Notícias de fevereiro a junho de 2010 -Clique no título para ler e para fechar janela
4,3 mi ha de terras agrícolas brasileiras pertencem a estrangeiros 07.07.10
No Brasil, 4,3 milhões de hectares foram comprados por estrangeiros e distribuem-se entre 3.694 mil municípios localizados, na maior parte das vezes, nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. O total revela a fragilidade do sistema brasileiro, que não possui limitações quanto à ocupação de terras no território nacional.
Dentre os Estados da federação, Mato Grosso é o que apresenta maior concentração de terras por proprietários de fora do país. Uma área de 844 mil hectares em está sob domínio estrangeiro, seja por grupos ou corporações internacionais e fazendeiros, entre outros. Na maior parte das vezes, o capital “gringo” destina-se a subsidiar atividades ligadas ao agronegócio, como a produção de grãos (soja, milho e demais), cana-de-açúcar, algodão. Isto quer dizer que, com o passar do tempo, o interesse pelo território mato-grossense aumentou e a introdução do capital de outros países estabeleceu uma competição com os produtores nacionais. O resultado da equação foi um: o preço da terra no Estado aumentou 300% nos últimos quatro anos, segundo identificou o Instituto Nacional de Reforma e Colonização Agrária.
Os números do Sistema Nacional de Cadastro Rural, do Incra, mostram que os 844 mil hectares estão distribuídos entre 1.229 propriedades em Mato Grosso. A preferência pelo Estado – essencialmente agrícola – colocou-o em uma posição absoluta. Noutras unidades federadas, apesar do total de propriedades ser maior, suas áreas são menores.
É o caso de São Paulo, onde 12.291 propriedades foram adquiridas. A área corresponde a 491 mil hectares e a produção de cana-de-açúcar predomina. No Paraná, são 5.130 propriedades (299 mil hectares) adquiridas por meio de capital estrangeiro. Ao lado de Mato Grosso, São Paulo e Paraná, os maiores índices de concentração de terras verificam-se no Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Bahia. Cerca de 60% das terras estrangeiras no Brasil localizam-se nestes Estados.
Nos seis, o tamanho das áreas destinadas à exploração econômica varia. Alguns possuem entre 2 e 5 cinco mil hectares. Outros, de 5 a 10 mil hectares. Há também 10 mil a 20 mil hectares além de outras superiores a 20 mil hectares.
Ao Só Notícias, o Incra informou que os números sobre a distribuição de terras podem sofrer alteração. Isto porque, segundo o órgão, os dados são constantemente verificados pelo Sistema Nacional de Cadastro Rural e, eventualmente, corrigidos, em função das informações depuradas pelas regionais do Incra nos Estados.
Fonte: Leandro J. Nascimento/Só Notícias, com o Observatório
Clima: projeções para a safra verão 2011 confirmam um novo episódio La Niña 07.07.10
Depois de um período de aproximadamente um ano com águas aquecidas (El Niño), desde junho se observa um processo de resfriamento das águas do Oceano Pacífico equatorial, indicando o retorno do fenômeno La Niña e alterações no clima já na próxima primavera.
O resfriamento das águas do Oceano Pacífico equatorial deve aumentar gradualmente no decorrer deste inverno, com o La Niña totalmente configurado durante a primavera e permanecendo durante o verão 2011. A previsão é de um episódio de intensidade moderada a forte e deve durar pelo menos até o outono de 2011.
O último La Niña ocorreu no verão 2007/2008. Porém, dadas as características como intensidade, rapidez na formação e provavelmente duração, o episódio deste ano está muito semelhante com o observado no segundo semestre de 1998 e verão 1999.
SOJA: Para a lavoura de soja do Brasil o fenômeno La Niña tem dois impactos bem caracterizados: Primeiro atrasa o retorno das chuvas no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil. Enquanto para as lavouras do Sul do Brasil e também de Mato Grosso do Sul reduz a incidência de chuva e aumenta o risco de estiagens regionalizadas no verão. Para a safra 2010/2011, portanto, muda o cenário climático, principalmente quando comparado com o observado na safra passada.
O retorno das chuvas este ano deve ocorrer somente no final de outubro e no decorrer de novembro, mesmo assim de forma muito irregular, o que deve implicar no atraso do plantio para as lavouras de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Piauí, Maranhão e Tocantins. Durante o verão as chuvas nesses estados devem apresentar um comportamento médio, com o risco das chuvas se prolongarem até abril e meados de maio.
Já as lavouras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e também de Mato Grosso do Sul não devem enfrentar grandes problemas na fase de plantio entre outubro e novembro, porém devem considerar o risco de estiagem durante os meses de verão. Inclusive, a continuidade do La Niña remete para um outono também com chuvas abaixo da média.
MILHO SAFRINHA: O fenômeno La Niña aumenta o risco para as lavouras do Paraná, Mato Grosso do Sul e de São Paulo, que enfrentam período de escassez de chuva durante o outono, assim como, não dá para eliminar o risco de frio (geada) a partir de maio. Já para as lavouras de Milho Safrinha de Mato Grosso e Goiás, o cenário climático é mais favorável, pois o período de chuvas deve se prolongar até abril e meados de maio de 2011.
LAVOURA DA ARGENTINA E DO PARAGUAI: Assim como para as lavouras de soja do Sul do Brasil, na Argentina e no Paraguai em períodos de La Niña também se observa uma redução das chuvas e aumenta o risco de estiagens regionalizadas no verão. Para a safra 2011, portanto, muda o cenário climático em relação ao observado na safra passada, diminuindo em tese o potencial de produção.
Para a fase de plantio das lavouras de verão entre outubro e novembro não devem enfrentar grandes problemas, pois a primavera mesmo com a presença do La Niña, ainda é um período de boas chuvas. Porém, os produtores da Argentina devem considerar fortemente o risco de estiagem durante os meses de verão. Inclusive, a continuidade do La Niña remete para um outono também com chuvas abaixo da média.
LAVOURA AMERICANA (safra 2010): Definidas (favoravelmente) as condições de plantio das lavouras de soja e milho, daqui para frente às preocupações se voltam para a ocorrência e distribuição das chuvas durante o verão americano. De um modo geral se pode afirmar que as condições climáticas se mostram favoráveis para produção das lavouras do Meio-oeste dos Estados Unidos. A tendência para este verão é de uma condição média, com elevação da temperatura e redução das chuvas. Cabe ressaltar apenas que, como é tico do verão americano, este ano podem ocorrer alguns períodos de estiagens regionalizadas, entre julho e agosto, principalmente nas áreas produtoras localizadas mais a Oeste, incluindo parte dos estados de Nebraska, Iowa, e Missouri. A previsão da instalação do La Niña para o outono (no Hemisfério Norte) está associado com redução das chuvas, o que em tese deve favorecer o período de colheita a partir de setembro.
Fonte: Somar Metereologia/SóNotícias
JBS enfrenta resistência dos criadores de gado norte-americanos 07.07.10
Chicago - A Associação de Produtores de Gado norte-americana R-CALF/USA entregou uma petição ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos para suspender a compra do confinamento McElhaney Cattle Company pelo frigorífico brasileiro JBS. A transação está avaliada em US$ 24 milhões e inclui 100% dos ativos, incluindo confinamentos e fábrica de ração. O JBS é o maior produtor mundial de carne bovina.
Segundo o grupo, a aquisição pode causar problemas de competitividade no setor, pois em 2008 o JBS comprou a empresa com as maiores operações de confinamento no país, a Five Rivers Ranch Cattle Feeding. A Five Rivers foi adquirida como parte das operações da Smithfield Foods com bovinos.
A compra do confinamento McElhaney, localizado em Welton (Arizona), seria "especialmente nociva para os produtores de gado independentes", de acordo com carta da R-CALF/USA à Justiça.
Em fato relevante divulgado na quarta-feira, o JBS informou que o confinamento McElhaney tem capacidade de confinar mais de 130 mil bois simultaneamente e "está estrategicamente localizado na região da unidade de produção da JBS em Tolleson, também no estado do Arizona". A transação está sujeita à aprovação por parte dos órgãos regulatórios competentes.
Fonte: Filipe Domingues /Agência Estado; as informações são da Dow Jones.
Desaparecimento de abelhas pode prejudicar produção de frutos no Brasil 07.07.10
A diminuição da quantidade de abelhas pode prejudicar a cultura de frutos como melão, manga, melancia e goiaba no Brasil. A bióloga e pesquisadora da Embrapa Semiárido, Márcia Ribeiro, em entrevista à Rádio Nacional, afirmou que os Estados Unidos e o Canadá já estimam a perda de milhões de dólares na produção de frutos com o desaparecimento das abelhas.
De acordo com a bióloga, no Brasil, ainda não há estudos sobre esses prejuízos. “Mas já se sabe que o número de abelhas está diminuindo aqui também”. Ela explicou que em diversas culturas as abelhas são necessárias para que haja a polinização das flores e, consequentemente, a planta possa produzir frutos.
Para a pesquisadora, o Brasil começou a investir, em estudos de polinizadores e formas de polinização nos últimos anos. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) lançou, em setembro do ano passado, edital para a pesquisa da polinização em diversas culturas. A pesquisadora salienta que essas pesquisas estão apenas começando.
Segundo Márcia Ribeiro, as abelhas são mortas por pessoas que colhem mel de colmeias naturais. “Elas vão até a vegetação nativa, extraem o mel dos ninhos sem nenhum cuidado e deixam as abelhas morrerem, causando um desequilíbrio no meio ambiente.”
Fonte: Agência Brasil; edição: Talita Cavalcante
Lobby do etanol ganha 'aliados' nos Estados Unidos 07.07.10
O lobby do setor brasileiro do etanol encontrou dois reforços inusitados para sua meta de abrir o resistente mercado americano.
Diante do maior desastre ambiental dos Estados Unidos - o derramamento de cerca de 35 mil barris diários de petróleo no Golfo do México ao longo dos últimos 65 dias -, o presidente americano, Barack Obama, abraçou a bandeira da energia renovável e da redução da dependência de petróleo.
Como resposta ao déficit público do país, o discurso em favor do corte nos gastos públicos da ala mais extremista do Partido Republicano, o Tea Party, deu força à eliminação dos subsídios locais.
"O velho argumento de que a abertura do mercado americano de etanol só vai beneficiar o Brasil caiu por terra", afirmou Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
"O desastre no Golfo do México abriu a discussão interna sobre se vale a pena a exploração de petróleo em águas profundas nos Estados Unidos e o incentivo à ampliação do uso do biocombustível."
Os novos "aliados" serão úteis para os dois objetivos de curto prazo do setor sucroalcooleiro do Brasil. O primeiro é acabar com a tarifa específica de importação de etanol, de US$ 0,54 por galão, que torna inviável a exportação brasileira ao mercado americano.
O segundo objetivo é acabar com o subsídio de US$ 0,45 a cada galão de etanol (de milho) adicionado à gasolina nos Estados Unidos, que vigora desde 1978 e inflaciona o preço do produto no mercado. Essa conta alcança US$ 6 bilhões ao ano. "O real debate, nos Estados Unidos, é sobre o fim do subsídio. Não é sobre a tarifa. A questão é: quem vai pagar essa conta?", afirmou Jank.
A vigência de ambos os instrumentos termina em 31 de dezembro. A Unica acredita que, com alguma dificuldade, poderá convencer os legisladores americanos a acabar com a tarifa e o subsídio. A agenda do Congresso, entretanto, será curta por causa das eleições legislativas marcas para o dia 2 de novembro.
Fonte:AE /Agência Estado; as informações são do jornal O Estado de S. Paulo
EUA começam a pagar compensações por conta de subsídios ao algodão 07.07.10
O governo dos Estados Unidos já começou a pagar as compensações ao Brasil por causa da questão dos subsídios ao algodão, em que perdeu a questão para o Brasil no âmbito da Organização Mundial do Comércio -OMC. O dinheiro irá para um fundo que beneficiará os produtores do país. Esta semana o governo americano depositou US$ 30 milhões em uma conta bancária nos Estados Unidos em favor do Instituto Brasileiro do Algodão, recém-criado.
“As ações autorizadas para a aplicação do dinheiro são basicamente de formação e capacitação técnica dentro de qualquer esfera no setor do algodão seja para produtores ou trabalhadores, explicou Haroldo Cunha, presidente da Abrapa, Associação Brasileira dos Produtores de Algodão.
Temos também muito importante para o setor do algodão o combate de pragas. Por exemplo, o combate ao bicudo, um praga que traz bastante prejuízo e um custo muito alto ao produtor de algodão. Também deve ser investido muito na promoção do uso de algodão. Além disso, temos os programas que visam o ajuste das propriedades, as normas trabalhistas, a legislação social e todo e qualquer programa em relação à conservação de recursos naturais.
Quando nós soubemos que a pesquisa estaria fora dessas atividades, ressaltou Cunha, foi uma perda muito considerável. O dinheiro vem de uma fonte do tesouro americano, que é a chamada CCC. Nesta fonte de recursos, eu acredito que qualquer fonte de recursos, eles não permitem que a pesquisa seja feita fora de uma instituição ligada ao USDA. A pesquisa só é feita dentro dos Estados Unidos, por entidades americanas. Isso, de certa maneira, faz até sentido porque eles estariam promovendo a pesquisa de um país concorrente a eles”, explicou Haroldo Cunha, presidente da Abrapa, Associação Brasileira dos Produtores de Algodão.
Os depósitos no fundo deverão somar US$ 140 milhões por ano. A gestão dos recursos ficará a cargo de um conselho que terá representantes dos agricultores e do governo.
Fonte: Globo Rural, com o Observatório
Ministra alerta que novo Código Florestal pode gerar disputa entre Estados 23.06.10
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, alertou hoje que existe o risco de se criar uma competição entre estados na tentativa de atrair investimentos caso não haja clareza no novo Código Florestal sobre o papel que cabe às unidades da federação no cumprimento da nova lei.
“Temos que discutir com serenidade, discutir os requisitos da descentralização, dos recursos técnicos e verificar se cinco anos é pouco ou muito”, disse ela, referindo-se à proposta de reforma do Código Florestal, em discussão no Congresso Nacional, que prevê, entre outros pontos, uma moratória de cinco anos para autorização de novas áreas de desmatamento e trégua para multas como forma de propiciar a adaptação às novas regras.
Para a ministra, é necessário levar em consideração as “especificidades regionais”, argumentando que, enquanto existem estados com boa infraestrutura e ferramentas para melhor gerir as questões ambientais, existem outros mais frágeis que carecem de investimentos nesse sentido. Ela observou que não se pode comparar a situação de quem vem desmatando na Amazônia há pouco tempo com aqueles agricultores que estão na terra há 50 anos.
“Não podemos achar que vamos continuar praticando uma agricultura com desmatamentos. O que devemos fazer é investir em tecnologia para recuperar as áreas degradadas”, defendeu ela. Teixeira, no entanto, informou que ainda está fazendo uma avaliação da proposta de mudança e que tem dialogado não só com o relator da matéria, deputado Aldo Rebelo ( PC do B-SP), como também com os membros da comissão de Meio Ambiente e da bancada ruralista da Câmara dos Deputados.
Fonte: Agência Brasil
Conselho Monetário Nacional proíbe crédito rural a quem manteve trabalho escravo 23.06.10
As instituições financeiras integrantes do Sistema Nacional de Crédito Rural não podem mais conceder crédito a pessoas físicas ou jurídicas inscritas no cadastro de empregadores por manter trabalhadores em condições análogas à de trabalho escravo, do Ministério do Trabalho e Emprego. A decisão foi aprovada ontem (22) em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Segundo o secretário adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, mesmo depois do fim do processo administrativo no Ministério do Trabalho, relativo ao auto de infração, os nomes dessas pessoas ficam inscritos no cadastro por pelo menos dois anos, tendo suas atividades monitoradas.
“Mesmo que o processo judicial continue, com o fim do processo administrativo e a entrada dessas pessoas na lista do Ministério do Trabalho, elas não poderão contratar esse crédito. Na verdade, é mais um instrumento para desestimular as práticas de degradação de pessoas”, afirmou Bittencourt.
Fonte: Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil; edição: Lana Cristina
Cotonicultores elogiam acordo, mas duvidam de fim dos subsídios americanos 23.06.10
O acordo que suspendeu até o final de 2012 o início da retaliação comercial aos Estados Unidos dificilmente erradicará os subsídios concedidos pelo governo norte-americano aos produtores de algodão, avalia o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha. Ele, no entanto, considera positivo o esforço para trazer a ajuda a níveis razoáveis.
“A possibilidade de retaliação pelo Brasil foi importantíssima como mecanismo de pressão. Sem isso [a ameaça de retaliação], não seria possível chegar a um acordo dessa magnitude”, afirmou Cunha.
Segundo o presidente da Abrapa, o ambiente está bastante favorável para que o governo norte-americano diminua os subsídios a níveis aceitáveis. Não apenas pelo aval da Organização Mundial do Comércio (OMC) para o Brasil aplicar as sanções, mas pelas próprias pressões internas nos Estados Unidos. “Os próprios contribuintes norte-americanos já questionam o uso dos recursos do Tesouro norte-americano nesses subsídios”.
Em novembro do ano passado, a OMC autorizou o Brasil a retaliar os Estados Unidos em até US$ 830 milhões por causa de subsídios concedidos aos produtores de algodão pelo governo norte-americano. Desse total, US$ 591 milhões são em produtos que terão a tarifa de importação reajustada e cerca de US$ 240 milhões em propriedade intelectual, que envolve marcas, patentes e direitos autorais que podem ser quebrados pelo Brasil.
O acordo prevê a suspensão das retaliações pelo Brasil até 2012, quando a lei agrícola norte-americana será reformulada. Pelo acerto, os Estados Unidos terão de limitar os gastos com subsídios e reduzir as ajudas no programa de garantias de crédito à exportação do algodão.
Outro item do acordo prevê a criação de um fundo de US$ 147,3 milhões pelo governo dos Estados Unidos para financiar auxílio técnico à produção de algodão no Brasil. Segundo Marcio Cozendey, chefe de Assuntos Econômicos do Itamaraty, o processo de abertura da conta para o fundo está em andamento e o primeiro depósito deve ser feito em até 60 dias.
Fonte: Wellton Máximo, repórter da Agência Brasil; edição: Rivadavia Severo
Chuvas dão prejuízo de R$ 100 milhões para setor sucroalcooleiro do Nordeste 23.06.10
Os prejuízos para a cadeia produtiva do açúcar e álcool no Nordeste podem passar de R$ 100 milhões, devido às chuvas que atingiram os estados de Pernambuco e Alagoas na última semana. A avaliação é do presidente do Sindicato dos Produtores de Açúcar e Álcool de Pernambuco, Renato Cunha, que enfatizou a destruição das lavouras e também das estradas que servem ao transporte da cana-de-açúcar até às usinas.
De acordo com Cunha, a expectativa para este ano era que o Nordeste esmagasse cerca de 63 milhões de toneladas de cana. Após as chuvas, que deixaram parte das lavouras submersas, a expectativa é que a região faça a moagem de cerca de 59 milhões de toneladas. Além de moer menos, o Nordeste deverá atrasar em pelo menos um mês o início do processamento da cana, que deveria ocorrer em agosto.
“Sendo otimista, acredito que vamos esmagar cerca de 59 milhões de toneladas de cana”, lamentou Cunha. A expectativa nacional é moer neste ano 590 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
Além do volume menor, outro fator preocupa os usineiros nordestinos. As lavouras mais próximas ao litoral, plantadas em região de várzea, ficaram submersas, o que resultou na alteração do nível de sacarose do produto. “A sacarose é a riqueza da cana-de-açúcar. Submersa, a planta não respira e seu nível de sacarose cai muito”, explicou.
As cheias dos rios Mundaú e Canhoto atingiram usinas e canaviais na Zona da Mata alagoana. Nas áreas montanhosas, onde a chuva não provocou alagamentos, o problema se concentra nas estradas e na manutenção dos empregos. Por se dar em terrenos mais acidentados, a monocultura da cana no Nordeste acaba contando com um nível de mecanização menor que as lavouras do Centro-Sul do país e, com isso, emprega proporcionalmente mais pessoas.
Enquanto o Centro-sul, onde a cultura ocorre em áreas planas, emprega em média 0,8 trabalhador para cada mil toneladas de cana, a Zona da Mata nordestina emprega 5,8 homens a cada mil toneladas. Segundo dados do sindicato, enquanto a participação do Nordeste na produção nacional de cana-de-açúcar varia entre 11% e 12%, a participação no número de empregos gerados pelo cultivo da cana em todo país é de 33%.
Além dos empregos gerados pelo cultivo, pequenos produtores rurais que vendem cana-de-açúcar para as indústrias também tiveram suas plantações destruídas. Em todo estado de Pernambuco, 12 mil pequenos proprietários se dedicam ao cultivo da cana.
Fonte: Luciana Lima, repórter da Agência Brasil ; edição: Nádia Franco
Empresários brasileiros vão à África plantar soja e algodão 23.06.10
Depois da investida de chineses e coreanos, as pouco exploradas terras da África ganharam novos investidores: os brasileiros.
Atraídos pelo baixo custo de produção, pela proximidade com os mercados da Europa, da Ásia e do Oriente Médio e pelo baixo preço da terra, empresários rurais brasileiros estão indo ao continente plantar algodão, soja, milho e outros produtos.
O Brasil já tem forte presença no setor de infraestrutura na África, mas o investimento em plantações é recente e vem se intensificando nos últimos anos.
No final deste mês, o grupo mato-grossense Pinesso irá começar a plantar algodão e soja no Sudão em parceria com uma empresa sudanesa. A expectativa é plantar 100 mil hectares nos próximos quatro anos.
O Sudão também receberá, em julho, uma comitiva de produtores brasileiros de soja, que terão conversas iniciais com o governo local, informa a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso).
Na mesma época, outra comitiva irá à Etiópia e à Mauritânia, também a convite dos governos locais, para negociar o cultivo de milho.
Empresas brasileiras já estão em pelo menos outros seis países da África, cultivando cana-de-açúcar e arroz.
Outras investem em tecnologia agrícola, como a Irriger, que implanta sistemas de irrigação no Sudão desde 2008. Convidada pelo governo, a companhia desenvolve projetos em fazendas de milho, soja, algodão e cana.
Os governos locais oferecem incentivos como isenção tributária e boas condições de financiamento para atrair investimentos estrangeiros.
FRONTEIRA AGRÍCOLA
A savana africana é tida como "o novo cerrado" para a FAO (braço das Nações Unidas para a agricultura e a alimentação). Segundo a organização, a região pode se tornar um centro mundial de produção de grãos e alimentos, já que apenas 10% de sua área agricultável é utilizada.
"A África tem solos férteis, mas falta tecnologia. E isso os brasileiros têm como poucos", diz Gilson Pinesso, diretor do grupo Pinesso, que foi procurado pelo governo sudanês para plantar algodão no país.
Por causa da fertilidade do solo e da menor ocorrência de pragas, Pinesso estima que irá gastar apenas US$ 850 por hectare -menos da metade dos US$ 1.850 de que precisa no Brasil.
"Eles não são bobos", analisa José Rezende, sócio da PriceWaterHouse Coopers. "Do mesmo jeito que saíram do Sul, onde a terra estava cara, e foram para o Centro-Oeste, agora estão vendo oportunidades na África."
O presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, diz que investir em países africanos pode ser vantajoso pela proximidade com grandes mercados consumidores, como Egito e Arábia Saudita. De acordo com ele, esses países importam, em alimentos, até US$ 70 bilhões por ano.
Fonte: Estelita Hass Carazzai e Luiza Bandeira, Folha de São Paulo
Brasil segue usando agrotóxico banido 23.06.10
Apesar de vetos da Anvisa, produtos encontrados no feijão e no tomate ganham aval do Ministério da Agricultura
Agrotóxicos proibidos em vários países e já vetados no Brasil pelo Ministério da Saúde devem continuar a ser usados em alimentos comuns da mesa do brasileiro, como arroz, feijão e tomate.
No final de 2009, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu banir cinco agrotóxicos ligados a problemas como câncer e má-formação fetal: triclorfom, cihexatina, acefato, endossulfam e metamidofós, estes três últimos encontrados em alimentos no país.
Pela indicação do órgão do Ministério da Saúde, o uso seria diminuído gradativamente até que as substâncias fossem totalmente eliminadas no final do ano que vem.
Em março deste ano, no entanto, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria na qual mantém o uso desses compostos, por meio do Plano Nacional de Manejo do Risco de Agrotóxicos.
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A medida é polêmica porque, pela lei, a palavra final sobre o tema é das pastas da Saúde e do Meio Ambiente, e não da pasta da Agricultura.
No tomate, no alface e no arroz, a utilização desses agrotóxicos já é proibida, mas, como os produtos estão à venda no mercado, acabam usados nesses alimentos.
No caso do feijão e do pimentão não há proibição, mas os compostos são achados em quantidades acima dos limites legais, segundo pesquisas feitas pela Anvisa.
DOENÇAS NEUROLÓGICAS
Pesquisas recentes mostram a relação da exposição a essas substâncias com doenças do sistema nervoso.
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Neste ano, a Academia Americana de Pediatria fez uma pesquisa com 1.100 crianças e constatou que as 119 que apresentaram transtorno de deficit de atenção tinham resíduo de organofosforado (molécula usada em agrotóxicos) na urina acima da média de outras crianças.
Em 2009, foi usado 1 milhão de toneladas de agrotóxicos em lavouras do país. Ou seja, 5 kg por brasileiro.
OUTRO LADO
O Ministério da Agricultura defende a realização de testes, conhecidos como "avaliações de risco", para saber se os efeitos nocivos dos agrotóxicos podem ser minimizados sem que as substâncias sejam necessariamente banidas do país.
Segundo Luís Rangel, coordenador da Secretaria de Defesa Agropecuária da pasta, a iniciativa de manter a utilização das substâncias foi tomada para que o Ibama e a Anvisa se mobilizem e participem da avaliação de risco.
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Para Rangel, a substituição dos agrotóxicos banidos pela Anvisa seria inviável pelo custo elevado dos produtos mais modernos. Isso, afirma o coordenador, comprometeria a viabilidade econômica de muitos agricultores.
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Pesquisadora e professora de Toxicologia do Curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade de Brasília e integrante do grupo de peritos em resíduos de pesticidas da ONU, Eloísa Dutra Caldas diz que o problema é complexo.
Embora considere que, num mundo ideal, esses agrotóxicos devessem ser banidos, ela sustenta que "o agricultor precisa desses inseticidas, porque os substitutos são muitos caros".
Fonte: Vanessa Correa, colaboração para a Folha de São Paulo
A reportagem completa pode ser lida em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1906201022.htm
Exportações do complexo soja devem atingir recorde 09.06.10
A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) elevou na segunda-feira, dia 8, as suas previsões de exportações do complexo soja (grão, farelo e óleo), na comparação com as previsões de abril.
O país exportará na temporada 2010/11 (fevereiro/janeiro) um recorde de 29,2 milhões de toneladas do grão, contra 29 milhões na projeção anterior e contra 28 milhões na safra passada, de acordo com a associação.
"A demanda continua forte, especialmente da China, a gente realmente projeta uma exportação alta", afirmou o economista da Abiove Henrique Paes de Barros.
As exportações brasileiras de farelo de soja deverão atingir no mesmo período 13,2 milhões de toneladas, ante 13 milhões de toneladas na projeção passada, uma alta de mais de 1 milhão de toneladas ante o ano anterior.
"A exportação de farelo está indo bem para a União Europeia (principal mercado, respondendo por mais de 70 por cento do que o Brasil exporta). No acumulado em relação ao ano passado, está praticamente no mesmo patamar, a demanda também está aquecida", comentou Barros.
O Brasil exportará 1,35 milhão de toneladas de óleo de soja em 10/11, acima da estimativa de abril (1,3 milhão de toneladas), mas ainda abaixo do que exportou na temporada passada (1,45 milhão de toneladas).
"O óleo está exportando menos pelo programa de biodiesel, cada vez mais a exportação está sendo direcionada ao mercado interno", disse ele, comentando o aumento da mistura neste ano para 5 por cento.
"É mais interessante para as indústrias do que ficar com acúmulo de crédito de ICMS", explicou o economista, observando que eventual nova demanda da China, por conta de uma disputa comercial com a Argentina, ainda não foi suficiente para alavancar as exportações.
Segundo ele, mesmo que a China deixe de comprar da Argentina, ela pode trazer de outros lugares ou substituir importação de óleo de soja por outros óleos comestíveis.
As divisas geradas com as exportações do complexo soja (o principal produto da pauta de exportação do agronegócio) foram estimadas em 15,2 bilhões de dólares, contra 17,2 bilhões no ano passado, em meio a previsões de preços mais baixos do grão e do farelo.
SAFRA MAIOR - O aumento das estimativas de exportação ocorreu em meio a uma alta na previsão da safra, cuja colheita já foi encerrada. A Abiove ajustou sua projeção de produção para 68,4 milhões de toneladas, ante 67,9 milhões de toneladas na estimativa de abril, quando ainda havia algumas lavouras sendo colhidas.
Com uma maior oferta, a associação aumentou a expectativa de processamento em 10/11 para 33,1 milhões de toneladas, ante 32,9 milhões na projeção anterior e 30,7 milhões na temporada passada.
Fonte: Reuters, Agronotícias
IBGE prevê safra de grãos de 145,8 milhões de toneladas em 2010 09.06.10
A safra brasileira de grãos deve totalizar 145,8 milhões de toneladas este ano, com crescimento de 8,8% sobre os 134 milhões de toneladas colhidos em 2009 e 1% menor que a safra recorde de 2008, de 145,9 milhões de toneladas. A estimativa consta do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de maio, divulgado ontem, dia 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A área a ser colhida, de 46,8 milhões de hectares, encolheu 0,9% ante 2009. As três principais culturas: soja, milho e arroz, que respondem por 83,1% da área plantada, apresentam variações de 7,2%, -6,7% e -6,1%, respectivamente, em relação ao ano anterior. Quanto à produção, o milho e a soja registram aumento de 3,7% e 19,6%, respectivamente, e o arroz, retração de 10,8%.
A safra agrícola esperada para 2010 tem a seguinte distribuição regional: Região Sul, 62,2 milhões de toneladas (18,7%); Centro-Oeste, 51,1 milhões de toneladas (4,6%); Sudeste, 16,5 milhões de toneladas (-3,8%); Nordeste, 12,1 milhões de toneladas (3,2%) e Norte, 3,8 milhões de toneladas (1,1%). O estado do Paraná mantém a posição de maior produtor nacional de grãos, superando Mato Grosso em 1,8 ponto percentual.
No levantamento de maio da produção agrícola destacam-se as variações de estimativa, na comparação com abril, da produção de nove produtos. As oscilações negativas são de trigo em grão (-8,2%), feijão em grão total (-5,0%), algodão herbáceo em caroço (-1,2%), arroz em casca (-1,2%) e milho em grão total (-0,3%). Já as positivas são de soja em grão (0,3%), café em grão (1,8), cevada em grão (3,1%) e aveia em grão (24,9%).
As lavouras de inverno, concentradas no Sul do país, devem ter acréscimos em aveia (24,9%), cevada (3,1%) e decréscimo para o trigo (-8,2%). Para o trigo, a mais importante cultura desse período, a produção esperada ficou em 5,2 milhões de toneladas (-8,2% frente ao LSPA de abril).
A queda é reflexo da inclusão da primeira avaliação da safra no Rio Grande do Sul, cuja produção esperada é 17,6% inferior a informação anterior. O Paraná, maior produtor nacional trigo (57,5% da produção nacional), também reduziu a produção em 4,0% devido a não efetivação dos plantios anteriormente previstos.
Riomar Trindade, repórter da Agência Brasil; edição: Tereza Barbosa
Conab estima recorde na safra 2009/2010, com 146,9 milhões de toneladas de grãos
O bom regime de chuvas nas áreas de maior produção, o aumento da produtividade do milho no Paraná e em Goiás e o aumento da área plantada com esse cereal e a soja em Mato Grosso são os principais fatores que levaram a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a estimar uma colheita recorde de 146,92 milhões de toneladas de grãos para a safra 2009/2010, que chega à fase final.
O resultado do nono levantamento desta safra, divulgado hoje (8), é 8,7% superior aos 135,13 milhões de toneladas colhidas no ciclo 2008/2009. A soja deve ser responsável por 68,7 milhões de toneladas, volume 20,2% maior que o da safra passada. A produção total de milho, somadas a primeira e a segunda safras, deve chegar a 53,46 milhões de toneladas, um aumento de 4,8% em relação ao ciclo anterior. Assim, as duas culturas representam 83,1% do volume de toda a safra de grãos.
Segundo a Conab, faltando menos de um mês para o final da safra, já foram colhidos 76% do arroz, 98% do milho primeira safra e quase todo o feijão. Apesar do recorde de produção, a área total plantada no ciclo 2009/2010 é 0,6% inferior à do período anterior, ficando em 47,4 milhões de hectares.
Para a safra de inverno, a estatal estima que a área de plantio do trigo deve totalizar 2,12 milhões de hectares, uma redução de 12,5% em relação à do ciclo anterior. A queda deve ocorrer principalmente nos dois maiores estados produtores, o Rio Grande do Sul e o Paraná, que detêm 89% da produção brasileira. A previsão é que sejam colhidos em todo o país 5,06 milhões de toneladas de trigo, contra os 5,88 milhões de toneladas da safra anterior.
A pesquisa de campo feita pelos técnicos da Conab com representantes de cooperativas, sindicatos rurais, órgãos públicos e privados ligados ao setor em todo o país foi realizada entre os dias 1° e 22 de maio.
Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil; edição: Juliana Andrade
Quebra da safra de milho pode chegar a 900 mil toneladas em MT
Apesar de ter contribuído para a safra recorde de grãos no país, o clima prejudicou sensivelmente a produção de milho de Mato Grosso. De acordo com o diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto, a perda no estado pode chegar a 900 mil toneladas.
“O dado que poderá ter alguma novidade é o milho safrinha, principalmente no estado de Goiás, porque tivemos um veranico que afetou a produtividade de forma muito significativa em Mato Grosso. Lá, tivemos uma queda acentuada de 900 mil toneladas pela projeção anterior”, disse o diretor da Conab, durante a apresentação dos resultados do nono levantamento da safra de grãos para o período 2009-2010. “Estamos agora atentos ao estado de Goiás para ver qual será o comportamento”.
Na Região Nordeste, a queda se deu na produção de arroz. Mas não foi expressiva, segundo Porto. “Há estoque público do produto e isso nos dá tranquilidade para dizer que haverá disponibilidade de arroz para o mercado”, assegurou.
Já a safra de trigo pode reservar surpresas boas. Porto explicou que as análises da Conab sobre a produção de trigo foram conservadoras e que, por isso, o país poderá ser “surpreendido positivamente”, mas ainda é cedo para comemorar. “O trigo sempre apresenta uma situação inusitada e é difícil fazer uma projeção em função dos aspectos climáticos”.
Quanto à safra de grãos como um todo, a projeção feita pela Conab está se consolidando em 147 milhões de toneladas.
Sobre a influência dos hortigranjeiros na alta da inflação, Sílvio Porto disse que o tomate e a batata foram os mais prejudicados pelas chuvas. “Mas a resposta em termos de produção virá rapidamente, em função do ciclo curto, que pode mudar a situação em 60 dias”.
Fonte: Pedro Peduzzi, repórter da Agência Brasil; edição: Vinicius Doria
Presidente da República diz que Brasil deve regular venda de terras para estrangeiros 09.06.10
O presidente Luiz Inácio da Silva disse, no dia 7pp., que o Brasil deve começar a discutir a regulamentação da venda de terras brasileiras a estrangeiros, durante o lançamento o Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011.
O presidente da República afirmou que o Congresso Nacional deve estar atento à questão. “A compra de terra no Brasil por estrangeiros é um problema que precisamos começar a discutir”.
“Uma coisa é [o estrangeiro] comprar usinas, outra é comprar a terra da safra, terra onde tem minério. Essa é uma coisa que teremos que discutir para saber como vamos fazer para não permitir que haja abuso na compra de terras por estrangeiros”.
Fonte: Ivan Richard, repórter da Agência Brasil; edição: Rivadavia Severo
Parlamentares criticam o encontro de Aldo Rebelo com a bancada ruralista para discutir o novo Código Florestal 09.06.10
O deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) entregou, dia 08 pp., o relatório na Comissão Especial que vai instituir o novo Código Florestal Brasileiro. O texto foi concluído sob uma chuva de críticas dos ambientalistas de todo o país, incluindo a bancada do setor no Congresso Nacional. Os parlamentares ficaram ainda mais insatisfeitos quando souberam que o relator do projeto se encontrou com integrantes do grupo ruralista da Câmara e do Senado para mostrar os trechos mais polêmicos do documento.
Na semana passada, por exemplo, o deputado Moreira Mendes (PPS-RO) revelou ao Correio que Aldo Rebelo marcou uma reunião informal com outros deputados e senadores ruralistas. “Não foi uma reunião oficial, mas fiquei muito satisfeito com o texto porque está adequado à realidade brasileira”, afirmou Mendes.
O coordenador da Frente Parlamentar Ambientalista, o deputado Sarney Filho (PV-MA), ficou irritado com a notícia. De acordo com ele, Rebelo não teve a mesma atitude com nenhum outro representante da bancada ambientalista. “Tudo o que sabemos sobre o texto final do relatório está nas matérias veiculadas na imprensa. Ou seja, são informações evasivas. O retrocesso na área ambiental se dá, justamente, nos detalhes”, criticou o parlamentar. “É uma pena que na semana seguinte ao Dia Mundial do Meio Ambiente o Brasil ganhe um presente de grego como deve ser o relatório”, completou.
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Até a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que costuma adotar um tom ameno quando trata de assuntos mais delicados, disparou contra o relatório do novo Código Florestal Brasileiro. Nesta segunda-feira, em entrevista coletiva, a chefe da pasta ambiental chegou a ressaltar que, do jeito que o novo texto foi produzido, era mais vantajoso para o meio ambiente que o antigo fosse mantido.
“Eu estou esperando para ler o relatório, porque não conheço o texto final do deputado Aldo Rebelo. ... Nós, do Ministério do Meio Ambiente, acreditamos, porém, que nem era necessário alterar o atual Código Florestal se formos levar em consideração o que foi divulgado até agora. ... destacou Izabella.
Reserva legal
O relatório preparado por Rebelo traz aspectos muito polêmicos, como a transferência, da União para os estados, da responsabilidade de edição das normas ambientais. Mesmo sob as alegações de que as 27 unidades da Federação teriam de se reportar à esfera federal e de que a decisão final seria tomada por órgãos como os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Aldo Rebelo não convenceu. Os ambientalistas temem que os estados flexibilizem muito as regras para atrair investimentos.
A nova proposta de Código Florestal Brasileiro cria desconforto entre os ativistas da área ambiental também porque Aldo Rebelo sugere que os pequenos proprietários de terra possam abrir mão da reserva legal. O texto estipula que médios e grandes fazendeiros podem manter o percentual de preservação estipulado fora do terreno, com o aluguel da área correspondente em espaços dentro de parques. Nesse caso, a crítica é de que a medida evitaria que grandes agropecuaristas fossem obrigados a recuperar áreas já degradadas.
Fonte: Igor Silveira, Correio Braziliense
Lideranças esperavam que o plano safra fosse melhor 09.06.10
As medidas do novo Plano de Safra 2010/11 são boas, mas ainda insuficientes para permitir ao setor rural a superação de antigas amarras da política agrícola. Dirigentes do setor avaliam que o oitavo e último pacote da gestão Luiz Inácio da Silva, que prevê R$ 100 bilhões ao segmento empresarial, ignorou questões estruturais, como a crônica deficiência logística e de infraestrutura para o escoamento da produção, além das limitações do atual modelo de crédito rural, baseado no aumento da oferta de recursos, e não na garantia de renda do produtor.
Parte do setor reconhece méritos no "esforço do governo", mas ainda critica a falta de solução para questões simples, como exigências excessivas de garantias reais aos financiamentos, cobertura limitada do seguro rural, timidez dos estímulos à industrialização da produção e juros finais altos - 6,75% ao ano para custeio agropecuário.
"Apesar de aumentar o volume de crédito, o governo deixou passar incentivos à agregação de valor, não deu mais capital de giro. Além disso, ficamos com um juro [6,75% para custeio] de quando a Selic estava em 18% ao ano", aponta o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas. "Não está ruim, mas poderia ser bem melhor". As cooperativas queriam um novo programa de investimentos para agregação de valor às commodities. "A real necessidade do setor seria de uns R$ 150 bilhões".
Em ano eleitoral, a Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA) deixou de apresentar o documento geral com as reivindicações dos produtores ao governo como fazia nos últimos anos. Mesmo assim, o presidente da Comissão de Grãos, Fibras e Cereais, o goiano José Mário Schreiner, considera "louváveis" alguns pontos do Plano de Safra, como os estímulos à recuperação de áreas degradadas e aos médios produtores, mas aponta as deficiências. "O crédito para armazéns ainda não resolve porque o retorno é lento e tem impacto sobre o limite individual. É um esforço louvável, mas ajuda pouco porque os produtores estão condições de elevar os limites de crédito", afirma Schreiner. "Temos que mudar o modelo de crédito rural, buscar uma nova política agrícola".
Os produtores do Centro-Oeste também apontam avanços, mas reivindicam ajustes. "O plano é bom, houve bom aumento de recursos, o que atende bem ao Sul e Sudeste", avalia o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira da Silva. O programa para os médios produtores, que prevê R$ 5,65 bilhões, "é importante", segundo ele. E as ações de sustentabilidade, reunidas sob o programa "Agricultura de Baixo Carbono", são "um passo positivo" para recuperar áreas. "Mas em regiões como Bahia, Piauí, Goiás, Mato Grosso do Sul esse plano atende pouco porque o limite individual de crédito ainda é baixo", afirma. O módulo médio dos produtores dessas regiões soma 1 mil a 1,5 mil hectares. "Precisaria de R$ 1,2 milhão a R$ 2 milhões de limite", receita. Os limites para a soja subiram de R$ 450 mil para R$ 500 mil por beneficiário.
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) avalia que o governo ainda não entendeu a real extensão dos benefícios do seguro rural. "Não conseguimos ter uma política de seguro rural para manter renda ao produtor", critica o presidente da SRB, Cesário Ramalho. "Além disso, estamos estatizando demais o crédito na mão do Banco do Brasil, muito dos R$ 92,5 bilhões não foram liberados e o ' mix ' de juros dá uma média de 15% ao ano, o que é uma exorbitância, o mais caro do mundo", afirma.
Em defesa do último Plano de Safra sob seu governo, o presidente da República afirmou ontem, dia 8, na sede da Embrapa, ter feito muito pela agricultura do país. "Tenho convicção de que tivemos avanço extraordinário no governo, no meio empresarial, na agricultura familiar e na Embrapa", disse, ao lado do ministro da Agricultura, Wagner Rossi. "Tivemos cuidado para não criar esqueletos e não precisamos ficar discutindo as desgraças de outras épocas que não foram resolvidas", afirmou, em referência às complexas renegociações de dívidas rurais. Mas Lula admitiu que falta avançar na autossuficiência do país na produção de fertilizantes e na imposição de regras para evitar "abusos" na compra de terras por estrangeiros. "A agricultura está predestinada, chegou a hora e a vez de ser o celeiro do mundo, além de vender máquinas e alimentos para a África e a América Latina", vaticinou o presidente.
Fonte: Valor Econômico, Agronotícias
Plano Safra destina R$ 3,15 bilhões a ações que estimulem a sustentabilidade 09.06.10
O Plano Agrícola e Pecuário 2010\2011, divulgado dia 7 pp. pelo Ministério da Agricultura, traz como destaque a criação do programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), destinado a financiar práticas na lavoura que reduzam a emissão dos gases de efeito estufa. Serão R$ 2 bilhões destinados a esse tipo de financiamento.
Segundo o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, ao todo serão aplicados R$ 3,150 bilhões para estimular a sustentabilidade, por meio de práticas agronômicas que preservem o meio ambiente e aumentem a produtividade.
Além dos recursos do ABC, haverá R$ 1 bilhão em créditos, pelo Programa de Incentivo à Produção Sustentável do Agronegócio (Produsa), e R$ 150 milhões, pelo Plantio Comercial de Recuperação de Florestas.
Os produtores que optarem por adotar sistemas de plantio direto na palha (que protege o solo, evitando o processo erosivo) poderão ter, ainda, R$ 2 bilhões em financiamentos de custeio – valor que corresponde a um acréscimo de 15% sobre a estimativa de R$ 15 bilhões para esse tipo de plantio.
“Esses são os maiores recursos da história [R$ 116 bilhões, valor total do Plano Safra]. São números cabalísticos e globais. Dinheiro grosso em qualquer país do mundo, e que se deve ao crescimento obtido pela agricultura brasileira. Dessa forma, teremos condições de bater recordes nas próximas safras”, disse o ministro durante o lançamento do plano.
Segundo ele, enquanto a economia tem apresentado alta de juros, nenhum dos planos safra teve aumento das taxas. “Tivemos casos em que houve inclusive de baixa de juros”, acrescentou.
“O pequeno produtor ganhou, com o Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar], um programa que o protege. Mas faltava algo para o médio produtor, que neste ano receberá atenção especial por meio do Pronamp [Programa Nacional de Amparo ao Médio Produtor] ”, completou.
O ministro destacou a necessidade de se buscar alternativas de sustentabilidade reais e econômicas. “A floresta plantada é a única alternativa real. Essas decisões ajudarão o Brasil no cumprimento das metas assumidas [na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP-15, realizada em dezembro em Copenhague], de redução dos gases de efeito estufa”, disse.
Fonte: Danilo Macedo e Pedro Peduzzi, repórteres da Agência Brasil; edição: Juliana Andrade
Organizações de produtores rurais ameaçam denunciar a Monsanto ao Cade/MJ 26.05.10
E Camex aumenta cobrança do direito antidumping sobre glifosato da China
A Associação Brasileira dos Produtores de Soja do estado do Mato Grosso (Aprosoja) e a Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange) devem recorrer ao Ministério da Justiça contra a empresa Monsanto. Pequenos e médios produtores rurais denunciam que a multinacional está obrigando aos sementeiros a destinar 85% da produção às culturas transgênicas.
A denúncia será feita ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), vinculado ao Ministério da Justiça. O presidente da Aprosoja, Glabuer Silveira, conta que é difícil encontrar no mercado a semente convencional. Ele também denuncia a indústria por cobrar 2% de royalties sobre as sementes utilizadas, caso o produtor produza acima da média de 55 sacas.
Produtores reclamam que o quilo da semente da soja transgênica também aumentou, de R$ 0,35 para R$ 0,44. De acordo com a Aprosoja e a Abrange, a imposição de regras aos sojicultores é consequência do controle do mercado brasileiro pela Monsanto. Pelo menos 70% do mercado estão sob domínio da empresa.
Fonte: Radio Agencia NP
Camex aumenta cobrança do direito antidumping sobre glifosato da China
O Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior (Camex), em reunião realizada hoje (26/5), no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), alterou a forma da cobrança do direito antidumping atualmente incidente sobre as importações brasileiras de glifosato chinês. O glifosato é um herbicida destinado, principalmente, ao controle de plantas daninhas e usando em “dobradinha” com as sementes de soja transgênica da empresa Monsanto, produtora do “Round up”, este de uso obrigatório pelos produtores que desejarem ter a “garantia” desta empresa, e que tem no glifosato seu ingrediente ativo.
A alíquota de 2,1% foi substituída pela aplicação de um antidumping específico, limitado a US$ 2,52 por quilo. As importações do produto, cujo preço médio, por quilo, seja superior a US$ 3,60 não pagarão o direito antidumping. Esse valor representa a diferença entre o preço normal do produto chinês e o preço de exportação para o Brasil.
O secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, em entrevista coletiva realizada após a reunião, explicou que as importações com preço médio, por quilo, inferior ao valor estipulado pagarão, como direito antidumping, a diferença até completar US$ 3,60, sendo que o limite é US$2,52.
Para a secretária-executiva da Camex, Lytha Spíndola, a medida não deve ter nenhum impacto sobre custos para o produtor rural brasileiro. Segundo ela, o objetivo da alteração na forma de cobrança é “prevenir importações com preços subfaturados”.
Sardinha importada mais cara
O conselho de ministros ainda decidiu alterar, temporariamente, as alíquotas de importação de cinco produtos, entre os quais destaca-se o imposto para a importação de sardinha em conserva (NCM 1604.13.10), que foi alterado de 16% para 32%. O objetivo é inibir as importações, em função da reestruturação e revitalização em andamento na cadeia pesqueira do Brasil.
Fonte: Mara Schuster. Assessoria de Comunicação Social do MDIC, com o Observatório
Carne industrializada exportada pela JBS é recolhida nos Estados Unidos 26.05.10
A JBS, o maior processador mundial de carne bovina, está realizando nos Estados Unidos o recall de parte de seus produtos exportados da fábrica de Lins, pertencente à marca Bertin.
De acordo com um comunicado da empresa, autoridades norte-americanas detectaram a presença de ivermectina (vermífugo aplicado ao gado) acima do limite permitido pela legislação.
A JBS afirma, no texto, que "analisará os produtos e que tomará as medidas cabíveis para solucionar esse impasse" e que o impacto financeiro do caso deve ser limitado, já que pode atender ao mercado norte-americano com produtos de outras fábricas.A fábrica não poderá fazer novas exportações aos EUA até que o problema seja esclarecido. A JBS está trazendo os produtos já enviados de volta ao Brasil.
A empresa atribuiu a informação ao Ministério da Agricultura. O ministério, porém, negou ter recebido a notificação do recall da autoridade sanitária americana, atribuindo a informação à própria JBS. A previsão é que o comunicado oficial seja enviado na próxima semana.
Por meio da assessoria de imprensa, o ministério informou ainda que todos os produtos passam por inspeção no Brasil para verificar se atendem às normas do país de destino. Os EUA refazem os testes quando o produto chega a seu território.
Os exames no Brasil não apontaram níveis superiores ao limite sugerido pelos norte-americanos. O ministério afirmou não ter condições de apontar a razão da divergência dos testes por não ter tido acesso ao laudo.
Pelos dados do Ministério da Agricultura, os EUA compraram 43 mil toneladas de carne bovina industrializada em 2009. O lote devolvido ao Brasil era de 39 toneladas.
Em período de silêncio determinado pela Comissão de Valores Mobiliários por conta de uma oferta de ações que deve ser realizada em breve, a JBS informou que não poderá dar informações adicionais sobre o recall.
Fonte: Folha de São Paulo
Setor rural precisa de política pública de qualidade por seu papel na economia 26.05.10
Curitiba – Qualificar as políticas públicas, definindo um novo papel para o setor rural no desenvolvimento nacional. Foi o que defendeu o secretário de Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Humberto Oliveira, no dia 26 de maio, ao participar da 2ª Conferência Estadual de Desenvolvimento Rural e Sustentável, em Curitiba.
Na ocasião, ele apresentou as propostas da Política de Desenvolvimento do Brasil Rural (PDBR). “Tudo o que diz respeito ao campo não deve interessar só ao setor agrícola, mas a toda a sociedade. No campo, estão desafios importantes como questões ambientais, gestão de recursos hídricos, novos padrões de consumo de energia, biodiversidade e a diversidade cultural, que deve ser preservada”, disse Oliveira.
O secretário lembrou que 70% da produção que chega à mesa dos brasileiros são de responsabilidade da agricultura familiar. Ele destacou, ainda, a necessidade de incentivos para a permanência do homem no campo. “Ainda temos grandes espaços vazios no campo. Nos grandes centros urbanos, estão concentrados 70% da população. Isso pede um novo modelo de desenvolvimento para áreas rurais”, observou.
Segundo Oliveira, historicamente, o orçamento público têm se concentrado nas grandes metrópoles e ainda há déficit de hospitais, universidades e equipamentos públicos nos pequenos municípios. Ele lembrou que os primeiros passos para mudar essa realidade foram dados com a criação do Programa Territórios da Cidadania, realizado pelo governo federal em parceria com estados, municípios e sociedade civil. “Só este ano, estão destinados R$ 27 bilhões para obras e serviços em regiões mais necessitadas, especialmente no meio rural.”
Participam da conferência sobre desenvolvimento rural 710 delegados, eleitos em 317 conferências municipais e 20 regionais, realizadas em todo o Paraná.
Fonte: Lúcia Nórcio, repórter da Agência Brasil, edição: Lana Cristina
Relatório da Comissão Especial do Código Florestal não exigirá reserva legal de pequena propriedade 26.05.10
Brasília – O deputado Moacir Micheletto (PMDB-PR), presidente da Comissão Especial para a Reforma do Código Florestal Brasileiro, adiantou dois pontos que estarão no relatório a ser apresentado no dia 1º de junho pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Segundo ele, não será exigida a área de reserva legal nas pequenas propriedades, que, atualmente, varia de 20% a 80% da área total, dependendo do bioma em que se encontram.
Micheletto disse que, de acordo com o relatório, em áreas com até quatro módulos fiscais, em torno de 70 hectares, as áreas consolidadas poderão ficar como estão, sem necessidade de reflorestamento. Além disso, o documento do relator prevê o pagamento por serviços ambientais, quando o produtor recebe para preservar uma área de floresta. “Queremos que deixem o homem do campo produzir em paz”, afirmou.
As alterações na legislação ambiental, em vigor desde 1965, já vinham sendo discutidas pelo governo há vários meses quando a comissão especial foi criada, no ano passado. Entre as principais mudanças de consenso, estão a autorização do plantio em áreas de várzea já consolidadas, no topo de morros e em encostas e a compensação de reflorestamento da reserva legal obrigatória em outras áreas.
Fonte: Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil Edição: Lana
Crédito rural: aumento de 26% confirma incentivo ao médio produtor e a agricultura sustentável 26.05.10
Brasília- Faltando dois meses para o fim da safra 2009/2010, a concessão de crédito para o setor rural é quase 26% superior ao que foi aplicado no mesmo período da safra anterior, passando de R$ 57,6 bilhões para R$ 72,4 bilhões, entre julho e abril. Apenas para a agricultura comercial foram aplicados R$ 62,9 bilhões de julho a abril de 2009/2010 – 27% a mais do que no mesmo período do ciclo 2008/2009. Para investimento, os recursos passam de R$ 8 bilhões.
Produção sustentável
Entre julho de 2009 e abril de 2010, o crédito concedido pelo Programa de Incentivo à Produção Sustentável do Agronegócio (Produsa) foi de R$ 380 milhões, quase cinco vezes mais do que o volume liberado no mesmo período do ciclo anterior. “Esses resultados indicam que o produtor rural está cada vez mais preparado para adaptar-se ao desenvolvimento sustentável que incluirá, a partir da próxima safra, um novo programa de investimento para a agricultura de baixo carbono”, observa o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.
No mesmo período acima considerado, a aplicação de recursos do Programa de Geração de Emprego e Renda Rural (Proger Rural), destinado ao produtor de médio porte, é cinco vezes maior ao que investido na safra 2008/2009. Os dados consolidados da concessão de crédito até abril indicam quase R$ 2,5 bilhões, incluindo custeio e investimento.
Custeio e comercialização
Os 49,8 bilhões liberados para custeio e comercialização beneficiaram também os produtores que utilizaram os recursos para estocagem. Para a comercialização, neste ano, mais de R$ 17 bilhões foram aplicados até agora - representando um crescimento de 39,7% em relação ao mesmo período de 2009. Desse total, R$ 7,4bilhões foram destinados a Empréstimo do Governo Federal (EGF) e R$ 4,7 bilhões em crédito agroindustrial.
Outros R$ 643 milhões foram direcionados para Linha de Crédito Especial (LEC) com a finalidade de apoiar a comercialização de café, leite e derivados, milho, lã, mel, carne suína e frutas. Destaque para a cadeia produtiva de maçã, pêssego, abacaxi, maracujá, pêssego e goiaba que já recebeu R$ 108 milhões nesta safra por meio da LEC. A linha é um instrumento para incentivar, especialmente, a agroindústria de sucos de frutas e outros derivados.
Fonte: Débora Pinheiro, Assessoria de Imprensa do Mapa
Parlamentares discutem erradicação do trabalho escravo em encontro nacional 26.05.10
Brasília – A erradicação do trabalho escravo foi debatido entre parlamentares que participaram, hoje (26),de encontro nacional sobre o tema em Brasília.
“Necessitamos de uma legislação mais dura capaz de acabar com a questão [do trabalho escravo]. Que no caso tem como centro a questão da expropriação das terras”, disse o deputado Paulo Rocha (PT-PA). A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438 prevê que em propriedades onde existam trabalhadores em situações análogas a de escravidão, será feita a expropriação da terra.
O deputado Moreira Mendes (PPS-RO) disse que o conceito de trabalho escravo é subjetivo. “O complicador está na definição do que é trabalho análogo ao da escravidão”.
O senador Jose Nery (PSOL-PA) rebateu a argumentação do deputado Mendes afirmado que o Código Penal é bem claro quanto a caracterização do trabalho análogo ao de escravidão. “O Código Penal conseguiu caracterizar o trabalho escravo, como a jornada exaustiva, que tem levado trabalhadores a morte como acontece nos canaviais em São Paulo onde há trabalhadores que chegam a trabalhar dez ou 12 horas por dia”.
Nery disse ainda que o Código Penal também caracteriza o trabalho escravo aquele em condições degradantes a aquele na qual o trabalhador é submetido a um regime de servidão por dívida.Fonte: Roberta Lopes, repórter da Agência Brasil, edição: Rivadavia Severo
Safra recorde de grãos faz VBP Agrícola crescer apenas 1,14% 11.05.10
Preços aos produtores tiveram queda significativa
A produção brasileira de grãos deve totalizar este ano 146,5 milhões de toneladas, um recorde histórico, com aumento de 9,4% em relação à safra obtida em 2009 – 133,9 milhões de toneladas. O resultado deve ser 0,4% superior ao recorde de 2008, de 145,9 milhões de toneladas. Em 2010, o Paraná deverá superar Mato Grosso e voltar a ser o principal produtor de cereais, leguminosas e oleaginosas do país.
Mas a estimativa de abril do Ministério da Agricultura para o Valor Bruto da Produção Agrícola Brasileira (VBP), em 2010, divulgada no dia 10 pp., é de R$ 160,12 bilhões, uma variação real em relação ao ano passado de apenas 1,14%. Esse aumento é inferior a 50% do que havia sido previsto no mês passado, de 2,32% (veja matéria mais abaixo) e quase 10% abaixo de previsões anteriores de empresas privadas de consultoria (veja “Renda agrícola brasileira volta a nível pré-crise”, de 06.04.10, em Notícias anteriores fev/abr 2010).
A previsão de safra consta do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de abril (quarta estimativa), divulgado dia 6 pp. pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IBGE prevê um aumento de 0,1% em relação à área plantada no ano passado, chegando a 47,3 milhões de hectares. Em relação a 2009, para as três principais culturas – arroz, milho e soja (que representam 82,3% da área plantada) –, a estimativa é de que haja variações de -5,0%, 5,9% e 6,5%, respectivamente. Segundo o IBGE, a produção do milho e da soja deverá crescer 4,0% e 19,2%, respectivamente, enquanto a do arroz terá retração de 9,7%.
A distribuição regional da produção de grãos deve ser: Sul, 62,2 milhões de toneladas; Centro-Oeste, 51 milhões de toneladas; Sudeste, 16,5 milhões de toneladas; Nordeste, 12,9 milhões de toneladas e Norte, 3,9 milhões de toneladas. Em relação à safra passada, estima-se uma queda de 4,0% apenas no Sudeste. As demais terão incrementos: Norte, de 3,2%; Nordeste de 9,6%; Sul, de 18,7%; e Centro-Oeste, de 4,4%.
O Estado do Paraná deve retornar à posição de maior produtor nacional de grãos, superando em 1,5 ponto percentual o Mato Grosso, que no ano passado assumiu a liderança, resultado de uma safra paranaense muito afetada pelas condições climáticas desfavoráveis, como a seca no início de 2009, geadas em junho e chuvas excessivas no período final das culturas de inverno.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também divulgou sua projeção para a safra de grãos. Segundo a estatal, no ciclo 2009/2010 devem ser produzidos 146,81 milhões de toneladas, consolidando um novo recorde (veja matéria a seguir).
A diferença entre os dados divulgados pelo IBGE e pela Conab se deve aos períodos avaliados. O instituto analisa a colheita de janeiro a dezembro e a estatal se baseia no chamado ano-safra, que vai de agosto a julho.
Fonte: Riomar Trindade, repórter da Agência Brasil; edição: Juliana Andrade; e Eline Santos, Assessoria de Imprensa do MAPA, com o Observatório
Conab projeta safra recorde a dois meses para fim do ciclo
A distribuição equilibrada de chuvas nas áreas de maior produção e a boa produtividade do milho e da soja continuam aumentando as expectativas de colheita desta safra. O oitavo levantamento da safra de grãos 2009/2010, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), estima a produção de 146,81 milhões de toneladas, o que deve consolidar um novo recorde faltando apenas dois meses para o fim deste ciclo.
Essa projeção é 8,7% superior aos 135,13 milhões de toneladas do ciclo 2008/2009 e 0,4% maior que o levantamento divulgado no mês passado. A soja e o milho representarão, juntos, cerca de 122 milhões de toneladas, ou 83,1% de toda a safra.
A soja deve chegar a 67,8 milhões de toneladas, 18,7% ou 10,7 milhões de toneladas a mais que a do ciclo anterior. Já o milho deve alcançar 54,18 milhões de toneladas, um aumento de 6,2%.
A área total plantada com grãos é de 47,5 milhões de hectares, uma redução de 172,1 mil hectares em relação ao ciclo anterior. O levantamento foi feito por técnicos da Conab que ouviram representantes de cooperativas e sindicatos rurais, órgãos públicos e privados em todos os estados, no período de 22 a 28 de abril.
Fonte: Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil; edição: Talita Cavalcante
Previsão de abril para Valor Bruto da Produção Agrícola é 1,14% de aumento
A estimativa de abril do Valor Bruto da Produção Agrícola Brasileira (VBP), em 2010, é de R$ 160,12 bilhões. Levando em conta o desconto da inflação, a variação real em relação ao ano passado é de 1,14%. Esse aumento é inferior a 50% do que havia sido previsto no mês passado, de 2,32%. E quase 10% abaixo de previsões anteriores de empresas privadas de consultoria (veja “Renda agrícola brasileira volta a nível pré-crise”, de 06.04.10, em Notícias anteriores fev/abr2010).
Os preços recebidos pelos produtores estão em média mais baixos este ano do que em 2009. Os de soja estão 11,8% mais baixos e os do milho, inferiores em 11,7%. O coordenador de Planejamento Estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Garcia Gasques, explica que a redução de preços em produtos de peso no faturamento bruto da agricultura - como milho e soja - reflete no valor da produção.
“Estes dois produtos representam 37,9% do valor da produção agrícola estimada em abril para o País e isso, sem dúvida, tem impactos fortes no valor estimado para este ano”, comenta. Para a soja, o decréscimo de preços não implicou em queda do valor da produção, pois o aumento da produção esperada vem compensando a redução de preços em 2010.
O grupo que vem apresentando redução de valor da produção em 2010 é composto pelos seguintes produtos: amendoim, 24,5%; arroz, 16,4%; feijão, 22,5%; fumo, 10,2%; milho, 8,2%; tomate, 19,9%; uva, 29,4%. Em contrapartida, 11 produtos apresentam elevação no valor da produção em 2010. Os maiores aumentos devem ocorrer em cebola, 130,9%; trigo, 37,6%; café, 15,9 % e cana de açúcar, 7,4 %. “Esses itens combinam maiores preços e quantidades produzidas na expansão do valor da produção em 2010”, ressalta.
Aumento no Sul
Os valores da produção regional mostram que a região Sul deve ter, este ano, o maior aumento de valor em relação a 2009: 12,5 %. Paraná e Santa Catarina são os responsáveis por essa expansão, com aumentos no valor da produção de 23,7%, no Paraná, e de 35,2 %, em Santa Catarina. As regiões, Norte e Centro-Oeste devem registrar redução no valor da produção.
Fonte: Eline Santos, Assessoria de Imprensa do MAPA, com o Observatório
Hyundai quer terras aqui para garantir segurança alimentar à população coreana 11.05.10
Empresa negocia com governos de PI, MA, TO e BA 10 mil hectares para plantar soja; objetivo é exportar para a Coreia e garantir a segurança alimentar de sua população Pelo menos outros nove grupos de países asiáticos visitaram o país em busca de terras, investimento considerado estratégico
Veja mais abaixo: FAO preocupada com prejuízos à população local na África
Executivos da empresa sul-coreana Hyundai negociam com governos estaduais a compra de terra no Brasil com o objetivo de plantar e exportar soja para a Coreia do Sul. Representantes da empresa visitaram o Piauí na semana passada e, em junho, terão reuniões com os governos do Maranhão, do Tocantins e da Bahia.
Os coreanos querem comprar 10 mil hectares no Brasil, mas ainda não têm prazo para fechar o negócio. Segundo o diretor da Hyundai Corporation no Brasil, Gi-Seob Kim, o projeto é "muito recente".
Essa não é a única investida de orientais no agronegócio brasileiro. Desde o início do ano, ao menos mais nove grupos, entre coreanos, chineses e indonésios, visitaram o país em busca de terra para plantio e exportação.
O investimento é tido como estratégico para garantir o suprimento de alimentos a esses países, que têm grande população e pouca área agricultável.
A Coreia do Sul, por exemplo, tem apenas uma área de terras agricultáveis pouco menor que o Sergipe, para abastecer uma população de 48,5 milhões de pessoas. Segundo Gi-Seob Kim, várias empresas do país têm comprado terras no exterior para exportar alimentos já há alguns anos.
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China quer influenciar preços das commodities
Apesar da investida coreana, os maiores interessados na compra de terras no Brasil têm sido os chineses, os maiores importadores de soja do mundo.
Segundo o diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Kevin Tang, nos últimos meses seis grupos chineses demonstraram interesse em comprar terras no Brasil -três deles com participação estatal.
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O governo da Bahia, de olho na oportunidade, levará à China nesta semana uma delegação de empresários para prospectar negócios em agricultura.
Segundo Tang, a intenção dos chineses não é só garantir suprimento, mas também assegurar que o país não fique à mercê das tradings do setor e possa ter mais controle sobre a cotação das commodities.
Fonte: Estelita Hass Carazzai e Luiza Bandeira, da Agência Folha, Matheus Magenta, da Agência Folha, em Salvador, com o Observatório
Para ler a reportagem completa (para assinantes da FSP e do UOL), vá a
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0905201008.htm
FAO preocupada com compra de terras por estrangeiros afetando a vida da população local 11.05.10
A investida de empresas orientais em agricultura não tem como foco apenas o Brasil.Japoneses, sul-coreanos e chineses já compraram ou planejam comprar terras na América do Sul, na África e em regiões da própria Ásia com o objetivo de plantar soja, milho e outros produtos.
Desde 2003, uma empresa japonesa possui 1.250 hectares de terras na Argentina, onde produz soja e milho, que são exportados para o Japão. Todos os funcionários são japoneses.
Na África, a presença de chineses em investimentos semelhantes já foi caracterizada por especialistas como "neocolonialismo" e é alvo de preocupações da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). Para Jacques Diouf, diretor-geral da organização, é preciso evitar que esses negócios prejudiquem as populações locais.
Para especialistas, porém, esse tipo de problema não deve acontecer no Brasil.André Cunha, doutor em economia pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), afirma que a penetração de estrangeiros é mais fácil quando o Estado é pouco estruturado, o que não é o caso do Brasil.
Na opinião de Paulo Vizentini, professor de relações internacionais da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o Brasil pode até se beneficiar desse tipo de investimento, já que possui muita área agricultável ociosa.
Desenvolvimento tecnológico do Agronegócio brasileiro assusta chineses
O alto nível de organização do agronegócio brasileiro também pode barrar a entrada de estrangeiros no ramo. O secretário de Agricultura de Goiás, Leonardo Veloso, diz que chineses demostraram interesse em adquirir terras no Estado, mas se "assustaram" com o desenvolvimento tecnológico.
Uma das opções à compra de terra tem sido a formação de parcerias com brasileiros, afirma o presidente da Apex (Associação Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Alessandro Teixeira.
O problema de adquirir terras, diz, é que a produção agrícola chinesa é diferente da brasileira, desde o tipo de culturas e de terra até a tecnologia de cultivo, o que dificulta a gestão do negócio.
Fonte: Agência Folha (EHC e LB), http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0905201009.htm
Governo disponibiliza 100 bi ao agronegócio e 20 bi à agricultura familiar 11.05.10
O governo pretende destinar aproximadamente R$ 120 bilhões em crédito para o Plano Agrícola e Pecuário da safra de 2010/2011, de acordo com o ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Somente à agricultura empresarial estão previsto cerca de R$ 100 bilhões. Os valores seguem proporções semelhantes aos da safra de 2009/2010, quando foram destinados R$ 93 bilhões para o agronegócio e R$ 15 bilhões para a agricultura familiar.
Para o secretário-geral da Abra (Associação Brasileira de Reforma Agrária), Juca Juliano, a repartição dos recursos desta forma reafirma a opção do governo pela agricultura empresarial.
“Essa proporção de crédito reafirma a opção governamental pelo agronegócio. Existe a pequena e a grande política e a reforma agrária é pequena política. Tanto a pequena produção familiar quanto os assentamentos de reforma agrária consideram a política do governo fraca, pífia.”
Os recursos do governo devem impulsionar às monoculturas de cana-de-açúcar, soja, eucalipto, além da pecuária. Juca critica essa opção.
“Grandes culturas expulsam gente, poluem, etc, [mas] nós estamos caminhando pra isso: eucalipto, cana, pecuária. Ou seja, o Brasil está especializado em produtos de baixo valor agregado. A forma de integração à globalização e aos mercados mundiais é periférica e subalterna. No meu modo de ver, isso reduz muito às perspectivas de um futuro independente.”
Projeções do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram enquanto a produção de soja desta safra deve crescer 19% em comparação a 2009, a produção de arroz recuará quase 9,7%.
Fonte: Radioagência NP
Uso de agrotóxicos bate recorde no país 11.05.10
A agricultura brasileira nunca usou tanto agrotóxico quanto em 2009. Apesar de o mercado ter encolhido 7% em receita em relação a 2008, para US$ 6,62 bilhões, o volume de produtos utilizados nas lavouras deu um salto de 7,6% e ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas vendidas em um único ano.
As indústrias de agrotóxicos negociaram em 2009 um volume de 1,06 milhão de toneladas - no ano anterior haviam comercializado 986,5 mil toneladas , segundo dados do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Defesa Agrícola (Sindag). Isso significa o equivalente a uma utilização de 22,3 quilos de agrotóxicos por hectare na safra 2009/10, um volume 7,8% maior do que o teria sido aplicado em 2008/9 (20,7 quilos por hectare), considerando a venda de 986,5 mil toneladas em 2008.
Um dos motivos para o aumento no consumo é que o produtor estava um pouco mais capitalizado que em anos anteriores na safra que está em fase final de colheita. Com mais recursos, foi possível elevar o uso de “tecnologia” nas lavouras, o que contribuiu para uma safra recorde de 146,3 milhões de toneladas, mesmo com uma redução de 74 mil hectares e plantio total de 47,6 milhões de hectares.
A categoria de herbicida, usada para controlar a infestação de ervas daninhas, foi a mais vendida em 2009, com um volume de 632,2 mil toneladas, aumento de 9,9%. A queda no preço do glifosato - principal herbicida do mercado - fez com que a receita nessa categoria recuasse 21,7% para US$ 2,5 bilhões em comparação a 2008, segundo o Sindag.
Mas o destaque nas vendas ficou por conta dos fungicidas. O aumento da incidência da ferrugem da soja no Sul e Centro-Oeste elevou a demanda para 127,8 mil toneladas, um crescimento de 14,8%. Em receita, a categoria foi uma das poucas a ter um resultado positivo, com crescimento de 13,8% e faturamento de US$ 1,8 bilhão.
A soja também foi a responsável pelo aumento no consumo total de agrotóxicos e por evitar um desempenho ainda pior na receita da indústria no ano passado. Os 23,2 milhões de hectares semeados com o grão receberam 530,1 mil toneladas de agrotóxicos, elevando em 18% o volume consumido. Diante do aumento da demanda, principalmente de fungicida, as vendas para os produtores de soja renderam ao setor US$ 3,12 bilhões, um incremento de 2,6%.
A demanda por agrotóxicos por parte dos produtores de milho ficou praticamente estável em 2009 em 143,7 mil toneladas (queda de 0,4%). Já os produtores de cana reduziram em 8,6% o uso de produtos químicos para 70,9 mil toneladas no ano passado, enquanto os cotonicultores elevaram a utilização para 69,6 mil toneladas, 13,8% a mais do que no ano anterior. O aumento no algodão ocorre mesmo com a área plantada tendo se mantido praticamente estável em 836 mil hectares na safra 2009/10.
Fonte: Alexandre Inacio, jornal Valor, com o Observatório
Governo quer país na liderança da produção de óleo de Palma 11.05.10
O Programa Nacional de Óleo de Palma, lançado dia 6 pp. em Tomé Açú, no Pará, quer tornar o país o maior produtor mundial desse óleo vegetal nos próximos anos, garantindo o suprimento de combustível renovável.
O programa prevê a ampliação da área destinada à plantação do vegetal para a produção de combustíveis a partir de energias renováveis. O óleo de Palma também é conhecido como dendê.
O projeto, que visa a aumentar em quase 50% a produção até 2014, de 80 para 130 mil hectares, vai ser aplicado em 44 municípios das regiões Norte e Nordeste.
Atualmente, o Pará lidera a produção de palmas no país, com 80 mil hectares plantados na região dos rios Capim, Guamá e Tocantins. A transformação do óleo de dendê em biodiesel é feita pela Petrobras, que está construindo três indústrias na região, para somar às nove já existentes no Estado. O Programa Nacional de Óleo de Palma prevê a participação imediata de 900 parceiros na agricultura familiar, e de 300 médios e grandes produtores.
O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, afirmou que a palma produz dez vezes mais óleo do que a soja na mesma área, sendo possível produzir cinco toneladas de óleo por hectare a cada ano. Com isso, um produtor que plante 10 hectares de palma, pode obter uma renda média de R$ 2 mil por mês aos preços atuais.
Segundo Wagner Rossi, somente dois países, a Tailândia e a Indonésia, concentram 90% da produção mundial de óleo de palma. Ele fala que com o programa, a participação brasileira nesse mercado vai aumentar.
“Vai disponibilizar a possibilidade da multiplicação da cultura numa área muito grande no Brasil. Nós temos pelo menos, no momento, 29 milhões de hectares disponíveis, onde a palma poderia ser usada com eficiência. Isso inclui uma parte grande do Nordeste brasileiro e todos os estados do Norte.”
O aumento de área plantada não será feito com desmatamento, mas aproveitando áreas já degradadas, segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.
“O programa nasce com orientações claras do ponto de vista de que áreas podem ser aproveitadas para a expansão dessa cultura. É um programa construído em bases para proibir o desmatamento em áreas de florestas nativas para a expansão da fronteira agrícola associada à palma de óleo.”
Ambientalistas concordam que gerar combustível renovável é importante para a região. Mas, segundo o coordenador do Instituto do Homem e Meio Ambienta da Amazônia (Imazon), Paulo Amaral, se o projeto vai envolver pequenos produtores, é preciso alguns cuidados.
“Um sistema de monitoramento muito forte, para que não provoque pressão sobre as áreas ainda com cobertura florestal, deve observar a recomposição dessas áreas já abertas. E tem que se considerar assistência técnica e uma garantia da compra dessa produção para que um pequeno produtor possa se sentir seguro para entrar num programa desses.”
Fonte: Leandro Martins, repórter da Rádio Nacional da Amazônia; edição: Lílian Beraldo; com o Observatório
Financiamento para recuperação de áreas degradadas não decola 11.05.10
O agronegócio brasileiro contratou, entre julho de 2009 e março deste ano, R$ 56,3 bilhões dos R$ 93 bilhões programados no Plano Agrícola e Pecuário 2009/2010 para financiar a safra atual. O volume representa um aumento de quase R$ 12 bilhões - ou 26% - em relação aos R$ 44,5 bilhões financiados no mesmo período da safra anterior. O balanço foi apresentados no dia 4 pp. pelo Ministério da Agricultura.
Algumas novidades desta safra, como os programas de estocagem de álcool e de recuperação de áreas degradadas, não tiveram o resultado esperado. Enquanto o primeiro emprestou apenas R$ 32,6 milhões dos R$ 2,3 bilhões disponíveis, o outro liberou R$ 330,4 milhões de um total de R$ 1,5 bilhão. Em entrevista à Agência Brasil no mês passado, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse que os juros altos destas linhas atrapalharam a tomada de crédito e serão reduzidos para a próxima safra (2010/2011). Já a agricultura familiar, além de tomar mais recursos na safra atual, ainda o faz de maneira mais rápida. A proporção liberada entre julho de 2009 e março de 2010 aumentou de 56,5% para 57,9% em relação ao mesmo período da safra anterior, com a liberação de R$ 8,6 bilhões dos R$ 15 bilhões previstos.
Fonte: Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil; edição: Vinicius Doria
China quer comprar 100.000 ha para produzir aqui sua própria soja 22.04.10
Ação se daria através de uma empresa estatal chinesa, com grupos brasileiros associados
Fonte: jornal O Estado de S.Paulo
A empresa estatal chinesa Chongqing Grain Group pretende investir US$ 300 milhões (R$ 525 milhões) na compra de 100 mil hectares de terra no oeste da Bahia, com o objetivo de produzir soja para o mercado brasileiro e chinês. O empreendimento tem financiamento do Banco de Desenvolvimento da China (BDC), que vai bancar 60% do custo. O restante será desembolsado pela empresa, ligada ao município de Chongqing.
Representantes da companhia e do banco estatal integraram a comitiva do presidente Hu Jintao no Brasil na semana passada e apresentaram o projeto no seminário empresarial dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), realizado no Rio. O grupo continua no Brasil, em busca de um parceiro local para o investimento. O objetivo é finalizar a compra da terra até julho e produzir 250 mil toneladas de soja por ano. Reportagem publicada ontem pelo Chongqing News, ligado ao governo do município, afirma que a área cultivada poderá alcançar numa segunda etapa 200 mil hectares, com investimento total de US$ 842 milhões (R$ 1,47 bilhão).
Limite.
O interesse de chineses na compra de terras para plantar soja no Brasil cresceu nos últimos meses, especialmente depois da aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados do projeto que limita a 1.140 hectares o tamanho das propriedades rurais que podem ser compradas por estrangeiros na Amazônia Legal, área que abrange os Estados de Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Mato Grosso, Pará, Amapá, Tocantins e parte do Maranhão. Aprovado em outubro, o texto foi enviado ao Senado, onde aguarda votação.
A advogada Heloísa Di Cunto, sócia do escritório Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra, diz que desde setembro aumentou o número de consultas de clientes chineses interessados em adquirir propriedades rurais no Brasil. "As pessoas estão correndo para comprar as terras antes que a lei seja aprovada", observa Di Cunto, que chefia o departamento do escritório responsável pela China. Atualmente, a advogada assessora dois grupos chineses que estão fechando negócios para produção de soja em Mato Grosso, mas não revela seus nomes em razão de acordos de confidencialidade.
Há anos os chineses discutem a possibilidade de plantar soja no Brasil, mas os negócios só começaram a se concretizar recentemente. A China é o maior importador de soja e principal destino das exportações brasileiras do produto, que ocupa o segundo lugar nas vendas do país, atrás apenas do minério de ferro.
No ano passado, o Brasil exportou US$ 11,42 bilhões em soja, dos quais US$ 6,34 bilhões foram destinados à China, o equivalente a 55,5% dos embarques da commodity. Além de garantir o suprimento de um produto essencial, a compra de terras tem o objetivo de evitar a intermediação das grandes tradings que operam nesse setor: Cargill, Bunge, ADM e Louis Dreyfus.
Pelo menos desde 2004, os importadores chineses tentam comprar soja diretamente dos fazendeiros brasileiros, sem sucesso. "As grandes tradings investem na safra e controlam esse comércio", ressalta Di Cunto. Essas empresas dão financiamento aos produtores e recebem em troca a garantia de entrega da colheita. Com a aquisição de terras, os chineses passam a controlar diretamente a produção e podem exportar o produto para a China, sem passar pela intermediação das grandes tradings.
Na avaliação de Di Cunto, o projeto de lei aprovado na Câmara cria um "protecionismo desnecessário" e pode reduzir o investimento estrangeiro direto na produção agrícola.
Para entender
Limite atual é de 3,8 mil hectares
O projeto de lei que limita a compra de terras por estrangeiros na Amazônia Legal foi apresentado em 2001 pelo deputado Nilson Mourão (PT-AC) e pelo então deputado José Dirceu (PT-SP). Na exposição de motivos, os parlamentares afirmavam que havia 34 mil imóveis rurais na mão de estrangeiros na região, com área equivalente a 4 milhões de hectares.
A legislação atual permite que estrangeiros comprem terras na Amazônia Legal no limite de até 3.800 hectares, desde que tenham empresa constituída no Brasil - não importa se a origem do capital é nacional ou estrangeira.
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou em outubro substitutivo do deputado José Genoino (PT-SP). Na época da votação do projeto, Genoino ressaltou que os estrangeiros que adquirissem área superior a 1.140 hectares antes da aprovação do projeto poderiam manter as propriedades, desde que produtivas.
O projeto não precisou ser aprovado pelo plenário da Câmara porque a matéria pode ser analisada em caráter definitivo pela Comissão de Constituição e Justiça, que o aprovou por unanimidade. Falta agora a votação do Senado.
Só ausência de princípios morais justifica a venda massiva de terras para estrangeiros 22.04.10
Alerta parte de centenas de ONGs, contra a tentativa do Banco Mundial de instituir critérios “ socialmente aceitáveis” para esse tipo de compra
Abaixo a tradução (do inglês) da nota divulgada hoje, assinadas pelas ONGs Fian, Grain, Rede de Ação de Pesquisa Land e Via Camponesa, e subscrita até o momento pelas organizações listadas ao final do texto.
Tradução livre realizada por Maurício Galinkin, com a ajuda do Google Translator
“Estado e investidores privados, desde a empresa Citadel Capital até o Banco Goldman Sachs, estão comprando ou arrendando dezenas de milhões de hectares de terras na Ásia, África e América Latina para a produção de alimentos e combustível.
Esta apropriação (quase uma grilagem, dados os preços vís que são praticados) é uma séria ameaça para a soberania alimentar os povos e do direito à alimentação das comunidades rurais.
Em resposta a esta nova onda de apropriação de terras, o Banco Mundial (BM) está promovendo um conjunto de sete princípios para orientar esses investimentos e torná-los bem sucedidos. A FAO, IFAD e UNCTAD concordaram em participar com BM no impulsionamento conjunto para a adoção desses princípios.
Seu ponto de partida é o fato de que o atual interesse e corrida do setor privado para a compra de terras agrícolas é arriscado. Afinal de contas, o BM acaba de finalizar um estudo que mostra a magnitude dessa tendência e seu foco central na transferência de direitos sobre as terras agrícolas em países em desenvolvimento para os investidores estrangeiros. O BM parece convencido de que todos os fluxos de capital privado para expandir as operações do agronegócio mundial - onde ele ainda não se apoderou das terras ou exerce controle total sobre a produção local de commodities - são boas e devem ser autorizados a proceder de modo que as corporações multinacionais possam extrair mais riqueza do campo.
Uma vez que estes acordos de investimento são articulados sobre a privatização em massa e transferência de direitos sobre a terra, o BM quer que sejam atendidos alguns critérios para reduzir os riscos de retrocesso social: respeitar os direitos dos usuários (além dos proprietarios) existentes sobre a terra, água e outros recursos (pagando-lhes “por fora”); proteger e melhorar a vida no lar e na comunidade (proporcionar empregos e serviços sociais) e não causar danos ao meio ambiente. Estas são as ideias fundamentais por trás dos sete princípios do Banco Mundial para que seja “socialmente aceitável” a compra das terras pelas empresas e estrangeiros.
Estes princípios não vão conseguir os seus objetivos declarados, afirma o documento das ONGs. Para elas, eles são, sim, um movimento para tentar legitimar a apropriação/grilagem de terras. Facilitar, a longo prazo, a aquisição (externa e interna) de terras rurais pertencentes ou tradicionalmente utilizadas pelas pessoas ou famílias, por empresas é completamente inaceitável, não importa que as orientações sejam seguidas. Os princípios do BM, cuja adoção seria totalmente voluntária, têm o objetivo de desviar a atenção do fato de que a crise global atual de alimentos, marcada por mais de 1 bilhão de pessoas passam todos os seus dias com fome, não serão resolvidos pela agricultura industrial em larga escala, que praticamente todas estas aquisições de terras digam que visam promover.
A grilagem de terras já começou a intensificar-se em muitos países nos últimos 10-15 anos, com a adoção de políticas de desregulamentação, acordos comerciais e de investimento, mercado e as reformas da legislação e governança. Os alimentos e as crises financeiras recentes têm fornecido o ímpeto para um aumento da grilagem de terras pelos governos, e investidores financeiros tentam garantir a capacidade de produção agrícola e as reservas de alimentos, bem como os ativos capazes de trazer retornos elevados. Governos dos países ricos têm procurado arrendamento de terras agrícolas por longos períodos de tempo, para segurança alimentar de suas populações e o funcionamento de suas indústrias. Ao mesmo tempo, as empresas estão buscando, a longo prazo, concessões econômicas de produção agrícola para a produção de agrocombustíveis, borracha, óleos, etc Essas tendências também são visíveis nas zonas costeiras, onde os direitos a terra, aos recursos marinhos e as águas disponíveis estão sendo vendidas, alugadas, ou desenvolvidas para o turismo, para investidores corporativos e elites locais, em detrimento dos pescadores artesanais e comunidades costeiras. De uma forma ou outra, as terras agrícolas e florestas estão sendo desviados dos pequenos produtores, pescadores artesanais para fins comerciais, levando ao deslocamento de populacões de suas fontes de alimentação e vida, aumentando a fome e a pobreza.
Controle da água em jogo
Com o atual impuso, a globalização impulsionada pelas corporações atingiu uma nova fase que irá minar, como nunca antes aconteceu, a determinação dos povos à autossoberania alimentar e sobrevivência. O Banco Mundial e muitos governos vêm a terra e os direitos à terra como uma base de ativos crucial para empresas que buscam altos retornos sobre o capital próprio, desde que a terra não é apenas a base para a produção de alimentos e matérias-primas para a nova economia de energia, mas também uma forma de captação de água.
A terra está sendo reavaliada em termos puramente econômicos pelo Banco Mundial, governos e corporações. E nesse processo, a multi-funcionalidade e valores ecológicos, sociais e culturais da terra estão sendo negados. É, portanto, cada vez mais importante que esses recursos do Banco Mundial, e que são provenientes dos Estados Nacionais, sejam disponibilizados para aqueles que precisam deles para se alimentar e outros que, de forma sustentável, os utilizem para sobreviver como comunidades e sociedades.
A apropriação/grilagem de terras - mesmo onde não ocorrem despejos forçados - nega a terra para as comunidades locais, destrói vidas, reduz o espaço político para orientação das políticas agrícolas dos camponeses e distorce os mercados para os interesses do agronegócio, este cada vez mais concentrado, e comércio global, em vez de para a economia do pequeno proprietário/camponês sustentável, produção dirigida para mercados locais e nacionais. Essa apropriação/grilagem vai acelerar a destruição dos ecossistemas e da crise do clima por causa do tipo de monocultura que prevalece na produção em grandes extensões e de commodities, a produção agrícola industrial onde as terras serão usadas.
Promover ou permitir a grilagem viola o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e compromete a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas. A grilagem ignora os princípios adotados pela Conferência Internacional sobre Reforma Agrária e Desenvolvimento Rural (CIRADR), em 2006, e as recomendações feitas pela Avaliação Internacional de Ciência e Tecnologia Agrícola para o Desenvolvimento (IAASTD).
A apropriação/grilagem de terras deve ser imediatamente interrompida. Os princípios do BM são uma tentativa de criar a ilusão de que a grilagem pode prosseguir sem conseqüências desastrosas para os povos, comunidades, ecossistemas e do clima. Essa ilusão é falsa e enganosa. Farmer's e organizações de povos indígenas, movimentos sociais e grupos da sociedade civil em grande parte concordam que é preciso:
1. Manter as terras nas mãos de comunidades locais e implementar uma verdadeira reforma agrária, a fim de garantir o acesso equitativo à terra e recursos naturais;
2. Fortalecer o apoio a práticas agroecológicas dos pequenos produtores e do campesinato, na agricultura, pesca e pecuária, incluindo a pesquisa participativa e programas de treinamento para que os fornecedores de alimentos em pequena escala possam ampliar sua produção, fornecendo uma alimentação saudável e segura para todos;
3. Revisão de políticas comerciais e agrícolas para apoiar a soberania alimentar e os mercados locais e regionais que as pessoas possam participar e se beneficiar;
4. Promover a alimentação orientada para a comunidade e os sistemas de agricultura com o controle das populações locais sobre a terra, água e biodiversidade. Aplicar estrita regulamentação obrigatória que reduza o acesso de empresas e outros atores poderosos (estatais e privadas) aos produtos agrícolas, litoral e pastagens, florestas e pântanos.
Só a ausência de princípios morais no mundo pode justificar grilagem! 22 de abril de 2010
Fian - Grain - Rede de Ação de Pesquisas Land – Via Campesina
Organizações que subscrevem o documento:
da África
- African Biodiversity Network (ABN) - Anywaa Survival Organisation, Ethiopia- Association Centre Ecologique Albert Schweitzer (Ceas Burkina), Burkina Faso- Coordination Nationale des Usagers des Ressources Naturelles du Bassin du Niger au Mali, Mali- CNCR (Conseil National de Concertation et de Coopération des Ruraux), Sénégal- Collectif pour la Défense des Terres Malgaches TANY, Madagascar - Confédération Paysanne du Congo, Congo RDC- Copagen (Coalition pour la protection du patrimoine génétique africaine) - East African Farmers Federation (EAFF)- Eastern and Southern Africa Small Scale Farmers' Forum (Esaff)- Economic Justice Network of Foccisa, Southern Africa- Food Security, Policy and Advocacy Network (FoodSpan), Ghana- Fora/Desc, Niger- Ghana Civil Society Coalition on Land (Cicol), Ghana- Haki Ardhi, Tanzania- Inades-Formation- Ipacc (Indigenous People of Africa Co-ordinating Committee)- London International Oromo Workhshop Group, Ethiopia- Roppa (Réseau des Organisations Paysannes et des Producteurs de l'Afrique de l'Ouest) - Synergie Paysanne, Bénin
da Ásia
- Aliansi Gerakan Reforma Agraria (Agra), Indonesia- All Nepal Peasants' Association (Anpa), Nepal- Alternative Agriculture Network, Thailand- Alternate Forum for Research in Mindanao (Afrim), Philippines- Andhra Pradesh Vyvasaya Vruthidarula Union (APVVU), India- Anti Debt Coalition (KAU), Indonesia- Aquila Ismail, Pakistan- Asian Human Rights Commission (AHRC)- Bantad Mountain Range Conservation Network, Thailand- Biothai (Thailand)- Bridges Across Borders Southeast Asia, Cambodia- Centre for Agrarian Reform, Empowerment and Transformation, Inc., Philippines- Centro Saka, Inc., Philippines- Cidse, Lao PDR- Daulat Institute, Indonesia- Delhi Forum, India- Focus on the Global South, India, Thailand, Philippines- Foundation for Ecological Recovery/Terra, Thailand- Four Regions Slum Network, Thailand- Friends of the Earth Indonesia (Walhi), Indonesia- Hasatl, Timor Leste- Imse, India- Indian Social Action Forum (Insaf), India- Indonesian Fisher folk Union (SNI), Indonesia- Indonesian Human Rights Committee for Social Justice (Ihcs), Indonesia- Indonesian Peasant' Union (SPI). Indonesia- International Collective in Support of Fishworkers (Icsf), India- Kelompok Studi dan Pengembangan Prakarsa Masyarakat/Study Group for the People Initiative Development (KSPPM), Indonesia- Kiara-Fisheries Justice Coalition of Indonesia, Indonesia- Klongyong and Pichaipuben Land Cooperatives, Thailand- Land Reform Network of Thailand, Thailand- Lokoj Institute, Bangladesh- Marag, India- Melanesian Indigenous Land Defense Alliance (Milda)- My Village, Cambodia- National Fisheries Solidarity Movement (Nafso), Sri Lanka- National Fishworkers Forum, India- National Forum of Forest Peoples and Forest Workers, India- Northeastern Land Reform Network, Thailand- Northern Peasant Federation, Thailand- NZNI, Mongolia- Paragos-Pilipinas, Philippines- Pastoral Peoples Movement, India- PCC, Mongolia- People's Coalition for the Rights to Water (KruHA), Indonesia- Permatil (Permaculture), Timor-Leste- Perween Rehman, Pakistan- Project for Ecological Awareness Building (EAB),Thailand- Roots for Equity, Pakistan- Sintesa Foundation, Indonesia- Social Action for Change, Cambodia- Solidarity Workshop, Bangladesh- Southern Farmer Federation, Thailand- Sustainable Agriculture Foundation, Thailand- The NGO Forum on Cambodia, Cambodia- Village Focus Cambodia, Cambodia- Village Focus International, Lao PDR- World Forum of Fisher Peoples (WFFP), Sri Lanka
na América Latina
- Asamblea de Afectados Ambientales, México- Bios, Argentina- Coeco-Ceiba (Amigos de la Tierra), Costa Rica- Fian Comayagua, Honduras- Grupo Semillas, Colombia- Red de Biodiversidad de Costa Rica, Costa Rica- Red en Defensa del Maiz, México - REL-Uita - Sistema de la Investigación de la Problemática Agraria del Ecuador (SIPAE), Ecuador
na Europa
- Both Ends, Netherlands- CADTM, Belgium- Centre Tricontinental – Cetri, Belgium- CNCD-11.11.11, Belgium- Comité belgo-brasileiro, Belgium- Entraide et Fraternité, Belgium- Fian Austria- Fian Belgium- Fian France- Fian Netherlands- Fian Norway- Fian Sweden- Fugea, Belgium- Guatemala Solidarität, Austria- SOS Faim – Agir avec le Sud, Belgium- The Slow Food Foundation for Biodiversity, Italy- The Transnational Institute (TNI), Netherlands- Uniterre, Switzerland
na América do Norte
- Agricultural Missions, Inc. (AMI), USA- Columban Center for Advocacy and Outreach, USA- Cumberland Countians for Peace & Justice, USA- Grassroots International, USA- National Family Farm Coalition, USA- Network for Environmental & Economic Responsibility, United Church of Christ, USA- Pete Von Christierson, USAPlant (Partners for the Land & Agricultural Needs of Traditional Peoples), USA- Raj Patel, Visiting Scholar, Center for African Studies, University of California at Berkeley, USA- The Institute for Food and Development Policy (Food First), USA- Why Hunger, USA
organizações internacionais:
- Fian International- Friends of the Earth International- Grain- La Vía Campesina- Land Research Action Network (Lran)- World Alliance of Mobile Indigenous People (Wamip)- World Rainforest Movement (WRM)
Pra variar, sojicultor de MT quer renegociar dívida... 22.04.10
Sojicultores de Mato Grosso querem renegociar dívidas, argumentando que a produtividade das lavouras foi menor nesta safra 2009/2010 e o volume de vendas antecipadas diminuiu, comprometendo a renda.
Fonte: jornal O Estado de São Paulo
Sojicultores de Mato Grosso querem
renegociar dívidas, argumentando que a produtividade das lavouras
foi menor nesta safra 2009/2010 e o volume de vendas antecipadas
diminuiu, comprometendo a renda. "A safra deste ano teve
produtividades muito diferentes, variando de 45 a 50 sacas, porque
as lavouras foram afetadas por microclimas diversos", diz o
presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato
Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira.
A associação defende a equalização das dívidas do setor, com
mudanças nas taxas de juros e o recálculo dos valores. O estoque
total da dívida no Estado está estimado em R$ 11 bilhões - cerca de
70% correspondem a débitos de investimento. "O agravante é que a
maior parte desta dívida tem taxas de juros acima de 10%. Mas tem
casos de até 15%." Silveira explica que, "para o produtor que
conseguiu vender pelo menos metade da safra, com rendimento médio
de 50 sacas/hectare, esta safra não deu prejuízo."
O cálculo da Aprosoja
indica que o agricultor com este perfil teve rentabilidade média de
R$ 35/hectare. Segundo ele, esta é a situação de cerca de 50% dos
sojicultores do Estado.
"O problema é que o
estoque médio da dívida está em R$ 500/hectare no Estado, acima da
rentabilidade do produtor, mesmo no melhor cenário", diz
Silveira.
Diferença
R$ 40 era o preço da saca de soja entre
agosto e outubro
R$ 28 a R$ 30 é o valor da saca hoje,
após a finalização da colheita
EUA tentam driblar testes de transgênicos 22.04.10
22.04.10
O PHD Michael Hansen, cientista sênior da maior organização de
consumidores do mundo, afirma à Revista Galileu que EUA e
multinacionais do setor não querem testar efeito de transgênicos à
saúde
Fonte: Mariana Lucena, Revista Galileu
Parece uma inocente espiga de milho. O que você não sabe é que
genes de outras espécies foram inseridos no DNA dela. Não houve
avaliação se o procedimento quebrou uma sequência genética
importante – ou pior, se criou uma série de genes cancerígena. Por
que você não sabe? Porque algumas multinacionais não permitem
testes mais longos antes de a espiga chegar ao seu prato. É
isso o que conta Michael Hansen, PhD em impactos da biotecnologia
na agricultura e cientista sênior da maior organização de
consumidores do mundo, a Consumers Union dos Estados Unidos.
O estudioso virá ao Brasil em 26 de abril para participar da
conferência Segurança dos Alimentos: o que o mundo está discutindo
a respeito dos transgênicos e agrotóxicos.
Nesta entrevista exclusiva, ele discute
o perigo pelo qual estamos passando.
P- Estamos
aderindo aos transgênicos de maneira responsável?
R- Nos Estados Unidos, a
resposta é absolutamente não. Aqui nós não exigimos testes de
segurança antes que estes produtos entrem no mercado e sejam
exportados. Existem acordos internacionais que aconselham os países
a fazer isso, mas nos Estados Unidos estamos ignorando os
potenciais problemas à saúde humana.
P- O Brasil está sendo mais exigente? R- O Brasil permitiu que essas safras
[de transgênicos] entrassem no mercado e os mesmos problemas se
aplicam. Acredito que haja um problema com a soja, inclusive
problemas ambientais, e entendo que a maioria dos dados usados no
Brasil para aprovar a comercialização de soja transgênica foram
obtidos em pesquisas feitas nos EUA. E também foi descoberto que os
produtos químicos que são jogados na plantação de soja para matar
ervas daninhas, com o tempo vão fazendo com que essas ervas
daninhas se tornem resistentes. Isso já é um problema aqui nos
Estados Unidos e logo será no Brasil.
Para ler a entrevista completa, clique aqui
Fazenda e Agricultura chegam a acordo sobre comercialização da safra de grãos 22.04.10
Os ministérios da Agricultura e da Fazenda chegaram a um acordo sobre o formato da portaria que define critérios para a comercialização da safra de grãos. O assunto vinha se arrastando há muito tempo e ameaçava prejudicar os leilões de comercialização.
Sem entrar em detalhes, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse no dia 15 pp., ao sair de reunião no Ministério da Fazenda, que a portaria seria assinada nesta semana. “Os modelos dos leilões ainda não foram definidos. Devemos assinar a portaria até segunda-feira (19) e começar imediatamente a atuar, sobretudo no mercado do milho”, afirmou. Rossi disse ainda que, numa próxima reunião, será definido os leilões de trigo.
Desde o final de janeiro os ministérios da Agricultura e da Fazenda negociam as portarias de apoio à comercialização de grãos, mas somente agora anunciaram um acordo, ainda que apenas para três produtos (milho, arroz e feijão). A Fazenda queria que as portarias viessem com informações mais detalhadas, mas a Agricultura defendia que o detalhamento ficasse apenas nos avisos específicos de cada leilão.
Apesar do ministro da Agricultura ter dito que a portaria será assinada no início desta semana, uma fonte da Fazenda estimou que o ato pode demorar um pouco mais, porque o texto da portaria teria ainda que ser finalizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Fazenda até o dia 16, depois encaminhado para a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e, só então, seguiria para assinatura dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Paulo Bernardo e da Agricultura, Wagner Rossi.
Por Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil, edição: Aécio Amado
Marina diz que governo e agronegócio querem desconstruir legislação ambiental 22.04.10
A senadora Marina Silva (PV-AC), pré-candidata à Presidência da República pelo PV, disse que o governo e o agronegócio querem “desconstruir” a legislação ambiental. O que, segundo ela, vai levar a uma paralisação geral do setor. Ela falou durante o seminário "O Futuro do Código Florestal em Face da Sustentabilidade do Agronegócio", realizado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).
Para a ex-ministra do Meio Ambiente, é preciso criar uma “agenda positiva” que agregue governo, sociedade e setores da área para gerar um “reencontro do meio ambiente e da produção agrícola”. Ela criticou, no entanto, o discurso de alguns representantes do setor agropecuário.
“O agronegócio precisa se atualizar para que continue competitivo nos novos parâmetros do século 21. Não está em questão sua importância estratégica, mas a necessidade de sua modernização e a proteção do meio ambiente para o bem do próprio setor”.
A senadora disse que a discussão de mudanças no Código Florestal Brasileiro em ano eleitoral, como está sendo feito no Congresso Nacional, é um erro, porque vai contaminar a discussão.
Marina disse ainda que na política brasileira há o costume de se transformar em consenso todos os temas que não querem que sejam resolvidos.
“Para tudo que não se quer resolver, a primeira coisa que se faz é criar um consenso. Reforma política, educação, segurança, tudo é um consenso, mas um consenso oco, que não tem ideias claras”.
Por Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil, edição: Rivadavia Severo
Renda agrícola brasileira volta a nível pré-crise 06.04.10
Puxada pelo bom desempenho das culturas de café e cana-de-açúcar, renda em 2010 deve ser R$ 10,1 bilhões superior à do ano passado
A dobradinha cana de açúcar-café vai garantir o crescimento da renda agrícola neste ano e a volta da receita do campo ao nível pré-crise. Entre grãos, algodão, café, cana e laranja, os produtores devem embolsar R$ 175,5 bilhões em 2010 com a venda da safra, nas contas da RC Consultores.
Em 2009, a receita total foi de R$ 164,9 bilhões e, em 2008, de R$ 174,2 bilhões. Neste ano, a cana e o café, juntos, vão contribuir com R$ 10,1bilhões para o crescimento da receita. A cifra praticamente equivale à perda da renda do campo que ocorreu em 2009 por causa da crise.
Ao contrário dos últimos anos em que os grãos, sustentados pela soja e o milho, foram os responsáveis pela expansão da receita agrícola, agora duas lavouras permanentes, a cana e o café, são as estrelas da safra.
Os preços da cana estão em alta por causa da redução da oferta de açúcar no mercado internacional. No caso café, apesar da grande safra, os estoques mundiais estão baixos e o consumo crescente. Na soja, safras abundantes nos principais produtores derrubaram os preços.
"O ano será mais favorável às lavouras permanentes", observa o sócio da consultoria e responsável pelas projeções, Fabio Silveira. Numa série iniciada em 1994, ele observa que o comportamento mais frequente da renda agrícola foi de expansão da receita com grãos e recuo das lavouras permanentes, aquelas que são plantadas uma única vez e colhidas durante muitos anos. Neste ano, o quadro se inverteu.
A renda projetada para a cana é de R$ 34,1 bilhões, com acréscimo de R$ 7,1 bilhões na comparação com 2009, segundo o estudo da consultoria, que considera dados de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e preços no atacado pesquisados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Para o café, a perspectiva é de que a receita atinja R$ 18,9 bilhões, com expansão de R$ 3 bilhões sobre a de 2009. Enquanto isso, as rendas da soja e do milho devem encolher R$ 2,3 bilhões e R$ 1,3 bilhão, respectivamente.
Efeito no interior.
A mudança no dinamismo da receita agrícola, da soja para a cana e o café, já tem impacto no comércio das cidades do interior. Em Ribeirão Preto, por exemplo, que fica no interior do Estado de São Paulo e é principal polo de produção de cana do País, o mercado imobiliário está a todo vapor.
"Em dezembro, vendemos um loteamento de padrão médio com 310 terrenos em apenas oito horas", conta André Lopes, diretor comercial do Grupo WTB, incorporadora imobiliária. Em meados de março, a empresa lançou um loteamento de alto padrão com 180 terrenos que custam, em média, R$ 200 mil cada, e já vendeu 80% do estoque.
Lopes conta que a maioria dos compradores está ligada direta ou indiretamente aos negócios do açúcar e do álcool. O produtor de cana André Zaccherini, de 37 anos, dos quais 15 no setor sucroalcooleiro, conta que comprou nos últimos seis meses meia dúzia de lotes urbanos. "Vou construir num dos terrenos e os outros ficam para investimento." Ele ressalta que fazia tempo que a cana-de-açúcar não tinha um ano tão favorável.
Marco Mattar, presidente da construtora Trisul, é outro empresário que atesta o bom desempenho do mercado imobiliário da região. Ele conta que, no fim de 2008, lançou dois prédios de apartamentos de alto padrão, na faixa de R$ 500 mil. "Na crise, as vendas pararam, mas agora, com o impulso dado pela boa fase da cana, está quase tudo vendido."
Luiz Feijó, diretor comercial da New Holland, fabricante de tratores, diz que, no curto prazo, o mercado para tratores destinados às lavouras de cana é o que registra maior acréscimo no volume de vendas.
Werner Santos, diretor de vendas da John Deere, uma das maiores fabricantes de máquinas agrícolas, conta que o mercado ficou aquecido no primeiro bimestre deste ano.
Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq) mostram que houve acréscimo de 28% no número de unidades vendidas em janeiro e fevereiro, na comparação com igual período de 2009. "O setor sucroalcooleiro voltou a investir em máquinas", comemora.
Café.
O comércio das cidades localizadas em polos produtores de café também está pegando carona no bom desempenho da lavoura. Em Varginha, por exemplo, município do sul de Minas Gerais, onde o café é pilar da economia local, concessionárias de veículos registram crescimento de vendas para produtores rurais, que já gastam por conta da safra que começa a ser colhida.
Na revenda Callis, da Volks, as vendas de utilitários, a maioria para produtores rurais, cresceram no primeiro trimestre quase 40% em relação a igual período de 2009 e 130% na comparação com os mesmos meses de 2008. "Em um dia, vendi dois utilitários que foram pagos com dinheiro obtido por meio da Cédula do Produtor Rural (CPR) do Banco do Brasil", conta o consultor da revenda Eduardo Vitor da Silva.
Em Patrocínio, região de produção de café do cerrado mineiro, as lojas também se preparam para embolsar a renda da safra. Pesquisa da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade revela que os empresários do comércio vão ampliar, nos próximos meses, em 20% os estoques de mercadorias, principalmente de eletrodomésticos e eletrônicos. Além disso, pretendem contratar 300 trabalhadores temporários para atender a demanda.
Fonte: Márcia De Chiara - O Estado de S.Paulo
Ipea sugere a retomada da discusssão internacional sobre o uso do etanol 06.04.10
Veja também:
- EUA voltam a atacar etanol brasileiro
- Crise mundial e preços baixos reduziram investimentos no setor de cana
- Produção da cana deve crescer em Mato Grosso
Os países produtores de etanol devem retomar a qualquer momento as discussões sobre a viabilidade da cultura de cana-de-açúcar para a produção de álcool hidratado - em especial nos países da África Subsaariana, América Latina e do Caribe - e sua comercialização internacional. Quem aposta nessa tese são os técnicos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Pedro Silva Barros e Giorgio Romano Schutte, que realizaram recente pesquisa sobre A Geopolítica do Etanol. Para eles, a crise financeira mundial, deflagrada em setembro de 2008, foi a principal responsável por ter tirado a discussão energética do foco das atenções. Esse fato foi agravado no Brasil, onde as atenções no debate sobre energia, em 2009, estiveram voltadas para o petróleo da camada de pré-sal. Com isso, os biocombustíveis perderam espaço na discussão. A pesquisa de Barros e Schutte ressalta que não se deve deixar em segundo plano a discussão sobre o “igualmente promissor futuro do etanol”. Para eles, em um cenário onde a preocupação com o meio ambiente é irreversível, torna-se obrigatório que o Brasil consiga articular de forma harmônica as várias fontes de energia. O estudo mostra que o Brasil tem muito a ganhar com o desenvolvimento do mercado de etanol, uma vez que a produtividade obtida com a cana-de-açúcar é bem mais alta que as extrações derivadas de milho, nos Estados Unidos, e de beterraba, nos países europeus. Além disso, há o fato de o Brasil dominar todas as fases da cadeia produtiva, do plantio à comercialização e ao uso das melhores tecnologias de produção.
A única coisa que pesa contra o Brasil é o receio dos países consumidores em relação à dependência de poucos exportadores de etanol, como ocorre hoje. Mercado no qual o Brasil tem domínio quase absoluto, seguido de longe por: Estados Unidos, Índia, China e África do Sul. Os pesquisadores do Ipea afirmam que a efetivação de um mercado mundial de etanol passa pela transformação do produto em commodity (com preço internacional, definido pela Bolsa de Chicago).
Para os pesquisadores, é necessária uma ação articulada de incentivo à produção de cana de açúcar em terceiros países, pelo setor privado, e de cooperação técnica, do setor público, para melhorar a produção agrícola – em especial da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) que já realiza algumas ações nesse sentido, em países da África.
Fonte: Stênio Ribeiro, repórter da Agência Brasil
EUA voltam a atacar etanol brasileiro 06.04.10
Os produtores de etanol dos Estados Unidos, que usam o milho como matéria-prima, lançaram nova ofensiva para tentar barrar a entrada do etanol brasileiro, de cana-de-açúcar. Na semana passada, dois deputados da bancada ruralista, em Washington, apresentaram um projeto de lei para tentar prorrogar por mais cinco anos os subsídios aos plantadores de milho e as tarifas à importação de etanol.
A Associação da Indústria de Cana de Açúcar do Brasil (Unica) considera que essa é a principal batalha do ano para os produtores brasileiros de etanol.
Recentemente, os usineiros brasileiros conseguiram grande vitória nos EUA, com o reconhecimento, pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), de que o etanol produzido a partir da cana é um biocombustível avançado, que reduz em ao menos 40% a emissão de dióxido de carbono em relação à gasolina. A decisão da EPA abre as portas para o mercado americano - desde que o lobby dos produtores do etanol de milho não consiga manter ou elevar as barreiras hoje vigentes.
Subsídios.
A atual legislação prevê dois tipos de benefícios aos produtores americanos. Um deles é o subsídio: para cada galão de gasolina com etanol, os produtores americanos de etanol ganham um crédito de US$ 0,45 para ser abatido em impostos. Outro benefício é a tarifa de importação, que impõe taxa de US$ 0,54 por galão sobre o etanol brasileiro. Essa lei vigora até o fim do ano.
A ação bipartidária anunciada na semana passada pelos deputados democrata Earl Pomeroy e republicano John Shimikus visa a defender essa proteção aos produtores de milho americanos. Um projeto de lei similar e coordenado com a da Câmara deve ser apresentado no Senado nas próximas semanas.
Segundo os dois parlamentares, caso a atual legislação expire, 112 mil empregos podem ser perdidos e a produção de etanol será reduzida em 38%. "Em um momento em que a economia americana enfrenta problemas, não podemos permitir que esses incentivos fiscais expirem, minando o crescimento que temos visto na nossa indústria de etanol", disse Pomeroy. "A prorrogação dos créditos fiscais ajuda a indústria a contribuir com a segurança da nossa nação", acrescentou Shimkus.
A proposta foi imediatamente contestada por produtores do Brasil e pela indústria alimentícia dos EUA, que acaba pagando mais pelo milho que não é destinado ao etanol.
Reação.
Joel Velasco, representante da Unica em Washington, divulgou comunicado afirmando que "os americanos não se beneficiarão dessa alternativa mais limpa e econômica se o Congresso continuar erguendo barreiras comerciais contra o etanol importado". "É irônico que o Congresso permita que o petróleo de nações hostis aos EUA entrem no país sem pagar tarifa, enquanto punem a energia limpa do Brasil, um antigo aliado democrático."
A American Meat Institute, que representa os produtores americanos de carne, também se manifestou. "Infelizmente, essa lei continua a apoiar e a proteger de forma desonesta o etanol do milho nos últimos 30 anos à custa do contribuinte americano e do gado e das aves que dependem do milho para alimentação", disse, em comunicado, o presidente da associação, Patrick Boyle. "Chegou a hora de a indústria do etanol parar de usar o dinheiro dos impostos americanos e a passar a competir por conta própria no livre mercado."
A Unica tem agido no Congresso americano para defender a posição dos produtores brasileiros. O argumento principal é o de que os incentivos fiscais custam US$ 6 bilhões aos cofres americanos por ano.
A tarefa será difícil, já que este é um ano eleitoral e produtores de milho influenciam os votos para deputados em muitos Estados. O presidente Barack Obama também sabe que sua virada na disputa presidencial ocorreu graças à sua vitória nas primárias em Iowa, um dos principais Estados produtores de milho.
Os produtores de milho usam até o relatório da EPA para seu lobby. Como a EPA avaliou que o etanol de cana é menos poluente que o de milho, os produtores americanos dizem que esse é mais um motivo para o governo os defender.
Fonte: Gustavo Chacra - O Estado de S.Paulo, correspondente em Nova York
Crise mundial e preços baixos reduziram investimentos no setor de cana 06.04.10
A falta de investimentos nos últimos anos na renovação dos canaviais pode afetar a próxima safra do setor. Segundo o diretor técnico da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, com a crise internacional e a baixa nos preços do álcool, a indústria deixou de investir na recuperação das lavouras.
De acordo com os dados divulgados pela Unica, os investimentos nos canaviais em 2009 foram 23% inferiores aos de 2008. Rodrigues destaca que o envelhecimento da plantação torna mais imprevisível a produção. “Ninguém tem condições de fazer planejamento de safra em um canavial desequilibrado”, ressaltou.
Rodrigues acredita que as empresas do setor terão que investir em seus canaviais na próxima entressafra, o que reduzirá a área disponível para a colheita. “Você termina essa safra com um canavial totalmente desequilibrado e as empresas querem normalizar o seu canavial. Aumentando a área de reforma ano que vem, você vai ter menos disponibilidade de área para colheita”, explicou.
As novas áreas de plantação de cana-de-açúcar conseguirão, segundo Rodrigues, compensar dificilmente as áreas que precisam ser reformadas. “Evidente que continuará havendo expansões, mas o cenário provável é que não compense a redução da área a ser colhida na próxima safra”, destacou.
A safra deste ano, 2010/11, deve superar em 10% a anterior, totalizando 595 milhões de toneladas de cana moída, segundo estimativa da Unica. A produção de etanol deve chegar aos 27,3 bilhões de litros, 15% do que da última safra. No açúcar, a produção deve aumentar 19,1% e chegar a 34 milhões de toneladas.
Segundo a Unica, os resultados deverão mostrar a normalização da safra, após um ano atípico. O excesso de chuvas em 2009 prejudicou, de acordo com a entidade, a safra passada e foi responsável pela grande alta nos preços verificada a partir do final do ano. Além disso, os produtores haviam vendido parte do produto abaixo do preço de custo no início do ano para compensar uma falta de liquidez.
O presidente da Unica, Marcos Jank, ressaltou que, no entanto, as condições excepcionais verificadas no ano passado tem poucas chances de repetir. Ele acrescentou que a indústria trabalha em conjunto com o governo federal para fortalecer um programa de estocagem de etanol para dar mais estabilidade aos preços do produto.
Fonte: Daniel Mello, repórter da Agência Brasil, edição: Enio Vieira
Produção da cana deve crescer em Mato Grosso 06.04.10
Mato Grosso irá cultivar 215 mil hectares de cana-de-açúcar na safra 2010/2011. Deste total 93,4%, equivalente a 200,9 mil (ha), enviarão a cana à indústria sucroalcooleira para ser transformada em açúcar e etanol. O restante (14,095 mil/ha) será destinado à produção de mudas, cachaça e outros derivados do produto. Os números são preliminares e foram apurados pelo Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool-MT), com base na intenção de produção de 10 usinas em operação no Estado. O corte da cana é realizado entre abril e novembro.
De acordo com a entidade serão processadas 14,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar nesta safra, leve alta de 0,39% sobre o volume moído no ano passado, que contabilizou 14,045 milhões (t). A quantidade ainda é 7,7% menor se comparado ao volume processado pelas unidades estaduais na safra 08/09, quando foram moídas 15,283 milhões (t), o número mais elevado das 5 últimas temporadas. Na avaliação do diretor-executivo do sindicato, Jorge dos Santos, a preocupação do setor não está concentrada na safra 10/11 e sim na 11/12.
Segundo ele, os industriais estão sem capital e a baixa remuneração com a venda do produto limita qualquer intenção de investimentos nos canaviais. O corte de uma mesma plantação de cana pode ser feito em até 5 anos subsequentes ao plantio e em muitas plantações esse prazo se finda este ano. "Se não houver novo plantio, adubação e tratamento dos canaviais não teremos produção suficiente a partir do ano que vem para atender o mercado", destaca Santos ao explicar que nem mesmo a recuperação no preço do etanol nos últimos meses foi suficiente para que a rentabilidade do setor aumentasse.
De acordo com os dados do Sindalcool, a produção total de etanol na safra 10/11 é de 818,958 milhões de litros, 0,84% a menos que o registrado na temporada anterior, que atingiu 825,914 milhões/l. A redução é puxada pela produção de anidro, que deve totalizar 254,2 milhões/l, ante os 271,9 milhões/t do ano passado, recuo de 6,5%. Já o hidratado aumentou, passando de 554 milhões/l para 564,7 milhões/l alta de 1,9%.
Fonte: A Gazeta
Novo ministro da Agricultura defende aumento da produção com preservação ambiental 06.04.10
O novo ministro da Agricultura, Wagner Rossi, disse em sua posse que a compatibilização entre o aumento da produção agrícola e a necessidade de preservação ambiental seguirá sendo o grande desafio de seu ministério. Durante a cerimônia de transmissão de cargo, ele criticou quem elabora as políticas ambientais sem conhecer a realidade do campo.
“Quem melhor sabe como preservar é o produtor rural, porque faz isso com a vegetação, com os mananciais. Não são aqueles que, a distância, ainda que com boas intenções, pensam o mundo a partir de suas cabeças. Temos que fazer isso com respeito”, afirmou.
Rossi disse que dará continuidade às ações encampadas pelo ministro Reinhold Stephanes e destacou a luta de seu antecessor por aquela que foi considerada a maior preocupação do setor: os fertilizantes, cujo projeto para regular a exploração foi entregue dia 30 de março ao presidente Luiz Inácio da Silva.
“Apesar de ser uma das mais produtivas, há um pé que não está funcionando na agricultura brasileira. Temos alta dependência da importação de fertilizantes. Precisamos do apoio da Petrobras e de empresas privadas, como a Vale, para alcançar a autossuficiência. O ministro Stephanes se dedicou muito a isso e vamos dar continuidade”, disse.
Quanto ao apoio à comercialização de grãos, o novo ministro disse ter uma boa experiência no assunto, conquistada ao longo dos pouco mais de dois anos em que foi presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Segundo ele, é unanimidade entre os técnicos do Ministério da Agricultura que alguns detalhes propostos pelo Ministério da Fazenda nas portarias interministeriais “engessa” todo o mecanismo de apoio aos produtores.
O substituto de Rossi na presidência da Conab ainda não foi escolhido. Segundo o recém empossado ministro da Agricultura, o presidente da Repeublica encarregou a ele e ao ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, a tarefa. “Teremos, se possível, uma solução interna.”
Fonte: Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil. Edição: João Carlos Rodrigues
Agricultura deve aderir à proposta do Desenvolvimento Agrário no novo Código Florestal 06.04.10
O Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse - um dia antes de deixar o cargo - que a sua pasta vai aderir a proposta do Ministério do Desenvolvimento Agrário sobre as mudanças no Código Florestal Brasileiro. Para Stephanes, a proposta é a mais conciliadora entre o que pretendem os ministérios do Meio Ambiente, Agricultura e o Desenvolvimento Agrário.
“A proposta é de que em riachos de até 6 metros de largura, a margem tenha 10 metros de florestamento. De 6 a 8 metros, a margem seria de 15 metros e, num rio acima de 8 metros, teríamos 30 metros de margem”.
Segundo Stephanes, se a legislação atual for aplicada que exige 30 metros de mata ciliar independentemente da largura do riacho, poderia ocorrer uma “reforma agrária ao inverso”, porque inviabilizaria as pequenas propriedades às margens de rios, forçando sua venda para produtores rurais maiores. Stephanes disse que em um encontro curto que manteve hoje com o presidente Luiz Inácio da Silva, ele disse que trataria do assunto com a Casa Civil, que concentra as informações e propostas sobre o único ponto em que ainda há divergência entre agricultura e meio ambiente que é o da metragem de mata ciliar nas margens de rios. Nos outros quatro itens, haveria concordância entre os ministérios.
O tema deveria ter sido tratado ontem pelo Presidente e Stephanes, mas a reunião foi cancelada.
O ministro disse que as mudanças no Código Florestal, que provavelmente virão por meio de medida provisória, precisam ser feitas logo, sob o risco de ocorrerem iniciativas estaduais, como aconteceu em Santa Catarina, que estabeleceu uma legislação ambiental própria. “O Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul já estão com códigos próprios para serem aprovados”.
Fonte: Danilo Macedo, repórter da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo
Agricultura familiar sustenta 30 milhões de pessoas 06.04.10
A agricultura familiar é responsável pelo sustento dos 30 milhões de brasileiros que vivem em ocupações rurais. No entanto, há, entre eles, um baixo nível de educação e a remuneração média é menor do que o salário mínimo. Boa parte (75%) do contingente de trabalhadores não remunerados é composta por mulheres.
A constatação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que tem por base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada no dia 1º pp., no capítulo sobre o setor rural. A publicação é uma descrição da situação rural do país, que deverá ser utilizada para a formatação de políticas públicas no Brasil.
De acordo com a pesquisa, 43% da população rural não é remunerada. “A população rural é estimada em 30 milhões de habitantes. Isso corresponde a pouco mais de 16% da população brasileira. É maior do que a população de muitos países do mundo, mas que, por uma falha histórica do Estado, acaba ficando sem qualquer tipo de vínculo trabalhista, direitos e garantias sociais ou qualquer acesso a bens e serviços”, explica a coordenadora de área de Desenvolvimento Rural do Ipea, Brancolina Ferreira.
A baixa qualidade da educação prejudica sensivelmente a qualidade de vida da população rural e o desempenho da agricultura familiar como um todo, “tanto em termos de produção, acesso e uso de novas tecnologias, como por não dar a eles conhecimentos sobre como reivindicar o que precisam”, avalia a pesquisadora.
As mulheres, segundo a pesquisadora, constituem um grande contingente (75%) dos trabalhadores não remunerados que fazem parte da população economicamente ativa. “São mais de 4 milhões de mulheres e pouco mais de 2 milhões de homens nessa situação”, informou Brancolina.
Segundo ela, a alta concentração de terras no Brasil é um dos causadores dos problemas vividos pela população rural. “Os dados deixam claro que a terra continua concentrada nas mãos de poucos, e que as formas de acesso a ela são ainda provisórias e precárias”, disse a pesquisadora.
Fonte: Pedro Peduzzi, repórter da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo
No MS, em três anos 270 mil hectares do Pantanal viram carvão 06.04.10
Área equivale a duas vezes o território da cidade de SP Estimativa foi feita pelo Ibama; para ambientalista, produção de carvão vegetal na região serve para bancar a abertura de mais pastos A produção de carvão vegetal para a indústria siderúrgica fez desaparecer nos últimos três anos cerca de 270 mil hectares de matas nativas do Pantanal de Mato Grosso do Sul, o que equivale a duas vezes o território da cidade de São Paulo.A estimativa foi feita pelo Ibama no Estado e levou em conta a demanda utilizada pelas indústrias no período e as informações sobre movimentação de cargas contidas nas guias do DOF (Documento de Origem Florestal)."O avanço das carvoarias sobre as matas nativas, legalmente ou não, é uma séria ameaça à sobrevivência do Pantanal", afirma o superintendente do Ibama-MS, David Lourenço.Entre 2007 e 2009, segundo o Ibama, Mato Grosso do Sul movimentou 8,6 milhões de metros cúbicos de carvão vegetal -a conta inclui o carvão importado do Paraguai. O auge foi o ano de 2007, com 4,5 milhões de metros cúbicos.Em 2009, diz o Ibama, houve queda significativa na produção: 1,2 milhão de metros cúbicos. O órgão atribui o resultado à crise internacional e ao aumento na fiscalização.No período, diz Lourenço, a produção derivada de florestas plantadas representou "praticamente nada" em relação à demanda da indústria. "Do produzido, 99% se dá por meio de lenha de floresta nativa. Não temos dúvida em relação a isso."Cada 80 metros cúbicos de lenha nativa rende, em média, 40 metros de carvão. A maior parte dessa madeira é retirada da região do planalto pantaneiro, afirma o superintendente."Antes a produção se concentrava no oeste do Estado. Mas o enfraquecimento gradativo do cerrado por lá levou a uma migração para o planalto pantaneiro, onde temos 47% de matas nativas preservadas."Para Luiz Benatti, chefe de proteção ambiental do Ibama no Estado, as indústrias carvoeira e siderúrgica são hoje duas das principais "indutoras do desmatamento" do cerrado."A carvoarias atuam diretamente. E as siderúrgicas só querem saber de colocar mais carvão para dentro da indústria, sem se importar com a origem e as condições em que foi produzido", afirma.O ambientalista Alcides Faria, diretor-executivo da ONG sul-mato-grossense Ecoa (Ecologia e Ação), diz que até mesmo as áreas da planície pantaneira já são alvo das carvoarias."Entre os impactos possíveis estão a erosão e o assoreamento dos rios", diz Faria. Para fazer pasto
De acordo com ele, a transformação de matas nativas em carvão é hoje uma opção rentável para a ampliação de áreas para a pecuária. "Muitos fazendeiros usam as natas nativas de suas propriedades para financiar, por meio da produção de carvão, a abertura de novas pastagens", afirma.O processo segue o mesmo rumo, diz o ambientalista, nas regiões pantaneiras da Bolívia e do Paraguai, que hoje também são grandes produtoras de carvão de origem nativa. "Há uma nítida expansão dessas atividades por todo o bioma." "Exagero"O presidente do sindicato do setor metalúrgico no Estado, Irineu Milanesi, diz que considera "exagerada" a estimativa feita pelo Ibama. De acordo com ele, as florestas plantadas "já são uma realidade". "Não conseguiríamos sustentar a indústria só com carvão de origem nativa. Isso é um exagero do Ibama", diz Milanesi.Para Marcos Brito, do sindicato que representa a indústria carvoeira, a ideia de que matas nativas são derrubadas para a produção de carvão é um "equívoco". "O que existe é o aproveitamento do material resultante de áreas desmatadas legalmente para a agropecuária."Segundo ele, o setor é o que mais gera empregos no Estado e será autossustentável em "sete a oito anos". "Já temos 307 mil hectares plantados e devemos chegar a 500 mil hectares. Este processo já está bastante adiantado", afirma Brito.
Fonte: Rodrigo Vargas, da Agência Folha, em Cuiabá
Aftosa expõe conflito de interesses entre produtores de carne e a indústria de vacina 23.03.10
Indústria fatura cerca de R$ 440 milhões neste ano (que representa um custo ao produtor)
Enquanto alguns Estados do país, sobretudo o Paraná, aceleram os trabalhos para suspender a imunização de seus rebanhos contra febre aftosa e se tornar “áreas livres da doença sem vacinação”, os laboratórios fabricantes de vacinas reforçam o lobby na tentativa de mostrar a importância do medicamento para evitar o surgimento de novos casos da doença.
Oficialmente, as indústrias afirmam que a decisão de suspender a vacinação em alguns Estados é um processo natural do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa. Nos bastidores do segmento, no entanto, questiona-se o risco que essa medida pode ter para o país e também para as próprias empresas do segmento.
Em jogo está um mercado que deve movimentar este ano cerca de R$ 440 milhões. O valor referente à venda de vacinas corresponde a aproximadamente 15% de todo o faturamento da indústria veterinária no Brasil. Só a saída do Paraná desse mercado representaria uma queda de R$ 20 milhões na arrecadação.
"A decisão de suspender a vacinação e a criação de novas áreas livres como Santa Catarina envolvem os governos federal e estaduais e a OIE [Organização Mundial de Saúde Animal]. Obter um novo status é a tendência do processo. É possível de se conseguir, mas requer uma vigilância sanitária muito mais rigorosa", diz Emílio Salani, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan).
O Paraná já pediu o novo status de livre de febre aftosa sem vacinação ao Ministério da Agricultura e deverá ser seguido por São Paulo e Minas Gerais, que também se esforçam para erradicar a doença.
Rondônia, com rebanho superior a 11 milhões de cabeças, é outro Estado que planeja pedir em 2011 o status de área livre de aftosa sem vacinação, colocando em xeque outros R$ 25 milhões. "Rondônia está muito avançado nesse processo e deve ser o próximo Estado a fazer o pedido ao ministério. Eles [Rondônia] têm hoje a melhor defesa sanitária do país", diz Sebastião Costa Guedes, presidente do Conselho Nacional de Pecuária de Corte do Brasil (CNPC) e do Grupo Interamericano para Erradicação da Febre Aftosa (Giefa). Há no Brasil três laboratórios habilitados para produzir vacinas contra aftosa - Merial, Vallée e Intervet/Schering-Plough -, que têm, juntos, capacidade instalada para produzir 400 milhões de doses. Em fevereiro, a Bayer suspendeu as atividades de sua unidade de Porto Alegre, que tinha uma capacidade para outras 100 milhões de doses. Além dos já existentes, outros três laboratórios devem começar a produzir vacinas contra aftosa em escala comercial ainda este ano. Biovet, Ourofino e Inova Saúde Animal devem agregar uma capacidade de 200 milhões de doses de vacina por ano e elevar para 600 milhões o potencial de produção nacional. Essa capacidade supera em 60% a demanda estimada pelo Ministério da Agricultura para 2010, que é de 365 milhões. Não entra nessa conta o argentino Biogénesis-Bagó, que obteve do ministério brasileiro a autorização para vender no Brasil a vacina contra aftosa produzida na Argentina. "Os Estados passam, de fato, por um momento de calmaria em relação à febre aftosa. O que não sabemos é se isso ocorre porque os rebanhos estão protegidos ou se porque não existe atividade viral nessas regiões", disse ao Valor o uruguaio Hugo Zanocchi, presidente do Inova Saúde Animal, controlado pela Eurofarma e a Hertape Calier e que investiu R$ 80 milhões em uma fábrica de vacinas contra a doença. O executivo do Inova afirma que em meados da década de 90, o Uruguai decidiu por "motivos políticos" suspender a vacinação contra aftosa e se tornar uma região livre da doença sem vacinação. O objetivo foi alcançado e durante cinco anos o Uruguai gozou dos benefícios de seu novo status. "Quando o rebanho começou a ter sua renovação natural, os animais que nasceram estavam sem qualquer tipo de imunidade. O resultado foi em que poucos dias, 17 mil casos de febre aftosa foram identificados em todo o Uruguai em 2001, quando o país teve seu último surto", conta Zanocchi. "Um rebanho sem imunidade é um rebanho em risco. A pergunta que deve ser feita é: vale a pena correr esse risco?", questiona. No mesmo caminho do Inova, a Ourofino investiu R$ 30 milhões na planta de Cravinhos (SP) e aguarda apenas a licença de comercialização do produto. Em nota, o diretor de biológicos da empresa, Fausto Terra, afirma acreditar que "vacinar o gado contra a febre aftosa é uma garantia para o pecuarista não correr o risco de grandes perdas econômicas. Assim como ainda vacinamos as nossas crianças contra a poliomielite, apesar da erradicação da doença, é importante evitar um possível prejuízo com o gado doente". Na lista dos riscos pode ser incluída a extensa fronteira do país com seus vizinhos sul-americanos. Saindo do Acre, passando por Rondônia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul até chegar ao Paraná, são quatro países - Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina - que fazem fronteira com o Brasil, o que dificulta a fiscalização do trânsito de animais.
Foi, aliás, a falha na vigilância que fez o vírus da febre aftosa surgir pela última vez no Brasil, em outubro de 2005. A suspeita é que um animal contaminado tenha atravessado a fronteira entre Paraguai e Mato Grosso do Sul e posteriormente entrado no Paraná. Esse último caso provocou perdas estimadas em mais de US$ 15 milhões, só com o sacrifício de animais.
A situação uruguaia daquela época, mencionada por Zanocchi, é parecida com a atual no Brasil. Às vésperas de uma eleição que envolve além da presidência da República, o Brasil substitui este ano governadores, senadores e deputados. Vale lembrar que tanto o secretário de Defesa Agropecuária - Inácio Kroetz -, quanto o próprio ministro da Agricultura - Reinhold Stephanes -, são do Estado que pleiteia o status de livre de aftosa sem vacinação, o Paraná.
Fonte: Valor Econômico, com o Observatório
Produtores rurais definem proposta nacional do setor aos candidatos a Presidente 23.03.10
Produtores rurais das cinco regiões do país se reúnem nesta quarta e quinta-feira (24 e 25/03), em São Paulo, para consolidar propostas que visam eliminar os gargalos do segmento rural. As propostas foram retiradas de seminários regionais, que ocorreram no início do mês, e serão debatidas no Seminário Nacional, “O que esperamos do próximo presidente”.
O documento final será entregue aos candidatos a presidente da República e presidentes de partidos políticos. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, estará no evento representando os ruralistas mato-grossenses.
Os seminários regionais discutiram todas as áreas de interesse dos produtores, como política agrícola, meio ambiente, insegurança jurídica, alimento saudável, processo tecnológico, logística, qualificação profissional, responsabilidade social, pobreza rural e trabalho decente.
Entre as questões consideradas mais urgentes pelos produtores da região Centro-Oeste, conforme o presidente da Famato estão a dificuldade de escoamento da produção e o financiamento agrícola. “O produtor rural tem modernizado o sistema produtivo e garantido excelentes resultados em termos de quantidade e qualidade da produção, no entanto, continua sem rentabilidade e é isso que precisa ser equacionado”.
O encontro será no World Trade Center Hotel, na Avenida das Nações Unidas, 12.551, Brooklin Novo, São Paulo (SP), e contará com a presença da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Fonte: Diário de Cuiabá
Justiça derruba liminar que liberava caminhões apreendidos pelo Ibama 23.03.10
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) derrubou uma liminar que liberava caminhões apreendidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) durante fiscalização de transporte ilegal de madeira no Pará.
Uma decisão de primeira instância havia garantido ao proprietário uma liminar para reaver os veículos retidos. O Ibama entrou com recurso e argumentou que o uso indevido dos caminhões – para transporte de madeira de desmatamento ilegal – justificou a apreensão.
O argumento, apresentado pela Procuradoria Federal Especializada (PFE) junto ao Ibama e pela Procuradoria-Regional Federal da 1ª Região (PRF1), ligadas à Advocacia-Geral da União (AGU), foi acolhido pelo TRF, que suspendeu a liminar.
"As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente submetem os infratores, aí incluídos aqueles que concorrem para sua efetivação, às sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados", de acordo com a sentença.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil
MPF denuncia empresas por produção e compra ilegal de carvão no Pantanal 23.03.10
O Ministério Público Federal (MPF) em Mato Grosso do Sul denunciou a siderúrgica MMX, do empresário Eike Batista, e mais duas empresas que atuam no Estado por produção e comercialização irregulares de carvão.
A MMX é acusada de comprar carvão vegetal produzido com desmatamento de árvores nativas. O carvão, adquirido de fornecedor não licenciado, vinha do município de Bonito, na entrada do Pantanal, onde a exploração de madeira para esse fim é proibida.
De acordo com o MPF, a empresa também foi flagrada recebendo 25 documentos de origem florestal (DOF) falsos de uma empresa envolvida em um esquema de fraudes do sistema eletrônico de controle de produtos florestais.
As empresas Black Comércio de Carvão Vegetal e HF Agropecuária também foram denunciadas pela extração de madeira nativa para produção de carvão. Segundo a investigação, as duas empresas retiraram madeira de uma área equivalente a mais de mil campos de futebol do interior da Terra Indígena Kadiwéu, na região de Corumbá, também no Pantanal sul matogrossense.
Na denúncia contra a MMX, o MPF pede que a empresa responda por crime ambiental por deixar de cumprir obrigação de relevante interesse ambiental, por operar em desacordo com licença ambiental concedida e por desobedecer um auto de infração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A Black Comércio de Carvão Vegetal e a HF Agropecuária Ltda deverão responder criminalmente pelo corte e transformação de madeira de lei em carvão. Além de multa, a lei prevê reclusão de um a dois anos.
Fonte: Luana Lourenço, repórter da Agência Brasil
Produtores rurais participam de evento para divulgar experiências inovadoras no campo 23.03.10
Começou no final da tarde desta segunda-feira (22), no Centro de Convenções em Brasília, a segunda edição do Salão Nacional dos Territórios Rurais, promovido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para o encontro e a troca de experiências de pequenos produtores rurais.
Cerca de 2 mil pessoas participarão do evento que vai até a próxima quinta-feira (25) e terá exposição de 143 projetos e experiências inovadoras nas áreas de agricultura, economia solidária, culinária, saúde e educação, desenvolvida em 120 territórios rurais.
Durante o evento, haverá debates entre especialistas como o economista Ignacy Sachs, professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, na França, que participou de painel hoje (23), às 9h, sobre Desenvolvimento, Território e Democracia.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Territorial, Humberto Oliveira, o salão divulga as atividades dos produtores rurais e aumenta a visibilidade sobre a vida no campo, onde residem cerca de 50 milhões de brasileiros (mais de um quarto da população).
Segundo o secretário, o salão é resultado de uma política governamental de “tratar o meio rural como lugar de cidadania". "Queremos um Brasil rural com gente feliz, com gente que tenha capacidade de produzir, tenha ali o seu emprego, vivam com a sua família e passeiem nas grandes cidades quando necessário, mas que tenham ali direito à escola, à saúde, ao lazer e a equipamentos públicos de qualidade”.
Segundo Oliveira, outros países como a Inglaterra, a França e a Espanha têm dado atenção especial ao campo e, nos últimos cinco anos, mudaram a legislação para melhorar a assistência ao meio rural.
Além dos pequenos produtores rurais, participam do evento gestores públicos, parlamentares, lideranças de movimentos sociais, representantes de organismos internacionais e pesquisadores. Os pequenos produtores rurais são responsáveis por 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros.
Lançado em fevereiro de 2008, o Programa, realizado em parceria com estados, municípios e a sociedade civil, abrange 120 Territórios da Cidadania em todo o Brasil. Até novembro de 2009, foram destinados R$ 31,1 bilhões para ações de apoio a atividades produtivas, infraestrutura, cidadania e desenvolvimento social. Para 2010, o presidente da República vai anunciar a disponibilização de mais R$ 27 bilhões para obras e serviços -quase dobrando em um ano o investimento anterior em dois anos - que asseguram acesso à cidadania e promoção do desenvolvimento econômico em regiões que mais necessitam, especialmente no meio rural. Fonte: Gilberto Costa, repórter da Agência Brasil
Stephanes: exploração mineral para fertilizantes pode ser feita de maneira sustentável 23.03.10
A futura exploração de matérias-primas para fertilizantes não acarretará em prejuízos ambientais, na opinião do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes. Ele participou, nesta terça-feira (23), de audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, onde debateu a autossuficiência brasileira em potássio, fósforo e nitrogenados, minerais que servem de base para a produção do insumo. “A discussão de questões ambientais na exploração mineral vai surgir de maneira muito forte, mas temos tecnologia para explorar e recompor a floresta da maneira que quiserem”, enfatizou.
O ministro Stephanes assegurou aos senadores que “é possível realizar exploração mineral para fertilizantes sem desrespeitar a legislação ambiental brasileira, uma das mais restritivas do mundo”. Hoje, apenas um artigo de lei sobre reciprocidade poderia resolver e esclarecer essa questão: “vamos exigir reciprocidade dos países de onde importamos determinados produtos para ver se estão obedecendo as mesmas leis ambientais que somos obrigados seguir”, frisou.
Como exemplo, Stephanes citou a imposição ambiental com obstáculos ao plantio do dendê no País mesmo em áreas degradadas. “Importamos dendê da Malásia, aceitando a derrubada de florestas. Por que não exigir reciprocidade? Isso resolveria o nosso problema no Brasil imediatamente”, concluiu.
Fonte:Eline Santos, Assessoria de Comunicação do Mapa
Brasil agora é o terceiro maior exportador agrícola mundial 08.03.10
País já havia deixado Austrália e China para trás, e agora só tem pela frente os Estados Unidos e a União Europeia
O Brasil ultrapassou o Canadá e se tornou o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo. Na última década, o País já havia deixado para trás Austrália e China. Hoje, apenas Estados Unidos e União Europeia vendem mais alimentos no planeta que os agricultores e pecuaristas brasileiros. Dados da Organização Mundial de Comércio (OMC), divulgados este ano, apontam que o Brasil exportou US$ 61,4 bilhões em produtos agropecuários em 2008, comparado com US$ 54 bilhões do Canadá. Em 2007, os canadenses mantinham estreita vantagem, com vendas de US$ 48,7 bilhões, ante US$ 48,3 bilhões do Brasil. O ritmo de crescimento da produção brasileira de alimentos já deixava claro que a virada estava prestes a ocorrer. Entre 2000 e 2008, as exportações agrícolas do Brasil cresceram 18,6%, em média, por ano, acima dos 6,3% do Canadá, 6% da Austrália, 8,4% dos Estados Unidos e 11,4% da União Europeia. Em 2000, o País ocupava o sexto lugar no ranking dos exportadores agrícolas. Uma série de fatores garantiu o avanço da agricultura brasileira nos últimos anos: recursos naturais (solo, água e luz) abundantes, diversidade de produtos, um câmbio relativamente favorável até 2006 (depois a valorização do real prejudicou a rentabilidade), o aumento da demanda dos países asiáticos e o crescimento da produtividade das lavouras. "Houve uma mudança nas vantagens comparativas em favor do Brasil, que teve um custo de produção baixo para vários produtos nesse período graças aos seus recursos naturais e ao câmbio", disse o analista sênior da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Garry Smith. ... Apesar disso, 80% da produção de grãos ainda estão em áreas temperadas. Canadá, EUA e UE detêm a tecnologia, mas não conseguem ampliar sua agricultura, porque quase não têm áreas novas disponíveis e enfrentam muita dificuldade para convencer as pessoas a permanecer no campo. Graças às pesquisas da Embrapa, o aumento da produtividade teve um papel fundamental no crescimento da produção agrícola brasileira. Entre 1990 e 2009, a área plantada de grãos no País subiu 1,7% ao ano, mas a produção cresceu 4,7%. "Tivemos uma forte expansão da produtividade e um aumento da área plantada entre 2000 e 2005", disse o diretor do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), André Nassar. Segundo o sócio-diretor da Agroconsult, André Pessoa, a expansão da safra de soja e o aumento da produção de carnes foram os principais responsáveis pelo avanço recente do Brasil na exportação agrícola. No complexo soja (grão, farelo e óleo), as exportações mais do que quadruplicaram, saindo de US$ 4,2 bilhões em 2000 para US$ 17,2 bilhões em 2009. As vendas de carne bovina subiram de US$ 813 milhões para US$ 4,2 bilhões no período, e as de carne de frango, de US$ 735 milhões para US$ 5,8 bilhões. ...
Nos produtos tradicionais, como café, suco de laranja e açúcar, o País manteve a liderança. A participação brasileira no mercado de café oscilou entre 29% e 33% nos últimos 10 anos, apesar do avanço do Vietnã. "O Brasil é líder na exportação mundial de café desde 1860", diz o diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), Guilherme Braga. No suco de laranja, o País é responsável por 80% das exportações mundiais, a maior fatia de um produto agrícola brasileiro. Dificilmente ganhará mais espaço, mas a concorrência também não está crescendo. É um setor muito consolidado, com apenas quatro empresas. "O suco é um exemplo do que vai ocorrer com a agricultura em outras áreas." O Brasil já ocupa o primeiro lugar no ranking de exportação em vários produtos agrícolas: açúcar, carne bovina, carne de frango, café, suco de laranja, tabaco e álcool. Também é vice-líder em soja e milho e está na quarta posição na carne suína. O País, no entanto, ainda está distante de ser o maior exportador de alimentos do mundo. Os EUA e a UE exportaram mais que o dobro do Brasil. Em 2008, os americanos venderam quase US$ 140 bilhões em produtos agrícolas, e os europeus embarcaram US$ 128 bilhões. "Para superar esses países, temos de fazer um gigantesca lição de casa", disse o ex-ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. "O Brasil precisa de uma estratégia agrícola que englobe várias áreas do governo." Os especialistas não arriscam prever quando ou se o Brasil vai alcançar a liderança, mas dizem que o potencial ainda é significativo, principalmente para carnes, milho e álcool. O País ainda não vende carne a alguns países por restrições sanitárias. No etanol, a exportação deve aumentar muito quando o mercado se consolidar.
Fonte: Raquel Landim, jornal Estado de São Paulo
Para ler o artigo completo, vá a http://economia.estadao.com.br/noticias/not_7883.htm
58 usinas mudam de mãos no Brasil nos últimos três anos 08.03.10
Consolidação do setor já envolveu mais de 100 das cerca de 400 usinas de açúcar, álcool e bioeletricidade brasileiras nos últimos três anos
O Grupo Cerradinho, dono de duas usinas de açúcar e álcool em São Paulo e uma em Goiás, procura um sócio. Precisa de um parceiro disposto a injetar dinheiro na empresa para diminuir sua dívida. Para se tornar um dos grandes do setor, o grupo se endividou justamente em um momento de preços baixos, entre 2007 e 2009, agravado pela crise de crédito que varreu o mundo. Foi preciso recorrer ao Santander, ao Citi e a outros nove bancos para renegociar um passivo de curto prazo de R$ 450 milhões, de um total de R$ 1,1 bilhão. Como contrapartida, as duas instituições financeiras que lideraram a reestruturação ficaram com a tarefa de vender parte do grupo a um sócio estratégico. Com isso, a empresa, fundada nos anos 70 pelo empresário José Fernandes, em Catanduva (SP), tornou-se um dos alvos mais recentes da onda de fusões e aquisições do setor. Nos últimos três anos, houve uma média de 1,52 operação desse tipo por mês no País. Foram 58 operações envolvendo mais de 100 das cerca de 400 usinas de açúcar, álcool e bioeletricidade brasileiras. Famílias como Biagi, Junqueira e Rezende Barbosa, até então sinônimos de usineiros, fizeram apostas erradas na crise, enfrentaram dificuldades e viraram acionistas minoritários de grandes companhias. Mas a intenção dos Fernandes, do Grupo Cerradinho, é trilhar um caminho diferente do dos outros clãs. "Sempre fomos uma empresa familiar que cresceu com alavancagem. Agora, buscamos um parceiro minoritário para participar do processo de consolidação e crescimento do grupo", disse Luciano Sanches Fernandes, presidente da companhia. Depois da reestruturação financeira e da negociação de parte da companhia, vender ações na Bolsa deverá ser o próximo passo do grupo. O caso dos Fernandes é um exemplo da mudança no movimento de consolidação do setor. Na primeira onda, valeu a lógica da aquisição oportunista: usinas vendidas a preços baixos porque estavam com a corda no pescoço, atoladas em problemas financeiros, amplificados pela crise de liquidez. Agora, a consolidação passa a ser amparada não mais nas oportunidades criadas pela crise, mas nas parcerias estratégicas.
Fonte: Eduardo Magossi e Gustavo Porto, da Agência Estado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100307/not_imp520624,0.php
Frango: exportação eleva preço interno 08.03.10
As cotações do animal vivo no mercado brasileiro foram impulsionadas para cima pelo bom desempenho das exportações de carne de frango em fevereiro.
De acordo com pesquisas do Cepea, os preços domésticos também tiveram o auxílio da oferta equilibrada e bem programada no período. Assim, os valores médios pagos pelo quilo do animal no mercado independente, em fevereiro, foram superiores aos de janeiro em todas as praças consultadas pelo Cepea. Na capital de São Paulo, o frango vivo teve média de R$ 1,60/kg em fevereiro, valor 1,2% maior que o de janeiro
Fonte: Cepea/Esalq
Safra 2010/2011 contará com crédito para integração lavoura-pecuária 08.03.10
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou que o próximo Plano Agrícola e Pecuário, conhecido como Plano Safra 2010/2011, terá linhas de crédito específicas para a integração lavoura-pecuária e para recuperação de áreas degradadas. "Serão linhas de crédito específicas e reforçadas. Além disso, terão taxas de juros diferenciadas", disse o ministro.
Stephanes explicou que, por razões econômicas, alguns produtores já vêm desenvolvendo a alternância da pecuária com a lavoura e com a silvicultura, mas o governo quer ampliar o volume de produtores que desenvolvem essa metodologia, que permite a máxima utilização do espaço existente para os vários tipos de atividade. "Isso já vem sendo adotado aqui e ali por alguns produtores", disse o ministro. Em relação ao crédito para recuperação de áreas degradadas, Stephanes salientou que, apesar de já haver uma linha disponível para este fim aos produtores, ela vem sendo pouco acessada. "Hoje a demanda é pequena, mas não sabemos se é por causa dos juros ou por dificuldades de acesso. Estamos estudando a situação para apresentar a linha de crédito no próximo Plano Safra", disse. O ministro ressaltou a importância da qualificação do manejo da pecuária. "A pecuária caminha cada vez mais para uma produção intensiva ou semi-intensiva. Em consequência disso, haverá liberação de grande quantidade de terras", salientou.
Fonte: Jornal do Comércio
Brasil deve ter 44,5% do mercado internacional de carnes até 2020 08.03.10
Em dez anos, o Brasil deverá ser responsável pela produção de 44,5% das exportações mundiais de carne bovina, suína e de frango. A conclusão está no documento Projeções do Agronegócio – Brasil 2009/10 a 2019/20, elaborado pelo Ministério da Agricultura e divulgado na quinta-feira passada, dia 4. A participação brasileira no mercado mundial de carnes em 2010 será de 37,4%, de acordo com a pesquisa da Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério.
As exportações brasileiras de carne de frango, a mais vendida, que atualmente já representam 41,4% do mercado mundial, passarão a ter 48,1% de participação. A carne bovina passará de 25% para 30,3% e a suína, de 12,4% para 14,2%.
— Esses números só não são melhores por efeito da crise mundial — afirmou o coordenador-geral de Assuntos Estratégicos, José Garcia Gasques. A produção nacional de carnes deverá crescer 37,8% nesse período, o que representa 8,4 milhões de toneladas de carnes a mais. Segundo Gasques, mais de 70% desse incremento serão destinados ao mercado interno.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que participou da apresentação do trabalho, disse que a pecuária brasileira está se encaminhando para o sistema intensivo ou semi-intensivo, nos quais criam-se mais animais em uma área menor. Ele disse que, no Plano Agrícola e Pecuário 2010/2011, que deve ser apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em maio, será oferecida, além da linha que já existe para recuperação de áreas degradadas, uma para incentivar a integração lavoura-pecuária. — Essa parte será intensificada como um item específico no próximo plano agrícola, afinal, temos que cumprir os compromissos assumidos na COP 15 [Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em dezembro do ano passado em Copenhague] — afirmou o ministro. A pesquisa divulgada nesta quinta, dia 4, leva em consideração dados sobre a produção e o consumo mundial de alimentos dos últimos 30 anos. Outro estudo, com projeções do agronegócio brasileiro para os próximos 20 anos, está em fase de conclusão.
Fonte: Agência Brasil
Aumento da produção agropecuária precisa ocorrer sem desmatamento 08.03.10
O Brasil pode aumentar a produção agropecuária, inclusive de carne, sem aumentar os impactos ambientais como o desmatamento, diz o pesquisador sênior do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Paulo Barreto. Na quinta-feira passada (4), o Ministério da Agricultura divulgou a projeção de que o país será responsável por quase metade do mercado mundial de carnes. “Será necessário aproveitar melhor as terras já desmatadas, ou seja, aumentar a produção nestas áreas, além de melhoria da genética do gado, de melhor manejo dos solos e do pasto”, afirmou Barreto. Para ele, o governo precisa manter o combater o desmatamento ilegal, especialmente aquele que ocorre em terras públicas, onde as pessoas ocupam gratuitamente. "Se a ocupação destas terras continuar barata ou gratuita, fica mais barato desmatá-las do que investir no aumento da produtividade das áreas já desmatadas.”
Mauro Pires, diretor do Departamento de Política para o Combate ao Desmatamento, do Ministério do Meio Ambiente, acredita que o Brasil tem território suficiente para combinar proteção ambiental e produção agrícola. “Na medida em que o Brasil avança em produtividade, com tecnologia, aproveitando melhor as áreas já abertas, nós ganhamos, porque evitamos o desmatamento”. Segundo Pires, essa expansão na área de carnes significa um crescimento do agronégócio brasileiro. “Essa ampliação demonstra a competitividade do Brasil no mercado de exportação. Entretanto, essa produção deve ocorrer em áreas abertas de forma a não atingir localidades de proteção ambiental.” Pires acredita que, pelo fato do Ministério da Agricultura estar comprometido com as metas de redução de gases de efeito estufa, esse crescimento do agronegócio deve ocorrer de forma a não prejudicar o meio ambiente.
Fonte: Agência Brasil
Safra de grãos é 5,9% superior à 2008/9 e alcança 143 milhões de t 22.02.10
A produção nacional de grãos, da safra 2009/10, foi projetada pela Conab em 143,09 milhões de toneladas. O resultado, de acordo com o quinto levantamento, é o segundo melhor da história e 5,9% superior as 135,13 milhões t da última temporada, ou 1,2% a mais que o do mês passado (141,35 milhões t). O recorde da produção é do ciclo 2007/08, que foi de 144,1 milhões t.
O bom desempenho se deve à estabilidade de chuvas nos principais estados produtores, diferentemente do período anterior, que foi marcado pela estiagem nos estados da região Sul e Mato Grosso do Sul, provocando redução significativa na colheita, especialmente de soja e milho.
A oleaginosa, juntamente com o milho primeira safra, é a cultura mais beneficiada pelo clima e deve alcançar 66,73 milhões t, 16,7% ou 9,57 milhões t a mais que a temporada 2008/09, de 57,17 milhões t. Esta estimativa confere um novo recorde nacional de produção.
Outras culturas, como feijão primeira safra e algodão, também elevaram a produção. O primeiro registrou crescimento de 10,6% ou colheita de 142,1 mil t, graças à recuperação da produtividade. Já o algodão cresceu 2,1%, o equivalente a 40 mil t. Por outro lado, e em razão do excesso de chuvas no Rio Grande do Sul, o arroz apresenta queda de 1,10 milhão t, ou -8,7%. O milho também diminuiu 1,29 milhão t, ou -3,8%, em razão da redução de área.
Área
A área total plantada está calculada em 47,65 milhões de hectares, inferior 22,8 mil hectares da anterior. Com exceção da soja e do feijão primeira safra, as demais culturas pesquisadas tiveram redução de área, entre elas o algodão (-25,6 mil ha), o arroz (- 113,9 mil ha), o milho primeira safra (-1,11 milhão ha) e o segundo safra (-164,2 mil ha).
A pesquisa de campo foi realizada pelos técnicos da Conab entre os dias 18 e 22 de janeiro, de acordo com informações prestadas por produtores, representantes de cooperativas e sindicatos rurais, órgãos públicos e privados.
Fonte: Raimundo Estevam/Conab
Em janeiro, IBGE estima safra de grãos 7,2% maior que a de 2009
A safra nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas(1) deve somar 143,4 milhões de toneladas em 2010, 7,2% maior que a obtida em 2009 (133,8 milhões de toneladas) e 1,9% acima do 3º prognóstico, de dezembro (140,7 milhões de toneladas). É o que aponta a primeira estimativa do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), de janeiro. A área a ser colhida, de 48,1 milhões de hectares, apresenta acréscimo de 2,1% em relação a 2009, que foi de 47,2 milhões de hectares.
A safra esperada para 2010 tem a seguinte distribuição regional: Região Sul, 59,4 milhões de toneladas (+13,3%); Centro-Oeste, 49,8 milhões de toneladas (+2,1%); Sudeste, 16,5 milhões de toneladas (+2,1%); Nordeste, 13,9 milhões de toneladas (+19,3 %) e Norte, 3,9 milhões de toneladas (+1,7%). Na primeira avaliação para 2010, o Paraná retoma a posição de maior produtor nacional de grãos, superando o Mato Grosso em 0,6 pontos percentuais.
Destaque para as estimativas de seis produtos
No LSPA de janeiro destacam-se as estimativas de seis produtos: algodão herbáceo (em caroço), arroz (em casca), café (em grão), feijão (em grão) 1ª safra, milho (em grão) 1ª safra e soja (em grão).
Algodão Herbáceo (em caroço)
A primeira estimativa da produção de algodão herbáceo em caroço para 2010 é de 3,0 milhões de toneladas, acréscimo de 2,1% sobre as 2,9 milhões de toneladas obtidas em 2009. Embora tenha havido diminuição de 1,0% da área plantada, consequência do desestímulo dos produtores face aos altos custos de produção, dificuldades de financiamentos e baixas cotações da pluma, a produção está acrescida pela perspectiva de obtenção de rendimento 2,8% superior ao registrado em 2009.
Arroz (em casca)
A produção esperada de arroz é de 12,0 milhões de toneladas, 5,2% aquém da registrada em 2009. Tal quadro já fora apontado por ocasião dos primeiros prognósticos realizados no final de 2009. O Rio Grande do Sul, principal produtor (60,8% da produção nacional), apresenta queda de 8,1% na produção esperada e 2,9% na área, em função do excesso de chuvas que atrasou a semeadura, determinou a perda total de áreas em função do encharcamento das lavouras na região da Depressão Central do Estado, além de uma menor incidência de luz, que em conjunto resultaram numa estimativa de queda no rendimento médio de 5,4%, em relação a 2009.
Café (em grão)
A estimativa de janeiro é de 2.805.821 t, ou 46,8 milhões de sacas de 60kg de grãos beneficiados, 15,3% a mais que o obtido em 2009. A área destinada à colheita é de 2.142.549 ha, apenas 0,2% superior ao ano passado. A área total ocupada com a cultura no País decresce 1,0%, constatação verificada em Minas Gerais, Rondônia, Bahia, Paraná e Rio de Janeiro. O rendimento médio esperado é 1.310 kg/ha, 15,0% maior que o obtido em 2009. O acréscimo previsto na produção, em relação à safra colhida em 2009, é consequência, principalmente, da particularidade que apresenta o café arábica, espécie predominante no País (70%), de alternar anos de altas e baixas produtividades.
Feijão (em grão) 1ª safra
Para o feijão 1ª safra, aguarda-se produção de cerca de 2,0 milhões de toneladas, 23,1% maior que a obtida em 2009 (1,6 milhão de toneladas). A área plantada ou a plantar é de 2,4 milhões de hectares, 0,5% inferior à de 2009. Como se observa, nesse novo levantamento, mantém-se uma pequena retração na área, tendo em vista que os preços, por ocasião da implantação dessa safra, não estavam em patamares elevados.
Milho (em grão) 1ª safra
A estimativa para o milho 1ª safra é de produção de 33,4 milhões de toneladas, 1,3% abaixo da obtida em 2009. A queda é resultado da retração de 9,7% na área total plantada. No Paraná, maior produtor nacional (18,8% de participação), a redução na área plantada é de 30,1%.
Soja (em grão)
A produção esperada de 66,1 milhões de toneladas de soja em 2010 apresenta variação positiva de 16,0% em comparação ao obtido em 2009. A área a ser colhida apresenta crescimento de 6,0%, e o rendimento médio esperado acréscimo de 9,4% (respectivamente, 23,0 milhões de hectares e 2.871 kg/ha). A cultura ocupou áreas antes exploradas com o milho, e em menor escala com o algodão e o arroz, devido as maiores cotações e liquidez da soja. No Mato Grosso, maior produtor nacional (28,7% de participação), as condições climáticas são bastante favoráveis, e até o momento o excesso de chuvas não afeta a colheita – que já ocorre desde o final de dezembro.
Fonte: Comunicacão Social do IBGE
(1) Caroço de algodão, amendoim, arroz, feijão, mamona, milho, soja, aveia, centeio, cevada, girassol, sorgo, trigo e triticale.
2010 será ainda pior para exportadores 22.02.10
Exportações de manufaturados serão mais afetadas, diz AEB
Para entidade, superavit comercial deve cair de US$ 25,3 bilhões para US$ 8 bilhões e rentabilidade das vendas vai diminuir No ano passado, houve retração de 10,7% no volume exportado e recuo de 13,4% nos preços dos produtos, aponta Funcex Afetados pelo câmbio, os exportadores viram a rentabilidade de suas vendas ao exterior cair com força, embarcaram um volume menor de produtos e conviveram com preços deprimidos em 2009. O pior é que esse cenário tende a se agravar em 2010, quando o saldo comercial deve ceder dos US$ 25,3 bilhões verificados no ano passado para US$ 8 bilhões, segundo cálculos da Funcex (Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior).
Com a queda do dólar diante do real, a rentabilidade das exportações caiu 19,6% no ano passado. É que os exportadores, principalmente de manufaturados, têm seus custos atrelados ao real, mas recebem menos dólares por seus produtos vendidos ao exterior com a desvalorização da moeda.
"Não existe espaço para mudança da taxa de câmbio, e a tendência é que a perda de rentabilidade se agrave porque agora os preços das commodities começaram a cair também", afirma José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil).
Castro prevê que, diante da retomada forte da economia neste ano -com crescimento estimado do PIB em torno de 5%- e da manutenção de um câmbio desfavorável, muitas empresas vão deixar de exportar e focar sua atuação no mercado doméstico.Tal movimento, afirma, já ocorreu em 2009 -quando preços e quantidades exportadas despencaram- e tende a se intensificar neste ano.
De acordo com a Funcex, houve retração do volume exportado -de 10,7%- e recuo dos preços dos produtos -de 13,4%, em média. Somados, esses dois fatores provocaram a queda de 23% das exportações no ano passado, diz a fundação em seu boletim."Hoje, já não compensa mais exportar em muitos setores. É mais rentável vender no Brasil, principalmente para ramos intensivos em mão de obra, como móveis, vestuário e calçados."
Segundo José Augusto de Castro, o país importará mais neste ano graças ao aumento rápido do consumo, atendido parcialmente pelo mercado externo -ainda mais num cenário de câmbio favorável às importações.
Pelas estimativas da Funcex, as importações vão subir 20%, num ritmo maior do que a expansão das exportações -de apenas 8,5%.
O vice-presidente da AEB diz que o saldo no ano passado só não foi menor porque a economia brasileira se contraiu e demandou menos produtos do exterior -as importações recuaram 26,3%, com mais intensidade do que as exportações. Agora, diz, a situação se inverteu e haverá um processo mais forte de troca de insumos e produtos nacionais por importados.
Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, declara que o "problema central do exportador brasileiro é o câmbio" e cobra uma atuação "ativa e inteligente" do Banco Central para conter a especulação no mercado e a sobrevalorização da moeda brasileira.
"O setor exportador vive uma grave e aguda crise, e o governo parece não perceber que temos um problema estrutural sério. Vamos voltar a uma indesejável situação de elevados deficit em conta-corrente em pouco tempo se o saldo comercial continuar a cair."
Fonte: Pedro Soares, da sucursal da Folha de São Paulo no Rio de Janeiro
Exportações de manufaturados serão mais afetadas, diz AEB
Mais otimista, a AEB (Associação Brasileira de Comércio Exterior) prevê saldo comercial de US$ 12 bilhões no ano, projeção superior à da Funcex.José Augusto de Castro, vice-presidente da AEB, disse, porém, que, se tivesse feito a estimativa em fevereiro, o número seria menor, já que o preço das commodities está em queda.
Castro afirmou que os setores mais afetados neste ano serão os manufaturados, apesar da queda das commodities. No ano passado, tal cenário já havia se configurado: os ramos que perderam mais exportações, em volume, foram outros equipamentos de transporte (avião é o principal produto) e veículos automotores, de acordo com a Funcex. Já os que tiveram as maiores quedas de preço foram extração de petróleo e combustíveis.
Para o vice-presidente da AEB, as exportações dependem fundamentalmente da reação mais firme da economia global -posta em dúvida com a crise na Grécia e a perspectiva de alta dos juros nos EUA. Já as importações crescerão baseadas nos estímulos ao consumo interno, como o aumento real do salário mínimo.
Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, diz que a "combinação perversa" de valorização do real e o "dumping cambial" da China eliminou a competitividade de vários setores. Ele refere-se à desvalorização artificial da moeda chinesa, que cria uma vantagem competitiva. Em alguns casos, os produtos são de 40% a 50% mais baratos do que os brasileiros. Entre os ramos mais afetados estão eletroeletrônicos, calçados, móveis e cerâmicas.
Fonte: Pedro Soares, da sucursal da Folha de São Paulo no Rio de Janeiro
Safra recorde eleva valor do frete 22.02.10
Alta é de 25% em relação ao mesmo período de 2009 e tendência é de mais aumento, com o avanço da colheita
Transporte já representa 42% do preço da saca
A perspectiva de safra recorde de soja e o excesso de milho nos armazéns estão impulsionando o valor do frete neste início de colheita em Mato Grosso. A alta é de 25% em relação ao mesmo período de 2009, quando o custo para escoar a produção até o porto estava em R$ 180/tonelada, e de 7% sobre o maior valor registrado em 2009. Hoje, o custo para transportar soja do médio-norte do Estado até o Porto de Paranaguá (PR) é de R$ 225/tonelada, ante R$ 210/tonelada no início de março de 2009, pico do escoamento.
"O frete está alto e só tende a piorar com o avanço da colheita", diz o diretor do CentroGrãos, centro de comercialização da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), João Birkhan. O diretor da Agrosecurity, Fernando Pimentel, diz que o alto nível dos estoques de milho, a expectativa de boa colheita na safra de verão e o aumento da área de milho safrinha tendem a puxar ainda mais os custos do frete. "Não dá para escoar soja e milho simultaneamente."
Diante disso, os produtores usam os armazéns apenas como área de transbordo, para secagem da soja, que logo é transportada para os portos. Ele explica que este tipo de operação demanda um número muito maior de veículos, o que acaba elevando ainda mais o frete. O presidente da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja), Glauber Silveira, explica que o frete hoje em Sorriso representa 42% do valor dos R$ 28 da saca de 60 quilos de soja.
Fonte: Fabíola Gomes - O Estado de S.Paulo
Baru, umbu e mangaba podem ter apoio na PGPM-Bio 22.02.10
Novos produtos da sociobiodiversidade, como baru, umbu, mangaba, cupuaçu, buriti e óleos de copaíba e andiroba poderão receber apoio do governo federal, por meio da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM-Bio). Babaçu e açaí estão entre os que já têm ajuda.
A Conab terminou nesta semana o levantamento do custo da produção dessa segunda leva de produtos extrativos, após trabalho de pesquisa iniciado há três semanas, em áreas produtivas dos estados do PA, AM, GO, MT, MG, SE e BA. A proposta será repassada ao grupo gestor formado por órgãos dos ministérios da Fazenda, Agricultura, Desenvolvimento Agrário e do Meio Ambiente, para aprovação e cálculo dos índices de preços mínimos. O custo de produção é um dos itens utilizados no cálculo do preço mínimo da PGPM-Bio.
Segundo os técnicos da Companhia, outros sete produtos já fazem parte do programa, como babaçu, borracha natural, castanha-do-brasil, piaçava, açaí, carnaúba e pequi, cujo objetivo é melhorar as condições de vida dos produtores extrativistas e garantir a conservação dos recursos naturais.
Fonte: Raimundo Estevam/Conab
Paraná supera Mato Grosso e é maior produtor nacional de grãos 22.02.10
Produtores paranaenses de soja já iniciaram a colheita da safra de verão que promete ser uma das maiores, contribuindo para que o Paraná retome a liderança na produção de grãos, perdida no ano passado para Mato Grosso. A previsão é de que sejam colhidos 29,32 milhões de toneladas, superando em 0,6% a safra de Mato Grosso, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume produzido no Estado representa 20,5% da projeção de produção nacional de grãos - 143 milhões de toneladas.
Apesar da boa produtividade, nem tudo é motivo de comemoração. Os preços, cotados pelo mercado internacional, estão em queda e são alvo de preocupação. “Desde junho estão em queda livre e, por enquanto, não há o que inverta a tendência”, disse Lucílio Alves professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz e pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Dados apresentados pelo economista Alexandre Mendonça de Barros, da MB Associados, a produtores reunidos no Show Rural, em Cascavel, no oeste do Paraná, apontam para uma produção mundial de soja de 253 milhões de toneladas, um aumento de 20% ante 2009. Principalmente em razão das previsões de recordes dos três principais produtores - Estados Unidos, com 91 milhões de toneladas, Brasil, com 65 milhões (nova projeção da Conab reajustou para 66,7 milhões), e Argentina, com 53 milhões (no ano passado teve quebra de 31%). Diante de um consumo de 235 milhões de toneladas, resultariam estoques de 60 milhões, visto que outros 43 milhões fazem parte da reserva inicial.
Fonte: Gazeta do Povo, com informações do jornal O Estado de S.Paulo.
Projeção é de exportações recordes de arroz 22.02.10
As exportações brasileiras de arroz vão bater recorde ao fim do ano-safra da cultura, em fevereiro. O volume de março de 2009 a janeiro de 2010 chega a 866,3 mil toneladas, base casca, e já supera a marca de 789 mil toneladas de 2008/2009. O levantamento foi feito pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) com dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior.
Os volumes crescentes há seis anos colocam o Brasil no clube dos dez maiores exportadores de arroz, ainda distante das 9 milhões de toneladas comercializadas pela Tailândia, mas bem acima das quase insignificantes 23,5 mil toneladas que vendeu em 2003. O país ainda não é superavitário no item, mas as importações, feitas basicamente do Mercosul, vêm caindo e podem fechar o ano-safra com volume pouco superior ao das exportações. Até janeiro, chegaram a 871,5 mil toneladas.
A atual escalada das exportações começou em 2004. Naquele ano, o volume ainda foi baixo, de 92,2 mil toneladas, mas correspondeu a um salto que quadruplicou as 23,5 mil toneladas de 2003. Outra multiplicação semelhante elevou o volume para 379,7 mil toneladas em 2005. Após uma pequena queda em 2007, para 319,1 mil toneladas, houve mais um pulo, para 790 mil toneladas em 2008, estimulado pela cotação internacional do arroz, que dobrou de preço, chegado à inédita marca de US$ 1,026 mil a tonelada na Tailândia.
O Brasil encontrou brechas para se tornar exportador quando a superoferta do mercado internacional foi enxugada pelo crescimento do consumo da China e da Índia, países com dificuldades para ampliar suas áreas agricultáveis. Naqueles anos de 2004 e 2005, havia excedentes internos provocados por boas safras locais e remessas do Mercosul. A cadeia percebeu que havia oportunidades em outros continentes e passou a buscá-las. Em 2008, quando o preço do arroz foi às alturas, já tinham alguns canais abertos no mercado internacional e tratou de ampliá-los.
Fonte: Canal Rural, com informações do jornal O Estado de S.Paulo
Observatório: forte crescimento em 2009 08.02.10
Ao contrário do que aconteceu com o agronegócio brasileiro, o crescimento do número de frequentadores em 60% e de downloads de documentos em 180%, em 2009 com relação a 2008, marcam a performance do Observatório do Agronegócio no ano que passou.
Em 2009 registraram-se 52.744 acessos (diariamente distintos) e 33.766 donwloads de documentos disponibilizados pelo Observatório.
Deve-se ressaltar que em 2009, a partir de março, este Observatório passou a ser atualizado quinzenalmente, após um período de cerca de 18 meses com atualizações diárias de segunda a sexta-feiras, e as estatísticas mostram que, apesar disso (ou, quem sabe, devido a isso...) a frequência ao nosso sítio aumentou em 60%. Cada edição quinzenal do Observatório contou com mais de 2.200 leitores, em média.
Registro, então, meu agradecimento a tod@s vocês que compartilham esse esforço de registrar e difundir as principais questões relativas aos impactos do agronegócio, sejam eles positivos ou negativos, na sociedade e no meio ambiente (em nosso país e no mundo). Espero continuar contando com a frequência de todos vocês e, em especial, com o apoio indispensável para que este sítio possa continuar a existir e mostrar os diversos lados desses agronegócios.
Maurício Galinkin
Editor
Agronegócio registra retração de 4,9% em 2009, revela IBGE 08.02.10
O agronegócio brasileiro fechou 2009 com retração de 4,9%, desempenho inferior ao de 2008 (alta de 1,7%), mas superior ao desempenho da indústria em geral, que registrou queda de 7,4%. Os dados foram divulgados dia 5 de fevereiro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Técnicos do IBGE atribuem a queda da agroindústria no ano passado à crise econômica global e à seca na Região Sul do país, com a consequente redução de 8,3% da safra agrícola e o recuo de 28,7% nos investimentos em máquinas e equipamentos agrícolas, além da queda de 2,1% na compra de adubos e fertilizantes e de 15,7% na aquisição de defensivos agropecuários. A agroindústria apresentou resultados negativos nos quatro trimestres de 2009: -6,7% no primeiro; -4,2%, no segundo; -5,9% no terceiro; e -2,8% no quarto. Ambos os semestres apresentaram queda, que foi de 5,3% no primeiro e de 4,5% no segundo. A retração menos intensa no segundo semestre se deve à melhora da atividade pecuária, que cresceu 1,8% no período. O resultado da agricultura em 2009 foi influenciado negativamente pela estiagem, iniciada no último trimestre de 2008, sobretudo no Sul, principal região produtora do país, e pelo menor uso de adubos e defensivos, que contribuíram para a redução da produtividade e da produção.
Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a safra de grãos de 2009 foi a segunda maior da história (133,8 milhões de toneladas de grãos), resultado 8,3% inferior à safra recorde de 2008 (146 milhões de toneladas). Em consequência da crise econômica internacional, houve queda no volume e no preço das commodities agropecuárias exportadas, com impacto negativo no resultado da agroindústria na comparação com o de 2008. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (SECEX/MDIC), o volume exportado dos principais produtos da agroindústria teve as seguintes variações em relação a 2008: álcool (-34,7%), óleo de soja em bruto (-22,3%), couros e peles de bovinos (-15,2%), carnes de bovinos congeladas (-12,3%), pedaços e miudezas de aves (-3,4%) e bagaços e outros resíduos da extração do óleo de soja (-0,2%). Por outro lado, aumentaram as exportações de açúcar (24,8%), fumo (4,9%), celulose (16,9%), suco de laranja (0,7%) e grãos de soja triturados (16,6%).
O setor de produtos industriais derivados da agricultura recuou 4,0% em 2009, com resultados negativos em seis dos oito subsetores pesquisados. De acordo com o IBGE, a queda dos derivados da cana-de-açúcar (-5,9%) é explicada pela redução de 15,4% na produção de álcool, devido ao direcionamento da safra para a produção de açúcar, que cresceu 4,0%, reflexo da alta dos preços internacionais, em função da queda da safra da Índia, o segundo maior produtor mundial. Com isso, as exportações de açúcar subiram 24,8%, enquanto as vendas externas de álcool recuaram 34,7%. Outras influências negativas vieram dos derivados da soja (-9,1%), do milho (-2,4%) e do trigo (-4,2%), além do fumo (-2,4%) e da laranja (-9,5%). Já as contribuições positivas vieram do arroz (6,4%), produto direcionado ao mercado doméstico, e da celulose (0,2%), influenciada pela exportação.
Produtos Industriais Utilizados pela Agricultura
O setor dos produtos industriais utilizados pela agricultura apresentou retração (-12,7%), por conta da queda da fabricação de máquinas e equipamentos agrícolas (-28,7%) e de adubos e fertilizantes (-2,1%). Este segmento foi afetado pela redução da renda agrícola, decorrente da queda do volume exportado e das cotações das commodities agrícolas, e do aumento dos custos no período de plantio da safra de 2009.
Com isso, o investimento em máquinas e equipamentos, e a compra de adubos e fertilizantes, itens fundamentais para o crescimento da produtividade agrícola, foram menores. Além do mercado interno, o setor externo também contribuiu para a queda da produção de equipamentos agrícolas. Conforme estatísticas da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), houve quedas tanto na quantidade exportada de colheitadeiras (-65,5%), como na de tratores de rodas (-46,3%).
Produtos Industriais Derivados da Pecuária
O setor de produtos industriais derivados da pecuária recuou (-1,2%). Os derivados de aves caíram (-0,7%), devido à redução das exportações, principalmente para a Ásia e União Européia. Os derivados da pecuária bovina e suína tiveram sua produção reduzida (-2,9%), em razão da menor quantidade exportada, com destaque para a Rússia e União Européia. A produção de leite, direcionada ao mercado interno, cresceu 2,7%, enquanto a de couros e peles retraiu-se (-11,3%), com a redução nas exportações.
Produtos Industriais Utilizados pela Pecuária
O setor de produtos industriais utilizados pela pecuária recuou (-0,7%). O grupo rações, de maior peso, teve queda (-4,5%), enquanto o de produtos veterinários avançou 19,1%.
Fontes: Riomar Trindade, repórter da Agência Brasil (edição: Juliana Andrade), Comunicação Social do IBGE, com o Observatório
Agronegócio no Centro-Oeste perde mais com clima quente 08.02.10
Novo estudo confirma previsões anteriores
Prejuízo em Mato Grosso, polo de agronegócio, pode chegar a R$ 333 bi até 2050, devido principalmente à escassez de água
Conforme indicou a edição de 21 de dezembro passado deste Observatório, o agronegócio brasileiro deverá ter uma nova geografia econômica nos próximos decênios, devido aos impactos do aquecimento global já previstos por cientistas brasileiros e em sintonia com os estudos mundiais. Indicações de novos resultados de estudos já começam a chegar aos jornalões brasileiros. O impacto na disponibilidade de água na região Centro-Oeste não será apenas no agronegócio, é bom frisar, pois o Cerrado tem sido a “caixa-d’água” que garante boa parte da geração de energia hidrelétrica do país (Maurício Galinkin, editor do Observatório).
Estimativa integra nova fase do relatório "Economia do Clima", primeiro a fazer no Brasil o cálculo do custo do aquecimento global O Centro-Oeste sofrerá as maiores perdas econômicas do Brasil, em termos proporcionais, com aquecimento global. Até 2050, o prejuízo pode atingir R$ 639 bilhões, o equivalente a dois anos e meio de crescimento. Só em Mato Grosso, principal polo do agronegócio da região, o valor chega a R$ 333 bilhões. É como se o Estado parasse de gerar riquezas durante mais de cinco anos.As informações fazem parte de uma nova etapa do estudo "Economia do Clima", que no fim do ano passado estimou prejuízo de até R$ 3,6 trilhões nos próximos 40 anos em todo o Brasil. Um novo relatório, com lançamento oficial previsto para o primeiro trimestre, detalha onde e como acontecerão os estragos. AgriculturaEm entrevista à Folha, Carolina Dubeux, coordenadora operacional do projeto (que reúne 11 instituições de pesquisa), adiantou alguns resultados. Segundo a pesquisadora da Coppe/UFRJ, os indicadores demonstram uma diminuição significativa das áreas "aptas às culturas alimentares". Sobretudo por conta do clima mais quente e seco e do acesso à água mais limitado.
O estudo baseia-se em dois cenários do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática) -um com emissões menores de gases-estufa, outro com emissões maiores. A medida de comparação é o PIB, soma de todas as riquezas produzidas, de 2008.No Nordeste, as áreas de cultivo podem encolher 23% até 2070. No pior cenário, a região perde R$ 653,7 bilhões, quase duas vezes seu PIB de 2008. Alagoas tem prevista a maior perda relativa da região (R$ 95 bilhões), quase cinco anos de crescimento jogados fora.
No Norte, as quedas variam entre R$ 91,6 bilhões e R$ 267 bilhões. Roraima, cujo PIB (de R$ 4,2 bilhões) é o menor do Brasil, perderá, no mínimo, o equivalente a 14 meses de produção. Na pior hipótese, amargará estragos comprometendo três anos de sua economia.
O estudo alerta que a redução nas áreas de cultivo aumentará a pressão sobre as florestas nativas. A expansão do pasto também é uma preocupação, afirma Dubeux. "As pastagens têm baixa produtividade, mas em algumas regiões, elas serão uma opção tentadora para substituir as lavouras. É uma situação preocupante."
Tanto o Nordeste quanto o Norte enfrentarão ondas de calor. A quantidade de chuvas também deve diminuir, reduzindo a vazão dos rios e, assim, prejudicando a geração de energia. Embora o estudo não detalhe quais seriam os impactos específicos em cada empreendimento, as bacias hidrográficas que alimentam as três maiores hidrelétricas planejadas ou em construção no Brasil -Santo Antônio e Jirau, em Rondônia, e Belo Monte, no Pará- poderiam ser afetadas.
A redução nas vazões também deve chegar ao Centro-Oeste, onde, segundo o Plano Decenal de Energia, Goiás receberá 15 novas hidrelétricas nos próximos oito anos. Poluição atrai poluição
"Precisaremos de investimentos muito grandes para compensar os efeitos negativos da redução dos recursos hídricos", diz a coordenadora do estudo, que aponta uma queda de até 31,5% da capacidade de geração de energia firme [aquela garantida mesmo sob condições climáticas adversas].
A dificuldade para gerar energia nos rios deve impulsionar o uso das usinas termelétricas, mais poluentes.
Segundo Eduardo Haddad, professor da USP e coordenador de modelagem econômica da pesquisa, isso aumenta a dependência do uso do petróleo e seus derivados, "amenizando parte do impacto econômico nos Estados produtores", como Rio de Janeiro e Sergipe. As consequências ambientais, por outro lado, podem se agravar com a energia "suja".
A agricultura, pilar econômico da região Centro-Oeste, deve sofrer efeitos em todas as culturas. As áreas favoráveis à produção de arroz e feijão podem encolher 12% e 10% respectivamente até 2050. As plantações de soja também serão afetadas, com redução de área potencial de até 34%.
Fonte: Giuliana Miranda, colaboradora da Folha de São Paulo. Texto original em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0702201001.htm
São Paulo terá o maior prejuízo absoluto
Embora São Paulo tenha escapado das projeções climáticas mais pessimistas, o Estado terá os maiores prejuízos absolutos, acreditam os pesquisadores. No pior cenário, os danos chegam a R$ 1,2 trilhão - mais de um terço da queda de PIB projetada para o país todo. Ainda que as emissões diminuam, os danos potenciais são de, pelo menos, R$ 230 bilhões, ou seja, 25% do PIB nacional em 2008.
"Apesar de uma pequena perda na agropecuária, São Paulo enfrentará principalmente a queda na demanda das áreas mais afetadas. O Estado tem uma economia que depende muito dos fluxos do mercado interno", afirma Eduardo Haddad, da USP. Ganhos no Sul
Já a região Sul, ao contrário do resto do país, pode sair economicamente beneficiada. As temperaturas mais elevadas e a diminuição das geadas favorecerão a agricultura. Em um cenário com menos gases-estufa, os Estados da região podem chegar a ganhar R$ 563 bilhões. Na pior das hipóteses, as perdas provocadas pelo aquecimento global representam um comprometimento de menos de quatro dias de crescimento.
Segundo Carolina Dubeux, que coordena o estudo, o relatório completo mapeará os impactos das mudanças climáticas de maneira ainda mais detalhada. "O estudo estará disponível em linguagem acessível justamente para que todos possam compreender. Nosso objetivo é que as mudanças sejam debatidas amplamente", diz.
Fonte: Giuliana Miranda, colaboradora da Folha de São Paulo. Texto original em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0702201002.htm
Ruralistas forçam barra por agrotóxicos ultraperigosos 08.02.10
A pressão sobre a Anvisa aumentou no segundo semestre de 2009. Diretores do ministério, dirigentes de empresas, sindicatos de fábricas desses defensivos agrícolas e parlamentares iniciaram uma campanha para rever proibições da Anvisa e suspender consultas públicas feitas pela agência, com parecer pelo banimento desses ingredientes.
As empresas estão recorrendo à Justiça, que tem dado ganho de causa à Anvisa.
Stephanes participa diretamente de pressão sobre Anvisa
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participa diretamente dessa ação contra a Anvisa e comandou, no início de dezembro, uma reunião em sua sala para tratar do assunto. Estavam presentes todos os segmentos interessados na liberação dos agrotóxicos, e representantes do Ministério do Meio Ambiente e da Anvisa. A temperatura subiu, e o clima fechou entre Stephanes e representantes da Anvisa. O ministro não esconde o descontentamento.
— A Anvisa não pode decidir sozinha sobre agrotóxicos. Não é uma decisão exclusiva da agência. Sei que a agricultura orgânica é melhor do que a que utiliza agrotóxico. Mas não tenho dúvida que, sem esses produtos (agrotóxicos), não vamos produzir mais e alimentar mais gente. Claro que, se algum deles faz, de fato e comprovadamente, mal à saúde, defendo que seja retirado do mercado — disse Stephanes.
Essa frente de defesa do agronegócio contra a Anvisa chegou ao extremo no dia 23 de dezembro do ano passado, quando dois parlamentares da bancada ruralista — Luiz Carlos Heinze (PP-RS) e Paulo Piau (PMDB-MG) — enviaram um ofício ao ministro da Saúde, José Gomes Temporão. Nesse ofício, argumentaram que, na reunião no Ministério da Agricultura, ficou decidido que a Anvisa cedera e teria se comprometido a fazer mudanças na reavaliação toxicológica de ingredientes ativos, utilizados em mais de 200 agrotóxicos no Brasil.
Esses parlamentares chegaram a enviar em anexo a minuta de uma instrução normativa, a ser baixada por Temporão, suspendendo consultas públicas de quatro produtos e revogação de decisões sobre vários agrotóxicos. Os parlamentares chegaram a fazer, no documento, duros ataques à direção da Anvisa, acusada por eles de defender interesses obscuros.
“É um tiro de morte na autonomia da Anvisa” “Sr. ministro, estamos falando de produtos essenciais para a agricultura brasileira, setor responsável pelo superávit da balança comercial e grande gerador de riquezas e empregos neste país. São claros e evidentes os interesses obscuros dos gestores dessa agência (Anvisa) ao se intitularem os únicos e exclusivos responsáveis por tão importante decisão”.
O ex-ministro da Saúde Agenor Álvares, diretor da Anvisa desde maio de 2007 e responsável pela área de agrotóxicos, reagiu com indignação à pressão dos setores ruralistas. Afirmou que, na reunião no Ministério da Agricultura, da qual participou, jamais a agência cedeu e sinalizou com a revisão de consultas públicas ou proibições.
Agenor disse que não foi feito acordo algum e que não haverá qualquer recuo da Anvisa.
O diretor afirmou também que essa pressão visa a atingir a autonomia da Anvisa e criticou a elaboração da instrução normativa que, se fosse publicada, iria liberar todos os produtos hoje sob suspeita de agredir a saúde.
— É uma proposta inaceitável, dos maiores absurdos que já vi. Essa pressão é uma intervenção direta na autonomia de uma agência, cujo papel é proteger a saúde da população. E estamos obtendo o respaldo da Justiça nas nossas decisões. Se interesse escuso há, é o de defender a saúde do brasileiro contra esses produtos. Essa pressão é um tiro de morte na autonomia da Anvisa, que não vai arredar pé — disse Agenor.
Fonte: Evandro Éboli, O Globo.
Produtos perigosos
ABAMECTINA: O produto pode provocar aborto ou má-formação. É proibido na Nova Zelândia.
ACEFATO: Pode causar danos no cérebro e nos nervos e provocar câncer a longo prazo. É proibido em toda a Comunidade Europeia.
CARBOFURANO: Provoca sintomas graves, que aparecem em um ou poucos contatos com o produto e pode levar à morte. É proibido na Comunidade Europeia, Estados Unidos, Líbia e Canadá.
CIHEXATINA: Pode causar câncer, aborto e má-formação no feto. Pode atingir o cérebro e os nervos. É proibido no Japão, Estados Unidos, Canadá, China, Áustria e Comunidade Europeia.
ENDOSSULFAN: Pode alterar o funcionamento de várias glândulas, como tireoide, e atingir órgãos como ovários, testículos e o pâncreas. É proibido na Comunidade Europeia, Índia, Burkina Faso, Cabo Verde, Nigéria, Senegal e Paraguai.
Mudanças no Sisbov ainda dependem de análise das sugestões
recebidas na consulta
Mudanças no Sisbov ainda dependem de análise das sugestões
recebidas na consulta
Terminou no último dia 19 a consulta pública sobre as mudanças propostas pelo Ministério da Agricultura para o novo Sistema de Identificação e Certificação de Bovinos e Bubalinos (Sisbov), para o recebimento de sugestões e críticas. A consulta foi aberta em 21 de dezembro e recebeu pouco mais de 40 sugestões. Essas sugestões estão sendo analisadas e serão submetidas à Comissão Técnico-Consultiva do Sisbov. Entre as principais mudanças propostas estão deixar de exigir o “passaporte” individual do animal e permitir suaa identificação coletiva, e a possibilidade de ter um agente certificador autônomo, credenciado pelo Mapa, no processo de certificação. "O passaporte individual possui apenas uma informação que é utilizada no processo, o código de barras. Como esse mesmo código de barras já está no elemento de identificação do animal, a avaliação é a de que esse documento é uma burocracia desnecessária", explica o diretor de Programa da Área Animal da Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Márcio Rezende.
A identificação coletiva de animais é permitida no novo sistema, mas os animais que estiverem identificados na Propriedade Cadastrada no Sisbov com essa modalidade não poderão ser destinados à produção de carne para exportação para mercados que exigem identificação individual. "Para fornecimento de carne para a UE, os animais terão que estar individualmente identificados com números únicos, pelo menos 90 dias antes do abate", diz Rezende. Segundo o diretor de defesa agropecuária do Mapa, as principais sugestões da União Europeia ao Sisbov, como cruzamento de dados entre o Sisbov e os sistemas de saúde animal e saúde pública; redefinição do papel de certificação no sistema, visando principalmente à eliminação de intermediários entre o produtor e o sistema e aperfeiçoamento da base de dados, foram abordadas na proposta. "A proposta simplifica os procedimentos operacionais e o acesso direto do produtor às suas informações, além de eliminar um erro de concepção do sistema instituído pela IN 17/2006, no qual a mesma entidade que orientava os trabalhos na propriedade era a entidade que certificava esses procedimentos." Atualmente, 1.817 propriedades estão habilitadas para exportar para a União Europeia e cerca de 2 mil aguardam a aprovação para entrar na lista.
Fonte: Fernanda Yoneya, jornal Estado de São Paulo, com o Observatório
Original em http://www.estadao.com.br/suplementos/not_sup505541,0.htm5.00
Ministro nega apagão e diz que custo no Brasil é "europeu" 08.02.10
O ministro da SEP (Secretária Especial de Portos), Pedro Brito, afirma que o Brasil está longe de ter um apagão nos portos e que o custo portuário, diante da atual movimentação, é comparável ao que é cobrado na Europa."Para a escala de movimentação de cargas nos portos brasileiros, nossos custos são comparáveis aos dos portos europeus e mais baixos que os custos nos Estados Unidos", diz.O ministro nega haver no país um apagão portuário, mesmo diante da supersafra que começa a ser carregada para os portos. "Essa expressão não traduz em absoluto a situação do setor portuário. Eu diria que estamos a anos-luz de qualquer possibilidade de apagão", afirma o ministro.Para sustentar o argumento, ele diz que toda a demanda do agronegócio exportador foi atendida no ano passado. Mais: o ministro afirma que sobra espaço nos portos do país.Mal ou bem, a exportação agrícola, avaliada em US$ 64,8 bilhões em 2009, de fato passou pelos portos do país. Mas a questão é como e a que custo a produção agrícola alcançou os portos. O Ministério da Agricultura afirma que as condições de transporte e logística para parte da produção agrícola brasileira estão longe de ser adequadas. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirma que a situação, em algumas regiões, já representa um freio para a produção."As condições logísticas estão quase inviabilizando a região norte do Mato Grosso. Temos hoje cerca de 20 milhões de toneladas de grãos que são escoadas por portos inadequados, distantes das zonas de produção", diz. Para compensar, o governo libera R$ 1 bilhão para minimizar (subsidiar) o impacto do custo de transporte.Para Stephanes, o atraso do projeto do porto de Itaqui se explica pela "incompetência" dos governos. Segundo o ministro da Agricultura, no entanto, mesmo a estrutura de Itaqui ainda não será suficiente para o agronegócio.Stephanes defende a implantação da hidrovia Teles Pires/ Tapajós como solução para o escoamento da produção de Mato Grosso -o maior produtor de grãos do país- rumo ao porto de Santarém (PA). O problema (entre vários outros existentes) é o arranjo da hidrovia dentro do desenho que o setor elétrico pretende dar aos aproveitamentos hidrelétricos.
Fonte: Agnaldo Brito, enviado especial da Folha de São Paulo a Balsas (MA), com o Observatório. Texto original em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0702201004.htm
Apagão logístico impede o avanço do agronegócio, diz a Folha de São Paulo 08.02.10
País deixa de produzir 3 milhões de toneladas por falhas na estrutura logísticaPorto maranhense de Itaqui, estratégico, está no limite e com obras atrasadas; sem ele, opções para o Norte e o Nordeste estão a 3.000 km .....O Ministério da Agricultura estima que 20 milhões de toneladas de grãos produzidas no país são desviadas para portos muito mais distantes do que sugere qualquer planejamento logístico, situação que afeta em cheio a renda do produtor rural e realimenta um paradoxo que tem se tornado recorrente no setor agrícola: a renegociação de dívidas por falta de renda. Projeto de papel
A Folha percorreu mais de 2.000 km entre a capital e o interior do Maranhão -Estado que freia a produção por falta de porto-, conversou com produtores, líderes do setor agrícola e governos e constatou que a infraestrutura para transporte de grãos em escala prevista para o porto de Itaqui, no topo do Brasil, está só no papel.Idealizado em 2004 e prometido para entrar em operação (pelo menos parcialmente) em 2007, o Tegram (Terminal de Grãos do Maranhão), com sorte, terá a primeira fase pronta em 2012. A licitação está prometida para abril. Etapa inicial que elevaria a capacidade de recepção e embarque de soja de 2 milhões para 7 milhões de toneladas.A estrutura corrigiria também uma situação inédita: reduzia o custo da logística ferroviária, que hoje é igual ao custo rodoviário (US$ 75 por tonelada). "Isso é uma aberração", diz José Hilton, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Maranhão. …
O projeto completo para grãos em Itaqui, cujo prazo ninguém se atreve a arriscar, elevaria a capacidade do porto para 13 milhões de toneladas. Seria então a maior porta de saída do agronegócio graneleiro do país, papel exercido hoje pelos longínquos portos de Santos e Paranaguá, hoje responsáveis por receber e transferir para navios aproximadamente 18 milhões de toneladas por ano, exatamente por deficiência nas saídas do Norte.A despeito da distância de Santos e Paranaguá em relação a promissoras regiões produtoras como Tocantins, Piauí, Maranhão, oeste baiano e norte do Mato Grosso, os portos do Sul seguem como principal destino dos grãos dessas regiões.Segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), entre todas as saídas dos chamados corredores Centro-Norte, Porto Velho (RO) é a que mais se destaca. O porto recebe a produção de Rondônia e do noroeste de Mato Grosso. De Porto Velho partem barcaças – que pertencem ao Grupo Maggi - para transbordo em navios transoceânicos em Itacoatiara (AM) e Santarém (PA).As duas outras opções são Vila do Conde (PA) e Itaqui, no Maranhão, considerado o melhor porto para esse fim, seja pela posição geográfica (quatro dias mais perto da Europa e da América do Norte), seja pela capacidade de receber navios gigantes, algo impossível nos portos de Santos e Paranaguá.….
Levantamento realizado pelo Ministério da Agricultura e pela CNA mostra que a fronteira agrícola do Nordeste e norte do Centro-Oeste já deixou de produzir 3 milhões de toneladas de soja devido ao apagão portuário, volume que retira do país, neste momento, o equivalente a cerca de US$ 1 bilhão em divisas, cifra considerável se for levado em conta o fato de que, no ano passado, o complexo soja rendeu US$ 17 bilhões em receitas ao Brasil.
Fonte: Agnaldo Brito, enviado especial da Folha de São Paulo a São Luís (MA), com o Observatório. Texto completo em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0702201002.htm