, o Pelotão de Choque da Polícia Militar retornará a Belém para cumprir outras missões. Uma delas é a desocupação de fazendas invadidas no sul e sudeste paraense por trabalhadores rurais.
Desde sábado, Tailândia está ocupada por mais de 400 policiais militares. Parte desse contingente acompanha agentes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na retirada de 15 mil metros cúbicos de madeira apreendida em sete serrarias do município. Somente no sábado, 23, 16 carretas transportaram 205 metros cúbicos.
O trabalho mal começou, porque ainda faltam visitar 130 de um total de 147 serrarias da região. A Sema acredita que nos pátios das serrarias ainda exista 50 mil metros cúbicos de madeira derrubada da floresta e transportada ilegalmente.
A aparente calma nas ruas da cidade, na verdade, camufla um clima de tensão. Os madeireiros que insuflaram seus empregados a promover quebra-quebra e saques, no começo da semana passada, inclusive distribuindo cachaça e maconha, de acordo com investigação do serviço de inteligência da PM, agora se mostram dóceis e dispostos a colaborar com as forças de segurança e agentes dos órgãos ambientais. Eles prometem, a partir de agora, atuar na legalidade. Hoje, 70% da madeira da região têm origem ilegal.
Ao mesmo tempo em que ameaçam demitir 2,5 mil empregados, os madeireiros acionaram seus advogados para ingressar, nesta segunda-feira, 25, com mandado de segurança para ter de volta a madeira que está sendo levada em carretas para uma fazenda que já pertenceu à antiga multinacional Pirelli, em Marituba, município da região metropolitana de Belém, a 240 km de Tailândia.
Fonte: Carlos Mendes, de O Estado de S. Paulo, com o Observatório
Pará inicia a retirada de madeira ilegal de empresas de Tailândia
Operação envolveu 20 caminhões e dezenas de PMs; não houve confrontos
O governo do Pará iniciou no sábado a retirada da madeira ilegal apreendida em madeireiras de Tailândia (218 km de Belém). A operação, coordenada pela Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), envolveu 20 caminhões alugados pelo Estado e dezenas de homens da Tropa de Intervenção da Polícia Militar.
Não houve manifestações nem confronto com os moradores locais, como o ocorrido na última terça, quando cerca de mil pessoas contrárias à ação do Estado pela implementação da Lei na região atacaram os fiscais do Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). Na terça-feira, com um reduzido contingente de policiais reprimiu os protestos com bombas de efeito moral e balas de borracha mas não conseguiu proteger o fórum local, que foi depredado, e a cidade ficou isolada com bloqueios dos manifestantes nas entradas.
Retirada da madeira
Os fiscais, neste sábado (23), concentraram-se em duas madeireiras: a GM Sufredini e a Tailâmina Ltda., onde eles disseram ter encontrado 2.100 m3 cúbicos de madeira extraídas ilegalmente, avaliada em cerca de R$ 650 mil. Essa apreensão foi levada com escolta policial para um depósito do Estado, na região metropolitana de Belém, e leiloada.
O dinheiro será revertido para o aparelhamento dos órgãos de fiscalização ambiental.
O advogado do Sindimata (Sindicato das Indústrias Madeireiras de Tailândia), Christian Bomm, disse à Folha de São Paulo que a entidade recorrerá contra a apreensão. Segundo ele, inicialmente o recurso será administrativo, dirigido aos órgão responsáveis pela apreensão -Sema e Ibama. "Se isso não der certo, vamos à Justiça", declarou Bomm.
De acordo com o advogado, o objetivo é derrubar o "auto de infração", que é a base da apreensão.
Para o Sindimata, o procedimento de medição da madeira apreendida "está errado por se basear em estimativas".
Durante a operação de fiscalização em Tailândia, os fiscais encontraram 13 mil m3 de madeira ilegal em oito madeireiras. Os órgãos de fiscalização ambiental estimam que haja cerca de 60 madeireiras ilegais no município.
Fonte: Fábio Guibu, aa Agência Folha, em Tailândia, com o Observatório
Com PMs nas ruas, madeira começa a sair do PA sem resistência
Principais pontos de Tailânda estão ocupados por homens do Pelotão de Choque; operação autuou 7 serrarias
Madeira começa a sair de Tailândia, no Pará
A madeira armazenada em quatro grandes serrarias de Tailândia, no leste do Pará, começou a ser retirada na manhã deste sábado, 23, e transportada em caminhões e balsas até Marituba, município da região metropolitana da capital paraense, num percurso de 240 km.
A operação, feita por agentes da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema), não encontrou nenhuma resistência dos madeireiros e empregados de serrarias, porque a tropa da Polícia Militar, com 450 homens, está na cidade desde sexta-feira, 22, abrindo caminho para a chegada neste domingo, 24, de outros 157 homens da Força Nacional.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Luiz Cláudio Ruffeil, disse ao Estado que a cidade está calma e sem qualquer tumulto pelas ruas. A chegada de surpresa da tropa, para reforçar outros 120 policiais militares que lá se encontravam, inibiu qualquer tentativa de reação.
Os principais pontos da cidade estão ocupados por homens do Pelotão de Choque, canil e cavalaria, que levaram bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha. "Não há nenhum armamento mortal nessa operação, que não tem data para acabar", informou o coronel Ruffeil.
O sindicato dos madeireiros do município decidiu pela manhã que irá brigar na justiça para ter a madeira de volta, mas essa disposição dificilmente encontrará respaldo no Judiciário.
Na sexta-feira, 22, a juíza federal da 2ª Vara de Belém, Hind Gassan Kayath, determinou ao Ibama a exclusão por dois meses do sistema eletrônico que controla o transporte e o armazenamento de produtos florestais de cinco madeireiras acusadas pelos distúrbios e quebra-quebra em Tailândia, na terça-feira, 19. Esta decisão, na prática, impede as madeireiras de exercer qualquer atividade comercial enquanto durar o bloqueio.
Fonte: Carlos Mendes, de O Estado de S. Paulo, com o Observatório
Segundo fonte militar, contigente com 157 homens deveria desembarcar neste domingo no Belém
O primeiro contingente de soldados da Força Nacional de Segurança, com 157 homens, deveria desembarcar no começo da madrugada deste domingo, 24, na capital paraense, segundo fonte militar de Brasília, ligada à operação militar, informou ao jornal Estado de São Paulo. Por uma "questão de logística", a Força também incluiu Marabá na rota de desembarque.

Imagem de satélite da região de Tailândia, Pará, onde é visível o pouco que resta de floresta (em verde).
Fonte: GoogleEarth, 24.02.08
A presença da Força Nacional de Segurança na Amazônia, embora cercada de mistério, é uma decisão de governo e não será revista, até porque as forças regulares das Polícias Militar e Federal na região, segundo avaliação da fonte militar, não têm estrutura suficiente para uma permanência prolongada, de no mínimo dois meses, em municípios onde os crimes ambientais continuam sendo praticados com preocupante intensidade.
Assim que ela chegar ao município, o Pelotão de Choque da Polícia Militar retornará a Belém para cumprir outras missões. Uma delas é a desocupação de fazendas invadidas no sul e sudeste paraense por trabalhadores rurais.
Desde sábado, Tailândia está ocupada por mais de 400 policiais militares. Parte desse contingente acompanha agentes da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na retirada de 15 mil metros cúbicos de madeira apreendida em sete serrarias do município. Somente no sábado, 23, 16 carretas transportaram 205 metros cúbicos.
O trabalho mal começou, porque ainda faltam visitar 130 de um total de 147 serrarias da região. A Sema acredita que nos pátios das serrarias ainda exista 50 mil metros cúbicos de madeira derrubada da floresta e transportada ilegalmente.
A aparente calma nas ruas da cidade, na verdade, camufla um clima de tensão. Os madeireiros que insuflaram seus empregados a promover quebra-quebra e saques, no começo da semana passada, inclusive distribuindo cachaça e maconha, de acordo com investigação do serviço de inteligência da PM, agora se mostram dóceis e dispostos a colaborar com as forças de segurança e agentes dos órgãos ambientais. Eles prometem, a partir de agora, atuar na legalidade. Hoje, 70% da madeira da região têm origem ilegal.
Ao mesmo tempo em que ameaçam demitir 2,5 mil empregados, os madeireiros acionaram seus advogados para ingressar, nesta segunda-feira, 25, com mandado de segurança para ter de volta a madeira que está sendo levada em carretas para uma fazenda que já pertenceu à antiga multinacional Pirelli, em Marituba, município da região metropolitana de Belém, a 240 km de Tailândia.
Fonte: Carlos Mendes, de O Estado de S. Paulo, com o Observatório
Pará inicia a retirada de madeira ilegal de empresas de Tailândia
Operação envolveu 20 caminhões e dezenas de PMs; não houve confrontos
O governo do Pará iniciou no sábado a retirada da madeira ilegal apreendida em madeireiras de Tailândia (218 km de Belém). A operação, coordenada pela Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), envolveu 20 caminhões alugados pelo Estado e dezenas de homens da Tropa de Intervenção da Polícia Militar.
Não houve manifestações nem confronto com os moradores locais, como o ocorrido na última terça, quando cerca de mil pessoas contrárias à ação do Estado pela implementação da Lei na região atacaram os fiscais do Ibama (Instituto Nacional do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis). Na terça-feira, com um reduzido contingente de policiais reprimiu os protestos com bombas de efeito moral e balas de borracha mas não conseguiu proteger o fórum local, que foi depredado, e a cidade ficou isolada com bloqueios dos manifestantes nas entradas.
Retirada da madeira
Os fiscais, neste sábado (23), concentraram-se em duas madeireiras: a GM Sufredini e a Tailâmina Ltda., onde eles disseram ter encontrado 2.100 m3 cúbicos de madeira extraídas ilegalmente, avaliada em cerca de R$ 650 mil. Essa apreensão foi levada com escolta policial para um depósito do Estado, na região metropolitana de Belém, e leiloada.
O dinheiro será revertido para o aparelhamento dos órgãos de fiscalização ambiental.
O advogado do Sindimata (Sindicato das Indústrias Madeireiras de Tailândia), Christian Bomm, disse à Folha de São Paulo que a entidade recorrerá contra a apreensão. Segundo ele, inicialmente o recurso será administrativo, dirigido aos órgão responsáveis pela apreensão -Sema e Ibama. "Se isso não der certo, vamos à Justiça", declarou Bomm.
De acordo com o advogado, o objetivo é derrubar o "auto de infração", que é a base da apreensão.
Para o Sindimata, o procedimento de medição da madeira apreendida "está errado por se basear em estimativas".
Durante a operação de fiscalização em Tailândia, os fiscais encontraram 13 mil m3 de madeira ilegal em oito madeireiras. Os órgãos de fiscalização ambiental estimam que haja cerca de 60 madeireiras ilegais no município.
Fonte: Fábio Guibu, aa Agência Folha, em Tailândia, com o Observatório
Com PMs nas ruas, madeira começa a sair do PA sem resistência
Principais pontos de Tailânda estão ocupados por homens do Pelotão de Choque; operação autuou 7 serrarias
Madeira começa a sair de Tailândia, no Pará
A madeira armazenada em quatro grandes serrarias de Tailândia, no leste do Pará, começou a ser retirada na manhã deste sábado, 23, e transportada em caminhões e balsas até Marituba, município da região metropolitana da capital paraense, num percurso de 240 km.
A operação, feita por agentes da Secretaria de Meio Ambiente do Pará (Sema), não encontrou nenhuma resistência dos madeireiros e empregados de serrarias, porque a tropa da Polícia Militar, com 450 homens, está na cidade desde sexta-feira, 22, abrindo caminho para a chegada neste domingo, 24, de outros 157 homens da Força Nacional.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Luiz Cláudio Ruffeil, disse ao Estado que a cidade está calma e sem qualquer tumulto pelas ruas. A chegada de surpresa da tropa, para reforçar outros 120 policiais militares que lá se encontravam, inibiu qualquer tentativa de reação.
Os principais pontos da cidade estão ocupados por homens do Pelotão de Choque, canil e cavalaria, que levaram bombas de efeito moral, spray de pimenta e balas de borracha. "Não há nenhum armamento mortal nessa operação, que não tem data para acabar", informou o coronel Ruffeil.
O sindicato dos madeireiros do município decidiu pela manhã que irá brigar na justiça para ter a madeira de volta, mas essa disposição dificilmente encontrará respaldo no Judiciário.
Na sexta-feira, 22, a juíza federal da 2ª Vara de Belém, Hind Gassan Kayath, determinou ao Ibama a exclusão por dois meses do sistema eletrônico que controla o transporte e o armazenamento de produtos florestais de cinco madeireiras acusadas pelos distúrbios e quebra-quebra em Tailândia, na terça-feira, 19. Esta decisão, na prática, impede as madeireiras de exercer qualquer atividade comercial enquanto durar o bloqueio.
Fonte: Carlos Mendes, de O Estado de S. Paulo, com o Observatório
Agrotóxico em rio mata 2 toneladas de peixes em MG 24.02.08
24.02.08
Quase duas toneladas de peixes morreram em Carmo do Rio Claro, no sul de Minas, devido a um vazamento de inseticida no cano de irrigação da fazenda Haras Jacuba.
Segundo a Polícia Militar do Meio Ambiente, o problema causou a mortandade de 1.500 quilos de peixes no açude da fazenda e outros 350 quilos na represa de Furnas, onde deságua o açude. Morreram peixes das espécies pacu, tilápia, curimba, mandi, traíra e lambari.
O agrotóxico que era utilizado na fazenda tem o segundo maior nível de toxidade em uma escala de um a quatro, é usado para combater broca na lavoura de milho.
A fazenda foi multada em R$ 15 mil.
Fonte: Folha de São Paulo
Quase duas toneladas de peixes morreram em Carmo do Rio Claro, no sul de Minas, devido a um vazamento de inseticida no cano de irrigação da fazenda Haras Jacuba.
Segundo a Polícia Militar do Meio Ambiente, o problema causou a mortandade de 1.500 quilos de peixes no açude da fazenda e outros 350 quilos na represa de Furnas, onde deságua o açude. Morreram peixes das espécies pacu, tilápia, curimba, mandi, traíra e lambari.
O agrotóxico que era utilizado na fazenda tem o segundo maior nível de toxidade em uma escala de um a quatro, é usado para combater broca na lavoura de milho.
A fazenda foi multada em R$ 15 mil.
Fonte: Folha de São Paulo
Protocolo de Kyoto não pode ser peça de ficção e ficar esquecido na gaveta, diz Luiz Inácio 22.02.08
22.02.08
O presidente Luiz Inácio defendeu ontem (21) que o Protocolo de Kyoto não seja“uma peça de ficção assinada e esquecida pelos países na gaveta”.
“É muito fácil assinar documento e depois esquecer na gaveta, e também é muito fácil alguns países, que são os maiores poluidores, tentarem transferir a responsabilidade de cuidar do planeta aos países pobres”, afirmou Luiz Inácio, ao discursar no Fórum de Legisladores do G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia) e países emergentes sobre mudanças climáticas.
O Presidente brasileiro disse que os países ricos não cumprem os protocolos internacionais de meio ambiente. “Os protocolos internacionais só servem para os países pobres cumprirem. Os ricos não querem cumprir e, com a maior desfaçatez, arrumam argumento para não cumprir.”
A uma platéia formada por representantes de diversas nações, o presidente da República afirmou que os países poluidores têm que dar uma contrapartida para que as nações pobres preservem o meio ambiente. “Como poderemos pedir aos países pobres que façam o sacrifício que os outros não fizeram, sem que haja contrapartida econômica para que as pessoas percebam que preservar o meio ambiente lhes garantirá meios de sobrevivência e renda?”, questionou.
Ao falar dos biocombustíveis, o Presidente brasileiro insistiu que as plantações para produção dessa fonte de energia não irão ocupar áreas destinadas à produção de alimento, nem desmatar a Amazônia. “Dizíamos [ao iniciar o projeto], com vários documentos, que era impensável imaginar que iríamos ocupar ou a área amazônica para produzir biocombustíveis ou que iríamos substituir a produção de alimentos.”
O Protocolo de Kyoto é um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, causa do aquecimento global.
Fonte: Yara Aquino, repórter da Agência Brasil
Fórum de legisladores do G8 termina com acordos parciais
Parlamentares do G8 (grupo dos países mais ricos e a Rússia) e de cinco economias emergentes saíram sem um acordo final do fórum global de legisladores, que tinha como objetivo sugerir aos chefes de Estado recomendações contra as mudanças climáticas.
O grupo se reuniu anteontem e ontem (20 e 21) em evento promovido pela Globe – Organização Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado.
As delegações não chegaram a um consenso para sugestão de um marco regulatório para o enfrentamento global das mudanças climáticas para o período pós-2012, quando terminará a primeira etapa de compromissos do Protocolo de Quioto.
De acordo com um dos principais negociadores do documento, Michael Jay, não houve consenso sobre limites toleráveis de aquecimento do planeta para a definição de metas de redução de emissão de gases de efeito estufa: “Não alcançamos um acordo sobre o estabelecimento de uma meta comum. Alguns sugerem 2° C, mas não é um consenso.”.
Na avaliação do negociador britânico, apesar da falta de consenso para o documento principal, a edição brasileira do fórum de legisladores do G8 “alcançou grandes progressos”. O grupo definiu um documento com recomendações sobre biocombustíveis e outro sobre uso ilegal de florestas.
Entre as orientações para políticas florestais, o documento cita a necessidade de proteção de mercados para madeira legal e produzida de forma sustentável, e recomenda a criação de leis para desestimular o comércio de madeira ilegal, tanto nos países de origem quanto nos compradores do produto.
Solução para aquecimento não se sobrepõe à necessidade de crescimento, diz Zoellick
Uma solução global para o enfrentamento das mudanças climáticas não pode desconsiderar o "direito ao desenvolvimento" reinvidicado por países como Brasil, China e Índia. A afirmação foi feita ontem (21), por meio de videoconferência, pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, durante o fórum dos legislafores do G8 e de mais cinco países de economia emergente. O G8 é formado pelos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia.
"É preciso que os países ricos compreendam que nenhuma negociação global logrará êxito se os países em desenvolvimento continuarem a perceber nas economias emergentes uma possível ameaça ao desenvolvimento econômico e social", disse Zoellick.
Segundo Zoellick, cabe aos países ricos "exercer uma liderança global" e apoiar políticas de desenvolvimento sustentável nas nações em desenvolvimento, para garantir um "crescimento mais verde" nesses países. Ele disse que o banco, "como cooperativa mundial", está disposto a intermediar a transferência de recursos e tecnologia entre as nações mais industrializadas e os países em desenvolvimento.
"Vamos trabalhar para apoiar pesquisas referentes a políticas sobre mudança climática e desenvolvimento, para a partilha de informações e para estratégias de atenuação e adaptação que sejam efetivas em relação aos custos". De acordo com Zoellick, o banco já tem projetos em andamento no Brasil, China, Índia, Indonésia, México e África do Sul.
A reunião de legisladores do G8 e mais cinco economias emergentes é organizada pela Globe - Organização Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado. O objetivo do encontro de parlamentares é elaborar um documento com propostas de enfrentamento das mudanças climáticas a ser levado para a próxima reunião do G8, em julho, no Japão.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio defendeu ontem (21) que o Protocolo de Kyoto não seja“uma peça de ficção assinada e esquecida pelos países na gaveta”.
“É muito fácil assinar documento e depois esquecer na gaveta, e também é muito fácil alguns países, que são os maiores poluidores, tentarem transferir a responsabilidade de cuidar do planeta aos países pobres”, afirmou Luiz Inácio, ao discursar no Fórum de Legisladores do G8 (grupo que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia) e países emergentes sobre mudanças climáticas.
O Presidente brasileiro disse que os países ricos não cumprem os protocolos internacionais de meio ambiente. “Os protocolos internacionais só servem para os países pobres cumprirem. Os ricos não querem cumprir e, com a maior desfaçatez, arrumam argumento para não cumprir.”
A uma platéia formada por representantes de diversas nações, o presidente da República afirmou que os países poluidores têm que dar uma contrapartida para que as nações pobres preservem o meio ambiente. “Como poderemos pedir aos países pobres que façam o sacrifício que os outros não fizeram, sem que haja contrapartida econômica para que as pessoas percebam que preservar o meio ambiente lhes garantirá meios de sobrevivência e renda?”, questionou.
Ao falar dos biocombustíveis, o Presidente brasileiro insistiu que as plantações para produção dessa fonte de energia não irão ocupar áreas destinadas à produção de alimento, nem desmatar a Amazônia. “Dizíamos [ao iniciar o projeto], com vários documentos, que era impensável imaginar que iríamos ocupar ou a área amazônica para produzir biocombustíveis ou que iríamos substituir a produção de alimentos.”
O Protocolo de Kyoto é um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, causa do aquecimento global.
Fonte: Yara Aquino, repórter da Agência Brasil
Fórum de legisladores do G8 termina com acordos parciais
Parlamentares do G8 (grupo dos países mais ricos e a Rússia) e de cinco economias emergentes saíram sem um acordo final do fórum global de legisladores, que tinha como objetivo sugerir aos chefes de Estado recomendações contra as mudanças climáticas.
O grupo se reuniu anteontem e ontem (20 e 21) em evento promovido pela Globe – Organização Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado.
As delegações não chegaram a um consenso para sugestão de um marco regulatório para o enfrentamento global das mudanças climáticas para o período pós-2012, quando terminará a primeira etapa de compromissos do Protocolo de Quioto.
De acordo com um dos principais negociadores do documento, Michael Jay, não houve consenso sobre limites toleráveis de aquecimento do planeta para a definição de metas de redução de emissão de gases de efeito estufa: “Não alcançamos um acordo sobre o estabelecimento de uma meta comum. Alguns sugerem 2° C, mas não é um consenso.”.
Na avaliação do negociador britânico, apesar da falta de consenso para o documento principal, a edição brasileira do fórum de legisladores do G8 “alcançou grandes progressos”. O grupo definiu um documento com recomendações sobre biocombustíveis e outro sobre uso ilegal de florestas.
Entre as orientações para políticas florestais, o documento cita a necessidade de proteção de mercados para madeira legal e produzida de forma sustentável, e recomenda a criação de leis para desestimular o comércio de madeira ilegal, tanto nos países de origem quanto nos compradores do produto.
Solução para aquecimento não se sobrepõe à necessidade de crescimento, diz Zoellick
Uma solução global para o enfrentamento das mudanças climáticas não pode desconsiderar o "direito ao desenvolvimento" reinvidicado por países como Brasil, China e Índia. A afirmação foi feita ontem (21), por meio de videoconferência, pelo presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, durante o fórum dos legislafores do G8 e de mais cinco países de economia emergente. O G8 é formado pelos sete países mais industrializados do mundo, mais a Rússia.
"É preciso que os países ricos compreendam que nenhuma negociação global logrará êxito se os países em desenvolvimento continuarem a perceber nas economias emergentes uma possível ameaça ao desenvolvimento econômico e social", disse Zoellick.
Segundo Zoellick, cabe aos países ricos "exercer uma liderança global" e apoiar políticas de desenvolvimento sustentável nas nações em desenvolvimento, para garantir um "crescimento mais verde" nesses países. Ele disse que o banco, "como cooperativa mundial", está disposto a intermediar a transferência de recursos e tecnologia entre as nações mais industrializadas e os países em desenvolvimento.
"Vamos trabalhar para apoiar pesquisas referentes a políticas sobre mudança climática e desenvolvimento, para a partilha de informações e para estratégias de atenuação e adaptação que sejam efetivas em relação aos custos". De acordo com Zoellick, o banco já tem projetos em andamento no Brasil, China, Índia, Indonésia, México e África do Sul.
A reunião de legisladores do G8 e mais cinco economias emergentes é organizada pela Globe - Organização Mundial de Legisladores para um Ambiente Equilibrado. O objetivo do encontro de parlamentares é elaborar um documento com propostas de enfrentamento das mudanças climáticas a ser levado para a próxima reunião do G8, em julho, no Japão.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil
Marina diz que confronto em Tailândia (Pará) é com criminosos e contraventores 22.02.08
22.02.08
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse ontem (21) que a paralisação da Operação Guardiões da Amazônia, destinada a vistoriar madeireiras no município de Tailândia (PA), não representa o fim da atuação do governo na área, mas uma estratégia para evitar conflitos com a população. A retirada da madeira ilegal já foi retomada, segundo a ministra.
Na última terça-feira (19), um grupo de pessoas contrárias à operação cercou fiscais do governo do Pará e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e tentou invadir uma das serrarias da cidade para atear fogo a um caminhão que retirava a madeira apreendida na fiscalização.
A Amazônia ilegal- Comentário do editor: A autoridade local, secretário municipal de Tailândia, Pará, diz para quem quiser ouvir - 60% do município já foi desmatado nos últimos 40 anos, quando foi criado, e 70% da economia local depende dos madeireiros (veja matéria da Folha de São Paulo, abaixo reproduzida). Ao que tudo indica, dominado por extração ilegal de madeira. Se houver alguma legal, certamente era misturada às ilegais para dar cobertura no processamento do conjunto do estoque. Isso funciona assim há 40 anos!!! as "autoridades" locais, que deveriam zelar pelo Estado de Direito, certamente nunca tomaram qualquer atitude nesse sentido. Hoje, existe no local uma "cidade" com mais de 67 mil habitantes, que vive desse misto legal/ilegal, e que é insuflada pelos gestores da ilegalidade a repudiarem a ação do Estado na implantação de sua presença. O que isso difere da situação em muitas favelas em morros cariocas, onde os traficantes de drogas "são o estado", implantam sua "justiça", fazem "ações sociais", que acabam colocando parte de seus moradores a seu lado e contra a entrada do Estado na área (temos que descontar, aí, as naturais e saudáveis reações a excessos e violências policiais...).
Criminosos manipulam trabalhadores
"A operação de Tailândia vai ser efetivada. Nós não queremos é confronto com a população, estamos combatendo criminosos e contraventores, e essas pessoas infelizmente manipulam os moradores locais. Mas não queremos repetir nenhum caso de violência do tipo de Eldorado dos Carajás, longe disso”, afirmou a ministra.
Ela se referiu ao confronto ocorrido em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás, ao sul do Pará, envolvendo agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Polícia Militar, que resultou na morte de 19 trabalhadores rurais.
“Estamos trabalhando com algo complexo, que envolve direitos sociais importantes, mas nem por isso o Estado deve ser conivente com qualquer prática ilegal em relação à madeira", acrescentou.
De acordo com a ministra, o contingente policial para garantir o transporte de madeira foi ampliado por determinação da governo do Pará de 80 para 160 policiais militares. Marina Silva afirmou que o caso de Tailândia é um episódio isolado e que o Ibama e a Polícia Federal manterão o cronograma de operações de fiscalização de madeira ilegal.
O governo já identificou quem são os líderes de madeireiros e fazendeiros que desmatam ilegalmente a Amazônia e que têm incitado a população a atacar agentes da Polícia Federal e do Ibama na véspera da deflagração da Operação Arco de Fogo, nome dado à grande mobilização repressiva planejada para a região nos próximos dias. Os nomes e endereços de todos eles já estão com a PF. Assim que a operação começar, deverão ser presos se insistir
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse ontem (21) que a paralisação da Operação Guardiões da Amazônia, destinada a vistoriar madeireiras no município de Tailândia (PA), não representa o fim da atuação do governo na área, mas uma estratégia para evitar conflitos com a população. A retirada da madeira ilegal já foi retomada, segundo a ministra.
Na última terça-feira (19), um grupo de pessoas contrárias à operação cercou fiscais do governo do Pará e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e tentou invadir uma das serrarias da cidade para atear fogo a um caminhão que retirava a madeira apreendida na fiscalização.
A Amazônia ilegal- Comentário do editor: A autoridade local, secretário municipal de Tailândia, Pará, diz para quem quiser ouvir - 60% do município já foi desmatado nos últimos 40 anos, quando foi criado, e 70% da economia local depende dos madeireiros (veja matéria da Folha de São Paulo, abaixo reproduzida). Ao que tudo indica, dominado por extração ilegal de madeira. Se houver alguma legal, certamente era misturada às ilegais para dar cobertura no processamento do conjunto do estoque. Isso funciona assim há 40 anos!!! as "autoridades" locais, que deveriam zelar pelo Estado de Direito, certamente nunca tomaram qualquer atitude nesse sentido. Hoje, existe no local uma "cidade" com mais de 67 mil habitantes, que vive desse misto legal/ilegal, e que é insuflada pelos gestores da ilegalidade a repudiarem a ação do Estado na implantação de sua presença. O que isso difere da situação em muitas favelas em morros cariocas, onde os traficantes de drogas "são o estado", implantam sua "justiça", fazem "ações sociais", que acabam colocando parte de seus moradores a seu lado e contra a entrada do Estado na área (temos que descontar, aí, as naturais e saudáveis reações a excessos e violências policiais...).
Criminosos manipulam trabalhadores
"A operação de Tailândia vai ser efetivada. Nós não queremos é confronto com a população, estamos combatendo criminosos e contraventores, e essas pessoas infelizmente manipulam os moradores locais. Mas não queremos repetir nenhum caso de violência do tipo de Eldorado dos Carajás, longe disso”, afirmou a ministra.
Ela se referiu ao confronto ocorrido em 17 de abril de 1996 no município de Eldorado dos Carajás, ao sul do Pará, envolvendo agricultores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e a Polícia Militar, que resultou na morte de 19 trabalhadores rurais.
“Estamos trabalhando com algo complexo, que envolve direitos sociais importantes, mas nem por isso o Estado deve ser conivente com qualquer prática ilegal em relação à madeira", acrescentou.
De acordo com a ministra, o contingente policial para garantir o transporte de madeira foi ampliado por determinação da governo do Pará de 80 para 160 policiais militares. Marina Silva afirmou que o caso de Tailândia é um episódio isolado e que o Ibama e a Polícia Federal manterão o cronograma de operações de fiscalização de madeira ilegal.
O governo já identificou quem são os líderes de madeireiros e fazendeiros que desmatam ilegalmente a Amazônia e que têm incitado a população a atacar agentes da Polícia Federal e do Ibama na véspera da deflagração da Operação Arco de Fogo, nome dado à grande mobilização repressiva planejada para a região nos próximos dias. Os nomes e endereços de todos eles já estão com a PF. Assim que a operação começar, deverão ser presos se insistir